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Quer ler mais em 2015? Saiba como

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Deixe de ler aquilo que acha que "deve" ler e opte pelo que realmente o seduz  Getty Images

Deixe de ler aquilo que acha que “deve” ler e opte pelo que realmente o seduz
Getty Images

Editora da Amazon explica o que fazer para que a literatura faça parte da sua vida do início ao final do ano. Saltar para as páginas do meio quando não está a gostar do livro é uma das opções.

Ana Pimentel, no Observador

Resoluções de Ano Novo. Quantas vezes prometeu “no próximo ano vou ler mais livros”? O Natal é sempre um bom pretexto para presentear quem mais se gosta com uma boa dose literária e a vontade de ler as novidades aguça-se à medida que os novos livros chegam.

Contudo, com o instalar da rotina, nem sempre é fácil cumprir com os objetivos de início do ano. Seja porque surgem outras prioridades ou porque a falta de disciplina se impõe. O que é certo é que não há quem não goste de ler que não se lamente por não ler mais no final do ano.

Sara Nelson, diretora editorial da Amazon, explicou no Huffington Post quais são os seus truques para que a literatura nunca fique fora da agenda. São seis dicas para que 2015 seja o ano em que os livros o acompanham do início ao fim.

1. Deixe de ler aquilo que acha que “deve” ler e opte pelo que realmente o seduz. Ler aquilo que as pessoas mais “espertas” aconselham, só porque sim, não é boa política. Para Sara Nelson, o truque passa por escolher os livros que o atraem, seja pela contracapa, pelo que encontra na internet ou por uma entrevista que o autor deu. Deixe-se influenciar por aquilo que o atrai. Siga a sua opinião.

2. Evite definir-se como alguém que “só gosta” de determinado género literário ou como alguém que “detesta” outro. Sara Nelson dá um exemplo pessoal: costumava dizer que “detestava histórias pequenas” até que se apaixonou pelo livro “The Interpreter of Maladies”, de Jhumpa Lahiri. É caso para dizer: não se restrinja ou imponha escolhas.

3. Permita que “para de ler” seja uma opção. Pode parecer contraditório, mas segundo Sara Nelson, “perder tempo precioso “a ler coisas que não está a gostar ou que está a ler apenas porque “é suposto”, pode causar o efeito oposto: deixar de ler o que quer que seja. Quando percebe que, efetivamente, não está a gostar do que está a ler, pare e aproveite para ler algo pelo qual se apaixonou.

4. Se ainda assim está determinado a acabar um livro que parece não lhe ter agradado à primeira, salte para as páginas do meio. Mas atenção: saltar para o meio não significa optar pelo final da história. Deixe que o fim o surpreenda sempre. Embora a editora da Amazon considere que é dever do autor agarrar o leitor logo nos primeiros instantes da obra, isso não quer dizer que não seja possível de acontecer a meio.

5. Ignore as críticas literárias que dizem que determinado livro é semelhante a outro, sobretudo se ainda não tiver lido esse tal “outro”. Sara Nelson confessa que evita fazer esse tipo de comparações nas críticas que assina, até porque pode pressionar os leitores. Importante é que cada um encontre a sua perspetiva.

6. Há algum filme que queira muito ver? Opte por ler o livro em que se baseia o argumento primeiro. Na opinião de Sara Nelson, a mais-valia do ato de ler é o facto de o leitor poder construir a sua própria perspetiva da história e das personagens. Se conseguir ler o livro antes de ver o filme, é mais divertido perceber se o realizador fez a mesma leitura.

Complexo de culpa: porque largar um livro no meio é tão difícil

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Natasha Romanzoti, no HypeScience

Você pode não estar gostando ou entendendo nada, mas vai dizer se não é extremamente agonizante abandonar um livro meio lido?

Esse exemplo, aliás, não é único. Muitos dos meus colegas dizem que assistem uma novela ou série até o fim, mesmo que esteja chata ou que não estejam mais gostando, porque “não podem largar meio” ou até mesmo porque querem saber o fim.

Ninguém quer desistir. A desistência vem com um sentimento inevitável de culpa. Mas tomar uma decisão consciente de largar um livro (ou outra atividade não terminada) pode ser na verdade bastante libertador.

Na era do e-reader, desistir de um livro nunca foi tão fácil: não é nem preciso se levantar da cadeira para pegar outro na prateleira. Mas a escolha de terminar um relacionamento com um livro prematuramente permanece estranhamente perturbadora.

“Isso vai contra a forma como fomos arquitetados”, explica Matthew Wilhelm, psicólogo clínico da Califórnia, EUA. “Há uma tendência para que percebamos objetos como ‘acabados’ ou ‘inteiros’, embora que eles possam não ser. Essa motivação é muito poderosa e ajuda a explicar a ansiedade em torno de atividades inacabadas”.

A ideia de parar no meio do caminho é estressante, mas, ainda assim, nós fazemos isso. E até mesmo nos gabamos. GoodReads, uma comunidade online de leitores, permitiu que seus 18 milhões de membros classificassem os livros iniciados mais inacabados de todos os tempos. 7.300 membros votaram, com o topo da lista ficando com “Ardil 22″, clássico do americano Joseph Heller, e livros como a série “Senhor dos Anéis” em segundo lugar.

Leitores que usam plataformas digitais abandonam livros com frequência. Sara Nelson, diretora editorial de livros e Kindle na Amazon.com, disse que acredita que os e-leitores têm a capacidade de começar e parar de ler livros dependendo de seu humor. “Então, enquanto você pode parar no meio do caminho, você também pode facilmente voltar para o livro mais tarde”, diz.

Embora as razões óbvias para abandonar livros sejam distração e tédio, o comportamento também pode ser uma reação contra o tipo de escrita, no qual a técnica supera o simples fato de contar histórias. Ou seja, livros muito densos, complicados ou difíceis de ler são mais abandonados.

Certos tipos de pessoas são mais propensas a continuar lendo algo que não estão gostando ou entendendo. Dr. Wilhelm teoriza que as pessoas competitivas, com personalidade tipo A, são mais propensas a abandonar um livro, porque elas tendem a ser motivadas por recompensas e riscos e, “se não houver consequências ou reconhecimento público, por que terminar?”.

Por outro lado, ele acredita que pessoas de personalidade mais descontraída, do tipo B, podem nem começar um livro que elas sabem que não vão terminar. O motivador mais importante para terminar um livro, segundo o Dr. Wilhelm, é pressão social – razão pela qual os clubes de livros são tão bons em conseguir que os leitores cheguem ao epílogo.

De acordo com a bibliotecária Mary Wilkes Towner, os leitores devem ter permissão para parar quando quiserem, a fim de desassociar a leitura de uma obrigação, como costumava ser na infância, em que ler era uma tarefa. “Eu descobri que as pessoas nos seus 30 anos se sentem culpadas ao largar um livro da mesma maneira que se sentiam quanto tinham que comer tudo no seu prato quando eram crianças”, conta.

Continuar a ler é uma tarefa de persistência, sem dúvida. Mas é preciso saber como se motivar. A psicóloga Meena Dasari, que atende crianças em seu consultório particular, diz que a capacidade de manter uma tarefa depende de quais sentimentos atribuímos a ela. “Se você disser: ‘Eu não sou inteligente o suficiente’, então é provável que você desista. Mas se você disser: ‘Este é apenas um livro difícil’, você é mais propenso a completá-lo”, argumenta.

A chave para terminar um livro pode ser escolher o enredo certo e a melhor hora para ler. Isso aumenta drasticamente o número de livros que as pessoas completam na vida.

Se você decide ler algo em uma época que está cheia de preocupações com o trabalho, pode estagnar ou não gostar. Já de férias, tudo pode ter um significado diferente. Por outro lado, uma jovem pode adorar a paixão de Anna Karenina, mas uma mãe mais tarde na vida pode ver a protagonista como egoísta e irresponsável.

Mas, seja o que e quando você decidir ler, o importante é se lembrar de uma coisa: você parar no meio. É só querer.[WSJ]

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