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Elmore Leonard (1925-2013) e a glória

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Sérgio Rodrigues, no Todoprosa

A morte do escritor americano Elmore Leonard, hoje, aos 87 anos, me levou a buscar um post de pouco menos de um ano atrás (que vai reproduzido abaixo na íntegra) em que saudei sua chegada a uma certa glória literária oficial, na forma de uma condecoração da National Book Foundation e do lançamento de seus livros pela Library of America. A conclusão era a de que o reconhecimento, merecido, era melhor para o establishment do que para Leonard – embora fosse bom para os dois. Essa impressão é ainda mais forte hoje.

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Fiquei muito feliz com a notícia (em inglês) de que o escritor americano Elmore Leonard, 86 anos, autor de um punhado dos melhores romances policiais e de faroeste de todos os tempos, vai receber a medalha da National Book Foundation pelo conjunto da obra, uma honraria que costuma ser abiscoitada por escritores mais “sérios” como John Updike, Gore Vidal e Toni Morrison. Além disso, a Library of America reunirá seus policiais em três volumes de capa dura.

Pode ser que esses passos no sentido da canonização não signifiquem muita coisa para o ex-publicitário recluso que vive há décadas de seus livros, produzidos ao ritmo de um por ano e em muitos casos adaptados para o cinema e a TV. (Fala-se muito em “Jackie Brown”, um Tarantino menor, mas meu Leonard cinematográfico preferido é Get Shorty/“O nome do jogo”, de Barry Sonnelfeld.)

Estamos falando de um sujeito avesso a qualquer tipo de pose, que projeta uma imagem de artesão e que nunca precisou reivindicar o título de “intelectual” para se levar a sério. De todo modo, as homenagens de agora não são propriamente uma surpresa. Elmore Leonard virou uma instituição cultural americana, ganhou elogios públicos de ninguém menos que Saul Bellow e certa vez ouviu de Martin Amis que “sua prosa faz Raymond Chandler parecer desajeitado”.

Recebê-lo em suas fileiras com medalha e tudo significa muito mais, com certeza, para o mainstream das letras americanas, que desse modo demonstra uma saudável abertura sobre as muitas faces do fazer literário.

O homem é comercial? Muito. É também um baita escritor, um subversivo do maniqueísmo que costuma engessar a literatura de gênero, um estilista do inglês ianque – frequentemente intraduzível, o que prejudica sua apreciação por aqui – e um mestre do ritmo narrativo que dá a impressão de ter em casa como enfeite de aparador a pedra filosofal do pulso da história, aquilo que outros escritores tateiam a vida inteira para encontrar e perder de novo.

Pode-se dizer de Leonard, sem mudar uma vírgula, o que Chandler disse de Dashiell Hammett: “Ele tinha estilo, mas seu público não sabia disso, porque o estilo vinha numa linguagem que não se supunha capaz de tais refinamentos”.

Sim: eu também gosto de literatura “difícil”. Também sei que, às vezes, dificuldades abissais se escondem sob a facilidade aparente. Isso é bem mais difícil de perceber, mas quem gosta de dificuldade não perde nada por tentar.

Primeira edição da “Granta” em Portugal traz cinco sonetos inéditos de Fernando Pessoa

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Mafalda de Avelar, na Folha de S.Paulo

O mundo vai conhecer hoje cinco sonetos inéditos de Fernando Pessoa (1888-1935).

Eles serão publicados na primeira edição portuguesa da revista literária “Granta”, que sai hoje em Portugal, à qual a Folha teve acesso.

O jornalista Carlos Vaz Marques, diretor da publicação, confessa que andava há muito tempo à procura de um bom mote para lançar a “Granta” em Portugal.

“Quando estes inéditos de Pessoa apareceram, pelas mãos dos pesquisadores pessoanos Carlos Pittella-Leite e Jerónimo Pizarro, a razão estava mais do que justificada.”

O poeta Fernando Pessoa, em 1929, em do livro "Fernando Pessoa - Uma Fotobiografia", de Maria José de Lancastre (Reprodução)

O poeta Fernando Pessoa, em 1929, em do livro “Fernando Pessoa – Uma Fotobiografia”, de Maria José de Lancastre
(Reprodução)

Pizarro selecionou um dos sonetos para que fosse publicado, em primeira mão, na “Ilustrada”. Elegeu aquele intitulado “Alma de Côrno”.

“Possivelmente, estes são os últimos sonetos de Pessoa escritos em português que ainda estavam por ser descobertos”, revela Pizarro.

“Há 25 mil documentos do autor guardados na Biblioteca Nacional de Portugal, mas nossa pesquisa leva a crer que não há mais sonetos inéditos em português entre eles. Há, sim, sonetos em inglês, em francês…”, diz.

O trabalho sobre as obras de Fernando Pessoa casa, em plenitude, com o tema desta primeira edição portuguesa da “Granta”: “Eu”.

O volume, lançado pela editora portuguesa Tinta da China, presente também no Brasil, traz textos de Saul Bellow, Dulce Maria Cardoso, Valter Hugo Mãe, Rui

Cardoso Martins, Orhan Pamuk e Valério Romão, entre outros.

Editoria de Arte/Folhapress

Editoria de Arte/Folhapress

PONTAPÉ

A publicação teve o seu pontapé inicial no Brasil. Foi em Paraty (RJ), durante a Flip, que Bárbara Bulhosa, editora da Tinta da China, conheceu o diretor da “Granta” britânica, John Freeman.

“Eu e a Bárbara já tínhamos pensado em editar uma revista literária”, explica Marques. “Soube que existia a ‘Granta’ do Brasil e trouxe um exemplar da mesma para Portugal.”

A “Granta” surgiu em 1889 como uma revista de um grupo de estudantes da Universidade de Cambridge. Já “lançou” nomes como Salman Rushdie, Martin Amis, Julian Barnes, António Lobo Antunes e Gabriel García Márquez.

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