Canal Pavablog no Youtube

Posts tagged Scott Fitzgerald

5 drinks preferidos de 5 escritores

0

An undated  portrait of Ernest Hemingway in Cuba

Grandes escritores afogaram as mágoas ou procuraram inspiração no bom e velho álcool.

Denise Godinho, no Capitu vem para o jantar

A literatura conta com diversos beberrões.

Se fossemos contabilizar todos, vixe… Acho mesmo que é um trabalho impossível.

São tantos os nomes daqueles que recorreram a taças suntuosas dos mais variados drinks. Seja por inspiração, seja para afogar as aflições da vida.

Mas hoje separei só 5 nomes dos grandes beberrões da literatura.

Ernest Hemingway

hemingay2

Hemingway é conhecido por ser um legítimo boêmio.

Não dispensava cerveja e whisky.

Porém a bebida preferida era o Mojito.

Hemingway conheceu este drink típico feito com rum e hortelã no bar cubano La Bodeguita del Medio.

Bar que você pode conhecer, pois ainda está aberto e ainda serve o Mojito preferido de Hemingway.

Saiba mais sobre o bar aqui.

Francis Scott Fitzgerald

fitzgerald-drink

Fitzgerald é conhecido até hoje por sua boa habilidade em virar o copo.

A bebida preferida era o Gin, pois, segundo ele, não deixava cheiro no hálito.

Fato que dificultava que as pessoas notassem que ele estava alcoolizado.

Bom, na teoria.

Afinal, na prática, Fitzgerald costumava protagonizar grandes cenas quando alcoolizado. Principalmente ao lado da esposa Zelda.

Ou seja, o hálito era o de menos.

Em 1940, aos 41 anos, ele faleceu em casa depois de um ataque cardíaco.

Conta-de que um dia antes de morrer ele foi à uma peça teatral e passou mal, tendo que se segurar no corrimão das escadas.

Quando viu que era observado pelo espectadores, Fitzgerald lamentou para um amigo: Eles acham que estou bêbado, não é?

Edgar Allan Poe

edgar-allan-pow

O escritor estudou na Universidade da Virgínia em 1826 e foi expulso naquele mesmo ano por causa da sua vida boêmia.

E era uma vida pra lá de boêmia. Amigos diziam que não existia encontrar Poe sem que ele estivesse carregando para cima e para baixo uma garrafa de whisky.

Mas a sua bebida favorita era mesmo a Gemada.

A família adotiva do escritor fazia uma receita clássica de gemada que passou de geração para geração e, claro, para a nossa sorte, chegou aos dias de hoje.

Edgar Allan Poe morreu aos 40 anos sem que ninguém, hoje em dia, ainda saiba a razão.

Já falaram de raiva, de cólera, de suicídio, de alcoolismo, de depressão, de overdose, de sífilis e de diabete.

Mas o que se sabe de fato é que ele foi encontrado perambulando pelas ruas de Baltimore, totalmente desorientado, no dia 3 de outubro de 1849.

Suas últimas palavras foram: Senhor, por favor, ajude a minha pobre alma.

Charles Bukowski

bukowski

 

Bukowski enalteceu o poder da bebida diversas vezes em suas obras.

De vodca a whisky até a drinks açucarados. Não importa.

Bastava ter álcool.

Só que a bebida do coração de Charles Bukowski era o Boilermaker, que nada mais é do que whisky com cerveja.

Bebe-se assim: um shot de whisky, seguido da cerveja.

Dorothy Parker

dorothy-parjer

A poetisa Dorothy Parker também era boa de copo.

Ela não dispensava uma taça elegante de Whiskey Sour.

Trata-se de um drink feito com whisky, açúcar, suco de limão e rodelas de laranja.

Durante o processo criativo, a escritora tinha que estar acompanhada deste coquetel.

Em festas, bebia martinis.

E antes de dormir, café.

Iscas de leitura

0
iscas de leitura


“Leitura” (Reading), 1892
by Almeida Júnior (1850-99)

Em meio à feiura efêmera da política e da violência, podemos seguir outro poeta e lembrar com Drummond: ‘E como ficou chato ser moderno, agora serei eterno’

 

Ana Maria Machado em O Globo

Fim de ano e de governo, hora de balanços, promessas, esperanças. Uma encruzilhada dos tempos: também começo de ano e de governo. Em meio a tanta notícia ruim, sequestros, tiroteios, assaltos, massacres de escolares, números negativos e escândalos em série, tudo a alimentar nossa apagada e vil tristeza, o ritual de recomeço procura se nutrir de bons sinais aqui e ali . O reatamento de relações diplomáticas entre Cuba e Estados Unidos. O encontro de uma canção inédita nos guardados de Dorival Caymmi. A empolgante vitória de Gabriel Medina como campeão mundial de surfe — e a elegância com que os adversários reconheceram sua grandeza.

O Ano Novo recorda a beleza de começos e recomeços. “Belo porque corrompe com sangue novo a anemia”, como já cantou João Cabral em “Morte e vida severina”. Que seja, então. Mas em meio à feiura efêmera da política e da violência, podemos seguir outro poeta e lembrar com Drummond: “E como ficou chato ser moderno, agora serei eterno.”

Convido então a buscar um pouco dessa beleza eterna. Para muita gente, verão é também tempo de férias, a oportunidade de mergulhar em leituras. Não vou sugerir novidades, isso já foi feito à exaustão nas páginas pré-natalinas. Mas proponho um passeio por começos instigantes. Hoje muita gente só compra livros pela internet, perdendo a oportunidade de folheá-los numa livraria. Então trago ao espaço comum de nosso jornal algumas frases iniciais de bons livros, iscas de romances. Talvez você reconheça algumas, talvez tenha saudades de outra e resolva reler. Pode também se deixar fisgar por uma desconhecida e então a busque para conferir. Os livros virão identificados ao final da coluna. Nenhum é novidade. Mas creio que, sem exceção, cada um poderá dar prazer e ajudar a pensar sobre o mundo que nos cerca — razão pela qual faço questão de trazê-los a esta página de opinião.

A — Em meus anos mais jovens e mais vulneráveis, meu pai me deu um conselho que, desde então, tenho feito virar e revirar em minha mente. “Sempre que tiver vontade de criticar alguém”, disse, “lembre-se de que nem todo mundo teve as vantagens que você teve.”

B — Alguém deve ter dito mentiras sobre Joseph K., pois, sem ter feito nada de errado, certa manhã ele foi preso.

C — No dia em que o matariam, Santiago Nazar levantou-se às 5h30m da manhã para esperar o navio em que chegava o bispo. Tinha sonhado que atravessava um bosque de grandes figueiras onde caía uma chuva branca, e por um instante foi feliz no sonho, mas ao acordar sentiu-se completamente salpicado de cagada de pássaros.

D — O homem me pede fogo. Ergo para ele o isqueiro aceso e noto contrariado que minha mão treme um pouco. Seus olhos cor de zinco se fixam nos meus dedos. Nervoso? Sacudo a cabeça negativamente, odiando-o como se pode odiar a pessoa que nos descobre o segredo que mais queremos ocultar.

E — Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte.

F — Se querem mesmo ouvir o que aconteceu, a primeira coisa que vão querer saber é onde nasci, como passei a porcaria da minha infância, o que meus pais faziam antes que eu nascesse, e toda essa lengalenga tipo David Copperfield.

G — Tudo no mundo começou com um sim. Uma molécula disse sim a outra molécula e nasceu a vida. Mas antes da pré-história havia a pré-história da pré-história e havia o nunca e havia o sim. Sempre houve. Não sei o que, mas sei que o universo jamais começou. Que ninguém se engane. Só consigo a simplicidade através de muito trabalho.

H —Todas as famílias felizes se parecem entre si; as infelizes são infelizes cada uma à sua maneira.

I — Ela ficou, mas a gota de sangue que pingou na minha luva, a gota de sangue veio comigo.

J — Foi um número errado que começou tudo, o telefone tocando três vezes, altas horas da noite, e a voz do outro lado chamando alguém que não morava ali.

K — Ai, me dá vontade até de morrer. Veja a boquinha dela como está pedindo beijo — beijo de virgem é mordida de bicho-cabeludo. Você grita vinte e quatro horas e desmaia feliz.

L — Foi no verão de 1998 que meu vizinho Coleman Silk — que, antes de se aposentar dois anos antes, tinha sido catedrático de literatura clássica no vizinho Athena College durante mais de vinte anos, além de acumular mais dezesseis como decano da universidade – me confidenciou que, aos 71 anos de idade, estava tendo um caso com uma faxineira que trabalhava na faculdade.

Graças a Scott Fitzgerald (“O Grande Gatsby”), Franz Kafka (“O processo”), Garcia Marquez (“Crônica de uma morte anunciada”), Erico Veríssimo (“Saga”), Machado de Assis (“Memórias póstumas de Brás Cubas”), J. D. Salinger (“O apanhador no campo de centeio”), Clarice Lispector (“A hora da estrela”), Leon Tolstoi (“Ana Karenina”), Lygia Fagundes Telles (“A noite escura e mais eu”), Paul Auster (“Trilogia de Nova Iorque”), Dalton Trevisan (“O vampiro de Curitiba”), Philip Roth (“A nódoa humana”).

Boas leituras.

Ana Maria Machado é escritora

Conselhos de Fitzgerald

0

Conselhos de Fitzgerald

O autor de um dos romances mais famosos do século XX, The Great Gatsby, F. Scott Fitzgerald, era um exímio escritor de cartas, sendo claro e preciso em suas colocações. Escreveu muito a seu amigo, Ernest Hemingway; e a sua esposa e também escritora, Zelda. Algumas de suas cartas mais impactantes foram direcionadas a sua filha, Scottie.

Renato Bakanovas, no Obvious
O autor de um dos romances mais famosos do século XX, The Great Gatsby, F. Scott Fitzgerald, também era um exímio escritor de cartas, sendo claro e preciso em suas colocações. Escreveu muito a seu amigo, Ernest Hemingway; e para sua esposa, também escritora, Zelda. Algumas de suas cartas mais impactantes foram direcionadas a sua filha, Scottie. A carta que segue foi escrita quando a garota estava em um acampamento, aos 11 anos de idade, e revela muito sobre os pensamentos do escritor americano.

“Carta para a Filha

Scott Fitzgerald

Querida filha:

Preocupo-me muito com suas obrigações. Mostre-me alguma prova das suas leituras em francês. Estou satisfeito por você estar feliz, mas não acredito muito em felicidade. Tampouco acredito em tristeza. São coisas que vemos no teatro, no cinema ou nos livros; essas coisas não nos acontecem na vida real.

Tudo em que acredito na vida são as recompensas à virtude (de acordo com os talentos de cada um) e os castigos por deixar de cumprir com as obrigações, que custam o dobro. Se existisse na biblioteca da colônia de férias um livro assim, você iria pedir à Sra. Tyson que lhe mostrasse um soneto de Shakespeare onde aparece esse verso:

Lírios apodrecidos têm cheiro pior do que o das ervas daninhas.

Sem pensamentos hoje, a vida parece o simples relato de um caso publicado no Saturday Evening Post. Penso em você, e sempre de forma agradável: mas se me chamar de “Pappy” outra vez, vou levar o Gato Branco para fora e dar- lhe uma boa surra, seis palmadas para cada vez que você for impertinente. Alguma reação quanto a isso? Vou preparar a lista de comportamento na colônia.

Tolices, concluirei. Coisas que merecem atenção:

Cuide da coragem

Cuide da higiene

Cuide da eficiência

Cuide da equitação…

Coisas que não merecem atenção:

Não ligue para a opinião dos outros

Não ligue para as bonecas

Não se preocupe com o passado

Não se preocupe com o futuro

Não se preocupe com o seu crescimento

Não se preocupe se alguém passar à sua frente

Não pense em triunfar

Não pense no fracasso, exceto se for por sua culpa

Não ligue para os mosquitos

Não ligue para as moscas

Não ligue para os insetos em geral

Não se preocupe com os pais

Não se preocupe com os meninos

Não se preocupe com as decepções

Não se preocupe com os prazeres

Não se preocupe com as satisfações

Coisas para pensar:

Qual é o meu objetivo verdadeiro?

Como me classifico em comparação às meninas da minha idade quanto à:

a) Meu desempenho na escola?

b) Compreender realmente as pessoas e ser capaz de me relacionar bem com elas?

c) Estar fazendo do meu corpo um instrumento útil ou negligenciando este aspecto?”

 

Go to Top