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Carolina Gabardo Belo, no Paraná Online

Quando lançou seu primeiro livro de histórias que vivenciou nos 13 anos de trabalho pelas ruas de Curitiba, o taxista Eloir José Golemba, 34, já tinha um acervo para pelo menos mais uma publicação. Agora que está com seu segundo livro pronto para ser impresso, o material guardado é ainda maior. Ele conta que possui textos para outros dois lançamentos.

O “Se meu táxi falasse 2” traz, entre outros textos, algumas situações que Golemba ficou com receio de publicar em sua estreia como escritor. Além disso, diz ele, as histórias estão mais completas, já que ele “foi pegando o jeito de escrever”.

Há 13 anos na profissão, Eloir Golemba já viu de tudo. Até mãe que esqueceu o filho no banco traseiro. (Foto: Marco André Lima)

Há 13 anos na profissão, Eloir Golemba já viu de tudo. Até mãe que esqueceu o filho no banco traseiro. (Foto: Marco André Lima)

As histórias não param de surgir. Acontecem diariamente e provam que o serviço de taxista não se resume apenas a levar o passageiro para onde ele precisa ir. “A gente atua como psicólogo, muita gente desabafa, conta toda a vida dela. É uma fonte inesgotável de histórias”, avalia. Entre os passageiros, são raros aqueles que “entram mudos e saem calados”.

O hábito de registrar tudo o que acontece acompanha o taxista desde seu primeiro dia no trabalho, que, inclusive, já rendeu uma história. “Dividia o táxi com o outro rapaz e ele me entregou o carro sem combustível. A gasolina acabou quando eu estava com um passageiro”, lembra. Nos 13 anos, mais de dez cadernos foram preenchidos com as anotações.

Golemba diz que segundo livro está mais completo que o anterior. (Foto: Marco André Lima)

Golemba diz que segundo livro está mais completo que o anterior. (Foto: Marco André Lima)

Enquanto o novo livro não fica pronto, por falta de recursos para pagar a gráfica, Golemba anota tudo o que chama atenção durante o trabalho. E se a correria de final de ano atrasa um pouco o andamento das anotações, o movimento no período ainda traz novos causos. Também são aceitas contribuições dos familiares, já que são seis taxistas na família, entre irmãos e cunhados.

Do drama à comédia

Alguns protagonistas das histórias que Golemba já publicou se reconheceram no primeiro livro. Outros tiveram novos capítulos nas viagens com o taxista. Um dos enredos mais comoventes é o de uma passageira que se tornou amiga. Ele acompanhou sua luta contra o câncer já nas primeiras consultas ao médico, que virou um dos textos da primeira publicação. Com o passar do tempo, a parceria evoluiu e ela e seu marido o ajudaram na produção do segundo livro. A moça, porém, não chegou a ver o material pronto, pois faleceu há algumas semanas.

Além disso, entre esposas que seguem seus maridos nos encontros com as amantes e cantadas ao motorista, Golemba destaca a situação de uma mãe que esqueceu seu filho dormindo no banco de trás do taxi após uma ida ao mercado. A passageira que começou a espirrar só de ver um cachorro na tela da tevê também chamou a atenção.

“Semana passada fui buscar uma cliente num buffet aqui de Curitiba e tava cheio de gente lá, tinha acabado o baile de formatura. Fiquei esperando por ela até que chegou uma moça se identificando como a cliente e um rapaz. Mas logo depois chegou a cliente de verdade, com dois grandalhões junto com ela. O casal que já estava no táxi não queria sair, então um dos grandalhões arrancou o cara pra fora. Fui embora e não levei ninguém”, conta ele, que garante: esta também já está devidamente registrada.