Canal Pavablog no Youtube

Posts tagged século 20

Em Londres, uma livraria singular

0

Persephone Books em Londres: 20 anos de existência e foco nas escritoras (Charlotte Hadden/The New York Times)

A Persephone Books se dedica, especialmente, a divulgar as excelentes obras de autoras renegadas do século 20

Publicado na Exame

Por Sarah Lyall, do The New York Times

A Lamb’s Conduit Street é agradável demais para ser real, como se a velha Inglaterra dos seus sonhos, aquela que existe em sua cabeça, de repente criasse vida. Mas parece adequado que essa rua de paralelepípedos em Bloomsbury, com lojas idiossincráticas que vendem queijo artesanal, bolos caseiros e outros artigos raros, também seja o lar da Persephone Books, uma joia de lugar, dedicado principalmente a obras negligenciadas de escritoras de meados do século XX.

Ao entrar na livraria, por um momento parecemos voltar no tempo. Há pôsteres vintage pedindo às mulheres do tempo da guerra que, por exemplo, se juntem ao serviço naval feminino britânico. Mas o presente também está aqui. Na vitrine há uma imagem ampliada das observações desagradáveis que o senador americano Mitch McConnell fez sobre a senadora Elizabeth Warren em 2017, usando uma linguagem no estilo “Jane Eyre”: “Ela foi advertida. Ouviu a explicação. No entanto, persistiu.”

A persistência é uma maneira de descrever a filosofia da loja em si, que começou há 20 anos reimprimindo sob encomenda títulos esquecidos de uma época da ficção feminina amada por sua fundadora, Nicola Beauman. Ao receber uma pequena herança de seu pai, ela abriu o negócio com uma lista de 12 livros no primeiro ano.

Persephone Books, em Londres (Charlotte Hadden/The New York Times)

Aqui você vai encontrar livros de mulheres de que provavelmente nunca ouviu falar, como Oriel Malet e Isobel English, e outras que podem ser mais familiares, como Katherine Mansfield e Frances Hodgson Burnett. (Há alguns homens nas prateleiras.)

Também vai encontrar, em um lugar de destaque, “Miss Pettigrew Lives for a Day”, obra de 1938 escrita por Winifred Watson, que veio para a Persephone depois que uma cliente mencionou que este havia sido o livro favorito de sua mãe. Publicado pela Persephone em 2000, o livro – a história de uma governanta pobre e simples que é enviada erroneamente por sua agência de emprego para trabalhar para um cantora glamourosa – tornou-se um hit inesperado, foi transformado em filme e tem venda constante desde então.

O que há em um livro da Persephone?

“Sou consideravelmente alérgica à ideia egocêntrica de que tudo está de acordo com meu gosto, mas tenho de confessar que sempre tive esse grande interesse pela ficção feminina do início do século XX – o que os acadêmicos chamariam de um gosto mediano e eu chamaria de uma boa leitura”, disse Beauman.

“O que os une é que eles foram esquecidos e que são muito bem escritos. Gosto muito de histórias que prendem a atenção. Quando termino de ler um livro, gosto de me sentir absolutamente perturbada pelo que li, de estar em um mundo diferente.”

A cada ano, cerca de seis obras se juntam à lista, de modo que agora há 132 ao todo. Todas ainda são impressas, e ainda estão à venda, por 13 libras cada; sempre que os novos títulos chegam, os livros antigos são movidos um pouco e as prateleiras são reorganizadas para dar espaço.

Depois de algumas temporadas apenas como editora, a Persephone se tornou uma livraria, deixando seu antigo escritório em Clerkenwell e vindo para seu espaço atual. O local é escritório e loja, dividido em duas salas que parecem se misturar.

A autora mais popular da loja se chama Dorothy Whipple, que tem impressionantes dez livros na lista, Persephones nº 3, 19, 40, 56, 74, 85, 95, 110, 118 e 127. Suas histórias são engraçadas, espirituosas e cheias de ponderações sobre a vida de pessoas reais.

“Gosto de livros que me contam como vivíamos. Eu me interesso muito pelo livro como história social.” E acrescentou: “A boa escrita é importante para mim, e é por isso que só temos 132 títulos.”

Nicola Beauman, fundadora da Persephone Books (Charlotte Hadden/The New York Times)

Os livros são elegantes, encadernados com papel cinza-claro e sem adornos, exceto pelo título em um retângulo branco na capa. Beauman se inspirou nas capas simples dos livros da Penguin de 1930 e no costume francês de publicar livros com capas brancas e letras vermelhas, disse ela, enquanto que as cores são um tipo de homenagem às velhas canecas de café Dean & Deluca.

“Pensei: ‘Por que um livro não pode ser parecido com isso?’”, disse ela.

Ou, como diz o site da empresa: “Os livros Persephone são todos cinza porque – bem –realmente gostamos de cinza. Imaginamos também uma mulher que chega em casa cansada do trabalho, e há um livro esperando por ela, e não importa sua aparência, porque ela sabe que vai gostar dele.”

No interior, porém, os livros são coloridos. Cada um tem uma contracapa diferente, inspirada em estampas ou tecidos associados ao ano de sua publicação original. Alguns vêm do Museu Victoria & Albert; outros podem ser tecidos cedidos por clientes. “Uma vez, uma pessoa trouxe um lenço do tempo da guerra, e você podia literalmente sentir o cheiro do pó de arroz da mãe dela”, disse Beauman.

A Persephone tem seguidores dedicados e apaixonados. Cerca de 30 mil pessoas assinam sua revista gratuita, a “Persephone Biannually”, que inclui artigos sobre os livros mais novos e outros assuntos. Seu site contém reflexões espirituosamente eruditas de Beauman, que ultimamente assumiram um tom preocupado por causa da incerteza sobre o destino das pequenas empresas com o Brexit, ou a saída do Reino Unido da União Europeia.

Em março, a empresa comemorou seu 20º aniversário com sanduíches de salmão defumado, chá, champanhe e bolo em uma festa que durou o dia todo, com o fluxo constante de visitantes dando lugar a um grupo maior à noite.

Beauman disse: “A ideia no início era que, se você gosta de um de nossos livros, vai gostar de todos eles, Isso funcionou quase totalmente. É muito raro alguém não gostar de um dos livros. Não gosto de usar a palavra ‘marca’, mas somos um tipo de marca.”

Lista: Os 10 escritores mais ricos de todo o mundo

2
 A fortuna da britânica autora de ''Harry Potter'' supera US$ 1 bilhão


A fortuna da britânica autora de ”Harry Potter” supera US$ 1 bilhão

 

O segundo lugar é ocupado por um brasileiro, considerado um fenômeno do século 20.

Aqui você confere a lista dos mais ricos e muito amados autores de livros, em um mundo onde o cinema, como no caso de ‘’#Harry Potter’’, e as séries de televisão acabam por divulgar bastante essas obras, que costumam marcar gerações. Confira abaixo:

Edimarcio Augusto Monteiro, no Blasting News

1 – J. K. Rowling (US$ 1 bilhão)

A britânica, de 52 anos, é especialmente conhecida por ser autora da série de fantasia infanto-juvenil “Harry Potter”, uma das franquias de maior sucesso do cinema e a de maior sucesso na #Literatura, vendendo mais de 400 milhões de cópias em todo o mundo.

2 – Paulo Coelho (US$ 500 milhões)

Atualmente com 70 anos, é o único brasileiro da lista.

Notório por escrever “O Alquimista”, o livro brasileiro mais vendido na história, é considerado um fenômeno literário do século passado.

3 – Stephen King (US$ 400 milhões)

O norte-americano, com 69 anos, é um dos mais notáveis escritores de horror e ficção. O conjunto da obra já vendeu quase 400 milhões de cópias, mas também escreve sobre outros temas, como fica claro no seu livro “À Espera de Um Milagre”. Atualmente, dois filmes baseados em sua obra estão em cartaz “IT – A Coisa” e “A Torre Negra”.

4 – James Patterson (US$ 390 milhões)

Também nascido nos Estados Unidos, fez sua fama escrevendo romances policiais com elementos de suspense, tendo como personagem mais famoso Alex Cross, um psicólogo forense.

5 – Danielle Steel (US$ 375 milhões)

Atualmente com 70 anos, é muito conhecida por dramas românticos e o seu total de livros vendidos atinge 600 milhões de cópias em todo o mundo.

Detém uma incrível marca: passou incríveis 39 semanas consecutiva nas lista dos mais vendidos do jornal New York Times. Além disso, 22 obras suas já foram adaptadas para o cinema.

6 – Nora Roberts (US$ 340 milhões)

Já alcançou a marca de 200 títulos, sendo a primeira mulher a entrar no “Hall da Fama dos Escritores Românticos dos Estados Unidos”. Se a marca de Danielle Steel de 39 semanas foi boa, Nora já conseguiu manter seus títulos incríveis 861 semanas nessa lista do New York Times.

7 – Tom Clancy (US$ 300 milhões)

Mistura ação, ficção científica, aventura militar e vários outros ingredientes em sua obra. Infelizmente, faleceu em 2013. Entre suas paixões estavam os carros e relógios Rolex, além de games. Inclusive, sua marca foi licenciada para vários jogos eletrônicos.

8 – John Grisham (US$ 200 milhões)

Era advogado e escrevia no tempo livre, mas após 300 milhões de cópias vendidas, ele vive longe dos tribunais em uma mansão localizada em uma fazenda do Mississipi (EUA). Mas sua paixão jurídica pode ser conferida em seus livros que giram em torno das figuras que fazem do Direito sua profissão.

9 – Jackie Collins (US$ 180 milhões)

De nacionalidade inglesa, ela fazia romances picantes muito antes de “50 Tons de Cinza”, e já teve livros banidos pelo “conteúdo erótico”. Adora visitar países exóticos e já vendeu 500 milhões de livros.

10 – Dean Koontz (US$ 145 milhões)

Era assistente social e professor de inglês. Seu sonho sempre foi ser escritor, mas não tinha tempo para escrever. Foi então que a sua esposa lhe fez uma tentadora proposta, para que pudesse seguir o seu sonho. Ela o sustentaria por cinco anos. Após 450 milhões de exemplares vendidos, o casal permanece junto e ela administra a carreira do esposo.

Análise: Sevcenko usava Kubrick para descrever meandros da 1ª Guerra

0

Vladimir Safatle, na Folha de S.Paulo

Aqueles que frequentaram a Universidade de São Paulo no final dos anos 1980 e começo dos anos 1990 lembrarão do entusiasmo com que os alunos de história falavam de um professor capaz de descrever os meandros políticos da Primeira Guerra por meio de um filme de Stanley Kubrick ou de fornecer a dinâmica econômica da produção cultural contemporânea discorrendo sobre o fechamento da Factory Records.

Este professor tão admirado por seus alunos chamava-se Nicolau Sevcenko. De fato, era difícil encontrar um estudante que não ficasse impressionado com sua forma de abordar a história cultural, articulando situações locais e globais para expor as tensões sociais do século 20.

Tal forma está presente em livros maiores da historiografia nacional, como “Literatura Como Missão”, “Orfeu Extático na Metrópole” ou ainda o volume “História da Vida Privada: da Belle Époque à Era do Rádio”, por ele organizado. Agora, com seu falecimento, o Brasil perde um de seus mais respeitados e versáteis historiadores.

O historiador Nicolau Sevcenko, em imagem de 2002 / Joao Wainer/Folhapress

O historiador Nicolau Sevcenko, em imagem de 2002 / Joao Wainer/Folhapress

Go to Top