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Câmara aprova MP que exige doutorado para professor universitário

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A medida provisória também autoriza fundações de apoio à pesquisa a celebrar contratos com entidades privadas

Publicado por Estadão

O plenário da Câmara dos Deputados aprovou nessa terça-feira, 20, a Medida Provisória (MP) 614/13, que exige doutorado para ingresso na carreira de professor universitário. A matéria agora segue para o Senado. Hoje é possível requisitar somente o diploma de graduação, mas as pontuações obtidas com as titulações, previstas nos editais dos concursos, favorecem os mais titulados.

Para facilitar o preenchimento de vagas em alguns locais, porém, a MP permite à instituição dispensar a exigência do título de doutor no edital, substituindo-o por mestrado, especialização ou graduação. A medida faz ajustes na Lei 12.772/12, que trata das carreiras no magistério federal.

Convênios. A MP também autoriza as fundações de apoio à pesquisa a celebrar contratos e convênios com entidades privadas para auxiliar em projetos de ensino, pesquisa e desenvolvimento tecnológico nas instituições federais de ensino superior e demais instituições científicas e tecnológicas.

Empresas públicas, sociedades de economia mista e organizações sociais também poderão apoiar essas fundações, geralmente ligadas a universidades. Pelo texto, os convênios ainda podem prever atividades de gestão administrativa e financeira necessárias à execução dos projetos previstos nos contratos.

Segundo a legislação vigente, os contratos e convênios dessa natureza somente podem ser celebrados com a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e com as agências financeiras oficiais de fomento.

Veto ao nepotismo. Pela proposta, as fundações de apoio não poderão contratar cônjuges, companheiros ou parentes até terceiro grau de servidores das instituições federais de ensino que atuem na direção das fundações ou de dirigentes das instituições contratantes. A proibição vale ainda para a contratação, sem processo licitatório, de pessoa jurídica que tenha proprietário, sócio ou cotista nessa mesma condição.

E se Star Wars fosse escrito por Shakespeare?

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Vinicius Pimenta Silva, no Literatortura

Justamente quando a franquia Star Wars está para lançar o sétimo filme, surge uma grande surpresa para os fãs: o livro chamado “William Shakespeare’s Star Wars: Verily, A New Hope” de Ian Doescher que promete ser algo diferente. Não só para aqueles que apreciam obras pertencentes aos estúdios Lucasarts mas também para os apreciadores dos livros do grande escritor inglês.

Não se trata de um livro de Star Wars como nós conhecemos, a obra de Doescher estará reinterpretando o clássico da ficção científica espacial, pondo algumas situações do filme em um contexto de idade média. O livro tem os personagens mais conhecidos do cinema, mas apresenta os diálogos modificados a moda do grande escritor inglês. Segundo a prévia do autor até mesmo os rugidos do Chewie e os bips do R2 estão no livro.

“William Shakespeare’s Star Wars: Verily, a New Hope”, em uma tradução livre significa algo como “Star Wars de William Shakespeare: Realmente uma nova esperança”. Procurado pela equipe do Literatortura para conversar a respeito de seu livro, o autor não respondeu a tempo da publicação dessa pequena reportagem, mas segue abaixo um booktrailer do livro:

Em publicações pelo Twitter podemos ver muitas pessoas aclamando o livro. Confesso que estou curioso sobre a obra, e você, acha que o livro será uma leitura agradável?

Conheça 10 escritores que eram famosos pelo uso de drogas

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Amanda Leonardi, no Literatortura

Não é de hoje que artistas e drogas andam juntos. Sempre vemos rockstars usando drogas, assim como atores, pintores e… é claro, também, escritores! Haverá alguma conexão entre o fazer artístico e o uso de drogas? Muitos escritores, dos mais importantes, já usaram drogas, e ainda escreveram obras inteiras sob influência destas. Seriam as drogas alguma espécie de combustível criativo? Baudelaire, em Paraísos Artificiais, argumenta que o artista não pode depender de um veneno – como ele mesmo cunha as drogas – para pensar; porém não é novidade que, quando sob o efeito de substâncias que alteram a percepção, é possível ver as coisas de formas diferentes, fator este que, conseqüentemente, amplia a visão do escritor, cujo um dos principais intentos é mostrar, através de palavras, pontos de vista antes pouco – ou nunca – percebidos por outros. E isto é bem descrito também por Baudelaire, ainda em Paraísos Artificiais, referindo-se ao haxixe como um verniz mágico que colore a vida com solenidade, aclarando toda sua profundeza, e a embriaguez, assim, ilumina a inteligência.

Apesar de, obviamente, não ser necessário o uso de substâncias químicas para escrever, muitos escritores parecem ter uma necessidade de usar tais substâncias. Seria alguma consequência da ansiedade daqueles que questionam, talvez demais, o mundo a seu redor, por isso sentem a necessidade de escrever, e assim também a necessidade de se entorpecer de alguma forma? Bem, cada um usa drogas por seus próprios motivos, e não é certo julgar que é exatamente por esta ou por outras razões, mas o certo é que há uma forte presença do uso das drogas entre os literários. Portanto, segue uma breve lista com alguns (só alguns, é quase impossível lembrar-se de todos eles) dos mais importantes escritores que já usaram drogas – e que até já escreveram grandes obras sob sua influência.

p.s: alguns dos escritores abaixo não usavam, necessariamente, nenhuma droga ilítica. Mas, a bebida afetou tanto suas vidas que fica difícil não mencioná-los.

Hunter S. Thompson – Seu forte apreço pelo álcool lhe rendeu a fama de ter sido o fundador do jornalismo Gonzo, expressão que significa algo como “o último homem a permanecer em pé após muita bebida”, e como se isso não fosse o suficiente para colocá-lo com louvor nesta lista, ele até chegou, certa a vez, a dizer: “Eu odeio recomendar drogas, álcool, violência, ou insanidade para qualquer um, mas isso tudo sempre funcionou comigo.” Thompson conviveu com a cultura hippie, e utilizou várias drogas, como LSD e álcool – sua bebida favorita era o rum. Seu mais famoso livro, Medo e Delírio em Las Vegas, foi o resultado distorcido de uma matéria que ele ficara de fazer para uma revista sobre uma corrida, porém gastou o dinheiro da hospedagem em drogas e bebidas, e acabou escrevendo, em vez da matéria, um relato sobre seus dias de entorpecimento. Thompson suicidou-se em 2005, com um tiro de espingarda. Em 2011, estreiou o filme O Diário de um jornalista bêbado, com Johnny Depp, que é baseado em um livro de Thompson.

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Stephen King – O mais famoso escritor de terror contemporâneo, Stephen King diz não se lembrar muito bem de quando escreveu um de seus maiores clássicos, Cujo, pois andava mal por conta do uso excessivo de cocaína e álcool na época. Seu problema com alcoolismo é até refletido em sua mais célebre obra, O Iluminado, na qual Jack Torrance também mostra ter um problema com bebidas. Com a agravação do vício de King, sua família e seus amigos interviram e desde então ele esteve sóbrio.

Charles Baudelaire – Famoso por sua poesia ligada ao vinho e às drogas, Baudelaire escreveu Paraísos Artificiais, na qual narra sobre as experiências geradas pelo uso do haxixe, do ópio e do vinho. Inclusive, fez parte de um grupo chamado Clube dos Hashishins, que se reuniam, obviamente, para usar haxixe. Baudelaire narra, de forma lírica, em sua obra, diversas formas como o haxixe, o ópio e o vinho, mas principalmente o haxixe, que pode ampliar a percepção do artista, iluminando sua inteligência. Porém, no fim do livro, ele condena o uso de substâncias como auxílio à criatividade, dizendo: “Aquele que puder recorrer a um veneno para pensar, em breve não poderá mais pensar sem o veneno. É possível imaginar o terrível destino de um homem cuja imaginação paralisada não soubesse mais funcionar sem o recurso do haxixe ou do ópio?” (Paraísos Artificiais, p. 50)

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Edgar Allan Poe – Impossível deixar fora desta lista o célebre Edgar Allan Poe. O escritor passou por diversos dilemas sérios no decorrer de sua vida, e entre eles (ou talvez em decorrer deles) estavam a dependência do álcool e do ópio. Poe inclusive mostra, em alguns de seus contos como Berenice e Ligeia, protagonistas também dependentes do ópio. Além de álcool e ópio, o escritor também usava láudano, e foi isso que utilizou em sua tentativa de suicídio, em 15 de novembro de 1848, um ano antes de sua morte.

Thomas de Quincey – Sua autobiografia chama-se Confissões de um comedor de Ópio – o que deixa bem claro o porquê dele estar nesta lista. De Quincey usava Láudano, uma mistura de ópio e álcool que contém morfina e codeína. Quando estava sem se entorpecer, sua produção literária tendia a decair, o que demonstra a importância das drogas em sua vida. Baudelaire foi fortemente influenciado por de Quincey, e em Paraísos Artificais há diversas citações da biografia deste, seguidas de comentários de Baudelaire. De Quincey defende abertamente o uso do ópio em Confissões de um comedor de Ópio, ao contrário de Baudelaire, que acabou se mostrando contra o uso.

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Hemingway – Quando falam de Hemingway, muitos o associam facilmente à bebida. São diversas as frases de Hemingway relacionadas ao assunto, como:”Eu bebo para tornar as outras pessoas mais interessantes”, e “Para conviver com os tolos, um homem inteligente precisa beber” Sua bebidas preferidas eram o absinto, o Mojito, que conheceu em Havana, e também uma versão especial de Daiquiri, que hoje inclusive é chamada de Special Hemingway. O escritor, que bebia excessivamente em decorrer de problemas como depressão, se suicidou em 1961.

Samuel Coleridge – Láudano e ópio também eram as drogas preferidas de Samuel Coleridge, o autor do poema A Balada do Velho Marinheiro (The Rime of the Ancient Mariner), um dos poemas épicos mais fortemente influenciado pelo uso de drogas já escrito. Coleridge pertencia ao mesmo círculo social de Quincey, que chegou a escrever um ensaio sobre Coleridge e seu uso excessivo de ópio – o ensaio chama-se Coleridge e o Ato de Comer Ópio (Coleridge And Opium-Eating).

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Jack Kerouac – Um dos maiores escritores da famosa geração Beat escreveu muito sob efeito de drogas. O amigo do escritor, Allen Ginsberg, comentou que o próprio Kerouac disse que sentia que conseguia escrever mais dessa forma. Muitos de seus romances, entre eles, o aclamado On the Road, foram escritos sob a influência de benzedrina, entre outras drogas. Kerouac também bebia muito, o que pode ser considerado o seu suicídio lento, uma vez que o escritor chegou a declarar que, por ser católico, não podia cometer suicídio, mas podia beber até a morte. E foi o que ele realmente fez: Kerouac sofreu uma hemorragia de varizes no esôfago, o que o levou a fazer 26 transfusões de sangue, e foi em virtude do alcoolismo que ele morreu, em 1969.

Aldous Huxley – O autor do famoso Admirável Mundo Novo considerava o LSD e outros alucinógenos como portais para percepções espirituais profundas, místicas. Ele escreveu a obra As Portas da Percepção, na qual descreve experiências com o uso de drogas como o ácido lisérgico, a mescalina, entre outras. Huxley disse, em uma entrevista à Paris Review, em 1960, que, indiretamente, o uso de tais substâncias pode ajudar no processo criativo, mas não de forma que alguém possa dizer “agora vou tomar um ácido para escrever um poema brilhante”, isso ele não acreditava que funcionasse.

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Bukowski – O próprio já dizia: “Beber é algo emocional. Faz com que você saia da rotina do dia-a-dia, impede que tudo seja igual. Arranca você pra fora do seu corpo e de sua mente e joga contra a parede. Eu tenho a impressão de que beber é uma forma de suicídio onde você é permitido voltar à vida e começar tudo de novo no dia seguinte. É como se matar e renascer. Acho que eu já vivi cerca de dez ou quinze mil vidas.” “Se algo ruim acontece, você bebe em uma tentativa de esquecer, se algo de bom acontece, você bebe para celebrar, e se não acontecer nada, você bebe para fazer algo acontecer ” Depois dessas, acho que o próprio Bukowski já explica com suas próprias palavras porque está nessa lista, certo? Em suas obras há muitas referências ao álcool, assim como à maconha, apesar do escritor ter dito ser contra o uso de drogas; ele gostava realmente era de beber, de beber muito, inclusive defende o uso do álcool abertamente, como se pode notar no vídeo abaixo, onde diz que se não fosse a bebida, provavelmente teria se matado:

Menções importantes:

Truman Capote

Ken Kesey

Robert Louis Stevenson

William S. Burroughs

Philip K. Dick

Sylvia Plath (alcoolismo)

Anne Sexton (alcoolismo e pílulas para dormir)

Lord Byron (alcoolismo)

E então, que tal a lista? Quais escritores você acha que faltam aqui? (Sim, concordo que realmente faltam muitos, mas por mais escritores que se acrescente, acho que ainda faltariam mais haha) Comente!

Obs.: lista inspirada livremente na matéria litreactor.com

Editoras apostam agora em e-books curtos e baratos

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Formato segue o modelo dos singles de música e está de olho nas plataformas digitais cada vez mais portáteis

Pílulas literárias Arte O Globo

Pílulas literárias Arte O Globo

Bolívar Torres, em O Globo

RIO – Marginalizados no mundo analógico, onde amargam vendas baixas e a desconfiança das livrarias, formas mais breves de ficção e não ficção ganham uma nova chance entre os usuários de tablets e smartphones. Afinal, parece lógico que plataformas digitais cada vez menores e mais portáteis favoreçam obras menos extensas. Não por acaso, selos como Penguin Shorts e a Story Cuts (da gigante Random House) passaram a explorar o filão dos livros digitais curtos e baratos. Chamados de e-shorts ou minie-books, eles oferecem conteúdo inédito ou recortes de obras já existentes no formato avulso, nos moldes dos singles de música do iTunes. No mesmo embalo, o Amazon Kindle Singles, serviço on-line que vende histórias entre cinco mil e 30 mil palavras por até US$ 3, já comercializou mais de cinco milhões de cópias desde sua criação, em 2011.

— Uma reclamação do usuário de tablet é a dificuldade em retomar a leitura de um livro longo, que precisa ser lido por partes — observa Sérgio Machado, presidente do Grupo Record, que ainda não lançou produtos nesse formato, mas vem acompanhando com interesse essa movimentação no mercado. — Dentro dessa lógica, acredito que o e-book se preste para o texto mais curto, que pode ser lido de uma sentada só.

A distribuição em formato avulso favorece quem busca uma leitura rápida e barata. No caso do Kindle Singles, que não tem previsão de lançamento no Brasil, a obra inédita é escrita especialmente para o serviço. Negociando de forma direta com a Amazon, sem intermédio das editoras, seus autores recebem 70% das vendas — o que representaria uma renda média de US$ 22 mil por single, segundo cálculos do jornal “The New York Times”. O formato está atraindo autores em busca de espaço (são mais de mil manuscritos recebidos por mês), mas também nomes consagrados, como Stephen King e Chuck Palahniuk.

Apesar do potencial comercial, a comercialização do e-short ainda engatinha por aqui. Na última terça-feira, a editora Cosac Naify estreou no mercado digital disponibilizando uma série de contos avulsos de Tchekhov, Tolstoi e Robert Stevenson a R$ 5 cada. Em 2011, a Editora 34 comercializou, a R$ 0,99 e R$ 2,99, histórias avulsas do livro “Nova antologia do conto russo”, que incluía autores como Ivan Turgueniev e Tolstói. As vendas surpreenderam, atingindo mais de um quinto das do exemplar impresso.

— Foi só uma experiência, mas, como o resultado superou as expectativas, já cogitamos a hipótese de repeti-la no futuro — conta Eliete Cotrim, gerente comercial da Editora 34.

Já a Objetiva criou o selo digital “Foglio” no final do ano passado, destinado a publicar obras com até 15 mil palavras. A primeira leva oferece textos de Luis Fernando Verissimo sobre jazz, contos de Ana Maria Machado e poemas de Mario Quintana, por preços que variam entre R$ 4 e R$ 8.

Em tese, o e-short é a vitrine ideal para autores estreantes de narrativa curta. Ao contrário do Kindle Singles, contudo, as grandes editoras brasileiras contentam-se em reposicionar um conteúdo já publicado pela casa. Pelo menos por enquanto, a aposta em novos autores é feita apenas por editoras menores ou voltadas para a literatura de nicho, como a Draco, de São Paulo, cujo hit digital é o conto “A torre das almas”, de Eduardo Spohr.

— Como livros de R$ 2 a R$ 5 não doem no bolso, leitores que não conhecem autores ou selos podem experimentar sem medo de se arrepender da compra — justifica Erick Sama, editor da Draco.

Para Bernardo Ajzenberg, diretor executivo da Cosac Naify, a venda fracionada funciona mais como um incentivo à compra integral de uma determinada obra.

— Os contos avulsos, até agora, têm mais o sentido de uma amostra do conjunto da obra em que eles estão inseridos — explica Ajzenberg. — No caso da Cosac Naify, é preciso considerar que o livro impresso traz um conteúdo bem mais amplo, como prefácio, posfácios, dados biográficos e apêndices, que não se encontram no formato avulso. Entendemos que o maior potencial está nos ensaios, livros de referência, que prescindem, em tese, de muitas imagens ou ilustrações.

A forma tímida como as editoras brasileiras adotaram o e-short mostra que a fórmula ainda passa por um período de testes.

— As editoras no Brasil estão numa fase de experimentação com os e-shorts — avalia Camila Cabete, gerente sênior de relações com editores da Kobo, empresa que fabrica leitores digitais e comercializa e-books em parceria com a Livraria Cultura. — A ideia é ver como o consumidor vai receber para depois investir. Mas já dá para dizer que a aceitação está sendo muito boa. O formato tem tudo para ser o must de 2014.

Antes de fazer comparações com o exterior, porém, vale lembrar que os e-books representam menos de 2% do total de livros vendidos no Brasil, contra 23% nos Estados Unidos em 2012. Com o mercado digital incipiente, o e-short acaba juntando o pior dos dois mundos: vendas reduzidas a preços ainda mais reduzidos. Por isso a opção de alguns em lançar apenas autores já famosos.

— O marketing continua sendo um problema: como chamar a atenção de algo que não é conhecido? — lembra Machado.

— Quando você oferece o e-short de um clássico, pelo menos pega aquele cliente que acabou de comprar o tablet e procura algo conhecido e barato para testar o produto. É o cliente que não quer correr o risco de começar a ler uma obra longa e terminar no meio.

Apesar do tamanho reduzido, os e-shorts não são necessariamente mais fáceis ou baratos de produzir. Obras fracionadas multiplicam as vendas, mas também a mão de obra das editoras.

— Quando você fatia um livro já existente em dez novos pedaços, precisa prestar contas novas para cada um dos pedaços — continua Machado. — Mesmo que venda bastante, pode não valer a pena.

A autopublicação ainda é o terreno em que o e-short mais avança no Brasil, mas nem sempre com estratégias criteriosas. Entre os e-books mais vendidos da Amazon aparece “Aprender meditação, relaxamento, em um dia!”, um texto curto de dez páginas em que o editor se desculpa logo de cara por usar “um tradutor digital on-line que nunca é tão bom como uma pessoa real”. Para Noga Sklar, fundadora da KBR, editora pioneira no mercado digital, a ideia de single não foi bem compreendida por alguns editores brasileiros.

— Muitos desses e-books baratos são praticamente amostras, capítulos, contos fracionados, às vezes com menos de dez páginas, histórias incompletas, atalhos utilizados por algumas editoras para vender caro vendendo barato — lamenta. — O leitor se sente enganado ao pagar, digamos, R$ 1,99 por um “livro” e descobrir que comprou gato por lebre.

Literatura brasileira, os silêncios e as exclusões

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Márcia Lira, no – 1 na estante

Um estudo sobre a literatura brasileira divulgado ontem é literalmente um tapa na cara da sociedade, e sem luva de pelica. Regina Dalcastagnè é jornalista, doutora em teoria da literatura, professora e dedicou 15 anos à pesquisa que mostra o quanto ainda somos preconceituosos, machistas, patriarcalistas e como ainda estamos muito aquém do que acreditamos quando o assunto é aceitar as diferenças.

A pesquisadora se debruçou sobre “um total de 258 obras, correspondente à soma dos romances brasileiros do período entre 1990 e 2004, publicados pelas editoras Companhia das Letras, Record e Rocco e identificados pelo grupo de pesquisa” (de artigo sobre a pesquisa). A pesquisa foi chamada “Eu quero escrever um livro sobre literatura brasileira”. Só para dar um exemplo, ela mostra que o personagem médio do romance brasileiro é um homem branco, heterossexual, intelectualizado, sem deficiências físicas ou doenças crônicas, membro da classe média e morador de grande centro urbano.

Com tantas informações interessantes, representadas no infográfico abaixo originalmente publicado no Ponto Eletrônico, há de se esperar um debate também no campo literário sobre o valor das diferenças e a importância de dar voz à nossa multiplicidade também nessa área cultural. E não acho que é o caso de apontar um ou outro autor porque ele segue o padrão, afinal a liberdade criativa merece respeito. A meu ver é o caso de coletivamente pensar e repensar como o nosso discurso de multiplicidade fica na superfície, a ponto de não ser refletido na nossa produção cultural.

Ah, o título do blog foi inspirado no nome de um livro da Regina pelo qual me interessei bastante.

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