Contando e Cantando (Volume 2)

Posts tagged Seja

Como fazer as crianças gostarem de ler

0

Cintia Ferreira, no Green Me

Que leitura faz bem, todo mundo concorda. É uma ótima forma de passar o tempo, melhora o vocabulário, a escrita, exercita a empatia – já que a ficção coloca as pessoas em pontos de vista muito alheios aos delas -, dá prazer, entre tantas outras coisas boas. Mas, mesmo que seja um hábito tão bem visto – são poucas as pessoas que se tornam leitoras, de fato.

Por que isso acontece? Em algum momento da jornada, muita gente perde o interesse, diz que é chato, que não consegue. Em certas situações, a falta de vontade de ler começa na infância. No entanto, essa é a melhor fase para inserir esse importante hábito na vida da criança.

Quer saber como fazer isso? Confira abaixo algumas dicas:

1. Dê livros de presente
Deixe que a criança tenha contato com livros desde bebê. Atente-se para a faixa etária e compre títulos lúdicos, que podem ainda ter a ver com a fase que o pequeno está passando. Por exemplo, chegou a hora do desfralde? Existem ótimos livros infantis abordando o tema. Por que não comprar um para ele? Faça a criança ter acesso ao universo literário desde cedo, as chances de que ela goste do hábito aumentam consideravelmente.

2. Espalhe livros pela casa
Crianças são curiosas e mexem em tudo, certo? Então por que não usar essa característica a favor da leitura? Espalhe livros pela casa, principalmente lugares onde ela costuma ficar mais. Existem livros de plástico para os bebês muito pequenos, interativos, de fábulas, as opções são muitas.

3. Leia com ela
Adquira o hábito de ler com a criança, pois além de estar incentivando a leitura, você estará fortalecendo ainda mais o vínculo entre vocês. Imite vozes, faça personagens, deixe o clima bem divertido.

Esse costume deve acontecer, inclusive, com recém-nascidos, pois os benefícios da leitura também são aproveitados por eles, tanto que a Academia Pediatra Americana recomenda que os pais leiam em voz alta para os filhos, desde o nascimento. Isso vai ajudando os pequenos a criarem vocabulário, além de ser um momento de interação importante na construção do relacionamento entre pais e filhos.

4. Crie um cantinho para leitura
Coloque alguns livrinhos em um espaço que a criança possa pegar, como uma cestinha, encha o canto de almofadas, pufes e tapetes, deixando-o bem confortável ou até mesmo faça uma bacana criativa. Ter um espaço de leitura mostra para a criança o quanto aquele hábito é importante e a estimula a querer ler sempre.

5. Seja um exemplo
Se você não é uma leitora ou leitor voraz ainda, talvez seja uma boa oportunidade agora que tem filhos. Crianças se espelham nos adultos de referência de sua vida para reproduzir comportamentos. Se veem os pais lendo, há grandes chances de que queiram “imitar” aquele hábito, e daí para gostar de ler é um passo.

Quer fazer faculdade nos EUA? Aprovados em Harvard dão 8 dicas de como chegar lá

0
Gustavo Coutinho e Pietro Leite, de 19 anos, estão entre os brasileiros aprovados em Harvard (Foto: Marcelo Brandt/ G1)

Gustavo Coutinho e Pietro Leite, de 19 anos, estão entre os brasileiros aprovados em Harvard (Foto: Marcelo Brandt/ G1)


Gustavo Coutinho e Pietro Leite explicam como se dar bem no application, processo de seleção das universidades norte-americanas

Vanessa Fajardo, no G1

Diferente do vestibular brasileiro, para conseguir uma vaga em uma universidade norte-americana é preciso passar pelo application, que é um processo que inclui provas, cartas de recomendação e uma análise abrangente do candidato. Para ser aprovado, não basta ser somente um excelente aluno, as instituições avaliam principalmente o que o candidato faz fora da sala de aula, quais são suas atividades extracurriculares.

Veja abaixo oito dicas de Gustavo Coutinho e Pietro Leite, ambos de 19 anos, dois dos brasileiros aceitos em Harvard para a turma deste ano, para quem quer chegar lá (assista ao vídeo):

Tenha boas notas

Um dos pontos importantes da seleção é a análise do boletim escolar do ensino médio. Para despertar a atenção dos avaliadores, é fundamental ter boas notas e manter o equilíbrio entre as disciplinas. A melhora do desempenho de um ano para outro é bem vista, pois os americanos gostam de ver o esforço do estudante. Por outro lado, a piora é encarada com desconfiança.

“É parte importante porque eles querem ver sua constância e ver como você se desenvolveu durante o ensino médio”, diz Pietro, que vai estudar ciências sociais em Harvard.

Invista nas atividades extracurriculares

Para conseguir uma vaga em uma universidade americana, é importante não se limitar às experiências da sala de aula e investir nas atividades extracurriculares. Mostrar como o candidato desenvolve sua paixão e entender de que forma isto impacta em sua comunidade é um dos pontos chave desse critério do application.

Gustavo Coutinho estudou na rede pública, desenvolveu projetos tecnológicos ligados à educação e fez trabalhos voluntários. A dica dele é para que os candidatos se engajem em projetos e atividades que realmente gostem.

“No Brasil é muito comum o aluno ir para a sala de aula, fazer seus deveres e pensar: pronto, acabou. Mas para estudar nos EUA é preciso fazer muito mais que isso”, diz Gustavo.

Afie o inglês

Para fazer faculdade nos Estados Unidos não tem como escapar de ter um bom domínio do inglês. Até porque para concorrer às vagas é preciso fazer testes de proficiência, como o Test of English as a Foreign Language (Toefl). Quanto maior a nota, melhor.

Para treinar e aprender, Pietro sugere videaulas, além de métodos menos convencionais como ouvir música e assistir séries.

Procure um mentor

Como o procedimento é complexo, uma boa dica é procurar programas de mentoria. Os mentores são profissionais experientes, muitas vezes ex-alunos de universidades americanas. Instituições com o a Fundação Estudar e Education USA oferecem este tipo de auxílio, porém, é necessário passar por uma seleção ou atender a alguns critérios como o socioeconômico, por exemplo.

Expanda a lista de universidades

Os Estados Unidos possuem cerca de 4.000 instituições de ensino superior, a sugestão é abrir o leque de opções e aplicar para outras universidades além das que fazem parte da Ivy League (composta pelas oito universidades americanas de maior prestígio, entre elas estão Harvard, Princeton, Yale e Columbia), o que aumenta a chance de sucesso.

A dica de Pietro é para que o candidato escolha nomes que contemplem três tipos de instituições “safety” (são as que você passa com mais segurança), “target” (talvez você passe) e “reach (são seu sonho).

As solicitações para bolsas de estudo são trâmites que correm paralelamente, por isso é fundamental verificar as políticas de assistência estudantil de cada escola, antes de se candidatar às vagas.

Planeje

Todo o processo é longo e burocrático, por isso exige planejamento. O ideal é iniciá-lo com um ano de antecedência.

“Cada faculdade vai pedir cinco ou seis redações. Eu que apliquei pra dez fiz cerca de 50. Você precisa de tempo, são muitos documentos, por isso, comece antes”, aconselha Gustavo.

Saiba para quem pedir as cartas de recomendação

As cartas devem ser solicitadas para professores, coordenadores ou diretores que sejam próximos dos alunos. Caso o autor não domine o inglês, ela pode ser traduzida posteriormente.

“O importante delas não é dizer que você é um aluno que tem notas excelentes, isso eles já sabem pelo seu boletim. O mais importante é ter cartas que reflitam seu caráter e sejam completamente sinceras”, afirma Pietro.

Seja genuíno

As universidades americanas são as líderes em todos os rankings de qualidade, por isso são cobiçadas por alunos excelentes do mundo todo. As mais prestigiadas como Harvard e MIT, por exemplo, destinam apenas 10% das vagas para os alunos internacionais, por isso não é fácil “ouvir” o tão sonhado sim. O importante em todo o processo da candidatura é ser transparente.

“Não existe uma fórmula para o application, ele é muito individual. Não se apegue às histórias que você lê. Trilhe seu caminho e seja genuíno”, finaliza Gustavo.

Livro do menino do Acre: quais os ensinamentos de Bruno Borges em ‘TAC: Teoria da Absorção do Conhecimento’?

0
Imagem de Bruno Borges (Foto: Arquivo Pessoal)

Imagem de Bruno Borges (Foto: Arquivo Pessoal)

Jovem desapareceu em março e deixou manuscritos que começaram a ser publicados. Obra chegou ao ranking das mais vendidas do Brasil; G1 lista 10 ‘lições’ do 1º volume.

Cauê Muraro, G1

Ele tem aversão a sexo, gula e crase. Faz zero questão de parecer modesto (cita a si mesmo, inclusive). Gosta de usar termos associados a quem escreve difícil (“não obstante”, “antemão”, “entrementes”, “outrossim”, “amiúde”), mas não liga se a frase sai do nada e chega a lugar nenhum. Fiel ao “espírito do tempo”, arrisca até uma mesóclise eventual. Humor? Só do tipo involuntário, e vamos encerrar a discussão a esse respeito citando o trecho em que ele define o verbete “ciência” – começa assim: “De acordo com a Wikipédia…”.

Assinado por Bruno “o menino do Acre” Borges, o livro “TAC: Teoria da Absorção do Conhecimento” (Arte e Vida) tem 191 páginas nas quais o autor (desaparecido desde março) faz grande esforço para explicar sua criação. A obra, que saiu no final de junho, acaba de entrar no ranking das mais vendidas do país.

Faz quatro meses que Borges está desaparecido. Antes de sair da casa onde morava, em Rio Branco, o rapaz deixou 14 livros escritos à mão e criptografados (ou seja, usando um código com símbolos no lugar de letras, para cifrar a mensagem). Parte do material estava registrada nas paredes, no teto e no chão do quarto. A polícia trabalha com a hipótese de que o sumiço é, na verdade, marketing para promover a obra.

Pelo que se vê neste volume inicial, houve alguma dificuldade na hora de “traduzir” o texto para a língua portuguesa. Exemplos: “tão pouco” no lugar de “tampouco”; “a” no lugar de “há”; e “atoa” no lugar de “à toa”.

Capa do livro 'TAC: Teoria da Absorção do Conhecimento', de Bruno Borges, o 'menino do Acre' (Foto: Divulgação)

Capa do livro ‘TAC: Teoria da Absorção do Conhecimento’, de Bruno Borges, o ‘menino do Acre’ (Foto: Divulgação)

Mas a ambição do autor está mais no conteúdo do que na forma. Quer compartilhar conosco suas técnicas – ele chama de “porta para a inteligência” e “totalmente original”. Como o conceito de conhecimento é mesmo bastante vasto, vale recorrer a Platão, Aristóteles e Augusto Cury, todos mencionados pelo nome.

Já no começo, Borges avisa não estar “com a tentativa de fazer ciência, até porque nem cientista eu sou”. “Eu apenas quero mostrar, (…) essa é uma teoria pela qual eu coloquei em prática durante anos suas funcionalidades e pude perceber que dava certo, uma vez que foi dela que saiu tantas ideias totalmente originais partidas de mim mesmo”.

A abordagem pode até soar mais “científica” e “filosófica” do que religiosa, mas o escritor garante nada ter contra a religião e reconhece sua importância para a TAC. Reconhece que, aos 20 anos, teve “um arrebatamento e uma experiência profundamente mística”. Faz sentido: o livro é catalogado como 1. Filosofia e Teoria da Religião 2. Religião 3. Relações Humanas.

Após 4 horas de leitura, os 10 ‘conhecimentos’ que o G1 absorveu de ‘TAC’:

1. Mire-se no exemplo dos ‘sábios’ (cadê ‘aquelas mulheres’?)

Bruno Borges não gosta de deixar dúvidas: escreve que o título de “TAC” é formado pelas iniciais de “Teoria da Absorção do Conhecimento” – só para o caso de algum leitor menos perspicaz não ter notado, nunca se sabe. Mas o que ele propõe, afinal?

Em síntese, temos de absorver e acumular conhecimento. E que façamos isso a partir de pessoas (só homens, nada de mulheres na lista) que ele chama de “sábios”.

E que, com esse conhecimento, criemos algo novo. E que deixemos esse algo novo para as gerações futuras. Há até uma fórmula, ela é assim: AB1 + CAB = ABT. Traduzindo: AB1 significa Absorção de Conhecimento Novo; CAB significa Conjunto de Conhecimento Absorvido; e ABT significa Absorção Total.

2. Sexo? Não, obrigado

O que têm em comum Leonardo da Vinci, Jesus Cristo, Platão, Waldo Vieira, Chico Xavier, Heráclito de Éfeso, Isaac Newton, Nikola Tesla e Michael Jackson? Para Bruno Borges, o fato de serem “sábios assexuados”. A qualificação é do próprio autor e é usada em sentido positivo.

O lance é que fazer sexo toma tempo – e um tempo precioso, que poderia ser aplicado precisamente na busca pelo conhecimento. Escreve ele: “Embora muitos não saibam, o tempo que perdemos pelas nossas impulsividades sexuais, impedindo-nos de absorver conhecimentos úteis a fim de criar coisas novas, é imenso. Ora, mas uma relação íntima por vezes não dura 30 minutos? Certo, mas aí é que entra o fator comportamento, em outras palavras, o fim justifica o meio”.

E tem ainda um efeito colateral evidente: o bebê que resulta da reprodução – outra coisa que consome horas.

O negócio é o seguinte: quem faz sexo tem três preocupações – sobreviver, reproduzir e absorver conhecimentos; quem não faz sexo tem só duas preocupações – sobreviver e absorver conhecimento, segundo a teoria de Bruno Borges.

“Ele não necessitará dispor de uma quantia exorbitante do seu tempo para cuidar dos seus filhos, pois nem mesmo filhos terá.” Sagaz.

3. Não cometerás o pecado da gula (nem da carne)

Michael Jackson, Leonardo da Vinci, Albert Einstein, Abraham Lincoln, Aristóteles, Darwin, Isaac Newton, Pitágoras, Platão, Sócrates, Thomas Edison, Voltaire, Gandhi, Buda, Van Gogh e Nikola Tesla… Todos “sábios vegetarianos/veganos/crudívoros” na definição do autor de “TAC”. Ah, mas e daí?

Daí que essa gente toda “evitaria de comer coisas que são fonte de prazer para muitos, e que é o maior responsável pelo vício, pela gula na comida: o apreço pela carne e seus derivados temperados, fazendo com que os assexuados veganos aumentem ainda sua taxa de absorção de conhecimento”.

Também chama de “idiotice” a teoria de que “a carne ou comida queimada foi à [crase do texto original] geradora de uma inteligência mais protuberante do homem”.

Sim, o próprio Bruno Borges assegura que tem “uma alimentação e dieta totalmente frugívera”. E acha certo fazer longos períodos de jejum absoluto, pois isso ajudaria na tarefa de ficar pensando melhor.

4. Sem anabolizantes nem ‘santa erva’

Bruno Borges é contra o uso de anabolizantes, maconha (que ele chama de “santa erva”, naquele que talvez seja o único exemplo de ironia de toda a obra), remédios para déficit de atenção e cirurgias estéticas.

E ele consegue esclarecer isso num único parágrafo do livro, utilizando-se de um fluxo de pensamento e livre associação que são típicos de seu método.

A coisa é realmente inflamada, veja você mesmo: “(…) fumar a santa erva diariamente, impossibilitando de estudar ou trabalhar com rigor, pela dispersão do foco, o ajuda, em algures verão o absurdo de alguns obesos não conseguirem emagrecer, alegando que é predisposição ou problemas na tireóide, mas na verdade só não conseguem refrear a gula, e por isso pagam para um doutor pegar uma faca e cortar sua banha (…)”.

5. Seja rebelde, mas com disciplina e durma pouco

Bruno Borges não só defende que adeptos da TAC sejam radicais como orgulha-se da invenção de um neologismo: “Nós, radicalistas e adeptos do radicalismo, determinamos que só se pode ser um membro da radicalidade (sim, este termo também criamos)”.

O autor recomenda fortemente o “sono polifásico” (modalidade em que o sujeito não dorme as 8 horas regulamentares, mas sim tira cochilos breves), que seria praticado por vários de seus “sábios do coração”, como Jesus e Napoleão.

E chegamos, então, a um outro conceito: disciplina, que sem ela ninguém alcança nada.

Rola até uma ameaça, num raro confronto menos educado com o leitor: “caso sinta-se distraído ou ache uma tarefa enfadonha estudá-las, o que obviamente não passa de 2 laudas, seria útil pedir-lhe somente mais um favor: cerre este livro de uma vez e senta-te sobre o gramado, escancare a tua boca cheia de dentes e espere a morte chegar. Talvez consigas, de praxe, observar um disco voador sobre o céu, se tiveres sorte, caso não, apenas permaneça como está”.

Disciplina e determinação. E o primeiro exemplo de quem sabia o que queria é Kurt Cobain, o líder do Nirvana. Depois vêm Martin Luther King, Freud e… Hitler.

7. Isole-se

Para a Polícia Civil do Acre, que investigou o desaparecimento de Bruno Borges, o sumiço do autor foi parte de um plano para garantir a divulgação da obra. A questão ainda não está fechada, mas “TAC” dá uma pista:

Ao longo da obra, há recorrentes lembranças de que “sábios” gostavam de praticar o isolamento. De novo, a turma aparece: Da Vinci, Tesla, Jesus, Newton, Einstein, Buda e… Michael Jordan (porque ele treinava sozinho). E Raul Seixas.

No final de maio, conversas encontradas no celular de dois amigos de Bruno Borges mostraram a intenção deles de ficarem ricos com a divulgação dos livros criptografados, informou o delegado responsável pela investigação. “O desaparecimento em si vem coroar a parte da publicidade”, afirmou Alcino Júnior.

Dias depois, o delegado disse que a polícia não tinha “mais responsabilidade sobre o caso”.

8. Hitler, o ‘calamitoso’

Outro que se isolava, lembra Bruno Borges, era o Adolf Hitler. O líder nazista alemão aparece em duas passagens de “TAC”, sendo chamado de “calamitoso” em ambas. O primeiro comentário é este: “E o calamitoso Hitler, conseguiria ele colocar em prática todos os seus sonhos incluídos em seu livro ‘Minha luta’, escrito quando preso, em isolamento, se ele não tivesse feito uso de praticamente todos os itens aqui neste estudo, pelo qual não coloquei seu nome em nenhuma categoria para não inflamar o ódio sobre leitores que não aceitariam que ele fosse visto como sábio”.

Borges cita uma passagem de “O carisma de Adolf Hitler”, de Laurence Rees, na qual “seus companheiros achavam estranho que ele nunca quisesse tomar uns tragos (veganismo, gula) ou fazer sexo com uma prostituta (assexuado), passando o tempo livre lendo ou desenhando (absorvendo conhecimento), ou eventualmente discursando para quem estivesse por perto sobre algum assunto de que gostasse, estranho que parecesse não ter amigos ou familiares e, consequentemente, fosse um homem decidido a ser só (isolamento)”.

9. Usar a TAC pode ser perigoso

Alerta: a TAC não é só alegria, não. De acordo com o autor, “a história tem se encarregado de demonstrar que a grande maioria destes sofriam mais que qualquer outro ser humano na terra”, não deixando de assegurar que “o sofrimento psíquico é muito pior do que o sofrimento físico”. Ele pede “cuidado, muito cuidado” a quem tiver uma “ideia absurda” e quiser divulgar por aí.

Na hora de exemplificar com “praticantes da TAC” que se deram mal, recorre a casos de gravidade muitíssimo variada: tem Jesus (“crucificado”), Giordano Bruno (“queimado vivo”) e o coitado do Thomas Edison (“expulso do primário porque o professor disse que ele era muito burro e tinha a cabeça oca”).

10. ‘Penso, logo crio’

“O ser humano é uma espécie curiosa”, avisa Bruno Borges. Mas por quê? Porque, ao contrário dos outros animais, “se transvia da natureza animalesca” – muito embora muitas vezes não se dê “conta de que também é um animal nu e cru como os demais”.

O fato é que o homem consegue efetivamente criar (teorias, livros etc.), que é “o real propósito da inteligência humana”.

“Eu digo, diferentemente de Descartes ‘penso, logo crio’”, ousa Borges, dando cara nova ao famoso “penso, logo existo”.

Mas o autor é meio radical aqui de novo: “preferiria eu ser qualquer outro primata a um ignorante humano”, conclui, depois de citar que os primatas sabem “exatamente o que tem que fazer no mundo”.

As 8 melhores práticas para mandar bem nas leituras obrigatórias

0
(percds/iStock)

(percds/iStock)

 

Veja dicas para tirar o melhor proveito possível das obras e se preparar para os exames

Publicado no Guia do Estudante

Algumas das maiores universidades do país mantêm vestibulares próprios, além de programas como o Sisu e o Prouni. Para quem vai se candidatar a uma delas, é importante ficar ligado nas listas de obras obrigatórias que muitas vezes são exigidas do candidato na realização do exame.

Para tirar o melhor proveito possível das leituras, o professor de literatura Tiago Martins, da plataforma online Me Salva!, dá 8 dicas que podem ser úteis a quem está se preparando para os exames. Veja!

1. Desfrute das leituras

Um dos principais males do nosso ensino é a perspectiva de que estudamos somente para passar no vestibular ou tirar uma boa nota. O conhecimento pode desempenhar uma grande transformação nas nossas vidas, desde que estejamos abertos a ele. Uma obra literária pode conter um tanto de História, um tanto de Sociologia, um tanto de Psicologia, um tanto de Filosofia, um tanto de Economia, enfim, um tanto de reflexões sobre a nossa própria natureza e sobre como vivemos em comunidade. Como diz Antônio Cândido, crítico literário brasileiro, ‘o romance enrola a verdade na fantasia’.

Se os estudantes se dedicarem a ler as obras literárias desejantes de mergulhar nas narrativas oferecidas, desejantes de superar as iniciais dificuldades que um texto pode oferecer – especialmente aos que não têm familiaridade com a leitura -, poderão não apenas ter um melhor desempenho em seus respectivos vestibulares, como poderão ter o prazer de se entregar a um livro! Quando lemos (ou estudamos) interessados em aprender, e não apenas em decorar para uma prova, o nosso desempenho sempre é muito melhor, pois assimilamos aquele conhecimento profundamente, e não superficialmente.

2. Tenha um bom esconderijo

O escritor português Gonçalo M. Tavares disse em uma entrevista que: “Sem um bom esconderijo não se tem uma boa vida”. Ele fala de um tempo no qual ficamos quietinhos, distante das preocupações e das solicitações, um tempo guardado para a leitura. O fato é que vivemos em uma lógica temporal de muita pressa, a maior parte das pessoas compra a ideia de que devemos estar sempre ocupados, sempre conectados, sempre trabalhando, sempre fazendo alguma coisa. Isso nos põe em um estado de agitação muito grande. É esse estado de agitação que, muitas vezes, leva os estudantes que estão se preparando para o vestibular a desenvolver quadros de ansiedade.

A literatura, no entanto, habita um outro tempo. Para mergulharmos em um texto literário com a atenção que ele exige, é preciso de pausa, e não de pressa. Então é importante que o estudante crie uma rotina de leitura. Um esconderijo. Um horário no qual ele irá se desconectar das redes sociais, deixar o celular um pouco de lado, deixar as preocupações do lado de fora e mergulhar no livro. Cada um vai escolher qual é o melhor horário para si, cada um vai escolher quantas vezes por semana vai se dedicar a sentar-se para ler, mas é importante criar uma rotina de leitura e um espaço de silêncio e calma no meio da agitação e da pressa.

3. Não fique muito tempo longe do livro que você decidiu ler

Os estudantes não precisam ler todo dia, se não quiserem. Uma rotina pode ser diária ou não. No entanto, quando um estudante se decide por começar a ler uma obra é importante que ele não fique espaços de tempo muito longos longe do livro, pois dessa forma, perde-se o “fio da meada”, como se diz, e a assimilação da história fica prejudicada. Quando nos decidimos a ler um romance, por exemplo, é importante termos uma certa constância na leitura.

Livros de contos e livros de poemas, por outro lado, podem pressupor outras orientações. Podemos terminar um conto, ler um romance no meio e depois lermos outro conto. Os livros de poemas, por exemplo, não precisam ser lidos em ordem linear.


4. Evite ler resumos antes de terminar a obra

Ler o resumo de um livro ao invés de ler a obra completa é uma perda muito grande. Fica claro aí o objetivo de apenas “decorar” algo para uma prova. Os resumos podem nos ajudar a refrescar a memória e, portanto, se forem utilizados devem ser lidos após a leitura integral da obra. Quando lemos resumos, estamos diante dos famosos spoilers, ficamos sabendo o que acontece antes de ler, o que estraga as surpresas e o possível prazer com a leitura.

5. Seja um leitor ativo

Caso o estudante esteja diante de uma obra que tenha elementos que, num primeiro momento, pareçam complexos, nada impede que ele pesquise para esclarecer a leitura. Dois exemplos: 1) Podemos estar diante de uma obra cujo contexto histórico é importante para o entendimento da narrativa. Então, nada impede, que o estudante use as facilidades da internet para se familiarizar com o contexto histórico. Depois, ele pode voltar ao livro e perceber que a leitura ficará bem mais acessível. Além disso, 2) às vezes temos obras nas quais o autor ou a autora gostam de brincar com a linguagem, ser criativos com a língua.

O grande barato da literatura é que não precisamos usar a linguagem cotidiana, tão objetiva, podemos subverter a língua. No entanto, esses exercícios criativos podem apresentar dificuldades para alguns leitores. Nada impede que os estudantes leiam algumas coisas sobre a obra para melhor entender o enredo do livro (evitando muitos spoilers). Depois, eles poderão voltar ao texto apreciando a linguagem. Tão logo o que era difícil no início, ficará fácil e prazeroso. Não tenhamos medo da criatividade nem dos diferentes usos da língua. literatura é a arte da subversão da palavra.

6. Risque os livros (se eles forem seus)

Os livros não precisam ser objetos estranhos, intocáveis, distantes. Ao ler, é importante que tenhamos em mãos um lápis e, talvez, post-its. Podemos sublinhar o livro, riscar, escrever coisas nas páginas. (Desde que eles sejam nossos, é claro!) Quem disse que não podemos riscar os nossos livros? Dessa forma, ficarão marcados os trechos mais importantes, os trechos que mais gostamos. Isso facilitará os processos da nossa memória. Caso o livro seja emprestado, poderá colocar post-its e depois anotar aqueles trechos.

7. Faça um diário de leitura

Pode ser muito interessante e estimulador fazer um diário de leitura. Os estudantes podem fazer pequenos ou grandes resumos das obras que leram e colocar nesse arquivo aqueles trechos que foram sublinhados.

8. Conheça a prova

Alguém que realizou uma boa leitura de todas ou, pelo menos, de quase todas as obras obrigatórias vai, com certeza, ter um bom desempenho. No entanto, é claro que é importante que o estudante conheça as provas anteriores para entender que tipo de questão a prova de vestibular que irá realizar está cobrando. Então, é importante ficar atento: a prova cobra mais enredo, cobra mais interpretação, cobra mais contexto histórico? A prova pede relações entre uma obra e outra? Assim, evitam-se as surpresas.

Dicas que as Livrarias poderiam aprender com as Lojas de Quadrinhos

0

comic_book_store_photoshoot_03

Fábio Mourão, no Dito pelo Maldito

Apesar de atrair um público semelhante, as Livrarias e as Lojas de Quadrinhos, sempre preservaram diferenças notáveis entre si. E apesar de hoje em dia os dois ambientes buscarem uma harmoniosa fusão dentro de grandes empresas do ramo, ainda se nota uma desnecessária distância entre ambos.

Considerando que 2016 foi o melhor ano de vendas de HQs desde 1997, é visível que o negócio dos quadrinhos voltou a prosperar com a ajuda inegável das adaptações cinematográficas.
Como todo bom leitor eu amo uma boa livraria, mas creio que sempre há espaço para melhorias, e veremos aqui que muitas delas podem ser aprendidas com sua vertente colorida, superpoderosa, e obcecada por continuidade.

Construa, e eles virão
Antes de decidir me estabelecer definitivamente em São Paulo, eu aproveitava cada visita rápida para percorrer algumas das lojas de quadrinhos mais conhecidas da cidade. Mesmo sem saber me locomover pela metrópole, arriscava me desviar quilômetros do meu roteiro original de viagem, só para perder algumas horinhas na Comix Book Shop, Geek.Etc e outras do tipo que, apesar de trabalharem no mesmo ramo, quem conhece sabe que possuem particularidades únicas. Algumas são especialistas em Mangá, outras perfeitas para se encontrar números antigos, e uma grande parte delas oferece um espaço dinâmico com mesas para RPG, eventos esporádicos, e um point fixo para encontro de fãs do estilo.

Em resumo, as gibiterias aprenderam a agregar valor aos seus produtos. Algo que traga o público à loja por razões alheias aos quadrinhos, tornando-se praticamente um ponto turístico para os leitores de fora. E acredito que algumas livrarias poderiam investir em alguns espaços temáticos nesses modelos, com atrações periódicas e itinerantes em sua rede de lojas.

Algo como o “Mês Stephen King”, por exemplo. Com sessões de filmes baseados no trabalho do autor, oficinas literárias e palestras com autores nacionais do mesmo gênero, concurso de contos, sorteio de kits e brindes e, claro, descontos nos exemplares do mestre do terror durante o evento.

Nem todo evento precisa ser ‘literalmente’ literário

Muitas redes de livrarias já possuem espaços adequados para esses tipos de eventos, algumas portando teatros excelentes, porém, diversas vezes mal utilizados pela falta de variedade e criatividade de temas, deixando o público bocejando ao conferir o calendário de atividades.
Nossa sugestão é usar esses ambientes para hospedar pocket shows de comédia, microfones abertos, aulas de teatro, torneios de Card Game, e outras semânticas que pouco, ou nada, tem a ver com livros. Os eventos trazem as pessoas para a loja, e quando lá estão eles compram coisas pela impulsividade. Isso é matemática simples.

Antecipe os lançamentos

Devido a longevidade e continuidade dos quadrinhos, os seus leitores sempre sabem quais serão os próximos lançamentos das suas séries favoritas, permitindo um planejamento mensal antecipado dos compradores, que podem deixar as edições desejadas pagas e reservadas na loja. Gerando uma pré-venda natural dos exemplares.

As editoras anunciam seus lançamentos com semanas de antecedência na internet através de sites e blogs literários, mas nas livrarias só ouvimos falar deles depois de lançados e expostos nas prateleiras. A ideia aqui é criar o seu próprio boletim de notícias, com capas e sinopses dos próximos livros à venda, incluindo cupons de desconto, e promovendo uma excitação dos frequentadores para retornar a livraria. Como um plus a mais, contrate alguns blogueiros para preencher as páginas com matérias, e tornar o seu boletim irresistível ao público.

Seja um de nós

Faça parte da comunidade dos seus leitores. Isso é importante.
As lojas de quadrinhos já estão acostumadas com frequentadores portando armadura, maquiagem, máscaras e todo tipo de fantasias, e no fundo eles sabem que toda essa indumentária acaba compondo um atrativo a mais para o comércio.

Seus leitores também serão seus divulgadores se sentirem que, de alguma forma, fazem parte daquele ambiente. Promova concursos de cosplay, caças ao tesouro, e outras ações do estilo que deixem o público entretido e interagindo com o ambiente. Isso gerará uma constância na frequência, além de atrair um público todo novo.

Go to Top