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Cinco bons livros para se informar e relaxar nas férias

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livros (Reprodução/Reprodução)

Professora de língua portuguesa e produção textual do colégio Mopi fez seleção impecável de obras e fala um pouco de cada uma

 

Publicado Veja Rio

Ler é uma viagem. Professora de língua portuguesa e produção textual do colégio Mopi, Tatiana Nunes Camara fez uma seleção impecável de livros, incluindo clássicos da literatura, e analisou cada um, explicando por que essas obras podem proporcionar conhecimento e entretenimento neste mês de férias. Boa leitura!

1. Confiança e Medo na Cidade, de Zygmunt Bauman

“Este livro aborda questões sociais e estruturais , que envolvem as cidades grandes de um modo geral. É uma obra interessante, pois, além do viés social abordado, há também uma análise do aspecto geográfico e, com base em uma análise social e filosófica, o autor traz à tona essa discussão do espaço geográfico associado à condição social. Texto bem analítico, que consegue desenhar para o leitor um panorama fiel ao que vemos e vivemos hoje nas grandes cidades. Os alunos costumam curtir muito o Bauman, bem como suas reflexões que são repletas de exemplos e de imagens desenhadas a partir de uma olhar crítico-social.”

2. Modernidade Líquida , de Zygmunt Bauman

“Esse livro também costuma atrair muito os alunos, pois o sociólogo polonês traz à tona a questão das relações humanas da modernidade ( Ele conceitua os tempos atuais como modernidade mesmo, inclusive, explica isso vem claramente em uma de suas obras). A fluidez, a fragilidade, a fraqueza dos laços estabelecidos entre as pessoas são temáticas abordadas no livro que, também, provoca uma discussão conceitual e prática sobre as relações de trabalho; a relação sentimental entre os seres humanos, as incertezas e as inseguranças vividas por nós atualmente. Enfim, o autor aborda aspectos das relações da vida moderna e propicia uma identificação do leitor em muitos momentos da obra. Leitura densa, mas bastante agradável, pois desperta um olhar crítico e menos ingênuo acerca da sociedade e suas relações.”

3. Toda Poesia, de Paulo Leminsky

“Reunião de obras poéticas de Leminsky que, com toda sua versatilidade e irreverência, “brinca” com as palavras, de modo a construir mensagens maravilhosas, recheadas de muito conteúdo. Qualidade, atitude, destreza com as palavras e improviso resumem os traços dos poemas desse grande mestre da arte poética.”

4. Hora da estrela, de Clarice Lispector

“O romance narra a história da sofrida Macabéa , que vem para o Rio de Janeiro a fim de tentar a vida, na ilusão dramática de conseguir oportunidades na Cidade grande. A história da triste Macabéa é contada por uma narrador intrigante: o Rodrigo.
Macabéa reúne em si sonhos e conflitos internos e faz com que o leitor mergulhe naquele universo e viva junto com ela, intensamente, todas as situações pelas quais ela passa. É uma narrativa que faz rir e que faz chorar em um breve espaço de tempo. O texto, muito descritivo, nos permite visualizar as cenas em nosso imaginário. A obra é instigante e a forma como é construída provoca no leitor o desejo de estar sempre querendo saber o que vai acontecer no momento seguinte. Esse livro de Clarice Lispector foi adaptado para o cinema, mas nada de se pensar em substituí-lo pelo filme. Apesar de ser uma adaptação bem realizada e fiel ao texto original, é importante entender que são linguagens diferentes e , portanto, têm funções e objetivos distintos. O filme não substitui a obra original de Clarice e vice-versa. Duas linguagens. Duas funções.”

5. Felicidade Crônica, de Martha Medeiros, da editora L&PM.

“Já no título percebemos um jogo com as palavras, que pode despertar no leitor bastante curiosidade. Livro que reúne crônicas de diferentes temas, com uma abordagem cotidiana , tal como se espera desse gênero Crônica. Linguagem leve, escrita fácil , texto agradável, narrativas que nos permitem , por vezes, completa identificação com as personagens … Martha Madeiros conta suas histórias de forma simples e de maneira bastante informal.”

Com prova considerada “difícil”, Fuvest aborda crise hídrica de SP

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Lucas Rodrigues, no UOL

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Segundo os candidatos que fizeram a primeira fase da Fuvest (Fundação Universitária para o Vestibular) 2015 no prédio da Escola Politécnica de Engenharia Civil, na Cidade Universitária, o exame estava “difícil” e abordou a crise hídrica do Estado de São Paulo em uma das questões.

Teodoro Bava, de 16 anos, é treineiro de humanas e pretende fazer o curso de publicidade no futuro. O estudante achou o vestibular da Fuvest mais difícil do que pensava. “É meu primeiro vestibular. Antes só fiz o Enem”, conta. “Achei complicado. Sabia do nível da Fuvest, mas superou as minhas expectativas de dificuldade.”

Bava se lembra de uma charge na prova de geografia, na qual estavam dois vasos, um com as folhas mortas, representando a União Europeia, e outro ilustrava a China. “Mostrava um vaso grande com plantas enormes, que era a China, e o pequeno com uma mulher regando. E eles tinham uma ligação por baixo da terra”, diz. “Era como se a União Europeia alimentasse a economia da China. Foi a que mais me chamou a atenção.”

Em literatura, o jovem afirma que foram abordados os livros indicados para a prova de literatura e que os enunciados não estavam tão grandes quanto no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio). Em uma das questões, era perguntado qual o motivo da seca no Estado de São Paulo. “As alternativas falavam um pouco sobre a questão política, administrativa, social e demográfica.”

Mariana Ribeiro tem 17 anos e quer prestar nutrição. Ela também se recorda da questão envolvendo a represa da Cantareira. “Eles queriam saber quais eram os motivos de ter acontecido a seca em São Paulo”, conta.

No geral, a estudante achou a prova difícil, com destaque para a área de exatas. “As partes maiores eram falando sobre os livros. Caiu bastante e pedia para comparar um com o outro”, acrescenta.

Giovana Piovan, de 16, também é treineira de humanas e pretende fazer arquitetura. Ela também afirma que boa parte das questões de português abordavam os livros obrigatórios da Fuvest. “Noventa por cento da prova eram os livros Cortiço, Memórias Póstumas, Vidas Secas e Til”, diz. “Tinha um trecho de livro e perguntava com qual outro ele se assemelhava.”

A estudante teve dificuldades na parte de exatas. “Muita matéria eu ainda não tinha visto na escola. A parte de física tive que chutar, mesmo eles dando alguns dados na prova”, conta. “Como eu sou treineira, não estava muito preocupada.” Ela se recorda ainda de muitos mapas e uma questão sobre placas tectônicas na prova de geografia e um exercício misturando física e história envolvendo termodinâmica.

Abstenção

A primeira fase do vestibular da Fuvest (Fundação Universitária para o Vestibular) 2015 registrou abstenção de 10,2%, segundo informações instituição.

Neste domingo (30), 14.457 inscritos faltaram à prova de seleção da USP (Universidade de São Paulo) e da faculdade de medicina da Santa Casa. Em comparação ao ano passado, o índice de faltosos diminuiu 1,3%. Em 2013, estavam inscritos na prova da Fuvest 172.027 candidatos, faltaram 19.867 (abstenção de 11,5%).

Tuíte de gaúcho convence editora a publicá-lo

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Professor Enéias Tavares (Foto Reprodução/A Razão)

Professor Enéias Tavares (Foto Reprodução/A Razão)

Cadão Volpato, na Folha de S.Paulo

“Num cenário retrofuturista, os heróis da literatura brasileira do século 19 investigam os crimes do ousado assassino serial Antoine Louison.”

Foi assim, em exatos 139 caracteres, que o escritor Enéias Tavares passou pela primeira etapa de um concurso de ficção científica promovido pela editora Casa da Palavra.

O desafio era resumir a trama de um romance num formato de Twitter, cujas mensagens são de no máximo 140 caracteres. Enéias acabaria vencendo mais de 1.500 concorrentes com o livro “A Lição de Anatomia do Temível Dr. Louison”, um exemplar da corrente “steampunk”, surgida no final dos anos 80.

O “steampunk” é um subgênero retrofuturista da ficção científica, o oposto do cyberpunk, com um pé no século 19 e outro no amanhã.

O gaúcho Enéias Tavares, 32, é professor de literatura clássica na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e especialista nos “Livros Iluminados” do britânico William Blake (1757-1827).

“A Lição de Anatomia…” mistura inúmeras referências da literatura brasileira do século 19, associando livremente as obras e personagens de Machado de Assis (1839-1908), Aluísio de Azevedo (1857-1913) e Lima Barreto (1881-1922) a serviçais-robôs e zepelins.

É um parente amalucado de Júlio Verne (1828-1905) e da série de televisão dos anos 1960 “James West”.

INFLUÊNCIAS

O Brasil já tem uma tradição no terreno da ficção científica, e Enéias Tavares conhece bem os autores brasileiros da área.

“Além de A Máquina Voadora’ (1994), de Braulio Tavares, sempre sugiro o primeiro livro de ficção científica nacional, que é O Doutor Benignus’ (1875), de Augusto Emílio Zaluar”, diz Tavares sobre suas preferências.

“Dos contemporâneos, adoro a obra de Fabio Fernandez, bem como os romances de Felipe Castilho (Ouro, Fogo & Megabytes’, de 2012) e Nikelen Witter (Territórios Invisíveis’, lançado no mesmo ano).”

Mas o idiossincrático roteirista de quadrinhos inglês Alan Moore (“Watchmen” e “A Liga Extraordinária”) é uma das fontes de inspiração mais palpáveis em “Lição de Anatomia”.

“Alguns amigos, quando leram pela primeira vez o meu romance, disseram que era A Liga Extraordinária’ com heróis brasileiros, o que foi o melhor elogio que eu poderia ter recebido”, conta o escritor.

“A Lição de Anatomia” traz uma espécie de “samba do crioulo doido” do mundo cibernético. Mas a graça está toda aí.

Faz muito tempo que a literatura brasileira contemporânea, tão comportada, não se deixa levar pela imaginação, conversando com o próprio passado.

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