Lygia Fagundes Telles Créditos: Divulgação

Lygia Fagundes Telles
Créditos: Divulgação

 

“As meninas”, “Um coração ardente” e “Passaporte para China” são alguns dos títulos que merecem destaque

Publicado no Guia da Semana

Se você ainda não conhece Lygia Fagundes Telles ou nunca leu um de seus livros, pare o que estiver fazendo para ler esta matéria e escolha uma das obras abaixo para conhecer o mais rápido possível.

Para quem ainda não sabe, Lygia foi uma das primeiras mulheres a consquistar o diploma de Direito no Largo São Francisco e é uma das maiores escritoras brasileiras. Este ano, no alto de seus 92 anos, ganhou mais um prêmio, o Prêmio Fundação Conrado Wessel 2015, na categoria Cultura, sendo agraciada com R$ 300 mil.

Sua obra é hoje internacionalmente reconhecida, e para que você saiba mais sobre sua trajetória profissional e se apaixone por sua escrita, listamos 10 livros incríveis que você precisa ler. Confira:

AS MENINAS

Num pensionato de freiras paulistano, em 1973, três jovens universitárias começam sua vida adulta de maneiras bem diversas. A burguesa Lorena, filha de família quatrocentona, nutre veleidades artísticas e literárias. Namora um homem casado, mas permanece virgem. A drogada Ana Clara, divide-se entre o noivo rico e o amante traficante. Lia, por fim, milita num grupo da esquerda armada e sofre pelo namorado preso. “As Meninas” colhe essas três criaturas em pleno movimento, num momento de impasse em suas vidas.

SEMINÁRIO DOS RATOS

Em “Seminário dos Ratos”, publicado pela primeira vez em 1977, a autora lança mão de toda a sua maestria narrativa para explorar regiões recônditas da psique e do comportamento humanos. Em várias das suas catorze histórias, ela se aventura pelo fantástico como modo privilegiado de acesso ao real. Mas o fantástico de Lygia recusa as facilidades do chamado realismo mágico, apresentando-se a cada vez de maneira diversa e surpreendente. Alternando tempos narrativos, passando com desenvoltura da primeira à terceira pessoa, usando com destreza o discurso indireto livre, Lygia Fagundes Telles atinge neste livro a proeza de conciliar uma construção literária altamente complexa com uma capacidade ímpar de comunicação com o leitor.

DURANTE AQUELE ESTRANHO CHÁ

Estes textos de origens, naturezas e épocas diversas, compõem um painel de memórias de Lygia Fagundes Telles, com destaque para seus encontros e diálogos com personalidades literárias que, de um modo ou de outro, marcaram a sua formação como escritora. A autora passa em revista as conversas com Simone de Beauvoir e Jean-Paul Sartre, as visitas a Jorge Amado e Zélia Gattai, a amizade com Hilda Hilst, um diálogo com Jorge Luis Borges e uma entrevista concedida à amiga Clarice Lispector.

UM CORAÇÃO ARDENTE

Os dez contos reunidos neste livro foram publicados entre 1958 e 1981. Em “Um Coração Ardente”, um rapaz se apaixona por uma moça sem saber que ela é prostituta e, depois, tenta regenerá-la. Em “Biruta”, um menino órfão cujo único consolo e companhia é seu cão de estimação vê-se traído pela família que o adotou como uma espécie de agregado. Em “Emanuel”, o amante inventado por uma moça solitária em um mecanismo de defesa contra as zombarias das amigas acaba por ganhar existência real. “As Cartas”, por sua vez, narra o empenho de uma mulher para proteger a correspondência comprometedora de uma amiga com um político casado. Já o entrecho de “A Estrela Branca” é o transplante de olhos que devolveu a um cego a visão – mas não o controle sobre ela.

PASSAPORTE PARA A CHINA

Em 1960, delegações de todo o mundo participaram da festa do 11º aniversário do socialismo chinês. Embora não se considerasse comunista, Lygia foi incluída no grupo brasileiro e resolveu enfrentar o pânico dos ‘aviões a jato’. Antes de embarcar, ela recebeu outra proposta – enviar relatos da viagem para o jornal ‘Última Hora’. Daí surgiram 29 crônicas, que formam um diário de bordo, ambientado em várias cidades. O olhar da autora se demora em paisagens, monumentos, roupas, costumes. Mas as crônicas (mais…)