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Coleção ‘Primeiros Passos’ agora está inteira disponível para download

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© fotos: divulgação

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Publicado no Hypenees

Muitos debates agressivos e inócuos que hoje se perpetuam pelas redes sociais poderiam ser evitados, atenuados ou ao menos melhorados se os debatedores dedicassem um pouco do seu tempo a lerem alguns dos livros da coleção Primeiros Passos. Criada pela editora Brasiliense em 1970, os livros de bolso traziam um diferente autor por volume, para responder perguntas essenciais sobre temas fundamentais, que influenciam nossas vidas e pautam muitas polêmicas, que muitas vezes são debatidos sem que se saiba concretamente do que se tratam de fato.

A mais sincera dúvida é sempre a premissa. O que é o capitalismo? O que é alienação? O que é cidadania? O que é comunismo? E cultura? Ideologia, homossexualidade, loucura, indústria cultural, racismo, violência urbana, religião, nenhum tema, por mais básico ou espinhoso que pareça, fica de fora da coleção. Com textos curtos, objetivos e diretos, a coleção é capaz de criar uma base importante para que se entendam muitos dos dilemas do presente e do passado.

Não por acaso, a Primeiros Passos desde sempre foi um grande sucesso. Ao fim de cada livro, uma bibliografia é oferecida, para quem deseja se aprofundar ainda mais no tema tratado, para enfim poder dar os passos além em assuntos tão importantes quanto os supracitados. E agora diversos volumes da coleção estão disponíveis online, para download em PDF. Quem sabe assim, para além de qualquer posição crítica ou inclinação ideológica, os debates se enriqueçam e possam justamente chegar a um primeiro passo.

De faxineira a juíza, a história de uma mulher pobre e negra no Brasil

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 A juíza Adriana Queiroz. Aline Caetano

A juíza Adriana Queiroz. Aline Caetano

 

Adriana Queiroz pagou parte dos seus estudos como limpadora de um hospital e escreveu um livro

Maria Martin, no El País

A luz do quarto de Adriana Queiroz estava sempre acessa nas madrugadas. Ela trabalhava durante o dia, estudava às noites e rezava para que quem apenas a via como uma mulher negra, pobre e filha de analfabetos não quebrasse seu sonho. Adriana não queria ser o que os outros esperavam dela, ela queria ser juíza em um país onde a taxa de analfabetismo das mulheres negras (14%) mais que duplica a das brancas (5,8%), segundo o IBGE.

Adriana, com 38 anos, é hoje titular da 1ª Vara Cível e da Vara de Infância e da Juventude de Quirinópolis, em Goiás. Tem cinco pós-graduações, estuda Letras nas horas vagas, mas já foi faxineira. Ela teve que se esforçar muito mais que a maioria dos seus colegas de aula para vestir a toga. E conseguiu. Hoje conta suas conquistas em um livro que acabou de lançar, Dez passos para alcançar seus sonhos – A história real da ex-faxineira que se tornou juíza de direito.

Os pais de Adriana eram trabalhadores rurais no sertão da Bahia e se mudaram para Tupã, um município de 63.000 habitantes no interior de São Paulo, em busca de uma vida melhor. O orçamento familiar aumentou, o pai virou motorista de ônibus e a mãe vendedora ambulante, mas pagar uma faculdade era ainda um sonho de outra classe social. “A vida deles sempre foi muita dura. Meus pais sofreram muito, eles queriam me dar o que eles não alcançaram, mas não tinham condições. Ninguém na minha família tinha condições de me ajudar”, lembra a juíza em uma conversa por Skype.

A magistrada, que sempre estudou em escola pública, foi a terceira classificada no vestibular para cursar direito, mas a única faculdade de sua cidade era privada. Não tinha como pagar, muito menos como cogitar uma universidade pública em outra cidade. “Eu soube do resultado da prova numa sexta e, na segunda, já tinha que fazer a matricula ou perdia a vaga. Tive três dias para decidir o que fazer, ver se teria que abandonar”.

Ela resolveu, em seguida, pedir conselho e emprego a um professor da cidade. Ele, que trabalhava no corpo administrativo da Santa Casa, conseguiu uma vaga para ela na instituição. De faxineira. Adriana se orgulha daqueles seis meses que limpou o hospital, mas o salário mínimo que recebia não era suficiente para pagar a mensalidade da universidade e ainda ouvia chacota dos colegas. “Força nos braços, advogadinha!”, lhe gritavam. “Esse episódio é muito marcante para mim, justamente por esse preconceito de que alguém que exerce um cargo como eu exercia não possa sonhar alto”.

Faltavam horas para o prazo da matrícula expirar quando Adriana plantou-se na frente do diretor da faculdade. Compartilhou seu sonho de estudar. “Ele se sensibilizou e me concedeu uma bolsa de 50% e diluiu o valor da matrícula nas mensalidades. Assim, durante o dia trabalhava na limpeza e à noite ia estudar”.

Para espanto dos seus conhecidos e familiares, durante a faculdade, Adriana resolveu ser juíza. “Quando anunciei isso as pessoas ficaram espantadas. Não era comum no meu contexto almejar um cargo tão alto. É como se fosse algo inacreditável, faziam questão de frisar que eu era pobre e negra, como se não tivesse nenhuma chance”, lamenta. Decidida, em 2002, terminou os estudos, pediu demissão na Santa Casa, onde já tinha sido promovida ao corpo administrativo e guardou suas coisas em duas sacolas plásticas. Partia para a capital para se preparar. “Eu não tinha nem mala”, relata.

Após alugar um quartinho no bairro da Liberdade e se matricular no curso preparatório para o concurso da magistratura o dinheiro da conta dava para, no máximo, mais dois meses. “Foi um momento muito crítico, o dinheiro estava acabando e eu não tinha conseguido trabalho”, conta Adriana. “Eu me vi de novo nesse dilema de ter ou não que abandonar”. Não precisou. O diretor do curso, o procurador Damásio de Jesus, viu nela uma “pessoa incomum”.

“Logo à primeira vista, olhando nos olhos daquela jovem advogada de 24 anos, tive certeza de que estava diante uma lutadora, uma pessoa incomum, de alguém que, sem dúvida, estava fadada a um grande futuro”, destaca o jurista no prefácio do livro. Damásio ofereceu para ela uma bolsa de 100% do curso durante dois anos e a empregou na biblioteca da instituição. “Fiquei sete anos estudando, sábados, domingos e feriados. Quando as pessoas iam viajar, eu ficava na biblioteca. Depois de inúmeras reprovações, eu consegui. Em janeiro de 2011 passei o concurso e me tornei juíza em Goiânia”.

Caçula de seis irmãos, a única deles que tem ensino superior, Adriana quer motivar agora com o livro a todas as pessoas que, assim como ela, “sonham, mas estão desacreditadas”. “É possível romper os paradigmas sociais”, encoraja. “Eu, particularmente, não sofro racismo hoje. Mas sim vivencio a grande surpresa das pessoas quando me veem. Porque quando o advogado vai procurar o juiz, ele não espera encontrar alguém como eu. Eu não me importo. Eu fico feliz de ter quebrado esse paradigma”.

10 Livros infantis que ainda são assustadores para adultos

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Fabio Mourão, no Dito pelo Maldito

As crianças podem ser bem mais fortes do que nós imaginamos. Adultos que se preocupam com histórias de ficção temendo que sejam assustadoras demais para as crianças, estão negligenciando uma verdade irrefutável: As crianças gostam de ter medo. O fato é que os fedelhos são feitos de um material bem resistente, e apreciam o tipo de adrenalina que vem na forma de um livro ou filme assustador.

Mas os adultos são aqueles que não sentem medo. Eles estão sempre no controle e sabem que sempre podem contar com alguma explicação lógica para qualquer coisa que fuja do racional.

Sendo assim, reunimos aqui alguns livros considerados ‘infantis’ com histórias tão apavorantes, que causariam pesadelos até mesmo no mais convicto dos adultos.

✔ Contos dos irmãos Grimm (Irmãos Grimm)
Uma coleção de histórias escritas por esses irmãos macabros, incluindo clássicos como “Rapunzel”, “Cinderela”, “Branca de Neve”, e outros. Só que a frase “… e viveram felizes para sempre” originalmente não se aplicava às irmãs malvadas e invejosas de Cinderela, que tinham seus olhos arrancados por pássaros no final da história. (Editora Rocco)

Por que isso assustaria os adultos: Apesar dos filmes da Disney transformarem o conceito de contos de fadas em histórias de amor melosas cheias de pássaros cantando e finais felizes, os Irmãos Grimm utilizavam todo tipo de lições morais sombrias e punições cruéis para os ímpios. É até um pouco perturbador considerar que estas histórias em que crianças são devoradas, princesas entram em coma, e corações são arrancados, foram escritas para uma faixa de idade tão baixa.

✔ Algo Sinistro vem por aí (Ray Bradbury)
Uma história de horror, magia e poesia na qual dois garotos precisam enfrentar criaturas ameaçadoras dentro de um misterioso parque de diversões itinerante que parece não ter origem nem destino. É cíclico e carrega a força de símbolos e verdades que servem plenamente para representar a existência real e suas eternas conquistas, frustrações, ameaças e dúvidas. (Editora Bertrand Brasil)

Por que isso assustaria os adultos: Esses caras não são apenas ameaçadores como de costume. Eles são o mau encarnado e viajam por aí roubando as almas das pessoas. Logo os habitantes da cidade estão sob o poder do proprietário do parque, Sr. Dark, que tem uma tatuagem para cada pessoa que ele misteriosamente aprisiona.

✔ O Senhor das Moscas (William Golding)
Ao narrar a história de meninos perdidos numa ilha paradisíaca, aos poucos se deixando levar pela barbárie, Golding constrói uma história eletrizante, ao mesmo tempo uma reflexão sobre a natureza do mal e a tênue linha entre o poder e a violência desmedida. Um livro que retrata de maneira inigualável as áreas de sombra e escuridão da essência do ser humano. (Editora Alfaguara)

Por que isso assustaria os adultos: Uma ilha operada por garotos selvagens e sujos? Terrível. Olhe o que acontece quando deixamos os meninos aos seus próprios cuidados: sacrifícios, rituais, cabeças de porcos cortadas e crianças sendo esmagadas por pedregulhos.

✔ Ponte para Terabítia (Katherine Paterson)
Jess Aarons, um garoto de 10 anos, passou o verão treinando para ser o campeão de corrida da escola. Na volta às aulas, é ultrapassado por uma aluna nova. Os dois tornam-se grandes amigos, e criam um reino imaginário chamado Terabítia, onde governam soberanos protegidos das ameaças e zombarias da vida cotidiana. Até que um dia, uma fatalidade os separa, e Jess precisa ser forte para enfrentar essa triste realidade. (Editora Salamandra)

Por que isso assustaria os adultos: Durante um jogo entre as crianças, Leslie, a Rainha de Terabítia, cai para a morte após se balançar em uma corda que se solta da árvore onde estava amarrada. É uma dura lição de como a morte súbita e sem sentido pode atingir até as pessoas mais seguras de si.

✔ Buracos (Louis Sachar)
Acusado de roubar um precioso par de tênis, Stanley Yelnats é condenado a ir para um reformatório, localizado no leito seco de um lago. Todos os dias, casa um dos internos é obrigado a escavar um imenso buraco na terra dura e seca, sob um sol de rachar. Stanley percebe que na verdade os chefes do reformatório buscam alguma coisa que deve estar enterrada por ali. (Martins Fontes)

Por que isso assustaria os adultos: As relações entre os internos, as dificuldades para conseguir água, as brigas pelo poder entre os meninos e entre os dirigentes se entrelaçam com a revelação de episódios assustadores. O diretor do lugar só dá cebolas para os meninos comerem, e els tem que cavar para poder encontrar água.

✔ Uma Dobra no Tempo (Madeline L’Engle)
“Uma linha reta não é a distância mais curta entre dois pontos.” Esta ideia está por trás da incrível história da família Murry, traçada em ‘Uma dobra no tempo’. No livro, a autora Madeleine L´Engle proporciona uma verdadeira viagem, com dissolução e reconstituição de corpos no espaço, através de atalhos que fogem do longo caminho dos anos-luz, e dá lugar a uma passagem da quarta para a quinta dimensão, impensável no espaço tridimensional que conhecemos. (Editora Rocco)

Por que isso assustaria os adultos: O pai de Meg fica preso em um planeta distante, e ela precisa salvá-lo. Todo mundo que ela encontra nesse planeta age em perfeita sincronia, um lugar de extrema conformidade que é controlado por um cérebro incorpóreo do mal, com poderes e habilidades telepáticas chamadas de TI. Não importa quantos anos você tenha, essa ideia é sempre aterradora.

 

✔ Coraline (Neil Gaiman)
Coraline acaba de se mudar para um apartamento num prédio antigo. Seus vizinhos são velhinhos excêntricos e amáveis que não conseguem dizer seu nome do jeito certo, mas encorajam sua curiosidade e seu instinto de exploração. Em uma tarde chuvosa, consegue abrir uma porta na sala de visitas de casa que sempre estivera trancada e descobre um caminho para um misterioso apartamento “vazio” no quarto andar do prédio. Para sua surpresa, o apartamento não tem nada de desabitado, e ela fica cara a cara com duas criaturas que afirmam ser seus “outros” pais. (Editora Rocco)

Por que isso assustaria os adultos: Na verdade, aquele parece ser um “outro” mundo mágico atrás da porta. Porém, a menina logo percebe que aquele mundo é tão mortal quanto encantador e que terá de usar toda a sua inteligência para derrotar seus adversários. Um conto de como algumas percepções internas podem ser assustadoras.

✔ Histórias Assustadoras Para Contar no Escuro (Alvin Schwartz)
Uma seleção imperdível de contos de terror, histórias de vinganças cruéis e relatos sobrenaturais, recontados por Alvin Schwartz. Ele escolheu as histórias do folclore americano e as lendas urbanas mais inquietantes e que fazem todo mundo tremer de medo há muito tempo. Isso porque essa tradição de contar histórias de terror começou há milhares de anos, com grupos se divertindo e se reunindo em volta de fogueiras para ver quem assustava mais. (Editora José Olímpio)

Por que isso assustaria os adultos: Quem será que teve a brilhante ideia de lançar esse livro no mercado direcionado as crianças? Neste livro, você vai aprender como deixar todo mundo horrorizado e imaginando as criaturas mais estranhas e arrepiantes. Um livro perfeito para ser lido no escuro!

✔ Goosebumps – Sorria e Morra (Robert Lawrence Stine)
Greg acha que a velha câmera que encontrou está com defeito. As fotografias sempre saem…diferentes. Na foto que Greg tirou, o carro novo do seu pai apareceu todo destruído. Logo depois, o homem sofre um acidente que quase acabou completamente com o automóvel. É como se a câmera pudesse prever o futuro ou, pior, fizesse o futuro acontecer! (Editora Fundamento)

Por que isso assustaria os adultos: Qualquer um que tenha passado pelos anos 90 conhece o terror que é Goosebumps. Embora todos os volumes tenham seus encantos individuais, o livro ‘Sorria e Morra’ da série é especial! A história apresenta um objeto totalmente inofensivo como uma câmera fotográfica, e a transforma em um instrumento de morte e destruição. Realmente assustador.

✔ As Bruxas (Roald Dahl)
Um menino passa férias em um hotel de luxo com a avó e descobre que o local está sendo usado para uma convenção de bruxas. E para sair dessa inteiros, os dois precisam ser mais espertos que as anciãs diabólicas que se reúnem no lugar. (Editora WMF)

Por que isso assustaria os adultos: Este hotel está infestado por ratos – bem, na verdade os ratos que antes eram crianças e foram transformados pelas bruxas em pequenos roedores peludos. Mas, ainda assim, uma infestação de ratos pode arruinar qualquer férias. O livro também tem uma adaptação para o cinema de 1990, estrelando Anjelica Huston como a ‘rainha das bruxa’.

8 escritores russos e seus bichinhos de estimação

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Musas de Tchékhov e Sorókin não são só mulheres, mas bassês e galgos.

Publicado na Gazeta Russa

Ernest Hemingway tinha quase 50 gatos no seu quintal, e os bichanos amestrados de Mark Twain se fingiam até de mortos. O poeta inglês William Wordsworth sempre lia poemas para seu cão, e o americano Kurt Vonnegut, certa vez, disse: “O cachorro serve mais como musa que a mulher porque, diferentemente da última, ele está sempre ao seu lado”. A Gazeta Russa compilou uma lista dos gênios clássicos e contemporâneos da literatura do país e suas paixões por bichos de estimação:

1. Lev Tolstói e os cavalos

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Tolstói montado a cavalo em sua propriedade em Iásnaia Poliana / RIA Nôvosti

O conde Lev Tolstói amava cavalos e montou toda a vida. Ele dizia que isso o ajudava a dar a volta na melancolia e se sentir em comunhão com a natureza. Os cavalos eram também protagonistas em muitas de suas obras – a mais famosa delas sobre o tema é o conto “Kholstomér”, que tem um cavalo como narrador. Há também o cavalo Fru-Fru, com o qual cai Vrônski durante a corrida no romance “Anna Karênina”

2. Antón Tchékhov e os bassês Brom e Khina

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Tchékhov em “Melikhovo” em 1897. / Domínio Público

Tchékhov era um grande fã de bassês. Em sua propriedade “Melikhovo”, nos arredores de Moscou, dois cães dessa raça viveram por muitos anos: Brom Issáievitch e Khina Markôvna. Médico, o escritor tirou os nomes de seus cachorrinhos de medicamentos do século 19. Ele podia conversar por horas a fio com Brom e Khina, que hoje têm monumentos de bronze em sua homenagem no museu-propriedade “Melikhovo”. Ali também ocorre, todos os anos, o Festival Pan-russo de Bassês.

Certo dia, Tchékhov trouxe do Ceilão um mangusto, diante do qual os bassês recuaram. O mangusto fazia uma grande bagunça na casa de Tchékhov: destruía tudo o que lhe cruzasse o caminho, cavava os vasos de flores, subia pelas barbas do pai de Tchékhov.

3. Vladímir Maiakóvski e o buldogue Bulka

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Maiakóvski e seu buldogue francês / Foto de arquivo

Maiakóvski amava ir à França e sempre trazia de lá compras chiques. Em uma dessas viagens, ele retornou com um cachorro popular entre os boêmios, um buldogue francês. O poeta levava Bulka consigo em todas as viagens. Segundo as recordações de amigos de Maiakóvski, o cachorro dava trabalho: frequentemente era preciso doar seus filhotes para conhecidos.

4. Vladímir Nabôkov e seus cachorros

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Vladímir Nabôkov (3° da esq. para a dir.) e sua família / Foto: vladimirnabokov.ru

Uma ninhada inteira de cachorros vivia na casa dos Nabôkov. A mãe do escritor amava bassês marrons e, com o tempo, o próprio Nabôkov passou a adotar cachorros dessa raça. O primeiro se chamava Lulu, seu filhote, Boks Primeiro. O último da família foi o Boks Segundo, da linhagens dos famosos bassês de Tchékhov. Foi justamente com Boks Segundo que Nabôkov emigrou e viveu em Praga. Seus contemporâneos relembram que ele sempre passeava pelas ruas com seu bassê vestido com um paletô de lã costurado especialmente para ele.

5. Iossif Bródski e seus gatos

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Uma das muitas fotografias retratando Bródski e seus gatos. / Foto: iosif-brodskiy.ru

Os gatos eram companheiros de viagem constantes na vida de Bródski, e o escritor aparece com eles em muitas fotos. Existem até piadas sobre a afeição do escritor aos felinos. Um dia, um jornalista foi encontrá-lo e, depois da conversa, para mostrar seu grande apreço pelo convidado, o escritor sugeriu que esse acordasse para ele seu gato preferido.

“Sou como um gato. Olhe, veja, gato. O gato está se lixando se existe a sociedade ‘Memória’. Ou os órgãos de propaganda do Comitê Central do Partido Comunista da União Soviética. Para ele também tanto faz se o presidente dos EUA existe ou não. No que eu sou pior que esse gato?”, disse ele durante a entrevista.

6. Serguêi Iessiênin e o cachorro Seriôjka

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O poeta Serguêi Iessiênin era um grande fã e amigo dos animais. / Foto: esenin.ru

Certa vez, o poeta Serguêi Iessiênin viu em uma feira um cachorro ruivo tremulante, não se aguentou e o comprou. O vendedor passou o cão como sendo de raça. O poeta deu seu nome ao cachorro, estava muito satisfeito com a compra e o mostrava a todos que vinham visitá-lo. Alguns dias depois, e o cachorro Seriojka (apelido de Serguêi), começou a ganir e mexer nas longas orelhas com as patas. Acontece que ele era um simples vira-lata, e suas orelhas pendiam porque estavam costuradas.

O tema do amor aos animais sempre aparece nos poemas do escritor. Em cada pássaro, vaca e cavalo, o poeta crescido no interior via uma alma viva, relacionava-se come sses com carinho e compaixão. O poeta confia aos cães suas aflições, como no conhecido poema “Dê-me sua pata, Jim, para uma boa sorte”. Já a forte história de uma cadela que perde seus filhotes é contada pelo poeta em “Canção sobre um cão”.

7. Vladímir Sorókin e os galgos Rom e Fom

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Estrela da Flip de 2014, Sorókin diz gostar de estar rodeado de beleza. / Foto: Kommersant

O escritor contemporâneo Vladímir Sorókin, estrela da Festa Literária Internacional de Paraty de 2014, aparece em muitas de suas fotografias com dois cães de feições aristocráticas. São seus amados whippet Rom e Fom. O escritor diz gostar de sentir rodeado de beleza: “Eu até arriscaria fazer coro à máxima de Dostoiévski que diz que ‘a beleza salvará o mundo’”, afirma Sorókin.

8. Dária Dontsóva e os pugs

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Escritora de detetives bestsellers, Dontsova aparece rodeada de pugs nas capas de todos seus livros. / Foto: Grigoriy Sisoev/TASS

A escritora ultrapopular de livros de detetives irônicos Dária Dontsóva sempre foi associada por seus leitores aos cães da raça chinesa pug. Na atualidade, ela lança anualmente alguns bestsellers de literatura de segunda, mas todas as capas de seus livros têm algo em comum: uma foto da escritora rodeada por cachorros dessa raça. A autora intitulou até seu palacete nos arredores da cidade de “Pugs House”, e reconhece que ali se pode encontrar praticamente qualquer objeto em forma de pug: sua coleção tem milhares de suvenires, assim como luminárias, cortinas e até roupas.

Com intuito de capacitar jovens, projeto oferece livros de graça em Salvador

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Interessados podem achar livros de todos os tipos: infantis, literatura e pedagógicos 

Publicado no R7

Reprodução/Record TV Itapoan

Reprodução/Record TV Itapoan

Nesses tempos de crise, comprar os livros didáticos pedidos pelas escolas pode sair bem caro. A lista de material escolar pode consumir uma boa parte do orçamento, mas é possível economizar com um, dois ou até todos exemplares de graça. Isso é possível graças ao projeto Ler na Praça, que tem como objetivo doar livros.

Veridiana Almeida, de 14 anos, te muitos livros para comprar e, graças ao projeto, vai poder economizar.

— Esse ano tá muito caro pra comprar, então eu sempre venho aqui procurar, porque eu sempre acho alguns.

Os interessados podem achar livros de todos os tipos: infantis, romances, literatura, pedagógicos e profissionais, como nas áreas de direito e saúde. Todos as publicações são oferecidas gratuitamente.

O projeto começou há 18 anos. Lázaro, o fundador, teve um sonho: deveria fazer uma boa ação ao próximo. Ele reuniu aproximadamente dez livros que tinha em casa e foi para a praça da Cruz da Redenção, a cerca de 100 metros de onde funciona a sede atualmente. O acervo é composto por 100 mil publicações.

Lázaro conta que o projeto foi “criado para jovens que queiram se capacitar, que queiram ter a ferramenta ideal para a melhora de vida”.

Os livros arrecadados diariamente também são distribuídos para outras cidades. Tudo com a solidariedade de quem reconhece a importância da leitura.

Para conseguir administrar a biblioteca, que funciona em um imóvel alugado, Rosália Sandes, diretora do projeto, fornece quentinhas de segunda a sábado por R$ 7.

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