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Romance de Aragorn e Arwen de Senhor dos Anéis quase foi cortado do livro

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Gabriel Utiyama, no Cabine Literária

Em uma carta para seu editor Rayner Unwin, escrita em 1955, J. R. R. Tolkien narra diversas dificuldades que enfrentou enquanto escrevia o terceiro livro da trilogia Senhor dos Anéis e explica que quase cortou o romance dos personagens Aragorn e Arwen da história.

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A carta, que está sendo leiloada com expectativa de ser vendida por até R$32 mil, conta com uma passagem onde Tolkien diz que W. H. Auden, seu colega e poeta, afirma “Aragorn-Arwen é desnecessário e superficial. Espero que os fragmentos de toda a saga curem esse romance. Eu ainda o acho mordaz: uma alegoria de uma esperança pelada.”, uma afirmação que o próprio Tolkien parece concordar mas que, devido ao trabalho de mapear todo o relacionamento e criar suas árvores familiares, acabou passando pelo corte final.

Vocês acham que o livro teria sofrido se esse romance não existisse?

Don DeLillo: “A função do escritor é enfrentar o poder”

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O autor americano diz que viver numa democracia é um privilégio, mas mesmo em países livres é preciso identificar as máscaras que escondem o autoritarismo

Luis Antonio Giron, na Época

ATMOSFERA DE INSEGURANÇA O escritor americano Don DeLillo. “Escrevo sobre tempos conturbados” (Foto: Richard Drew/AP)

ATMOSFERA DE INSEGURANÇA
O escritor americano Don DeLillo. “Escrevo sobre tempos conturbados” (Foto: Richard Drew/AP)

O americano Don DeLillo, de 76 anos, é conhecido por sua fixação em imagens. A fotografia de um homem caindo do World Trade Center no dia do atentado às Torres Gêmeas, feita por Richard Drew, inspirou seu romance mais famoso: Homem em queda (Companhia das Letras, 220 págs., R$ 44). Seu livro mais recente, a coletânea O anjo esmeralda, traz fotos do cadáver de Ulrike Meinhof, integrante do grupo terrorista alemão Baader Meinhof, imagem que é obsessão de um dos personagens. DeLillo acha que o romance é um “instrumento de compreensão do tempo e do espaço em que vivemos”. Com uma ficção calcada em temas da atualidade, ele não se considera um “crítico” de nossa época, mas um “observador”.

ÉPOCA – Por que o senhor escreve romances?
Don DeLillo –
Só me decidi a ser escritor quando comecei a me dedicar à forma longa do romance. Foi assim que levei quatro anos para concluir meu primeiro, Americana (1971). O romance é uma forma de penetrar na realidade e compreendê-la intuitivamente, como nenhum outro gênero de conhecimento oferece. O romance é um instrumento de compreensão do tempo e do espaço em que vivemos.

ÉPOCA – Há um tema comum a todos os seus livros?
DeLillo –
Meus romances abordam os tempos difíceis, os tempos conturbados. Os Estados Unidos dos anos 1960 e 1970 foram marcados por assassinatos políticos, Guerra do Vietnã, caso Watergate… Um de meus primeiros contos é ambientado em Dallas. Um jovem de moto escapa de uma cena de crime. Três anos depois, o presidente John Fitzgerald Kennedy seria assassinado em Dallas, e por um jovem que tentou escapar, Lee Harvey Oswald. Usei a mesma cena no romance Libra (1988). O assassinato de Kennedy inaugurou uma era de turbulência que também dá início a minha trajetória literária. Daí a atmosfera de insegurança, desconfiança e niilismo que contaminam minhas histórias dos anos 1960 e 1970.

ÉPOCA – Como o 11 de setembro marcou seu trabalho?
DeLillo –
Os atentados às Torres Gêmeas impuseram novos tempos instáveis e perigosos aos Estados Unidos. De alguma forma, os americanos se viram cercados de inimigos, sem saber direito por quê. Foi assim que pensei em escrever Homem em queda (2007), um romance ambientado dentro dos prédios do World Trade Center e dentro dos dois aviões arremessados contra eles. Essa visão de dentro chocou muitos leitores. Foi o único romance daquele tempo a fazer isso. Era um tabu enfrentar a situação do jeito como enfrentei, descrevendo a catástrofe em detalhe.

ÉPOCA – Os tempos atuais são menos perigosos?
DeLillo –
São. A situação mudou com o governo Obama. Mesmo assim, embaixadas são fechadas e boa parte dos americanos corre perigo em países do Oriente e do Oriente Médio.

ÉPOCA – Que critério o senhor seguiu ao organizar a coletânea O anjo esmeralda? Eles sintetizam os principais temas de sua ficção, como o perigo da tecnologia, a insegurança, a fotografia, o irracionalismo da religião.
DeLillo –
Sim, ler meus contos pode ser uma boa maneira de entrar em meu universo. Porque um pouco de tudo isso que você citou está lá. A pedido de meu editor, reuni os contos mais recentes, de 1979 a 2011, na ordem cronológica de publicação em várias revistas. Revisei-os sem alterar uma linha. Quis manter o ar do tempo em que foram feitos. Lendo-os agora, percebo que todos os contos estão centrados em pessoas obcecadas por alguma coisa. Em “Criação” (1979), o personagem principal está obcecado em escapar de uma ilha cujo aeroporto está fechado. O narrador de “Baader Meinhof” (2002) se deixa hipnotizar pelas fotos da terrorista morta. A aparição de uma menina morta em “O anjo esmeralda” (1994) é motivo para a renovação da fé de um grupo de desvalidos do Bronx de antigamente.

Leia trecho do livro O Anjo Esmeralda

A FOTO Homem em queda, de Richard Drew (Foto: Richard Drew/AP)

A FOTO
Homem em queda, de Richard Drew
(Foto: Richard Drew/AP)

ÉPOCA – Esse conto parece refletir sua infância no Bronx católico. A história parece real.
DeLillo –
Não é real, apesar de ter um fundo de verdade. Em comunidades católicas como as do Bronx, em Nova York, era comum nos anos 1950 as pessoas terem visões como uma menina morta que ressuscita para fazer milagres. Hoje não mais. As protagonistas são freiras que investigam a aparição numa área perigosa de South Bronx. Quis mostrar as freiras correndo perigo. Estudei em colégio de freiras, e elas me marcaram. Daí essa carga real.

ÉPOCA – A história tem a ver com sua formação católica e ítalo-americana. Quanto o senhor foi influenciado por ela?
DeLillo –
Sou filho de italianos que saíram de seu país para descobrir a América. E conseguiram sobreviver, criar uma família e se estabelecer como americanos no bairro do Queens, em Nova York, depois no Bronx. Claro que isso me influenciou profundamente. Porque, mesmo tendo nascido americano, tenho uma visão de outsider. Os italianos em Nova York são reconhecíveis, mantêm seu mundo à parte do resto da população. É uma comunidade até certo ponto isolada. Ter sido criado numa família italiana operária foi algo positivo: aprendemos a conviver em famílias grandes, logo nos damos conta de nossas diferenças e desenvolvemos uma forma de afeto e tolerância. Tive uma vantagem adicional: como era o filho mais velho, tive apoio de meus pais para fazer o que bem entendesse, desde que ganhasse algum dinheiro com isso. Eles me incentivaram desde o início a lutar para ser escritor. Ao me tornar escritor, quis prestar tributo a meus pais. Como eles, meu projeto tem sido descobrir a América – e me tornar americano.

ÉPOCA – Muitos críticos dizem que seus textos são excessivamente experimentais. O senhor concorda?
DeLillo –
Não. Não penso nisso. Faço poesia com a prosa, por assim dizer. Não sei me definir, só sei que sigo contando histórias a minha maneira. Dizem que sou um crítico da política americana. Mas não me considero um crítico, e sim um observador, um escritor que vive num mundo em que as conturbações acontecem.

“Depois do 11 de setembro,
os americanos se viram
cercados de inimigos, sem
saber exatamente por quê”

ÉPOCA – Apesar de não se considerar um crítico, mas um observador, o senhor ainda acha que a missão do escritor hoje é enfrentar o poder?
DeLillo –
Sim, mais do que nunca a função do escritor é enfrentar os poderes constituídos. Isso em todo o mundo. Os grandes autores são aqueles que desafiam os regimes totalitários e desumanos. Todo dia escritores são presos por se expressar criticamente contra os governos em países da África, do Oriente Médio e da Ásia. Tenho o privilégio de trabalhar num país democrático, em que a liberdade de expressão é um ponto inegociável. Mas não deixa de ser também um país em que o poder e os poderes se organizam e se mascaram rapidamente. Mesmo na América, os escritores precisam estar atentos a esse ocultamento. E podem fazer suas denúncias por meio não apenas de análises e libelos, mas da ficção.

ÉPOCA – Em que medida o jazz e o cinema foram importantes para a definição de seu estilo de escrever?
DeLillo –
O jazz me ajudou a criar meu próprio método de escrita espontânea, assim como inspirou Jack Kerouac e Julio Cortázar. Sou fã de jazz, já frequentei muitos clubes do gênero em Nova York, embora hoje eu esteja mais recluso. Jazzistas como Thelonious Monk, Charlie Parker e John Coltrane me ensinaram que os temas podem surgir da improvisação e do acaso. O jazz, assim como o cinema de arte, me indicou que o caminho do romance popular pode ser também a grande arte, e que ser romancista não significa rebaixar os temas ou banalizar as histórias.

ÉPOCA – O senhor esteve no Brasil em 2003. Pretende voltar?
DeLillo –
Eu gostaria, mas acho que não voltarei tão cedo. Estou no meio de um romance que consome todo meu tempo. Adorei participar da Flip (Festa Literária Internacional de Paraty). Desde então, minha mulher (a designer Barbara Bennett) vai ao Brasil. Ela participa de um grupo de observadores de pássaros, com o romancista Jonathan Franzen. Devem ir no fim do ano. Não vou porque esse pessoal não tolera intrometidos! Eu provavelmente os atrapalharia com minhas observações e com minha vontade de ficar isolado.

dica do Jarbas Aragão

O lugar que guardava livros

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Importante pensador do futuro das bibliotecas, Matthew Battles defende ‘curadoria’ da informação digital e participação do cidadão nos acervos

Visitantes na biblioteca pública de New York New York Times

Visitantes na biblioteca pública de New York New York Times

Maurício Meireles em O Globo

RIO – Matthew Battles era um homem que tomava conta dos livros. De responsável pelas obras raras da biblioteca da Universidade de Harvard ele passou a um dos principais pensadores do futuro das bibliotecas diante dos avanços tecnológicos. Hoje, dirige o MetaLab, centro de pesquisas de Harvard sobre a influência da tecnologia nas artes e ciências humanas. No laboratório, é um dos colaboradores da Digital Public Library of America, biblioteca digital que une vários acervos dos Estados Unidos. Ele conversou com O GLOBO, por telefone, antes de vir ao Rio para a série “Múltiplos e contemporâneos: a literatura .com”, que começa nesta quarta-feira com sua palestra “Biblioteca do futuro”, às 18h30m, no Centro Cultural Banco do Brasil — e terá uma mesa por mês, até dezembro.

O senhor já escreveu um livro sobre a história cultural das bibliotecas (“A história conturbada das bibliotecas”, editora Planeta, 2008). Como elas vão mudar daqui em diante?

A biblioteca já existia antes de haver o livro como o conhecemos, um produto comercial. Ao longo do tempo, as bibliotecas foram reconhecidas mais pela sua forma do que pelos livros guardados nelas. Portanto, são um conceito aberto, com espaço para mudança. Elas terão um papel importante no futuro, mas o que fazemos dentro delas e os objetos com os quais interagimos vão mudar.

Que novos materiais a biblioteca passará a guardar?

Conforme os livros passem a ocupar o reino digital, a biblioteca vai virar um local para interagir com tais objetos, criando novas experiências de significado a partir deles. Os e-books são maravilhosos, mas seu modelo de consumo é baseado sobretudo no iPod e no download de músicas — que ouvimos em fones de ouvido, de forma privada. A leitura já é um ato bastante privado, então precisamos de formas de dividir essa experiência uns com os outros. Caso contrário, ela vira uma província em que só há interação do consumidor com um varejista da internet. As bibliotecas podem ajudar nisso ao dar acesso a outras fontes de informação, como ferramentas de visualização, mecanismos de edição, salas interativas — e outras mídias caras demais para o leitor ou estudante médio. Além disso, a biblioteca vai ajudar o leitor a se ver como criador de cultura. E auxiliá-lo a preservar peças do seu passado que tenham a ver com nossa história comum.

As bibliotecas costumam guardar os chamados efêmeros, como jornais e documentos oficiais. Elas vão continuar a guardá-los? Como fazer com a informação das redes sociais?

Um amigo meu tem uma coleção enorme de fanzines, que ele acaba de doar para a biblioteca de obras raras da Universidade de Iowa. Esse tipo de acervo é precioso, e as bibliotecas vão continuar a organizá-lo. Mas mais interessante é a informação digital — desde mensagens de e-mail e das redes sociais até dados da vida urbana e de saúde pública. Hoje, muito da nossa interação com o mundo produz informação. As bibliotecas precisam entender as vastas fontes de informação da sociedade moderna como um fenômeno que precisa de curadoria.

Para preservar o acervo, é comum que o acesso a ele seja dificultado. Como encontrar o equilíbrio entre preservação e necessidade de interação?

As ferramentas digitais ajudam. Já faz um tempo que digitalizamos livros e material iconográfico. O próximo passo é permitir que os usuários da biblioteca tenham acesso a dados que conectem esses livros e outras fontes uns aos outros. Como encontrar todos os livros que mencionam o Rio de Janeiro? Como descobrir quantas vezes uma obra foi traduzida ao longo da História, com um mapa de sua leitura no mundo?

O senhor pode dar algum exemplo de iniciativas que fazem isso?

Várias cidades americanas já divulgam dados civis que documentam tudo, desde a origem dos alimentos até dados de trânsito. Muitas bibliotecas já digitalizaram seus acervos, mas essas fontes de informação são meio esotéricas, difíceis de encontrar e usar. É preciso criar programas para ajudar o cidadão a interagir com eles. Um grande exemplo é a Digital Public Library (projeto do historiador Robert Darnton de digitalização e acesso aos acervos das bibliotecas americanas) e a Europeana (biblioteca digital da União Europeia). Essas iniciativas permitem que programadores independentes interajam diretamente com ele, criando programas para lidar com a informação.

Qual a sua colaboração com a Digital Public Library?

A Digital Public Library vai reunir acervos de várias bibliotecas. Depois, será feito um catálogo de catálogos. A ideia é que os arquivos conversem entre si. Estamos criando ferramentas para interagir com esse acervo de acervos. Mais à frente, a ideia é ajudar as pessoas a incluir seu próprio material.

Um dos obstáculos para digitalizar acervos diz respeito aos direitos autorais. O Google Books tentou e não conseguiu. Como resolver isso?

As pessoas têm mais consciência da importância de compartilhar a informação cultural. Com o tempo, as leis também devem mudar. O próximo passo da digitalização deve ser pessoas comuns contribuírem para arquivos históricos e culturais. Perdemos muito da Antiguidade clássica porque autores como Cícero e Horácio, por exemplo, não escreviam sobre o cidadão comum. Seus manuscritos só refletem parte da vida naquele tempo. Já nas ruínas das casas, há registros de recibos, poemas, cartas de amor.

No Brasil, há muitas bibliotecas vazias por conta da dificuldade de atrair o público. Como mudar isso?

Todo mundo está virando bibliotecário. A biblioteca precisa apelar para a sensação de alegria das pessoas de descobrir algo novo e dividir com os outros. É o que já fazemos nas redes sociais. O desafio é fazer essa lógica funcionar no espaço físico, por meio da tecnologia, que nos permita interagir não só com os livros, mas uns com os outros.

Philip Roth: “A cultura literária acabará em 20 anos”

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O escritor americano afirma que a tecnologia deverá acabar com o livro em papel e que a literatura tende a perder a influência na formação dos jovens

Luís Antônio Giron, na Época

CONSAGRADO O autor Philip Roth em Nova York, em 2010 (Foto: Steve Pyke/ContourPhotos/Getty Images)

CONSAGRADO
O autor Philip Roth em Nova York, em 2010 (Foto: Steve Pyke/ContourPhotos/Getty Images)

O edifício Austin, com seus 20 andares, fica a um quarteirão do museu de História Natural de Nova York. O porteiro indica o elevador que leva ao 12° andar. Ali, à porta de um apartamento despojado, com vista para a região plana e repleta de prédios do Upper West Side de Manhattan, uma criatura mitológica dá boas-vindas. “Entre, por favor!”, diz Philip Roth, sorrindo. Ele é mais simpático do que se esperaria do criador de personagens beligerantes, frequentemente à beira do desvario. Tampouco lembra o fauno lúbrico descrito pelas feministas. Magro, alto e em forma, Roth tampouco parece um verbete da enciclopédia do romance. Aos 80 anos, 54 de carreira, ele é tido por críticos respeitados como o maior escritor vivo e figura há décadas na lista de possíveis ganhadores do Prêmio Nobel. É o único autor vivo a merecer a edição de suas obras na editora The Library of America, dedicada a escritores consagrados. Roth chegou a declarar que não escreveria mais. Nesta entrevista a ÉPOCA, no entanto, diz por que mudou de ideia e já está pensando numa novela em um gênero que jamais praticou: o fantástico.

ÉPOCA – Não há nenhum computador nesta sala. O que o senhor pensa sobre os avanços tecnológicos como tablets e e-readers? Eles melhoram a compreensão do mundo?
Philip Roth –
Não sou fanático por tecnologia. Tenho o mesmo telefone celular há anos e não pretendo trocá-lo. Escrevo em computador, como fiz antes com a máquina de escrever. É óbvio que as máquinas facilitam a finalização de um texto. Só que as coisas estão se transformando muito rapidamente para meu gosto. Não consigo achar graça em ler livros em formato eletrônico em e-reader. Outro dia passei numa loja Apple com a forte disposição de comprar um iPad. Cheguei lá, vi tanta gente se acotovelando para ver como funcionava o aparelho e cheguei a testá-lo. Acabei desistindo. Não sei por que, mas o iPad não me convenceu, talvez porque pareça chato escrever nele, e ler nele é dispersivo. Quem vai conseguir ler um livro inteiro meu naquele tablet? É mais um totem do culto à tecnologia. Hoje, toda a cultura se encontra a nossa disposição. E isso me preocupa. A cultura literária como conhecemos vai acabar em 20 anos. Ela já está agonizando. Obras de ficção não despertam mais interesse nos jovens, e tenho a impressão de que não são mais lidas. Hoje, a atenção é voltada para o mais novo celular, o mais novo tablet. Daqui a poucas décadas, a relação do público e do escritor com a cultura será muito diferente. Não sei como será, mas os livros em papel vão acabar. Surgirá outro tipo de literatura, com recursos audiovisuais e o que mais inventarem.

ÉPOCA – Sua trajetória foi ascendente, de um autor quase maldito de O complexo de Portnoy, de 1969 – que era lido pelos meninos como eu como uma iniciação aos segredos do sexo –, ao mestre canonizado dos romances filosóficos, que tratam da velhice e da morte. O que mudou em sua vida nestes 42 anos?
Roth –
Não sei, você sabe? O que terá sido? No tempo de O complexo de Portnoy, muita gente disse que eu tinha inventado a masturbação! Quanto à consagração, a vida e a atividade literária se confundem. Para mim, escrever foi sempre a prioridade. Foi um caminho natural, de juventude, amadurecimento e velhice. Talvez o mundo tenha ficado mais parecido comigo. Hoje, ninguém precisa ler meus livros atrás de nenhuma técnica sexual! (risos)

ÉPOCA – O senhor tem milhares de fãs jovens no Brasil, obviamente não mais por causa dos métodos de masturbação de Portnoy.
Já pensou em visitar o país e se encontrar com seus leitores?
Roth –
Já fui convidado a participar de eventos literários no Brasil. Gostaria de ir, mas recusei muitas vezes, pois na minha idade não tenho mais ânimo para viajar. Em junho, me convidaram para ir a Londres receber o Man Booker Prize. Agradeci e disse que não poderia ir. A organização gravou um vídeo com uma mensagem minha, e tudo correu muito bem. Não pretendo mais fazer viagens fora dos Estados Unidos. Aliás, minhas viagens têm sido entre minha casa de campo, em Warren, Connecticut, e Nova York. Gosto dessa rotina segura.

ÉPOCA – Que referências o senhor tem do Brasil?
Roth –
Infelizmente não conheço nada do país nem de sua cultura. Nunca ouvi falar de um autor brasileiro atual. Não tenho nenhum contato por lá. Nem sei nem o nome de meu editor em São Paulo. Você sabe que li um único autor brasileiro? É a imagem que tenho do Brasil. Não me recordo do nome dele, mas é um romance irônico, de narrativa descontínua, sobre um homem morto que conta suas paixões e confusões em primeira pessoa. Adorei…

ÉPOCA – É Memórias póstumas de Brás Cubas, publicado aqui sob o título de Epitaph for a small winner. O autor é Machado de Assis.
Roth –
Isso! Alguns amigos meus como (o crítico inglês) John Gledson me recomendaram a leitura, e gostei demais. Outro amigo, o crítico Harold Bloom, colocou o livro entre os maiores exemplos do cânone ocidental e chamou Machado de Assis de gênio. Como não conheço outros livros dele, não sei dizer. Ele me parece bastante influenciado por Tristram Shandy (romance do irlandês Laurence Sterne). Mas com uma abordagem menos pilhérica, mais consistente e aforística. Acho que deveria ler mais autores brasileiros. Ler é o que mais gosto de fazer, além de ouvir música e nadar.

ÉPOCA – O que o senhor tem lido ultimamente?
Roth –
Estou num momento da vida em que ler significa reler. Permaneço no século XVIII!(risos) Releio clássicos. Mas, de uns meses para cá, parei de ler ficção. Leio história, sobretudo livros que tratam de meus tempos de menino, o período da Segunda Guerra Mundial, que vivi em Newark, (cidade vizinha a Nova York), onde nasci. Eu não tinha a dimensão dos fatos. Os historiadores me ajudam a entender aqueles tempos. Sou fascinado pela era Roosevelt, e há ensaios e estudos recentes sobre o período – parecido com o atual, com os problemas da recessão econômica. Um livro que me impressionou foi O jovem Stálin, de Simon Sebag Montefiore. Ele traça um perfil aterrador do futuro ditador russo. Stálin é tão mau que faz Ivan Karamázovi parecer uma criança de jardim de infância.

ÉPOCA – Seus pais eram judeus, filhos de imigrantes da Europa Central. O senhor manteve tradições como o hebraico e o ídiche e o culto a símbolos religiosos?
Roth –
Não. Meus pais eram cidadãos americanos pragmáticos. Eles criaram a gente sem obrigações religiosas. Fiz meu bar mitzvah aos 13 anos, mas desde então nunca mais entrei numa sinagoga! Nunca entendi uma só palavra em hebraico que tive de recitar na ocasião e até hoje não sei o que o rabino disse naquele dia. Não sou religioso nem mantenho em casa símbolos judaicos. Os judeus americanos de minha geração não sentiram o fardo da tradição. Ser judeu em Nova York hoje é uma espécie de modo de vida cultural. Meus livros trazem personagens que carregam a tradição de forma bem mais pesada do que eu.

“Não sou religioso nem mantenho
em casa símbolos judaicos.
Os judeus americanos de
minha geração não sentiram
o peso da tradição”

ÉPOCA – Muitos de seus livros se passam em Newark. Quanto de realidade contêm suas tramas?
Roth –
Retirei muitos dos personagens e das situações do ambiente da Newark dos anos 1940 e 1950. Mas nem tudo em minha obra é Newark, como dizem alguns críticos. Como escritor, misturo várias referências – inclusive geográficas.

ÉPOCA – A moralidade e a mortalidade são os temas centrais de sua obra?
Roth –
Em minhas histórias, a trama conduz a determinado tipo de problema moral. Os personagens caem sozinhos nas armadilhas de seus destinos. Não sou assombrado por dilemas morais nem temo a esperada vitória da morte. Mas o fato de ter perdido amigos aparece em meus livros. Há um ano morreu o mais brilhante de todos, John Updike. Perdi parentes, amores, amigos. A impressão é de que meu mundo está encolhendo. Não há como não se entristecer.

ÉPOCA – Apesar da fama de eremita, o senhor parece cercado de gente…
Roth –
Sim, meus melhores amigos são colegas de profissão. Sou próximo a Joyce Carol Oates, Don DeLillo e Doctorow. Procuro manter uma vida social ativa, na medida do possível, já que decidi viver a maior parte do tempo no interior. Quando estou em Nova York, como você está vendo, todo mundo me liga para marcar encontros.

ÉPOCA – Como é seu dia a dia?
Roth –
Acordo cedo, escrevo no computador, saio, converso com os vizinhos de Warren e vou nadar. Nado cinco vezes por semana: nado crawl e costas. Aqui, frequento uma piscina no centro da cidade. Nadar para mim não melhora só a musculatura. Nadar me faz pensar, me obriga a refletir sobre o que estou fazendo. Já inventei muitas histórias debaixo d’água! Depois de nadar, almoço, volto a escrever até cansar. Aí ouço música, vejo um filme e vou dormir.

ÉPOCA – Qual é seu método para criar uma história?
Roth –
Não monto um esquema como alguns autores. Sou intuitivo. Começo com uma ideia e vou testando para ver se ela gera uma ação. Os personagens ganham vida, e o livro toma corpo. Minhas histórias surgem da surpresa da escrita.

ÉPOCA – Quais escritores mais o influenciaram?
Roth –
Depende da idade. Aos 10 anos, lia um autor que me marcou: Thomas Wolfe. Foi um grande contador de histórias – e seus romances me ensinaram o valor da ação, da reviravolta e da veracidade dos personagens. Aos 20, fiquei fascinado pela ideia do grande romance americano. Com as obras de Theodore Dreiser e Henry James, aprendi a lidar com vários planos narrativos. Em 1953, aos 30, descobri As aventuras de Augie March, de Saul Bellow. Ele abriu o caminho para mim. Meu estilo não tem a ver com o de Bellow, seu humor é mais corrosivo. Mas ele me inspirou, pois mostrou que o mundo judaico americano podia atingir a universalidade.

ÉPOCA – Cite escritores inócuos em sua formação.
Roth –
John Cheever, com seus dramas suburbanos, criou uma obra maravilhosa, fui amigo dele, conversamos muito, mas em nada me afetou. Há também Jack Kerouac. Os livros dele têm sido supervalorizados. Ele nunca passou de um narrador banal, um eterno adolescente.

ÉPOCA – Os críticos europeus denunciam o isolamento cultural da ficção americana. O senhor concorda com a análise?
Roth –
Não. O que vejo é surgir um bom romance americano a cada semana. Só para mencionar meus amigos, há a Joyce Carol Oates e DeLillo. Entre os novos, Nicole Krauss tem produzido romances excelentes, como Great house. E Mollly Molloy, autora de El Sicario. A ficção americana cresce nos momentos difíceis.

ÉPOCA – O senhor anunciou que não vai mais escrever. É verdade?
Roth –
Sinto desapontá-lo, mas tive de rever meu anúncio. Por sugestão de uma amiga, já estou trabalhando numa novela curta fantástica, com figuras mitológicas. É só o que tenho a dizer por enquanto.

‘Diário de um Banana 7’ já vendeu mais de 70 000 cópias

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Publicado por Veja

Lançado em maio, o sétimo volume das histórias de Greg Heffley, o simpático banana criado pelo escritor americano Jeff Kinney, já vendeu mais de 70.000 exemplares no Brasil. Diário de um Banana 7 – Segurando Vela (tradução de Alexandre Boide, V&R, 224 páginas, 34,90 reais) chegou às livrarias com a tiragem de 200.000 cópias. Kinney esteve em terras brasileiras para o lançamento do livro e participou de tardes de autógrafos e visitas a escolas. A série já vendeu mais de 75 milhões de unidades no mundo — 2,1 milhões no país. O oitavo volume já está garantido e tem lançamento previsto para o início de 2014.

Nas aventuras do sétimo volume, Rowley, o melhor amigo de Greg, começa a namorar e a amizade da dupla muda. Em entrevista ao site de VEJA, Kinney afirmou que continuar essa história seria um desafio. “Tenho o desafio de seguir em frente com essa história e ver como vai ficar o mundo de Greg com o seu melhor amigo namorando. Vai ser muito engraçado, porque, independentemente da idade, quando um amigo seu arranja um namorado ou namorada, isso arruína a amizade. Muda tudo, e isso pode ser divertido de se trabalhar no livro. É sobre o que quero escrever.”

Confira um trecho da entrevista de Kinney:

A série Diário de um Banana já vendeu 75 milhões de livros no mundo inteiro. A que o senhor atribui o sucesso? Acredito que as crianças, de alguma forma, se identificam com o personagem principal, Greg Heffley. Que elas se enxergam nele. A lição que tiro disso é que a infância é universal.

Esse sucesso atrai outros escritores. Que conselho daria para quem deseja escrever para crianças? A melhor maneira de escrever para crianças é não tentar escrever para crianças. Você deve escrever para você mesmo ou para adultos e só esperar que as crianças consigam compreender e apreciar.

Greg não é exatamente um exemplo a ser seguido pelos leitores, já que sempre está envolvido em confusão. Mas, no final das histórias, ele percebe que agiu errado e se sente culpado. O senhor acha importante que ele mostre esse lado para as crianças?Não acho que o Greg seja um exemplo, acho que os leitores dão risada dele. Mas o importante, para mim, é que as crianças tirem suas próprias conclusões sobre o comportamento de Greg. Eu não tento moralizar os leitores ou ensiná-los alguma coisa, mas sim ser engraçado e permitir que eles decidam como se sentem em relação ao personagem.

Confira trechos dos livros da série ‘Diário de um Banana’

1Diário de Banana

Setembro

Terça-feira

Em primeiro lugar, quero esclarecer uma coisa: isto é um LIVRO DE MEMÓRIAS, não um diário. Eu sei o que diz na capa, mas, quando a mamãe saiu para comprar essa coisa, eu disse ESPECIFICAMENTE que queria um caderno sem a palavra “diário” escrita nele.

Ótimo. Tudo que eu preciso é que um idiota me pegue com este livro e entenda errado. A outra coisa que eu quero esclarecer agora mesmo é que isso foi ideia da minha MÃE, não minha. Mas se ela acha que eu vou escrever meus “sentimentos” aqui ou coisa do tipo, ela está louca. Então, só não espere que eu seja todo “Querido Diário” isso, “Querido Diário” aquilo.

A única razão de eu ter aceitado isso é porque imagino que, mais para a frente, quando eu for rico e famoso, vou ter coisas melhores para fazer do que ficar respondendo a perguntas bestas o dia inteiro. Daí este livro vai vir a calhar.

Como eu disse, um dia vou ser famoso, mas por enquanto estou preso no ensino fundamental com uma cambada de débeis.

1Diário de um Banana – Rodrick É o Cara

Setembro

Segunda-feira

Acho que a mamãe ficou bem orgulhosa consigo mesma por me fazer escrever aquele diário no ano passado, porque agora ela comprou outro para mim.

Mas lembra que eu disse que se algum idiota me pegasse com um livro escrito “diário” na capa, teria a ideia errada? Bem, foi exatamente o que aconteceu hoje.

Agora que Rodrick sabe que eu tenho outro diário, é melhor lembrar de deixar este trancado. O Rodrick acabou apanhando meu ÚLTI MO diário umas semanas atrás e foi um desastre. Mas nem me pergunte sobre ESSA história.

Mesmo descontando meus problemas com o Rodrick, meu verão foi bem medíocre.

Nossa família não foi a lugar nenhum nem fez nada divertido e isso foi culpa do papai. Ele me fez entrar para a equipe de natação de novo e quis se certificar de que eu não perdesse nenhum treino este ano. O papai acredita que estou destinado a me tornar um grande nadador ou coisa do tipo, e é por isso que ele me faz entrar para a equipe todo verão.

1Diário de um Banana – A Gota D’Água

Janeiro

Ano-novo

Sabe aquela coisa de fazer uma lista de “promessas” no começo do ano para tentar se tornar uma pessoa melhor?

Bom, o problema é que não é fácil, para mim, pensar em maneiras para me aprimorar, porque já sou uma das melhores pessoas que conheço.

Então minha promessa deste ano é tentar ajudar OUTRAS pessoas a se tornarem melhores. Mas o que descobri é que tem gente que não reconhece quando você está tentando ser prestativo.

Uma coisa que notei logo é que as pessoas da minha família estão fazendo um péssimo trabalho para manter as SUAS promessas de Ano-novo.

Mamãe disse que iria começar a fazer academia hoje, mas passou a tarde inteira vendo TV.

E o papai disse que iria fazer uma dieta rígida, mas depois do jantar o peguei na garagem, enchendo a pança de bolinhos.

Até meu irmão caçula, o Manny, não cumpriu sua promessa.

1Diário de um Banana – Dias de Cão

Junho

Sexta-feira

Para mim, as férias de verão são basicamente três meses feitos para você se sentir culpado.

Só porque o tempo está bom, todo mundo espera que você passe o dia fora de casa “se divertindo a valer” ou coisa do tipo. E se você não passa cada segundo lá fora, as pessoas acham que tem algo de errado com você. Mas a verdade é que eu sempre fui o tipo de pessoa que prefere ficar em casa.

Gosto de passar as férias de verão na frente da TV, jogando videogame com as cortinas fechadas e a luz apagada.

Infelizmente, as férias de verão perfeitas da mamãe são diferentes das minhas.

A mamãe diz que não é “natural” um garoto ficar dentro de casa quando está sol lá fora. Eu digo que só estou tentando proteger minha pele para não ficar todo enrugado quando for velho como ela, mas ela nem ouve meus motivos.

Ela vive tentando me obrigar a fazer algo fora de casa, como ir à piscina. Mas eu passei a primeira parte do verão na piscina do meu amigo Rowley, e as coisas não foram tão bem.

1Diário de um Banana – A Verdade Nua e Crua

Setembro

Quinta-feira

Já faz quase duas semanas e meia que eu e meu ex-melhor amigo, Rowley Jefferson, tivemos nossa grande briga. Para ser sincero, achei que ele já estaria rastejando a essa altura, mas, por algum motivo, isso não aconteceu.

Na verdade, estou ficando meio preocupado, porque as aulas recomeçam em alguns dias e, se vamos fazer as pazes, alguma coisa precisa acontecer rápido. Se nossa amizade REALMENTE tiver terminado, vai ser péssimo, porque as coisas estavam indo bem entre nós.

Agora que a nossa amizade já era, estou atrás de um novo melhor amigo. O problema é que investi todo meu tempo com o Rowley e não tenho ninguém pronto para assumir o cargo.

As duas melhores opções que tenho no momento são o Christopher Brownfield e o Tyson Sanders. Mas cada um desses caras tem seus problemas.

Passei as últimas semanas do verão com o Christopher, principalmente porque ele é um excelente imã de mosquitos. Mas o Christopher é mais um amigo de verão do que um amigo para o ano letivo inteiro.

Diario-de-um-Banana6-size-620Diário de um Banana – Casa dos Horrores

Novembro

Sábado

A maioria das pessoas fica ansiosa pela chegada das festas de fim de ano, mas o período entre o Dia de Ação de Graças e o Natal costuma me deixar uma pilha de nervos. Se você fizer alguma besteira nos primeiros onze meses do ano, sem problemas. Agora, se pisar na bola durante a época das festas, vai pagar caro por isso.

E muita pressão pra gente se comportar bem durante um mês inteiro. O máximo que eu consigo aguentar são uns seis ou sete dias. Então, se o Dia de Ação de Graças pudesse ser transferido para uma semana antes do Natal, por mim seria ótimo.

As crianças que são de famílias que não comemoram o Natal têm muita sorte, porque não precisam se preocupar em não fazer nada de errado durante a época das festas. Na verdade, tenho alguns amigos que se comportam ainda pior no final do ano, só porque isso não faz diferença pra eles.

Uma coisa que me incomoda DE VERDADE é esse lance do Papai Noel. Ele vigia a gente até durante o sono e sabe quando estamos acordados, o que me deixa apavorado. Foi por isso que comecei a dormir de calça, porque a última coisa que eu quero é que o Papai Noel me veja de cueca.

1Diário de um Banana – Segurando Vela

Janeiro

Domingo

Eu queria ter começado a fazer meu diário há muito tempo, porque quem for escrever minha biografia vai querer fazer um monte de perguntas sobre a minha vida antes de chegar ao Ensino Fundamental II.

Por sorte, eu me lembro de quase tudo que aconteceu desde que nasci. Na verdade, lembro de coisas que aconteceram até ANTES de eu nascer.

Nessa época, eu ficava sozinho, nadando no escuro, dando cambalhota e tirando cochilos na hora que eu quisesse.

Aí um dia, quando estava tirando uma bela soneca, acordei com uns barulhos estranhos vindos do lado de fora.

Na época não entendi que diabo estava acontecendo, e só mais tarde descobri que era a mamãe tocando música pra mim com umas caixinhas de som encostadas na barriga.

Acho que ela devia pensar que, se tocasse música clássica pra mim todos os dias até o meu nascimento, eu ia virar um gênio ou coisa do tipo.

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