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Análise: Impressão do ‘leitor comum’ na internet ajuda estratégias das editoras

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Kelvin Falcão Klein, na Folha de S.Paulo

O comentário sobre literatura na internet cresce a cada dia, acompanhando o movimento de diversificação do mercado editorial.

Esses comentários compartilham um desejo de dar conta dos livros de forma mais efetiva, atentando para aspectos como a sensação da leitura e a qualidade do entretenimento alcançado.

É o que se constata não só pela leitura de blogs mas também por sites de venda como a Amazon, que fizeram da veiculação de resenhas de leitores um verdadeiro negócio.

Se antes os livros entravam apenas em listas de mais vendidos, agora eles podem figurar também entre os mais bem avaliados pelo consumidor -um diferencial considerável num mercado que abriga a cada dia dezenas de novos produtos similares.

Essa movimentação espontânea chamou a atenção das editoras, que se tornaram ativas no diálogo com os leitores, chegando a estabelecer parcerias formais.

O comentário sobre literatura na internet, a partir daí, parece não mais seguir a lógica da imprensa clássica, que busca o “especialista”, ou o “leitor experiente”, para estabelecer um juízo diferenciado e/ou distanciado do senso comum, da “média”.

Pelo contrário, o importante passa a ser o caráter geral da experiência de leitura.

Para as editoras, interessa mais o “leitor comum”, que gera a identificação de outros leitores que, instigados pelos comentários, viram consumidores. Tanto mais forte pode ser o efeito das resenhas de lojas virtuais, onde ocupam o mesmo espaço da venda.

O cenário ganha complexidade na medida em que as editoras, atentas aos blogs mais populares, passam a receber sugestões e a repensar ou planejar futuras publicações, compras e traduções tendo em vista tais respostas.

A lógica da parceria vai ficando mais afinada: a escolha do parceiro é guiada pela sua possibilidade de representar e atingir cada vez mais “semelhantes” e, diante da facilidade ou dificuldade de atingir o objetivo (ou seja, vender livros), estratégias editoriais são revisadas.

O comentário se reforça em sua função de fazer circular a mercadoria, torná-la moeda corrente e garantir sua visibilidade e seu acesso.

Daí se explica a aparente liberdade de blogs parceiros de editoras para criticar negativamente seus livros. Isso lhes garantiria credibilidade, ainda que possam ser suscitadas questões éticas inerentes à relação de interesses entre resenhistas e editoras.

Em termos especulativos, pode-se relacionar a perda de espaço da crítica literária nos jornais impressos à intensa pressão desse novo cenário de comentários, mais ao gosto geral. A repercussão disso em termos culturais mais amplos só o tempo mostrará.

KELVIN FALCÃO KLEIN é doutor em teoria literária pela Universidade Federal de Santa Catarina e escreve, sem parcerias, no blog falcaoklein.blogspot.com.

Conheça os conceitos que vão mudar a escola e o aprendizado

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Em evento em São Paulo na semana passada, exemplos de modelos de ensino inovadores dos Estados Unidos mostram como será a educação do futuro

Tatiana Klix, no Último Segundo

“Na sala de aula, cada um é diferente e aprende de forma diferente”. A afirmação feita por Joel Rose, cofundador e diretor executivo da New Classrooms Innovation Partners, em evento em São Paulo na semana passada sobre novos modelos para o ensino público, é senso comum entre professores e o desafio principal de quem pensa e trabalha pela educação do futuro. No Transformar 2013, que reuniu mais de 800 pessoas, entre educadores, gestores e empreendedores, exemplos concretos norte-americanos de escolas inovadoras – e bem sucedidas – mostram que já é possível personalizar a aprendizagem e como não há apenas um modelo para fazer isso.

Conheça conceitos que vão transformar as escolas (e onde foram aplicados):

Personalização – Entender as necessidades de cada estudante é o diferencial da School of One, uma plataforma criada para escolas de Nova York por Rose e Christopher Rush e que tem a tecnologia como principal aliada para a tarefa. Baseado em uma avaliação feita no início do ano, o sistema elabora um mapa de habilidades e plano de estudos individual. Mas, para isso, utiliza experiências de outros alunos. Um enorme repositório de lições está disponível e o banco de dados prevê que tipo de atividade é mais adequado ao perfil de cada um. “A melhor maneira de aprender pode ser com aulas online, em grupos ou estudando sozinho. O nosso algorítimo usa as experiências já aplicadas para identificar isso”, explicou Rose. Uma receita parecida é usada no grupo de escolas Summit, na Califórnia , na qual os estudantes também passam por uma avaliação no início do ensino médio, para elaborar um plano de estudos de acordo com seus objetivos de carreira. A tecnologia, novamente, é usada para avaliar em todos os momentos o que cada aluno já aprendeu e se já está pronto para aprender mais. “Cada um segue no seu ritmo”, contou a diretora executiva da rede, Dianne Tavenner.

Entrevista com Tavenner: “É possível educar todas as crianças em alto nível”

Divulgação Salas de escolas orientadas pela New Classrooms proporcionam que cada um aprenda do seu jeito

Divulgação
Salas de escolas orientadas pela New Classrooms proporcionam que cada um aprenda do seu jeito

Plataforma adaptativa – Para proporcionar o ensino personalizado, existem plataformas tecnológicas de ensino online que ajudam a elaborar e entregar os conteúdos necessários para os diferentes tipos de alunos. José Ferreira, fundador da Knewton, ferramenta que fornece lições de matemática, diz que o volume gigante de informações – maior que o do Facebook – que sua base de dados oferece revoluciona o ensino. A plataforma mostra ao professor com agilidade o que os estudantes aprendem, quando erram, no que tem dificuldades e como aprendem e ajuda a elaborar aulas.

Inovação: Recursos Educacionais Abertos podem globalizar a educação

Ensino híbrido – A sala de aula já não tem mais um professor falando em frente ao quadro negro e alunos sentados em carteiras organizadas em fileiras iguais nas oito escolas públicas gerenciadas pela ONG New Classrooms, de Joel Rose. Para que cada um possa aprender do seu jeito, também é realizada uma mudança física e os alunos sentam nas mais variadas formas: sozinhos, em grupos pequenos ou grandes, em frente a computadores ou usando material impresso. No espaço reorganizado, fazem atividades distintas, algumas online e outras, não. Para que esse modelo híbrido funcione, o papel do professor também muda para o de mentor. Segundo Tavenner, das escolas Summit, os docentes acompanham as atividades realizadas em um espaço grande, sem paredes, e orientam os alunos de várias formas: resolvendo dúvidas, questionando, provocando debates, orientando atividades e projetos.

Divulgação Na escola Quest to Learn, em Nova York, alunos aprendem jogando

Divulgação
Na escola Quest to Learn, em Nova York, alunos aprendem jogando

Engajamento – O interesse das crianças é o ponto de partida para o aprendizado na escola de ensino fundamental Quest to Learn, em Nova York. Apoiada pelo Instituto of Play, um estúdio de design sem fins lucrativos liderado por Brian Waniewski, a escola constrói o engajamento dos alunos por meio de jogos. Segundo Waniwski, a lógica dos videogames é apropriada para o aprendizado porque proporciona um ambiente com regras, nas quais há etapas a serem vencidas, mas que tolera erros. E mais: oferece feedback constante. Para usar esses elementos, o Instituto of Play tem profissionais especializados em criar jogos educativos que dão suporte aos professores e incentiva também os alunos a inventarem os seus próprios. Outra forma de promover o engajamento é conectar o ensino com a realidade. Essa é a aposta de Melissa Agudelo, reitora de admissões do grupo de 11 escolas High Tech High, de São Diego. “Os alunos precisam ver sentido no que aprendem”, diz. Nas escolas, há muitas atividades práticas, os alunos saem da sala de aula e têm experiências na comunidade e precisam resolver problemas reais.

Videoaulas: Criador da Khan Academy vê País como parceiro na revolução educacional

Educação por projetos – O fim da grade de disciplinas separadas é uma das experiências das escolas High Tech High para tornar o aprendizado mais relevante aos alunos. Segundo Agudelo, os estudantes não são divididos por série, nível de habilidade e aprendem vários conteúdos integrados. Para isso, os professores estimulam alunos a desenvolverem projetos, solucionar problemas, nos quais precisam usar vários tipos de conhecimento. Nesse caso, professores de áreas diferentes se envolvem com os mesmos projetos.

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