Contando e Cantando (Volume 2)

Posts tagged Sentimentos

Sensibilidade, um dom de poucos

0

Por que Tolstoi foi Tolstoi? Ou melhor, como Tolstoi conseguiu escrever o que escreveu? Ou então Victor Hugo? Ou então Miguel Cervantes? Ou então Goethe? Ou então Machado de Assis? Ou então Kafka? Como esses sujeitinhos tiveram a capacidade de expressar tantos sentimentos, situações e pensamentos humanos e de maneira tão viva e transformadora?

Tolstoi, autor de Guerra e Paz e de Anna Karenina

Tolstoi, autor de Guerra e Paz e de Anna Karenina

Max Fritz, no Obvious

Victor Hugo, autor de Os Miseráveis

Victor Hugo, autor de Os Miseráveis

Nosso querido Machado de Assis

Nosso querido Machado de Assis

Já busquei a resposta inúmeras vezes. Teriam eles alguma capacidade especial, ou seria apenas fruto de muito trabalho? Um grande amigo certa vez me disse ser a sensibilidade a grande diferença entre os grandes escritores e as pessoas “meramente comuns”. Achei essa resposta bastante convincente.

Pouquíssimas pessoas teriam capacidade de escrever, por exemplo, Grandes Expectativas. Somente um espírito aguçado e extremamente sensível às relações humanas e às formas como as pessoas de realidades sociais distintas interagem como o de Dickens poderia, de forma tão realista, narrar a estória de Pip.

O grande Charles Dickens

O grande Charles Dickens

Há um certo senso comum impregnado em quase todo mundo (suspeito e já ouvi dizer ser decorrência de ideias de Nietzsche, outro com indubitável sensibilidade ao mundo) de que qualquer indivíduo, com empenho e esforço próprio suficiente, poderia chegar aonde quisesse e, por exemplo, escrever um grande clássico. Mas duvido, com todas as forças, que haja 5 vivalmas capazes de escrever um livro do porte e da profundidade sentimental de Crime e Castigo, de Dostoievski.

Dostoievski, cuja sensibilidade é inigualável

Dostoievski, cuja sensibilidade é inigualável

Trata-se de um dom: o dom da sensibilidade. Pouquíssimos o têm. Parte significativa dos autores destaca-se por uma sensibilidade um pouco maior que a média e por muito esforço. Não se pode negar ser o esforço importante, pois a sensibilidade, sozinha, não leva a lugar nenhum. Mas os grandes autores, os clássicos, aqueles que jamais serão esquecidos, além de esforço, podemos ter certeza de que tinham uma sensibilidade absurda. Pode até ser que muitos deles tenham sido infelizes por esse motivo.

Allan Poe, dono de uma sensibilidade que talvez tenha arruinado sua vida © obvious: http://lounge.obviousmag.org/aqui_e_acola/2014/11/sensibilidade-um-dom-de-poucos.html#ixzz3Kl4KInxM  Follow us: obviousmagazine on Facebook

Allan Poe, dono de uma sensibilidade que talvez tenha arruinado sua vida
© obvious: http://lounge.obviousmag.org/aqui_e_acola/2014/11/sensibilidade-um-dom-de-poucos.html#ixzz3Kl4KInxM
Follow us: obviousmagazine on Facebook

Muito se diz que essa sensibilidade nasce de uma vida atribulada e cheia de sofrimentos. Salinger, outro com uma sensibilidade descomunal, discorda disso e menciona Walt Withman, talvez o maior poeta norte-americano, como exemplo de vida pacata e comum, mas cujos versos influenciaram e influenciam inúmeros poetas.

Walt Whithman, de Leaves of Grass

Walt Whithman, de Leaves of Grass

A nós, meras pessoas com sensibilidade comum, cabe desfrutar da leitura e dos dons dos grandes escritores.

1

25 maneiras de como perguntar aos seus filhos ‘Como foi a escola hoje?’ sem perguntar ‘como foi a escola hoje’

1
Blend Images - JGI/Jamie Grill via Getty Images

Blend Images – JGI/Jamie Grill via Getty Images

Liz Evans, no Brasil Post

Esse ano, Simon está na quarta série e Grace na primeira, e me pego fazendo a mesma pergunta todo dia quando chegam da escola: “Então, como foi a escola hoje?”

E todo dia eu recebo uma resposta tipo “legal” ou “tudo bem”, que não me diz muita coisa.

E EU QUERO SABER BASTANTE COISA!!!

Ou pelo menos ouvir uma frase completa. Então a outra noite, eu sentei e fiz uma lista de perguntas mais estimulantes para fazer aos meus filhos sobre a escola. As perguntas não são perfeitas, mas pelo menos meus filhos respondem com frases completas e algumas até renderam boas conversas… e respostas hilárias… e me fizeram entender melhor como os meus filhos pensam e sentem sobre a escola.

1. Qual foi a melhor coisa que aconteceu na escola hoje? (Qual foi a pior coisa que aconteceu na escola hoje?)

2. Me conte sobre alguma coisa que te fez rir hoje.

3. Se pudesse escolher, do lado de quem gostaria de sentar na classe? (Ao lado de quem NÃO gostaria de sentar? Por quê?

4. Qual é o lugar mais legal na escola?

5. Me diga uma palavra esquisita que você ouviu hoje. (Ou uma coisa estranha que alguém disse hoje.)

6. Se eu ligasse para a sua professora hoje a noite, o que ela me diria sobre você?

7. Como você ajudou alguém hoje?

8. Como alguém lhe ajudou hoje?

9. Me diga uma coisa que você aprendeu hoje.

10. Em que momento você se sentiu mais feliz hoje?

11. Quando ficou com tédio hoje?

12. Se uma espaçonave alienígena chegasse para abduzir alguém da sua sala, quem você gostaria que eles levassem?

13. Com quem você gostaria de brincar no recreio e nunca brincou antes?

14. Conte uma coisa boa que aconteceu hoje.

15. Que palavra a professora mais falou hoje?

16. O que você acha que deveria fazer/aprender mais na escola?

17. O que você acha que deveria fazer/aprender menos na escola?

18. Com quem você poderia ser mais legal na sua classe?

19. Onde você mais gosta de brincar no recreio?

20. Quem é a pessoa mais engraçada na sua classe? E porque ele/ela é tão engraçado(a)?

21. Do que você mais gostou na hora do almoço (ou lanche)?

22. Se você fosse o professor/professora amanhã, o que você faria?

23. Tem alguém na sua classe que precisa ficar de castigo?

24. Se você pudesse trocar de lugar com alguém na classe, com quem trocaria? Por quê?

25. Me conte sobre três vezes diferentes em que você usou o seu lápis hoje na escola.

Até agora, as minhas respostas favoritas foram as das perguntas 12, 15 e 21. Perguntas como a do “alienígena” deixa a criança expressar de forma não-ameaçadora quem eles preferiam não ter na classe e abre o caminho para um diálogo sobre o por quê desse sentimento, possivelmente revelando questões das quais você não fazia ideia antes.

E as respostas que ouvimos são realmente surpreendentes, as vezes. Quando eu fiz a pergunta 3, eu descobri que um dos meus filhos não queria mais sentar do lado de um melhor amigo na classe – não por um desejo de ser maldoso ou chato, mas pela vontade de ter a chance de interagir com outras pessoas.

À medida que os meus filhos ficarem mais velhos, eu sei que vou ter que me esforçar cada vez mais para manter a conexão com eles – mas sei que o meu empenho vai valer a pena.

Artista brasileiro cria tirinhas que geram debate e inspiração

0

1

Publicado por Hypeness

Se no Facebook as pessoas costumam apenas jogar opiniões sobre a vida, a política, o universo e tudo mais, Matheu Ribs faz diferente: ele usa ilustrações para dar belos tapas na cara de quem o segue e atentar para tópicos que vão do racismo à religião distorcida.

Ribs, que estuda Ciências Políticas no Rio de Janeiro, não mede palavras ou imagens na hora de expor o que pensa, gerando tirinhas (se é que podemos chamar sua arte dessa forma) pra lá de instigantes. Amor, frustrações, machismo e até mesmo questões políticas entram na roda, para sair dela de uma forma totalmente diferente.

O ilustrador não titubeia ao se assumir militante e muitas de suas artes trazem ideias tidas como “de esquerda”. Mas tudo bem, mesmo que você não concorde com algumas delas, sempre é tempo de pensar o diferente e refletir.

Em último caso, fique com as poesias de Ribs sobre sentimentos. Afinal, na hora de amar e sofrer, todo mundo faz igual.

1

1

1

1

1

1

1

1

1

1

1

Todas as imagens © Matheu Ribs

Ele fez um livro infantil ilustrado para pedir seu amor em casamento

0

Vicente Carvalho, no Hypeness

Em uma época de mídias digitais, um esperançoso e criativo namorado, Paul Phillips, optou por pedir a mão da namorada, Erika Ramos, em casamento através de um livro infantil. Em uma incrível demonstração de criatividade, ele planejou tudo com semanas de antecedência.

Ele vasculhou a internet para encontrar um ilustrador para ajudá-lo a criar um livro infantil relatando o seu relacionamento amoroso. Depois de tê-lo ilustrado e impresso, ele contratou um fotógrafo que secretamente colocou o livro na seção infantil de uma biblioteca local, e esperou por trás de algumas prateleiras para documentar a proposta.

Paul planejou uma noite romântica com a namorada, com vinho e jantar, mas precisava passar pela biblioteca primeiro para devolver alguns livros (ele havia retirado alguns na semana anterior para que fossem obrigados a devolver antes do jantar), e aproveitou para pegar outros para os sobrinhos de Erika.  O namorado pegou um livro, disse a ela que parecia uma boa, e pediu para ela ler para ele.

Quando ela chegou na página da história sobre o gorila propondo a girafa em uma biblioteca, ele ficou de joelhos e fez a proposta, igual ao livro. Ela disse sim. Vejam a história do livro:

paulerikaatalltale2

paulerikaatalltale3

Era uma vez um gorila
Que se apaixonou por uma girafa.
Ela o surpreendeu pelo quanto
Podia fazê-lo rir.

paulerikaatalltale4

Os dois, vejam só,
Eram de mundos diferentes
Em seu primeiro encontro, de tão nervoso,
Ele achou que fosse vomitar.

paulerikaatalltale5

Apesar de suas diferenças,
Foi amor à primeira vista.
Seus sentimentos cresceram rapidamente,
Seu coração levantou vôo.

paulerikaatalltale6

O gorila, em sua vida,
Antes rude e dispersa
Agora refinada e focada
Sobre as coisas que importam.

paulerikaatalltale7

Simplesmente não haviam palavras 
Para o quanto de sorte ele teve.
Sem ela ao seu lado
A vida certamente seria vazia.

paulerikaatalltale8

É difícil de acreditar
Apenas como eles eram felizes.
Ele não podia imaginar
Um dia sequer sem ela.

paulerikaatalltale9

Então ele ficou de joelhos
E fez o pedido:
“Minha querida girafa,
Quer se casar comigo?”

paulerikaatalltale10

Ele sentiu seu coração batendo
Forte dentro de seu peito.
Ele não podia fazer nada além de esperar
E esperar que ela dissesse SIM.

paulerikaatalltale11

Quando ela finalmente respondeu
Ele não conseguia parar de sorrir
Porque ele sabia, em seu coração,
Que isso foi só o começo!

paulerikaatalltale1

paulerikaatalltale12

Mr. Darcy: após dois séculos, o cavalheiro romântico ainda arrebata corações

0

Andréia Martins, no IG

No bicentenário do livro “Orgulho e Preconceito”, de Jane Austen, relembramos um dos homens mais apaixonantes da literatura mundial

Apenas bons casamentos salvariam as irmãs Bennet da pobreza e indiferença da sociedade aristocrática do início do século 19. Porém, uma delas, Elizabeth, não quer apenas um marido, e sim um grande amor. Neste contexto entra em cena um dos homens mais apaixonantes da literatura: Mr. Darcy. Figura central do romance “Orgulho e Preconceito”, o personagem comemora 200 anos nesta segunda-feira (28). Foi em 1813 que a escritora inglesa Jane Austen traduziu em palavras o ideal masculino que, mesmo após dois séculos, ainda faz estremecer.

Divulgação “Orgulho e Preconceito”, filme de 2005 revive o clássico de Jane Austen. Com Keira Knightley, como Elizabeth, e Matthew Macfadyen, no papel do irresistível Mr. Darcy

Divulgação
“Orgulho e Preconceito”, filme de 2005 revive o clássico de Jane Austen. Com Keira Knightley, como Elizabeth, e Matthew Macfadyen, no papel do irresistível Mr. Darcy

Mr. Darcy nasceu rico, tem posses e estudos. Porém, um encanto peculiar faz sua condição social parecer irrelevante. O je ne sais quoi do cavalheiro mora na profundidade dos seus sentimentos, nas frases avassaladoras, e, evidentemente, no temperamento forte e provocativo. “Além disso, ele é rejeitado pela amada e tem que se desdobrar para reconquistar o amor dela. Este enredo faz parte do imaginário feminino”, explica Amilcar Santos, professor de Língua Portuguesa e Literatura.

“Ele é diferente porque não está ali para agradar. A princípio é mais esnobe que mocinho. Jane Austen nos mostra um cavalheiro que possui certos preconceitos em relação às pessoas de classes sociais inferiores – diferente do amigo Mr. Bingley, que pode até ser considerado o herói romântico do livro, pois, igualmente rico, se apaixona à primeira vista por Jane, irmã de Elizabeth”, lembra Adriana Zardini, tradutora de três livros de Jane Austen para o português [“Emma”, “Razão e Sensibilidade” e “Mansfield Park”] e especializada na autora pela universidade de Oxford.

Para Santos, boa parte da arrogância de Mr. Darcy está ligada à realidade socioeconômica daquela época. Mas ao superar a si próprio, Darcy prova que merece o amor Elizabeth.

As leitoras concordam. Ao desconstruir a imagem arrogante, Mr. Darcy se enquadra em todas as exigências femininas. “Impossível ler ‘Orgulho e Preconceito’ e não se encantar com Mr. Darcy. Mas não o considero exatamente um romântico, e sim real, orgulhoso, porém capaz de mudar”, diz a estudante de administração Danielle Gabioli, 21 anos, fã de Austen.

Reprodução O charme arrogante do personagem

Reprodução
O charme arrogante do personagem

“Quando ele diz a sua tão famosa frase ‘you must allow me to tell you how ardently I admire and love you’ [em português, algo como: você tem de me permitir dizer com quanto ardor eu admiro e amo você”], o faz dando uma ordem, logo após ter explicitado todos os motivos pelos quais esses sentimentos contrariam sua razão e até seus valores”, diz Daniella. “A mudança dele é para mim o evento mais importante do livro, a prova de quão real o personagem pode ser – ou quão real gostaríamos que ele fosse”, diz.

De acordo com Vanessa Hannud, 23 anos, “o personagem é apaixonante porque tem o caráter dos mocinhos, mas traz o lado arrogante dos bad boys”. “Nos romances, o mocinho normalmente tem o lado bom ressaltado. O Darcy foge disso; ele imprime arrogância e tudo o que ele faz de bom fica escondido”.

“Ele parece não se importar com Elizabeth, mas no fundo está preocupado, apaixonado. É o tipo de homem de uma mulher só”, diz a consultora de Recursos Humanos, Paola Barban, 30 anos, que assiste ao filme baseado no livro quase todos os domingos.

Reprodução Trecho do romance traz uma das frases mais marcantes de Darcy

Reprodução
Trecho do romance traz uma das frases mais marcantes de Darcy

Um Mr. Darcy na vida de Jane Austen
Se em “Orgulho e Preconceito” Austen criou um modelo perfeito do homem romântico, na vida real estima-se que ela não teve tanta sorte no amor. Contudo, segundo o historiador inglês Andrew Norman, a autora teria se inspirado em um amor real para compor o personagem Mr. Darcy.

Para Norman, o jovem rapaz era um estudante de teologia, Samuel Blackall. O historiador chegou a essa conclusão por meio de cartas de Austen e depoimentos de pessoas próximas a ela. O casal teria se conhecido no verão de 1798, época na qual Blackall passava alguns dias em Lefroys, Hampshire, condado onde a escritora morava. Segundo ele, após um reencontro inesperado com o estudante anos depois é que Austen teria se apaixonado.

No entanto, muitos desencontros teriam atrapalhado Austen e Blackall. Em uma carta do estudante para a escritora, ele diz que não poderia encontrá-la, o que prontamente foi interpretado como descaso.

Um dos pontos mais curiosos descobertos pelo historiador e revelado em entrevista ao jornal britânico Daily Mail, é que em 1813, Austen teria sido surpreendida com a notícia do casamento de Blackall. Em uma carta ao seu irmão Francis, ela conta que gostaria que a noiva fosse “um túmulo” e “bastante ignorante”.

“Orgulho e Preconceito” foi publicado pouco tempo após tal acontecimento.

Revivendo o romance
Para relembrar o bicentenário de “Orgulho e Preconceito”, a rede britânica BBC vai recriar o baile de Netherfield, em Chawton House, a mansão que pertenceu a Edward Austen-Knight, irmão de Austen, para exibí-lo este ano na TV em um especial de uma hora e meia. A data ainda não foi confirmada. O baile marca um encontro repleto de ironias sedutoras entre Darcy e Elizabeth.

Uma série de outras comemorações vai acontecer em solo britânico este ano. Parte da programação está disponível no site Pride and Prejudice: A 200 Year Affair . Por aqui, com coordenação de Adriana Zardini, o site Jane Austen Brasil comemorou nos últimos dias o bicentenário de “Orgulho e Preconceito”, com palestras e leituras acerca da obra.

dica da Noh Oliveira

Go to Top