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Casa comprada por Elizabeth Bishop mantém viva a memória da escritora em Minas

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Localizada em Ouro Preto, a Casa Mariana serviu de residência temporária da poeta norte-americana até a sua morte, em 1979

Publicado no Uai

“Um caminhão Mercedes-Benz, enorme e novo, chega e domina a cena. Na carroceria, botões de rosa brilham, enquanto o para-choque anuncia: CHEGOU QUEM VOCÊ ESPERAVA. O motorista e o ajudante lavam o rosto, o peito, o pescoço. Lavam os pés, os sapatos, depois se recompõem.” Em duas das 16 estrofes de ‘Pela janela: Ouro Preto’, a poeta norte-americana Elizabeth Bishop expõe observações cotidianas e banais que tinha de uma certa janela da Rua Conselheiro Quintiliano. Pois foi do alto do casarão da amiga Lili Correia de Araújo, a quem o poema é dedicado, que ela observou uma residência logo abaixo. O que lhe chamou a atenção da casa, então em péssimo estado, foi o telhado, “como uma lagosta emborcada.”

Quarenta e oito anos depois dessa observação, é outra senhora de cabelos brancos quem relembra a história. Bishop comprou em 1965 a casa, datada do final do século 17, início do 18. Durante três anos, empreendeu uma extensa reforma no imóvel de 500 metros quadrados, situado numa área de 7 mil metros. Ficou com a casa até sua morte, em 1979, mesmo que nos anos finais pouco a tenha frequentado. Linda Nemer, economista e socióloga aposentada, a comprou da herdeira da poeta, Alice Methfessel, em 1982. Desde então, pouca coisa mudou. À exceção das estantes abarrotadas de livros, que ocupavam a residência, que Bishop levou para os EUA quando retornou ao país natal, em meados dos anos 1970, boa parte dos móveis continua como na época de sua moradora ilustre.

Elizabeth Bishop (Miranda Otto) e Carlota de Macedo Soares (Glória Pires) no filme 'Flores Raras', de Bruno Barreto (Globo Filmes / Divulgação)

                                  Elizabeth Bishop (Miranda Otto) e Carlota de Macedo Soares (Glória Pires) no filme ‘Flores Raras’, de Bruno Barreto

A passagem da poeta pelo país é retratada no filme ‘Flores raras’, de Bruno Barreto, recém-chegado aos cinemas. Mas o que está em foco na tela é a relação de Bishop com Lota de Macedo Soares, arquiteta autodidata que planejou o Parque do Flamengo. A maior parte da narrativa, baseada no livro ‘Flores raras e banalíssimas’, de Carmen L. Oliveira, é centrada no período em que as duas viveram, entre os anos 1950 e 1960, em Petrópolis e no Rio de Janeiro. Ouro Preto é relegada a alguns momentos na parte final, quando o casal visita amigos na cidade histórica. A vivência de Bishop em Minas Gerais se intensifica depois da morte de Lota, em 1967. E é essa a mulher com quem Linda Nemer e sua família conviveram muito proximamente.

Foi o irmão caçula de Linda, o artista plástico José Alberto Nemer, quem primeiramente ficou amigo dela – ele chegou a ter, na Casa Mariana (o nome é homenagem à poeta Marianne Moore, mentora de Bishop), um quarto reservado. Linda logo se tornaria também amiga. Como a família Nemer é de Ouro Preto, os laços se estreitaram. Tanto que a poeta deixou de herança para Linda cinco salas comerciais no Rio de Janeiro. Para ela, Elizabeth, como a chama, sempre foi a senhora um tanto solitária, que bebia muito, mas era de uma delicadeza a toda prova. Capaz de providenciar um tecido que vinha do Norte da Europa somente para presenteá-la (isso depois que Linda elogiou o vestido) e de ir para a cozinha para preparar algo para os amigos.

O quarto que pertenceu a Bishop é o menor dos cinco da Casa Mariana (a cama, com cabeceira do chamado “pescoço de cisne”, é utilizada por Linda hoje em outro quarto). No vidro da janela está inscrita a data de nascimento do chef Jesse Dunfod Wood (22 de outubro de 1977), que teria nascido no quarto de Bishop a pedido do pai, o pintor Hugh Diarmid Dunford Wood, fã da poeta. Mas a porta desse ambiente cai num outro muito maior, o antigo escritório da poeta, hoje transformado em quarto de hóspedes.

Histórias

Detalhista, Bishop mandou vir dos EUA a grande banheira branca, que havia pertencido a um hotel. Da Inglaterra são a lareira da sala e o aquecedor do banheiro. Na sala principal, um detalhe, emoldurado, mostra a construção original da casa (pau a pique, com amarração em couro). Bem próximo está a escrivaninha que pertenceu a José Eduardo de Macedo Soares, fundador do jornal ‘O Imparcial’, precursor do ‘Diário Carioca’. Por sua antiguidade, a casa guarda histórias que não têm nada a ver com a passagem de Bishop por Ouro Preto. Há inclusive uma lenda que diz que a cabeça de Tiradentes teria sido enterrada ali – um importante maçom foi dono da casa em seus primeiros tempos e teria roubado a cabeça de Joaquim José da Silva Xavier.

Entretanto, é a passagem de Bishop que leva pesquisadores, turistas e curiosos a visitarem a Casa Mariana. Há alguns anos, Linda, que vive em Belo Horizonte, pensou em vendê-la, quem sabe para uma instituição “que fizesse dessa casa um museu da Elizabeth, que a mantivesse, a deixasse a salvo.” Como não apareceu ninguém, ela parou de pensar no assunto. “E meus sobrinhos vêm muito para cá, então fica para eles. Tenho 82 anos. O que vou fazer com o dinheiro nessa idade?” Mas se atualmente houvesse algum interesse que fizesse do memorial o lugar que ela imagina – e que Bishop, certamente, merece – Linda voltaria a pensar no caso.

A escritora norte-americana na Casa Mariana, em registro de 1970 (Arquivo/O Cruzeiro/EM/D.A Press)

A escritora norte-americana na Casa Mariana, em registro de 1970

Elizabeth por Linda

» Sem tradução

“Ela bebia muito. Às vezes chegava lá em casa carregada pelo motorista. Nessa época, em Belo Horizonte, morávamos na Rua Herval (na Serra). A gente cuidava dela. Eu saía para trabalhar o dia todo e a mamãe (uma libanesa que nunca foi fluente em português) cuidava dela. Um dia, quando cheguei, ela me falou: ‘Passei a tarde conversando com a sua mãe. Foi muito agradável’. ‘Sobre o que vocês conversaram?’, perguntei. ‘Não sei, porque ela não entendia a minha língua e eu também não entendia a dela’.”

» Amiga famosa

“Um dia, cheguei aqui e ela estava com uma caixinha de sapato amarrada com uma fita. Me disse: ‘Linda, você não faz confiança em mim, mas sou uma pessoa famosa. Se na velhice você precisar de dinheiro, venda esses papéis que vai ter um apoio’. Peguei a caixa e levei para casa. Como viajava muito, falei para mamãe, que de vez em quando dava uma limpeza e jogava papel velho fora: ‘Mamãe, esses aqui não pode jogar fora’.”

» Papéis velhos

“Uma professora veio me perguntar coisas sobre a Elizabeth. Mostrei para ela a caixa. Pois ela foi para Vassar (a faculdade norte-americana em que Bishop estudou e que hoje guarda grande parte de seu acervo) e contou dos papéis. Ligaram-me insistentemente até que concordamos que eu iria até lá levá-los. Quando cheguei a Vassar, tinha um professor de português me esperando, me hospedaram num quarto enorme na universidade. Era tão bem montado que tinha 14 lâmpadas, eu contei. Eu ficava assim porque para mim a Elizabeth era uma pessoa comum, uma amiga mais idosa, uma senhora estrangeira que tinha poucos amigos em Ouro Preto, que bebia e que a gente ajudava quando precisava. Pois a diretora da biblioteca de Vassar só deixou eu abrir a caixa numa sala que era à prova de fogo. Uns experts de Nova York viram que eram autênticos. Nós negociamos e eu os vendi por US$ 25 mil. Era uma caixa de papel velho, com ótimos manuscritos, rascunhos de poemas e reflexões.”

» Coisa de escritoras

“Antes de vir ao Brasil, uma vez ela perguntou a Marianne Moore (mentora de Bishop) o que ela queria do país. Disse para levar uma coisa vermelha. Elizabeth foi a um antiquário e achou rubis. Quando a Marianne já estava muito doente, foi visitá-la e a família falou para que escolhesse uma lembrança. Ela escolheu a abotoadura de rubi. E me deu depois. Então, fui a uma solenidade em Petrópolis com o Affonso Romano e a Marina Colasanti, muito meus amigos. Durante o jantar, bati no copo, todo mundo fez silêncio. Contei essa história e dei as abotoaduras para a Marina. ‘Coisa de escritoras, fica para vocês’.”


 

 

 

 

Sexo na Casa Branca

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Livro narra em detalhes os maiores escândalos envolvendo presidentes e primeiras-damas dos EUA e mostra que as traições conjugais existem desde a independência do país

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Ivan Claudio, na Isto É

Bem antes do escândalo envolvendo a estagiária Monica Lewinski e o presidente americano Bill Clinton, em 1998, os seguranças do governo já sabiam de seus encontros furtivos. Criaram até um tipo de aposta: quanto tempo Clinton levaria para ir da área residencial da Casa Branca até a ala oeste onde ficam as salas de despachos – isso era cronometrado após a chegada de Monica aos domingos. A traição se mostrava tão evidente que o vice-chefe do Estado-Maior, Harold Ickes, uma vez se juntou a um oficial do serviço secreto e resolveu fazer uma surpresa ao seu superior. Bateu na porta do Salão Oval gritando: “Senhor presidente! Senhor presidente!” Clinton saiu correndo – e levantando as calças – por uma porta, enquanto Monica desaparecia pela outra. O episódio está contado no livro “Sexo na Casa Branca” (Gutenberg), de autoria do historiador David Eisenbach e do editor da revista pornográfica “Hustler”, Larry Flynt. Em 300 páginas, a dupla narra em detalhes a intimidade de chefes de Estado, primeiras-damas e assessores dos EUA num mapeamento surpreendente pela credibilidade das fontes.

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O “monicagate” é um dos casos mais recentes, mas o entra e sai de amantes na sede do governo vem de longe. Durante o governo de Franklin Delano Roosevelt (1933-1945), por exemplo, o prédio serviu de residência para duas mulheres sem nenhuma ligação com a família: Marguerite LeHand e Lorena Hickok. A primeira saltou de secretária à “primeira-dama informal’, prestando ainda serviços de enfermeira – Roosevelt não conseguia andar devido a uma poliomielite. A outra convidada era uma jornalista com passagem pelo jornal “The New York Times”, que manteve por 30 anos um romance com Eleonor, a mulher do presidente. Sempre que acontecia um encontro oficial no Salão Vermelho com o Comitê Nacional Democrata, do qual Lorena fazia parte, a primeira-dama a cumprimentava com efusão. “Fazia isso como se não me visse há um mês, apesar de termos tomado café da manhã juntas”, escreveu a jornalista em suas memórias. O presidente e a primeira-dama sabiam das respectivas traições e as incentivavam, já que nem sequer dormiam juntos desde que Roosevelt caíra de amores pela secretária da esposa, Lucy Mercer. Antes de morrer, ele destinou a Lucy metade de sua herança. “As crianças podem cuidar de si mesmas”, teria dito.

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A forma como o staff governamental tratava tais aventuras amorosas muda de acordo com o mandato, em um cerimonial de regras elásticas. O humor, contudo, está sempre presente. Durante a gestão de John Kennedy (1961-1963), que sentia enxaquecas caso não fizesse sexo diariamente – e com uma mulher diferente –, duas funcionárias de sua predileção ficaram conhecidas pelos codinomes “Conversa” e “Fiada”. Jacqueline Kennedy sabia dessas e de outras conquistas, mas só se sentiu humilhada – e com toda razão – quando sua irmã Lee contou a ela sobre as escapadas do marido com a atriz Marilyn Monroe. Retribuiu na mesma moeda: viajou para a Itália e passou mais de um mês em companhia do empresário Gianni Agnelli, dono da Fiat.

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Baseado em documentos guardados na Biblioteca do Congresso e nos museus dedicados à vida de presidentes, o livro mergulha no passado atrás de indiscrições – e encontra bastante. Identifica um político gay a conduzir o país, James Buchanan, que viveu 16 anos com
o sulista Rufus King, de ideologia escravagista. Andrew Jackson, o sétimo presidente dos EUA, chamava-os de Tia Fancy (King) e Senhora Nancy (Buchanan).

Entre os chamados “fundadores da nação”, Abraham Lincoln permanece o mais enigmático em sua vida privada. Os autores lançam suspeita sobre a sua relação com um amigo de juventude, o fazendeiro Joshua Speed, de quem foi sócio – a partida dele deixou Lincoln devastado. Já na Presidência, ficou amigo do capitão David Derrickson, a quem poupou de ir ao campo de batalha durante a Guerra Civil. Nessa época, as más línguas já comentavam sobre o assunto delicado. A filha de um ministro chamada Virginia Woodbury Fox escreveu: “Há um soldado Rabo de Cervo (nome da brigada de Derrickson) que anda com ele (Lincoln) e, quando a sra. L. não está em casa, dorme com ele.” Isso foi o que Virginia anotou em seu diário em 16 de novembro de 1862. Os autores defendem que a vida privada (a sexual incluída) de políticos determina os caminhos de um país. Em certos casos, sim. Mas a generalização é um exagero.

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Livro que deu origem ao filme ‘Lincoln’ ganha tradução

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A editora Record lança em janeiro o livro que deu origem a Lincoln, filme de Steven Spielberg campeão de indicações ao Globo de Ouro e um dos favoritos ao Oscar.

Publicado no Portal AZ
Abraham Lincoln foi presidente dos EUA de 1861 a 1865

Escrito pela premiada historiadora Doris Kearns Goodwin, Team of Rivals: The Political Genius of Abraham Lincoln analisa as estratégias de um dos mais emblemáticos presidentes americanos, assim como sua compreensão do comportamento humano. Confirmando a habilidade de Lincoln para governar e gerir momentos de crise, o livro conta como ele acomodou em seu gabinete três políticos que haviam sido seus concorrentes pela indicação à presidência pelo Partido Republicano.

Team of Rivals: The Political Genius of Abraham Lincoln serviu de base para o filme de Spielberg, estrelado por Daniel Day-Lewis, que estreia no Brasil dia 25 de janeiro, junto com o lançamento do livro.

Fonte: Veja Online

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