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Grandes grupos concentram editoras e livrarias, e disputa por espaço no mercado editorial é cruel

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Grandes grupos concentram editoras e livrarias, e é cruel a disputa pelas vitrinas e balcões de exposição. Além de qualidade, a ajuda divina pode ser essencial para chegar ao grande público

dscn05801Sergio Leo, no UOL

“Você ganhou o prêmio”.  A surpresa, na manhã de um dia sem graça, chegou por celular, em meio a compras numa loja de ferragens. Pensava em ganhar, ao enviar uma seleção de meus contos para o Prêmio Sesc de Literatura, instituição já respeitada àquela altura, com seis anos de existência. Mas tinha a disposição contraditória de quem aposta na loteria: esperava, sem muita esperança.

Convicção, só uma: não submeteria meu primeiro livro ao misterioso processo de seleção das editoras, que costuma durar meses e, para a maioria, acaba em decepção. Preferi a escolha de especialistas independentes, entre textos de concorrentes anônimos.

Luis Vilela, contista essencial, e o crítico e escritor Flávio Carneiro pescaram meu “Mentiras do Rio”, entre 51 finalistas. Parte do prêmio foi a publicação, pela prestigiada Record, com ilustração do premiado gravurista Rubem Grilo. E você, provavelmente, nem ouviu falar do livro. Não esteve entre os poucos que vendem muito na literatura nacional.

A obra ganhou críticas elogiosas em espaços modestos de jornal. Outros vencedores do prêmio Sesc tiveram maior divulgação e até indicações a prêmios como o Jabuti, o Portugal Telecom e o São Paulo. Nem todos tiveram destaque, apesar da boa qualidade.  Publicar, mesmo por uma grande casa editorial, é só o primeiro – pequeno – passo do estreante.

Muitos são os chamados, poucos os escolhidos. Livros condenados ao limbo pelo juízo dos jornalistas literários empilham-se nas redações, virgens, e são doados nos fins de ano. Na seleção para os grandes prêmios de literatura, jurados recebem apenas uma lista do que foi publicado, na suposição de que terão lido as obras merecedoras de destaque. Grandes grupos concentram editoras e livrarias, e é cruel a disputa pelas vitrines e balcões de exposição. Além de qualidade, a ajuda divina pode ser essencial para chegar ao grande público.

Em artigo recente, a simpática editora que viu nascer meu primeiro livro, Luciana Villas Boas, polemizou ao defender que editores e jornalistas literários valorizassem o gosto do “bom leitor médio” e buscassem autores para “as vitrines das livrarias”. A tese obscureceu uma crítica certeira do artigo, contra o apego dos críticos ao “charme intelectual da editora ou de quem apresenta o autor”, e à franca preferência do meio editorial pela publicação de autores nacionais que circulam no eixo Rio-São Paulo, com “esticadas ao Rio Grande do Sul” (e, quem sabe, a Curitiba).

Nos dez anos de Prêmio Sesc, a seleção baseada no anonimato e ineditismo revelou escritores de origens, idades e formações diversas. Muitos passaram do segundo livro. Em meu caso, o prêmio – associado à carreira como jornalista – serviu de cartão de visita para a encomenda de uma obra de não ficção, “Ascensão e Queda do Império X”, pela editora Nova Fronteira.

Antes, uma editora chegou a perguntar se eu teria um romance na gaveta; mas eu tinha projetos de não ficção e mais contos. Contistas – ouvi de uma executiva do meio, na última Flip – só interessam se portarem nomes sonoros como Dalton Trevisan.

Sem planos para mudar de nome, cresceu meu interesse por projetos inovadores que surgem na Internet; revistas eletrônicas como a luso-brasileira Pessoa, editoras virtuais, como a e-Galáxia, com seu selo “Formas Breves”. Afinal, suspeito, será nos celulares que meus filhos e seus amigos lerão minhas histórias curtas.

Bienal do Livro quer mostrar uma nova cara

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Evento será realizado entre 22 e 31 de agosto em São Paulo e receberá nomes como Ken Follett e Hans Ulrich Gumbrecht

Imagem: Google

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Maria Fernanda Rodrigues, no Estadão

Nem só de best-sellers será feita a 23.ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo (22 a 31 de agosto), embora ela já tenha confirmado alguns nomões internacionais como Ken Follett, autor de Queda de Gigantes e Inverno no Mundo – que, juntos, venderam 160 mil exemplares no Brasil–, Cassandra Clare, da saga Os Instrumentos Mortais, e o autor de thrillers Harlan Coben. A inclusão de escritores brasileiros famosos pelas pequenas multidões que arrastam com eles, como Thalita Rebouças e Paula Pimenta, porém, ainda não foi decidida.

Como o Sesc está fazendo a curadoria da programação cultural, espera-se que os espaços de debate tenham mais a cara da instituição do que de grandes feiras cujo objetivo final é divulgar e vender livros. Na abertura, Fernanda Montenegro vai ler os sermões do padre Antônio Vieira acompanhada do Conjunto de Música Antiga da USP. Em outro momento, o crítico literário alemão e professor na Universidade Stanford Hans Ulrich Gumbrecht falará sobre o poder da crítica. Parte do que será realizado no Anhembi durante a feira foi apresentada ontem pela Câmara Brasileira do Livro e pelo Sesc em evento que contou com o pocket show Solidão no Fundo da Agulha, do escritor Ignácio de Loyola Brandão e de sua filha, a cantora Rita Gullo.

Segundo a presidente da Câmara Brasileira do Livro, Karine Pansa, a infraestrutura estará melhor em 2014, com um auditório montado no pavilhão especialmente para o evento. Outra novidade é que haverá ônibus gratuito também da estação Santana do Metrô – o outro ponto de partida é a estação Tietê. E o Vale-cultura será aceito na compra de ingressos e na aquisição de livros.

São esperados 480 expositores e 700 mil visitantes nesta edição, como em 2012. A CBL foi autorizada pelo Ministério da Cultura a captar R$ 10 milhões. “Mas está difícil, ainda não conseguimos todo esse valor”, comentou Pansa.

A programação ainda não foi fechada, mas já estão confirmadas as presenças de Luiz Ruffato, Gabriel Bá, Fábio Moon, João Hansen, Miguel Conde, Almino Afonso, Maria Rita Kehl, Marcos Nobre, Jaime Ginzburg e Luiz Eduardo Soares, entre outros autores brasileiros e estrangeiros.

Aspirantes a escritor evitam o ‘não’ das editoras recorrendo a prêmios

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Concursos apresentam ao leitor brasileiro uma nova safra de autores que talvez não entrariam em grandes editoras.

Maria Fernanda Rodrigues, no Estadão

Há prêmios que reconhecem o trabalho de um escritor ou a qualidade de um livro e dão um respiro à saúde financeira dos literatos – muitas vezes precária, já que é consenso dizer que não se vive da venda de direitos autorais. Nesta terça-feira (13), serão anunciados os finalistas do Prêmio Passo Fundo Zaffari & Bourbon de Literatura, que premia o autor do melhor romance com R$ 150 mil. Há 10 dias, o Prêmio São Paulo de Literatura encerrou as inscrições – concorrem 187 obras. Este ano, ele passa a premiar em três categorias: melhor romance (R$ 200 mil), melhor romance de autor estreante com menos de 40 anos (R$ 100 mil) e melhor romance de autor estreante com mais de 40 anos. O Portugal Telecom, que paga R$ 50 mil aos vencedores das categorias romance, conto/crônica e poesia e mais R$ 50 mil ao melhor dos três, revela até meados de setembro quem está no páreo. Existem outros nessa linha, como o Jabuti, o Paraná, o Benvirá etc.

E há prêmios que priorizam a produção literária de jovens autores ou de autores que nunca publicaram. Os melhores exemplos são os do Prêmio Governo de Minas Gerais, que ainda não lançou o edital deste ano, mas que tem uma opção interessante para jovens escritores mineiros (entre 18 e 25 anos): o autor do melhor projeto de livro ganha R$ 25 mil para tocá-lo adiante. E o Prêmio Sesc, que só aceita originais de autores inéditos nos gêneros romance ou conto.

Desde que foi criado há 10 anos, o Prêmio Sesc apresentou aos leitores brasileiros uma nova safra de escritores que talvez não teriam entrada em grandes editoras. Já revelou 17 escritores das mais diferentes profissões – um professor universitário de química, um servidor público, uma estudante, um redator publicitário, um psicanalista e por aí vai. Pessoas com pouca ou nenhuma circulação pelo mundo literário. Alguns deles ficaram pelo caminho, outros, com esse pontapé, investiram na carreira. É o caso, por exemplo, de Lúcia Bettencourt, André de Leones e Luisa Geisler. Vêm novos nomes por aí – as inscrições estão abertas até 30 de agosto.

A questão do ineditismo é o que difere o Prêmio Sesc e o São Paulo, que também tem uma categoria de autores estreantes – mas neste caso, só concorrem livros já editados. Portanto, de autores que já venceram a primeira barreira.

Acostumado a receber originais, o editor Marcelo Ferroni, da Alfaguara, já foi um autor estreante. Seu Método Prático de Guerrilha saiu pela Companhia das Letras e ganhou o Prêmio São Paulo em 2011 nesta categoria, o que acabou dando mais visibilidade a sua obra. Em 2014, lança, pela mesma editora, Da Parede, Meu Amor, os Escravos Nos Contemplam. Como editor, diz que prêmios podem ajudar um autor, mas que não é só isso o que importa: “Se o autor tem algo no currículo, ou se é indicado por alguém de confiança, isso facilita seu caminho, para que ele seja lido mais rapidamente pelo editor. Mas no final, o que conta mesmo é a qualidade do livro.”

Naquele ano, o São Paulo ainda pagava R$ 200 mil. Já o do Sesc não envolve dinheiro – e isso não importa aos vencedores ouvidos pelo Estado. Mais relevante é, na opinião deles, a oportunidade de ver o livro editado e distribuído pela Record, a maior editora do País. É esse o prêmio. Por sua vez, o Sesc organiza um intenso tour com os vencedores por suas unidades e por outros eventos, como a Jornada de Passo Fundo e a Flip – na programação paralela que a instituição promove durante a festa. Anualmente, o Sesc investe R$ 500 mil nessas ações.

E foi lá em Paraty, no mês passado, que o advogado paranaense Marcos Peres, de 28 anos, fez seu debut literário. Vencedor da última edição do prêmio com o romance O Evangelho Segundo Hitler, ele é exemplo de um novo movimento: de autores que têm preferido encarar outros concorrentes num prêmio do que esperar um milagre ou uma carta-padrão de uma editora negando o original. Quem o inspirou a tomar esse caminho foi o conterrâneo Oscar Nakasato, o professor que, com Nihonjin, seu romance de estreia, venceu o 1.º Prêmio Benvirá e o Jabuti.

Há 10 anos, concurso possibilita a estreia literária de aspirantes a escritor

Mostrar o primeiro livro para um estranho não é tarefa fácil. A carioca Lúcia Bettencourt que o diga. Tímida, ela passou a vida estudando literatura, escrevendo contos e cuidando do marido e dos quatro filhos. Resistia em mostrar sua ficção porque tinha uma carreira acadêmica e achava que passaria vergonha. Seu marido Guilherme ficou sabendo do Prêmio Sesc, que estava então em sua terceira edição, e disse que não havia mais desculpas. Como a inscrição seria feita com um pseudônimo, se não desse certo ninguém saberia. Foi ele quem organizou e imprimiu os textos e inscreveu o livro da mulher.

Mas Guilherme morreu em outubro de 2005, antes de saber que Lúcia tinha vencido – o anúncio seria feiro em março do ano seguinte. “O prêmio foi minha tábua de salvação. Se não fosse por ele hoje eu estaria numa clínica de repouso, pirada”, comenta. Estavam juntos há 36 anos. “Ele se foi, e a literatura me deu sustentação.”

Ela deixou de ser Lúcia, a mulher de Guilherme (ele era executivo de uma grande empresa), e virou Lúcia, a escritora. O luto ela viveu viajando pelas unidades do Sesc. No interior do Paraná, ouviu de um leitor que um de seus contos tinha sido escrito para ele, e essa nova profissão começou a fazer sentido.

Outros livros vieram depois de A Secretária de Borges, e há um mês ela recebeu a notícia de que O Banquete, obra baseada em sua tese, tinha recebido o prêmio da Academia Brasileira de Letras na categoria crítica literária e R$ 50 mil.

André de Leones, vencedor na categoria romance com Hoje Está Um Dia Morto no mesmo ano em que Lúcia ganhou, também não inscreveu o livro sozinho. À época, ele tinha terminado um curso de cinema em Goiânia e estava de volta à casa dos pais, em Silvânia. Entre os 19 mil habitantes, estava o escritor Aldair Aires, que tomou a iniciativa. “Se não fosse pelo prêmio, é provável que eu estivesse lecionando no interior de Goiás e dependendo de editais para, com sorte, publicar meus livros localmente”, conta o escritor. Numa das viagens para divulgar o prêmio, conheceu, em Paranaguá, sua primeira mulher. Foi a deixa para ir embora de vez de Goiás. Participou do projeto Amores Expressos, publicou mais quatro livros pela Record e pela Rocco e está em outras tantas antologias – internacionais, inclusive. Vive hoje em São Paulo e é colaborador do Caderno 2.

No ano seguinte, foi a vez dele dar uma mão a um colega. Wesley Peres, psicanalista em Catalão, não achava que seu romance Casa Entre Vértebras seria considerado no prêmio “porque estava no limite entre prosa e poesia”. Foi Leones quem a inscreveu. Wesley já tinha lançado dois livros de poemas. Depois do prêmio, investiu num segundo romance, o Pequenas Mortes, publicado recentemente pela Rocco.

Luisa Geisler foi a mais jovem escritora premiada pelo Sesc e tem uma das carreiras mais promissoras. Ela tinha 19 anos e fazia a oficina literária do Luiz Antonio de Assis Brasil quando soube do concurso. Ajeitou alguns contos, fez outros e inscreveu Contos de Mentira na premiação. Levou. No ano seguinte, em 2011, resolveu experimentar o romance, e escreveu Quiçá. Levou de novo. No mesmo ano, foi selecionada para a Granta Melhores Jovens Escritores Brasileiros e o romance que escreve agora sairá pela Alfaguara, uma das principais editoras na área de ficção. “Sem o Prêmio Sesc, minha carreira estaria na estaca zero em termos de publicação”, conta a estudante de Relações Internacionais e Ciências Sociais.

“A ideia é justamente essa: que o prêmio dê o primeiro empurrão na carreira literária dos autores, e que eles possam assim construir as suas trajetórias”, explica Henrique Rodrigues, um dos idealizadores do concurso.

De fato, o prêmio deu o pontapé na carreira de muitos dos vencedores. Alguns passaram a acreditar na vocação, abandonaram a ideia de autopublicação ou de publicação por uma editora regional, e tentam viver de literatura. Outros conciliam a profissão com a escrita. É o caso de Marcos Peres, servidor do Tribunal de Justiça, em Maringá e autor do melhor romance deste ano. “A questão de ser apenas um escritor é quase uma utopia. Eu consigo conciliar o ato de escrever com meu trabalho”, diz.

O publicitário João Paulo Vereza, vencedor este ano com os contos de Noveleletas, conta que ainda não descobriu o que é ser escritor. Sempre escreveu, nunca publicou. “A literatura sempre foi meu playground, o espaço onde me sinto livre e confortável.”

Versivox e o Livrinho Sonoro

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Guilherme Mendicelli, no Livros e Afins

O  (Página do Versivox no Facebook), um trio litero-musical de Belém-PA, levou, no dia 25 de maio, ao Sesc Boulevard, a apresentação do projeto infantil “Livrinho Sonoro”.

O “Livrinho Sonoro” é um sarau musical criado para o público infantil. Nele se une poesia,  e contação de histórias. A intenção do grupo é transformar a poesia em uma grande brincadeira e fazer com que as crianças adquiram desde cedo a paixão pela literatura.

O enredo é lírico. O principal objeto é um grande livro dentro do qual existem diversos outros. Desses, apenas um é o famoso: “livrinho sonoro”.

Nessa grande brincadeira, o trio usa de todos os artifícios para tratar de temas de importância para as crianças no mundo atual, como amizade, amor à arte e combate ao preconceito.

O Versivox é um trio composto e desenvolvido pelo poeta Carlos Correia Santos e pelos músicos Júnior Cabrali e Alberson Alves. O principal objetivo do grupo é celebrar e espalhar a poesia de uma maneira diferente, com bases sonoras de composição própria do grupo, tanto no universo infantil quanto no universo adulto.

“Queremos, muito abusadamente, fazer o grande público se reaproximar da recitação poética. Nosso compromisso é mostrar que os saraus de poemas podem ser plugados, cênicos. Nosso desejo é ter nas plateias gente de toda idade. Especialmente os jovens, que andam tão distantes da arte das letras”. Explica Carlos Correia Santos.

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