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Mãe e empresária que já leu 84 livros este ano dá dicas de como administrar o tempo

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Empresária Stephany Almeida sempre sai com um livro na bolsa - arquivo pessoal

Empresária Stephany Almeida sempre sai com um livro na bolsa – arquivo pessoal

Aline Rickly, no RDNews

Como ter espaço para a leitura diante de uma vida tão corrida como a da empresária e mãe de dois filhos Stephany Almeida, de 30 anos? Ela acorda às 6h30 todos os dias, coloca o filho Manoel, de 10 anos, para a escola, arruma a casa, dá almoço a filha Antonela, de 5 anos, e ainda cuida de sua loja de roupa em Areal (RJ), onde mora. Mas, mesmo com essa rotina, ela conseguiu ler, só neste ano, 84 livros e quer chegar aos 100 até dezembro.

Neste domingo (29), em que é comemorado o Dia do Livro, o G1 revela as dicas de Stephany para organizar o tempo e conseguir abrir espaço na rotina para desenvolver o hábito da leitura. A empresária disse que lê, em média, 10 livros por mês.

Sete dicas da Stephany

1 – Se organize com metas para o mês, para a semana, para o dia. “Eu nem sempre consigo cumprí-las, mas só de existir uma meta, já facilita a organização, por conta da rotina que é corrida, cheia de compromissos e responsabilidades”.

2 – Procure fazer o planejamento no início do mês com uma lista. “Faço uma lista inicial, e ao longo dos dias vou substituindo, acrescentando”.

3 – Faça do hábito de ler algo natural, sem cobranças. “A leitura é meu hobbie, então não importa se leio 10 ou 100 páginas por dia”.

4 – Saia sempre com um livro na bolsa. “Encaixe a leitura nos intervalos livres”.

5 – Dê uma chance ao livro, pois também é uma questão de prioridade. “Preciso escolher entre assistir TV, navegar na internet, ver um filme ou ler, mas como a leitura é minha paixão, acaba sempre sendo minha prioridade”.

6 – Você ainda pode agregar mais um. “Às vezes leio dois livros ao mesmo tempo, um físico e um digital, por exemplo”.

7 – Perpetue o hábito sendo também um agente de transformação. “No mundo de hoje é muito difícil incentivar uma criança a ler, porque elas querem informações rápidas, já nascem acostumadas com as facilidades da internet. Mesmo assim, eu não desisto e sempre compro livros novos, com temas que possam interessar, inovadores para meus filhos, por exemplo”.

Os livros trouxeram mais alegria para a vida da empresária Stephany Almeida, de Areal

Os livros trouxeram mais alegria para a vida da empresária Stephany Almeida, de Areal – arquivo pessoal

Blog e as leituras

Além de ter a rotina corrida, conciliada com a leitura de livros, Stephany não estimula apenas os filhos a desenvolverem a prática, ela compartilha as suas experiências em um blog, que já atraiu mais de 14,8 mil seguidores. Ela criou o perfil na internet, o Ste Bookaholic, há três anos, onde faz comentários e publica críticas sobre diversas obras.

Empresária indica cinco livros

Fã de romances de época, a empresária selecionou para o G1 os cinco melhores livros que já leu em 2017.A primeira posição, segundo ela, ficou com “As coisas que fazemos por amor”, de Kristin Hannah. “É uma história sobre família, maternidade e amor, que provocou um furacão de emoções em meu coração. Com personagens reais, reviravoltas surpreendentes e um desfecho repleto de ternura, empatia e amor”, disse Stephany.

Em segundo lugar, ela elegeu “Um acordo de cavalheiros”, de Lucy Vargas, um romance de época que, de acordo com a empresária, tem uma narrativa envolvente e sensual. Ela alerta ainda que o título tem personagens à frente de seu tempo e que valorizam o respeito e o empoderamento feminino.

Outro livro que está no topo da lista de Stephany é “Outlander – a viajante do tempo”, de Diana Galbadon. “Uma das mais lindas histórias de amor que já li, que supera as barreiras do tempo, com uma narrativa repleta de diálogos bem construídos, cenas emocionantes e referências históricas”, afirma.

Em quarto lugar, ela indica “Nossa música”, de Dani Atkins. Segundo Stephany, este é um romance que tem uma história dolorosa e linda. “Tocou meu coração e mostrou o quanto nossa vida é delicada e passageira e o quanto devemos vivê-la bem”, destaca.

Sete livrarias com cafés em Curitiba para você aproveitar a leitura

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Roteiro de lugares da cidade onde, além de escolher um livro, você ainda aproveita para tomar café

Laura Beal Bordin, Gazeta do Povo

Poucos são os que discordam que um livro fica melhor com um café na mão. O principal ponto é que essa combinação tem o poder de transformar tanto a leitura, que fica mais prazerosa, quanto o café, que fica ainda mais saboroso. Confira sete livrarias com cafés para você aproveitar um cafézinho enquanto aproveita o prazer de ler um bom livro.

Livraria Cultura

No segundo piso da loja, a Liquori Caffè Gourmet oferece desde os cafés mais simples até os mais elaborados, uma série de sanduíches e doces. Para beber, o que mais mais sucesso é o drink negresco, que é feito com café, leite sorvete e essência de baunilha, biscoito negresco picado, chantilly e calda de chocolate (R$ 18,90). Para comer, uma opção é o pisa, que leva pão sírio, creme de iogurte, mussarela de búfala, peito de peru, tomate e alface (18,50).

Arte & Letra

A Livraria Arte & Letra não é nem livraria, nem cafeteria, nem editora. É uma livraria-cafeteria-editora. Lá, além dos livros, é claro, primeiro você escolhe o café e depois a receita. Os livros editados também são selecionados: a ideia é sempre formar leitores por meio das palavras. Lá, é possível provar a degustação de espressos – A Polaquinha, Molly Bloom e Chinaski – todos nomes relacionados a obras literárias (R$15) e provar um ratatouille vegano com arroz cateto (R$ 24,90).

Le Mundi Livroteca

Em um conceito diferente de livraria, a Le Mundi Livroteca é mais uma cafeteria do que uma livraria. Lá, você pode degustar os cafés mais diferentes, encontrar livros exclusivos e ainda levá-los para casa como forma de locação. Um dos carros-chefes da casa é o Mocha-Paris com café espresso, calda de chocolate e leite cremado. (R$ 7,50). A comidinha preferida é o brownie que pode ser de doce de leite, chocolate, oreo ou nutella com calda (R$ 9) ou com gelato (R$ 18).

Livraria Saraiva (Shopping Crystal)

Quem passa pela livraria Saraiva do Shopping Crystal pode fazer uma pausa para o café no Café na Escada. Além da bebida, os apreciadores de livros ainda contam com sanduíches, tortas e bolos caseiros. Além de nada do que sai do café seja industrializado, os tradicionais espresso (R$ 5) e o pão de queijo (R$ 4,20) ainda são os preferidos.

Livraria Curitiba (ParkShopping Barigui)

Na livrarias Curitiba do ParkShopping Barigui, o Café do Ponto serve aos amantes da leitura o melhor dos doces. Além do tradicional espresso curto (R$ 5,90), a casa serve o Frapê Red Velvet, que leva essência de framboesa, cereja e sorvete (R$ 16,90). Até o final de outubro, 30% do valor será doado a instituições participantes de ações do Outubro Rosa. Para comer, que tal um brownie (R$ 7,90) ou uma torta (R$ 13,50)?

Livraria Curitiba (Palladium)

Quem visita a Livrarias Curitiba do Shopping Palladium também pode contar com um Café do Ponto enquanto busca o livro ideal.

Pela família e pelas crianças! Sete livros que o Brasil precisa banir

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Rodrigo Casarin, no Página Cinco

Exposição cancelada após manifestações em Porto Alegre, peça censurada em Jundiaí, quadro apreendido em Campo Grande… Finalmente honrados cidadãos de bem estão conseguindo acabar com a depravação e a baixaria que tomam conta da arte no país. É mesmo necessário que os bons modos se sobreponham à insensatez de muitos de nossos artistas – se é que podemos chamar de artista alguém que não consegue desenvolver um trabalho que leve a reflexões positivas.

Aproveitando o ótimo momento para a moral e os bons costumes, listo aqui sete livros que, pelo bem de nossas famílias, precisam ser urgentemente banidos do Brasil. Manter as pessoas, principalmente as crianças, afastadas desses embustes literários com certeza nos transformará em uma sociedade melhor:

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Lolita”: é a história de um professor que se apaixona e tenta conquistar uma aluna para quem dá aulas particulares. O problema é que a menina, a ingênua e frágil Dolores, tem 12 anos, e o professor, 40. Ou seja, estamos diante de um claro caso de pedofilia. Não surpreendente que o livro seja de Vladimir Nabokov, um russo que viveu durante a época da União Soviética. Com certeza era um desses comunistas depravados.

O Caderno Rosa de Lori Lamby”: claro que mais cedo ou mais tarde alguém no Brasil tentaria copiar a depravação desse russo que falei acima. Hilda Hilst conseguiu ser ainda pior do que Nabokov e criou uma história erótica protagonizada por uma criança. Sim, uma criancinha de 8 anos. Nojento! Não basta banir o livro, o ideal seria exumarmos o corpo da autora para que pudéssemos prendê-la.

O Ateneu”: não quero me alongar muito nessas apologias à pedofilia, mas também preciso falar desse disparate do Raul Pompeia que virou um clássico da literatura em língua portuguesa. Aqui há o incentivo para que garotos mais fortes protejam os mais fracos em troca de sexo gay (que, graças à justiça, agora poderá ser combatido com tratamento psicológico). O absurdo maior é que esse livro costuma ser trabalhado ou mencionado em sala de aula, impactando diretamente na criação de uma degenerada geração.

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Biga Jato”: olha o que Xico Sá escreve nesse panfleto da zoofilia: “Estava lesado brincando com uma vara de pescar no quintal de casa, ensaio para uma pescaria de responsa, e no volteio da linha de náilon, o anzol, maldita interrogação do universo, dá duas voltas em torno do sol e de mim mesmo, crec, e vai direto para o meu pequeno membro, atravessando o prepúcio, se é que podemos falar com tanta grandeza de uma coisa insignificante e judiada de tanto sexo com cabras, cactos e bananeiras”. Sim, isso mesmo que você leu: sexo com cabras, cactos e bananeiras, animais e plantas. Já pensou se um pai desavisado lê isso para seus filhos? Essa “arte” apenas nos envergonha, não serve para nada. Fogueira nela!

O Evangelho Segundo Hitler”: esqueça aquela história de que não devemos julgar um livro pela capa. Neste caso, fica muito claro o que um tal de Marcos Peres deseja fazer: contar a história de Jesus segundo a ótica do mentor do nazismo. Heresia das bravas. Tomara que quando esse autor morrer a alma dele seja recebida pelo próprio Hitler, que sem dúvidas estará acompanhado do Capiroto em um lugar bem quente.

Jesus Cristo Bebia Cerveja”: heresia não falta na literatura contemporânea em língua portuguesa. Nesse livro, o Afonso Cruz, um lusitano, insinua que Jesus não teria transformado água em vinho, mas em cerveja. Acha que Jesus é um pau d’água que consome essas bebidas bárbaras servidas em botecos sujos, seu Afonso? Vai falar que ele bebia cachaça também?

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Bíblia”: não ia nem falar deste livro, que me parece o pior de todos, mas é preciso evidenciar aquilo que precisamos combater. No tijolo tem de tudo: incentivo para que pais matem seus filhos, filhas fazendo sexo com o pai, sodomitas, um monte de gente recorrendo às imorais prostitutas para se satisfazer e, no ápice, um dos protagonistas sendo torturado até a morte em uma cruz. Um horror, um horror, apologia a tudo o que existe de mais nefasto e cruel. Pior, me parece que crianças são expostas a esse conteúdo em aulas que chamam de catequese. Espero que isso seja apenas um boato.

Precisamos combater tudo isso, honrados cidadãos de bem. Afinal, já estamos em 1321 e a Idade Média não comporta mais essas coisas.

Sete obras essenciais para conhecer Mia Couto

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Mia Couto é um dos mais aclamados escritores africanos contemporâneos

Mia Couto é um dos mais aclamados escritores africanos contemporâneos

Publicado no Vermelho

Nascido em Beira, Moçambique, em 1955, Mia Couto, pseudônimo de António Emílio Leite Couto, é biólogo e escritor. Terra Sonâmbula, o seu primeiro romance, de 1992, ganhou o Prêmio Nacional de Ficção da Associação dos Escritores Moçambicanos, em 1995. Em 2013, foi homenageado com o Prêmio Camões.

Mia escreve em diversas formas, mas todas com algo em comum: a sensibilidade. Seus textos traduzem e explicam a alma humana, o que torna impossível para alguém permanecer indiferente após a leitura. É um dos autores africanos mais reconhecidos da atualidade, aclamado em todo o mundo.

Selecionamos sete obras essenciais para entender Mia Couto:

Poemas escolhidos

Para esta antologia poética, Mia Couto selecionou poemas de seus livros Idades cidades divindades, Raiz de orvalho e outros poemas e Tradutor de chuvas.

Terra sonâmbula

Um ônibus incendiado em uma estrada poeirenta serve de abrigo ao velho Tuahir e ao menino Muidinga, em fuga da guerra civil devastadora que grassa por toda parte em Moçambique. Como se sabe, depois de dez anos de guerra anticolonial (1965-75), o país do sudeste africano viu-se às voltas com um longo e sangrento conflito interno que se estendeu de 1976 a 1992.

O veículo está cheio de corpos carbonizados. Mas há também um outro corpo à beira da estrada, junto a uma mala que abriga os “cadernos de Kindzu”, o longo diário do morto em questão. Qual será a ligação entre estas duas histórias? Um romance escrito numa prosa poética que remete a Guimarães Rosa.

Mulheres de cinza

Apesar do tema duro – a luta, no século 19, de Portugal para “livrar” o sul de Moçambique do domínio do ditador africano Ngungunyane -, o lirismo de Mia Couto transforma a história em algo incrivelmente poético. Muito coerente da sua parte dividir a obra em dois narradores: uma nativa africana e um soldado português. No começo, o leitor fica surpreso com as lendas africanas e consternado com a ingenuidade dos nativos. Contudo, ao longo das páginas, ele percebe que esta ingenuidade está justamente no lado lusitano, que em momento algum entende, de verdade, as nuances do local que deseja tanto conquistar. E o melhor? É apenas o primeiro volume de uma trilogia.

Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra

O retorno de Marianinho a Luar-do-Chão não é exatamente uma volta às suas origens. Ao chegar à ilha natal, incumbido de comandar as cerimônias fúnebres do avô Mariano – de quem recebeu o mesmo nome e de quem era o neto favorito -, ele se descobre um estranho tanto entre os de sua família quanto entre os de sua raça, pois na cidade adquiriu hábitos de um branco. Aos poucos, Marianinho percebe que voltou à ilha para um renascimento.

O fio das missangas

Em histórias de desencontros, de incompreensões, de vidas incompletas e de sonhos não realizados, Mia Couto condensa as infinitas vidas que podem se abrigar em cada ser humano. São 29 contos unidos como missangas em redor de um fio.

Antes de nascer o mundo

Jesusalém, pequeno local encravado em Moçambique, abriga cinco almas apartadas das gentes e das cidades do mundo. Ali, ensaiam um arremedo de vida: Silvestre e seus dois filhos, Mwanito e Ntunzi, mais o Tio Aproximado e o serviçal Zacaria. O passado para eles é pura negação recortada em torno da figura da mãe morta em circunstâncias misteriosas. E o futuro se afigura inexistente. Mas um belo dia os donos do mundo voltarão para reivindicar a terra de Jesusalém. E não só isso: uma bela mulher também virá para agitar a inércia dos dias solitários daqueles homens.

Estórias abensonhadas

Depois de quase trinta anos de guerra, Moçambique vive agora um período de paz. Numa prosa poética e carregada das tradições orais africanas, o autor tece pequenas fábulas e registros que, sem irromper em grandes acontecimentos, capturam os movimentos íntimos dessa passagem. Fantasia e realidade se entrelaçam e se impõem uma à outra, como num reflexo do próprio continente africano.

Fonte: Estante

Sete livros que são obras-primas, mas poucos conseguiram terminar

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Já dizia o filósofo Henry David Thoreau: “Leia os bons livros primeiro, o mais provável é que não consiga ler todos”. Getty

Já dizia o filósofo Henry David Thoreau: “Leia os bons livros primeiro, o mais provável é que não consiga ler todos”. Getty

 

Dizem que temos de lê-los porque são os melhores. E nós, corajosos, tentamos

Luis Meyer, no El País

Cento e trinta milhões. É mais ou menos o número de obras literárias publicadas em toda a nossa história. Um dado desanimador para aqueles que têm planos de ler tudo na vida, pois seriam necessários 250 anos. E isso caso se tenha a capacidade sobre-humana de devorar cada livro num minuto.

Talvez por isso alguns escritores consultados para este artigo não tenham problema algum em reconhecer que acumulam um monte de exemplares abandonados durante a leitura em suas prateleiras. Eles inclusive recomendam fazer isso: “A vida é curta e há muitas coisas interessantes para ler”, diz Andrés Barba, um dos mais importantes jovens escritores de língua espanhola, de acordo com a prestigiosa revista inglesa Granta. Barba reconhece que a única vez que conseguiu terminar Moby Dick aconteceu quando foi encarregado de traduzir a última edição ao castelhano. O filósofo Henry David Thoreau disse há quase dois séculos: “Leia os bons livros primeiro, o mais provável é que não consiga ler todos”.

Com esse panorama, convém não perder tempo com leituras infrutíferas. Manuel Astur, poeta, ensaísta e cofundador do movimento artístico Nuevo Drama, aconselha fugir do que é confuso: “Acho que um bom livro é aquele que consegue contar algo complexo com uma linguagem simples e econômica”, e cita: “Graça Infinita, de Foster Wallace, é um exemplo claro de pedantismo: poucos conseguiram terminar suas mais de mil páginas. E quem conseguiu jamais reconhecerá que não gostou e perdeu tempo”.

Um livro não deve ser enfrentado, acrescenta Barba, como um desafio. O leitor se coloca numa posição devedora para com o autor e é incapaz de deixá-lo com a palavra na boca. E esquecemos que, às vezes, é precisamente o escritor que está nos vendendo gato por lebre. O próprio Charles Bukowski reconheceu sobre seus livros: “Eu trabalho bem durante uma garrafa e meia de vinho. Depois, sou como qualquer velho bêbado de bar: repetitivo e chato”. Curiosamente, quando foi diagnosticado com leucemia, percebeu que era capaz de escrever de forma brilhante sem álcool ou tabaco. Só teve um ano para comprovar isso, antes de morrer em 1994. Mas já é outra história.

Há uma enorme quantidade de obras malditas que muitos não têm paciência para ler até o fim, nem a coragem de reconhecê-lo. Já demos 10 exemplos e agora apresentamos uma segunda lista. Antes de enfrentá-la, um conselho kafkiano para otimizar o tempo e não se angustiar diante dos milhões de exemplares que jamais chegaremos a folhear e, menos ainda, terminar. “Não deveríamos ler mais do que os livros que nos dão coceira e nos mordem. Se o livro que lemos não nos desperta com um soco no crânio, para que continuar?”. Isso foi dito por um autor, Kafka, prolífico em obras que muitos deixaram pela metade.

1. Ada ou Ardor, de Vladimir Nabokov

Caso típico de uma obra de arte aplaudida pela crítica e incompreendida pelo público. O genial autor de São Petersburgo escrevia tão bem que redigiu seu romance mais famoso, Lolita, em inglês, que não era sua língua materna (embora a dominasse desde a infância, pelo empenho de sua família aristocrática e de seus professores). O germe de Ada ou Ardor veio depois de ter se tornado mundialmente famoso com a história do professor viúvo obcecado por uma adolescente: logo depois de Lolita, se propôs a criar sua obra-prima (ainda não estava consciente de que já a tinha escrito), e Ada ou Ardor (1969) nasceu de dois projetos diferentes, duas crônicas de vida que acabaram sendo traçadas de tal maneira que ele decidiu que mereciam se tornar um único romance.

Talvez seja por isso que levou mais de nove anos para escrevê-lo. Nabokov sempre disse que queria ser lembrado por essa obra, embora sua narrativa arrevesada, cheia de acrobacias semânticas, alusões e duplos sentidos imperceptíveis para um leitor de inteligência mediana não tenha obtido o lugar universal que esperava. O poeta Manuel Astur vive uma contradição com esse livro: “Nabokov é um dos meus mestres, a grande inspiração para os meus livros. Mas este é um romance que me resiste, por mais que eu tente”.

2. O Jogo da Amarelinha, de Julio Cortázar

O escritor argentino definiu sua obra-prima O Jogo da Amarelinha (1963) como “contrarromance”. Através da história de seu protagonista, Horacio Oliveira, traça, em mais de 156 capítulos, uma vida completa, mas com estruturas que fogem do convencionalismo para entrar no surrealista. E não só no que conta, mas sobretudo em como o faz. Convida o leitor a compartilhar seu caos e lhe dá várias opções para ler o romance: existe a “normal”, do início ao fim. Também a “tradicional”, apenas até o capítulo 56, prescindindo do resto. Também a “anárquica”, ou seja, a ordem que o leitor quiser.

E, finalmente, a proposta por Cortázar, como um jogo, com uma sequência definida no “tabuleiro de direção” mostrado na primeira página, como uma espécie de Excel primordial. É uma grade na qual o leitor começa no capítulo 73, e daí vai saltando de um ao outro sem ordem aparente, para terminar no 131. Muitos são aqueles que dizem não ter passado da página tal ou da página qual. Mas essa confissão deve ser seguida da inevitável pergunta: em que ordem você o leu? É que O Jogo da Amarelinha é o único livro que, se for deixado pela metade, pode significar que você praticamente o terminou.

3. Em Busca do Tempo Perdido, de Marcel Proust

A filóloga Josefina Lazcaray dá um conselho aos intrépidos que se aventurem a terminar os sete volumes que Proust escreveu ao longo de 14 anos: “Chegar até a página 80 do primeiro, e superar a famosa cena em que Proust lembra de sua infância enquanto molha um bolinho no chá”. O escritor parisiense escreveu esta obra de mais de 3.000 páginas entre 1908 e 1922, bem no ano que morreu, possivelmente esgotado por tal odisseia.

Muitos recomendam ler antes a biografia de Proust, porque Em Busca do Tempo Perdido consiste, em última análise, de reflexões sobre sua vida. Mas voltemos à página 80: “É um romance muito complicado pela sintaxe tão própria e complexa de Proust, a ausência de pontos em passagens longuíssimas nas quais vai unindo ideias diferentes e é fácil se perder. Mas quando você passa o episódio do bolinho, o cérebro se acostuma com a forma de escrever dele, e está pronto para o resto que, se você entender, acaba devorando”, diz Lazcaray. O caso dela não é normal. Poucos podem dizer que leram os sete volumes (“é um dos espinhos que tenho cravado”, diz Manuel Astur), e muito menos duas vezes, como a filóloga: “A primeira por prazer, quando tinha começado a universidade; a segunda, porque foi meu projeto de final de carreira. E descobri muitos detalhes novos. Recomendo”. Quem estiver disposto a imitá-la, deve dedicar uns meses a mais. Ou melhor um ano.

4. 2666, de Roberto Bolaño

Muitos dos consultados atribuem ao tamanho a dificuldade de acabar esse romance. Não é de surpreender, o genialmente obscuro autor chileno planejou que seriam cinco livros separados publicados depois de sua morte em 2003, como legado econômico aos seus descendentes. Seus filhos, no entanto, deixaram de lado a intenção econômica e preferiram transformá-los em um único grande romance. O resultado são mais de mil páginas com a pena ágil e turva de Bolaño percorrendo o que acontece na cidade imaginária de Santa Teresa, espelho da violenta Ciudad Juárez do México.

Há outro fator, no entanto, que o torna um encalhe mais ou menos na metade do livro. Conta a filóloga Josefina Lazcaray, uma voz autorizada pela devoção que sente pelo autor: “Me deprime. Bolaño tem uma escrita espetacular, mas nessa parte descreve um após o outro os assassinatos de mulheres, durante páginas e páginas que vão de entediante a angustiante sem interrupção. É como chegar a um terreno enlameado de horrores, que me impede de continuar com o que vem depois”.

5. Os Cantos, de Ezra Pound

É um poema longo, muito longo, ainda mais pelo tempo que levou para ser escrito, do que por sua extensão. Quase meio século, de 1915 a 1962, o poeta norte-americano Ezra Pound demorou para terminar seus 116 cantos. São considerados pela crítica uma das obras mais importantes da poesia modernista do século XX, ao mesmo tempo, uma das mais complexas. Por suas quase mil páginas circulam muitas ideias atropeladas que pulam de uma para outra de forma abrupta, nas quais aparecem sua admiração por Confúcio, seu antissemitismo, sua afinidade com o regime de Mussolini, referências geográficas que cruzam Europa, Ásia, Estados Unidos e África, cambalhotas temporais e vários idiomas, incluindo caracteres chineses.

O poeta e tradutor cubano José Kozer dá orientações para não ceder: “Leia em inglês. O inglês dos poemas de Ezra Pound é fácil de ler. A dificuldade em seus poemas é o grego, latim, chinês, japonês, italiano do Renascimento, imitações do inglês popular ou da pronúncia do inglês oral, por exemplo, de um falante alemão. Menos difícil de ler é seu francês, italiano e alemão modernos, ou seu deficiente espanhol, tão ruim como o de Hemingway”. E admite: “Ler Pound é entrar em um conjunto interminável de retalhos muitas vezes inacessível. Uma poesia que nos envolve na dificuldade às vezes ígnea, às vezes entediante do mundo que herdamos e ao qual damos, em grande medida, as costas por desídia”.

6. Cristo versus Arizona, de Camilo José Cela

O Prêmio Nobel Camilo José Cela foi outro alérgico aos pontos, pelo menos neste western experimental em primeira pessoa: só tem um, o ponto final. Somos introduzidos no Oeste selvagem para realizar, de soslaio, o famoso duelo que enfrentou os Earp com os Clanton e os Frank, em outubro de 1881, no O.K. Corral. Tudo é desculpa para concatenar pequenos relatos sem rumo definido.

Os poucos que conseguem chegar à página 238, onde está o tão esperado ponto ganham, isso sim, uma radiografia precisa de uma sociedade marcada pela violência e o sexo, descrita com esse verniz de humor e falta de preconceito que, irrefutavelmente, é Cela em estado puro.
Sete livros que são obras-primas, mas poucos conseguiram terminar

7. Finnegans Wake, de James Joyce

De James Joyce podíamos ter escolhido Ulysses, mas pareceu demasiado óbvio. Quando o leitor se queixa do esforço necessário para ler Finnegans Wake (1939), tenha em mente o que custou ao autor escrever esse romance, durante quase duas décadas. O intrigante é que começou logo depois de completar seu monumental Ulysses (1922), obra que, em suas próprias palavras, o deixara “esgotado”. É claro que o escritor irlandês tirou forças de algum lugar, porque Finnegans Wake tem 628 páginas, para as quais teve que se desfazer de quase 15.000.

Usou uma linguagem inventada, misturando unidades léxicas do inglês com neologismos, e o encheu de trocadilhos que fazem com que seja realmente difícil compreendê-lo. A estrutura ajuda pouco: não é linear, mas, como ele chamou, “esférica” onde tudo que é contado sobre a família Earwicker e seu ambiente é ao mesmo tempo o início e o fim da história. Os poucos que conseguiram terminá-lo (e entender), como o escritor Anthony Burgess, afirmam que “morreram de rir em cada página”. Parabéns, senhor Burgess.

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