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Sete dos dez filhos dessa família entraram na faculdade aos 12 anos

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Os Hardings decidiram sair dos moldes tradicionais do ensino americano, o que acabou estimulando o aprendizado de seus filhos

Publicado na Época Negócios

Hannah é a mais velha de dez filhos e foi a primeira a estudar em casa (Foto: Reprodução/Facebook)

Hannah é a mais velha de dez filhos e foi a primeira a estudar em casa (Foto: Reprodução/Facebook)

Os moradores da cidade de Montgomery, no Alabama, EUA, Mona Lisa e Kip Harding têm dez filhos. O casal percebeu as falhas do sistema educacional americano quando sua filha mais velha, Hannah – que hoje está com 26 anos – estava na terceira série. “Percebemos que talvez nós conseguiríamos nos sair melhor se Hannah estivesse em casa”, contou Kip a KSL.

Os pais de Hannah decidiram então tirá-la da escola, para que ela pudesse estudar em casa. Em um primeiro momento, Mona Lisa e Kip começaram a ensinar a filha a partir dos livros escolares, mas o aprendizado ficou monótono demais. A decisão do casal foi sair do típico currículo escolar, focando nos assuntos pelos quais Hannah – e logo, os outros filhos – se interessava mais.

Ao invés de fazer vários exercícios repetitivos, os Harding estimularam seus filhos a resolver somente alguns, seguindo em frente para assuntos mais avançados. Com isso, as crianças não ficavam entediadas e se empenhavam mais, porque estudavam o que gostavam mais.

Quando Hannah completou 12 anos, seus pais a levaram para assistir algumas aulas do primeiro ano de faculdade. A garota se saiu tão bem que continuou e, no terceiro semestre, passou a frequentar o curso de graduação em período integral.

Hannah acabou se tornando um exemplo para seus irmãos mais novos: eles também estudaram em casa, cada um seguindo seu próprio ritmo de aprendizado. O resultado foi que os seis filhos mais velhos após Hannah – Rosannah, Serennah, Heath, Keith, Seth e Katrinnah – também a começaram a cursar a faculdade aos 12 anos.

Hoje, Hannah tem 26 anos e possui um mestrado em engenharia; Rosannah, 24, formou-se em arquitetura antes dos 18 anos; Serennah, 22, é médica da marinha; Heath, 17, é um empreendedor fazendo mestrado em ciência da computação; Keith, 15, é compositor com graduação em música e Katrinnah, 10, faz aulas no curso de direito. Os três Hardings mais novos – Mariannah, 8, Lorennah, 5, e Thunder, 3 – pretendem seguir os passos dos irmãos: eles querem ser cirurgião, atriz e piloto de carros de corrida, respectivamente.

Sete resoluções de Ano Novo para quem gosta de ler

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Danilo Venticinque na revista Época

31 de dezembro é dia de fazer promessas para o ano que vem – e de lembrar, com alguma vergonha, das promessas que não  conseguimos cumprir. Sedentários correm maratonas imaginárias. Comilões planejam dietas para a primeira segunda-feira do ano. Estressados prometem relaxar mais, embora as praias e estradas lotadas não ajudem. Todos se unem no exercício esperançoso de acreditar, ao menos por alguns dias, que 2014 será melhor.

Os apaixonados por livros não escapam dessa regra. Em 2014 leremos mais e melhor. Desbravaremos clássicos que nunca ousamos abrir e ainda teremos tempo para não perder os principais lançamentos. Ao menos é nisso que acreditamos hoje. Eu, ao menos, acredito. Divido com os leitores da coluna minha lista de promessas para o próximo ano. Para os que quiserem segui-las comigo e também para os que quiserem usá-la contra mim no fim de 2014, quando eu terei inevitavelmente fracassado. Aproveito para convidá-los para compartilhar  suas promessas literárias na caixa de comentários. Que ao menos algumas delas sejam cumpridas. E que em 2014 a leitura continue a nos dar prazer.

1. Ler todos os dias, sem falta

Num ano em que a Copa do Mundo se soma à nossa já grande lista de distrações, essa é uma promessa corajosa. A recompensa é proporcional ao esforço. Há quem simplesmente prometa ler mais. Há quem estabeleça uma quantidade mínima de livros para terminar no ano. São boas promessas, mas costumam falhar. Tornar a leitura um hábito diário é uma maneira de cumprir todas essas metas. Se você for seguir apenas uma resolução literária para 2014, que seja essa.

2. Espalhar mais livros

Não deixe sua estante lotar em 2014. Ajude a literatura a circular. Doe os livros que não pretende ler mais. Empreste livros para seus amigos, e não se incomode se eles não forem devolvidos logo. São raros os livros que temos tempo para reler. Se ao terminar de ler um livro você perceber que ele já cumpriu  sua missão, passe-o adiante. Ajude a leitura a se espalhar.

3. Conter o consumismo

Comprar livros é um vício quase tão prazeroso quanto ler. A maioria dos leitores que conheço costuma comprar mais livros do que é capaz de ler. O resultado são estantes abarrotadas, carteiras vazias e um vago sentimento de culpa. Resistir a todas as tentações é impossível. Continuaremos comprando livros em 2014. Mas não custa nada tentar conter os impulsos consumistas e lembrar que os livros precisam ser lidos. Não há diferença objetiva entre um livro parado na livraria e um livro parado na estante de casa.

4. Formar novos leitores

Podemos reclamar do governo, dos currículos escolares, da formação dos professores, dos preços dos livros e da falta de bibliotecas. Não faltam motivos para que a leitura não seja um hábito tão difundido no Brasil. Muito ainda precisa ser feito, mas os leitores podem ajudar. Em 2014, apresente os livros para alguém que ainda não tem o hábito de ler. Se cada leitor converter apenas um não-leitor por ano, em pouco tempo seremos um país de leitores.

5. Redescobrir o Brasil

O drible, de Sérgio Rodrigues, e Fim, de Fernanda Torres, foram paixões tardias para mim em 2013. Ao lado de outros lançamentos recentes, esses livros provam que a ficção brasileira contemporânea é boa e acessível o bastante para sair das panelinhas e conquistar um público maior. A literatura fantástica continua num excelente momento: autores como Eduardo Spohr, Raphael Draccon e Carolina Munhóz conquistaram um público fiel e devem continuar fazendo sucesso por muitos anos. Os livros infantojuvenis de autoras como Thalita Rebouças e Paula Pimenta continuam a vender centenas de milhares de cópias e cativar novos leitores. 2013 foi um ano excelente para a literatura brasileira. Que em 2014 os escritores brasileiros percam definitivamente a vergonha de vender, e que os leitores não tenham vergonha de comprar seus livros.

6. Conversar mais sobre livros

A leitura é um hábito solitário e silencioso, mas o silêncio e a solidão precisam ser interrompidos de vez em quando. Para quem está acostumado a guardar para si as alegrias da literatura e as divagações que os livros provocam, o próximo ano é uma chance de dividir essa paixão. Há outros leitores espalhados por aí. Descubra-os. Fale com eles. Cada conversa ajuda a reforçar o hábito da leitura, descobrir novos autores e compartilhar os livros que amamos.

7. Cumprir as promessas do ano passado

As melhores resoluções de Ano Novo são renováveis. Talvez você não tenha cumprido algum item da sua lista para 2013. Talvez tenha falhado em todos eles. Não importa. 2014 acolherá todas essas promessas – e mais outras, se estiver disposto a fazê-las. Nesse quesito, os leitores têm uma enorme vantagem sobre os comilões ou sedentários. O tempo é implacável: a cada ano que passa é mais difícil entrar em forma. Conosco, o efeito é o contrário. Os anos de leitura nos transformam em leitores melhores. Se você não conseguiu vencer aquele clássico da literatura este ano, estará mais preparado no ano que vem. Se não cumpriu suas metas de leitura, pode tentar novamente agora, com mais experiência. Quanto mais listas de resoluções de Ano Novo fazemos, maior é a chance de conseguirmos realizá-las. Jamais conseguiremos ler todos os livros que queremos, mas é um consolo saber que a cada ano estamos um pouco mais perto dessa meta inatingível. Não devemos deixar de acreditar em nossas promessas para 2014. O tempo está a nosso favor.

Sete presentes de Natal para apaixonados por livros

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As férias de fim de ano são uma ótima ocasião para descobrir (ou reencontrar) o prazer de ler

Danilo Venticinque, na Época

Há pouco tempo uma amiga me mostrou um site com sugestões de presentes de Natal para pessoas que amam livros. A lista era imensa, cheia de imagens e quase sem texto, como quase tudo o que é publicado na internet ultimamente. E, como quase tudo o que é publicado na internet, era uma lista inútil. Havia pesos de papel transparentes, marcadores de diversos tamanhos e formatos e os mais bizarros tipos de estantes. Tudo, menos aquilo que os leitores mais querem ganhar no Natal: livros.

Leitores são, por natureza, seres fáceis de presentear. Basta ir à livraria, passar alguns minutos olhando para as estantes e escolher algo que pareça ser remotamente interessante para quem receberá o presente. Não conhece a pessoa? Não tem problema. Invista na prateleira de lançamentos – ao menos a chance de dar um presente repetido é pequena, e você ainda será visto como alguém bem-informado. Se bater um desespero, peça ajuda a um livreiro. Eles são especialistas em encontrar o livro perfeito com base em informações fragmentadas e aparentemente inúteis. Não conhece seu amigo secreto, mas sabe que ele usa camisas xadrez, é publicitário e talvez torça para o Palmeiras? Não se preocupe. O livreiro encontrará algo para ele.

Dar e receber livros é uma das minhas maiores alegrias no Natal. Gosto até de receber livros que já tenho: é uma prova de que a pessoa que deu o presente me conhece bem e soube decifrar minhas preferências. Quando isso acontece, normalmente fico com o exemplar que ganhei de presente e repasso o que comprei. Dar livros é igualmente divertido. Se um amigo gosta de ler, é impossível errar no presente. Se ele não gosta, cada presente é uma chance de apresentá-lo ao prazer da leitura. Qualquer um pode aprender a gostar de ler. Basta encontrar o livro certo.

Para ajudar nessa tarefa, preparei uma lista com sete lançamentos recentes que podem ser bons presentes de Natal. São leituras prazerosas, feitas para agradar tanto aos fanáticos por livros quanto aos que ainda não fazem parte do time. Resistir é inútil. As férias de fim de ano são uma ótima ocasião para descobrir (ou reencontrar) o prazer de ler.

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11 – Manual prático de bons modos em livrarias (Seoman, 232 páginas, R$ 32)

Funcionária de uma livraria, Lilian Dorea narra algumas das situações mais inusitadas que viveu em seu trabalho.

Há clientes que entram na livraria e procuram a prateleira dos e-books.

Outros (muitos) tentam encontrar um livro sem saber absolutamente nada sobre ele.

E há até quem pergunte para um livreiro se a livraria vende livros.

As pequenas histórias foram publicadas originalmente num blog com o mesmo nome.

Ratos de livraria e compradores compulsivos de livros vão ler, rir e se identificar.

Leigos no assunto terão uma oportunidade divertida de conhecer um pouco melhor o mundo dos leitores.

 

 

12 – A anatomia da influência (Objetiva, 460 páginas, R$ 49,90)

O “canto do cisne” do crítico literário Harold Bloom é o livro mais imperdível do ano para apreciadores de crítica literária.

Aos 83 anos, Bloom revisita o ensaio A angústia da influência, que o tornou um dos críticos mais célebres do mundo nos anos 1970.

Ao contrário de muitos de seus colegas de profissão, Bloom tem uma prosa fluente e amigável.

Não é preciso ter concluído um doutorado para entender e apreciar o que ele tem a dizer.

 

 

 

 

 

 

 

13 – 1Q84 – trilogia completa (Alfaguara, 1280 páginas, R$ 119)

Best-seller internacional e eterno candidato ao Nobel de Literatura, o japonês Haruki Murakami é capaz de empolgar tanto os literatos quanto quem lê por diversão.

A trilogia 1Q84 é seu trabalho mais ambicioso.

Ao longo de três volumes e quase 1300 páginas, em clima de realismo fantástico, o autor narra a história do professor de matemática Tengo e da assassina de aluguel Aomame, cujas vidas se entrelaçam numa realidade paralela em Tóquio, em 1984.

 

 

 

 

 

 

 

14 – Se eu fosse um livro (Globinho, 62 páginas, R$ 46)

Fruto de uma bela parceria entre pai e filho, é uma ótima escolha para presentear crianças que gostam de ler.

O poeta português José Jorge Letria parte de uma premissa inusitada se perguntássemos a um livro sobre suas vontades, seus sonhos e suas expectativas em relação aos leitores, o que ele responderia?

Os poemas curtos e divertidos são ilustrados por André Letria, filho de Jorge.

 

 

 

 

 

 

 

 

15 – Ódio, amizade, namoro, amor, casamento (Biblioteca Azul, 360 páginas, R$ 44,90)

O Nobel de Literatura tradicionalmente premia escritores obscuros, cujo trabalho um leitor leigo nem sempre é capaz de apreciar.

A canadense Alice Munro é uma exceção: quando ganhou o prêmio, em outubro, já era uma contista conhecida internacionalmente, com textos que prendem e comovem qualquer leitor.

Esta coletânea de 2002, que acaba de ser republicada, é uma excelente introdução à sua obra.

 

 

 

 

 

 

 

 

16 – Como pensar sobre as grandes ideias (É Realizações, 576 páginas, R$ 98)

Autor de Como ler um livro (outro excelente presente de Natal), o filósofo americano Mortimer Adler usa clássicos da história da literatura como base para mostrar como a discussão dos grandes temas da humanidade (amor, justiça, morte, liberdade e dezenas de outros assuntos) evoluiu ao longo da história.

Baseado num programa de televisão veiculado nos anos 1950, o livro tem um tom amigável e coloquial.

É uma ótima maneira de começar a descobrir os clássicos da literatura, e um bom resumo para os já iniciados.

 

 

 

 

 

 

17 – O clube do livro do fim da vida (Objetiva, 296 páginas, R$ 37,90)

Quem acompanha a coluna há mais tempo já deve ter visto este livro por aqui. Will Schwalbe, ex-executivo de uma editora, conta a história dos dois anos em que acompanhou as sessões de quimioterapia de sua mãe, diagnosticada com câncer no pâncreas.

É um belo presente para quem gosta de livros e de histórias de vida emocionantes.

Alguém não gosta?

Falta contar vida de Mário de Andrade, dizem biógrafos; opção sexual seria obstáculo

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Fabio Victor, na Folha de S.Paulo

Quais vidas brasileiras dariam um livro que ainda não foi escrito? Alguns dos principais biógrafos do país reunidos num festival encerrado no domingo em Fortaleza consideram que a de Mário de Andrade certamente daria.

O escritor modernista nascido em 1893 e morto em 1945 foi, entre 31 figuras públicas nacionais, o mais citado no levantamento como merecedor de uma biografia.

Quatro biógrafos (Ruy Castro, Lira Neto, Humberto Werneck e Paulo César de Araújo) mencionaram a lacuna quanto ao autor de “Macunaíma”.

1Logo atrás, com três citações, aparece o poeta Manuel Bandeira (veja lista ao lado).

Há uma biografia de Mário a caminho. Diante do impasse quanto à lei que permite veto a biografias não autorizadas não se sabe se o trabalho, do jornalista Jason Tércio, será publicado.

Nesta quinta (21) uma audiência pública no Supremo Tribunal Federal começa a debater o tema.

Os herdeiros do escritor afirmam achar desnecessária uma biografia. O jornalista diz que pode publicá-la no exterior.

Pesquisadores comentam que a suposta homossexualidade de Mário de Andrade é o entrave ao aval da família. O sobrinho dele desconversa.

A tese voltou a ser levantada durante o festival de biografias realizado na semana passada em Fortaleza por autores como Humberto Werneck e Lira Neto.

“Eu sempre quis fazer um livro sobre Mário de Andrade, acho que ele é a figura mais importante da cultura brasileira no século 20. Não se pode fazer isso porque ele era veado e porque a memória dele, o acervo, tem proprietários”, disse Werneck durante um debate.

O jornalista Jason Tercio diz que tratará do assunto em sua biografia, mas sem ênfase. “Apesar de alguns teóricos, como João Luiz Lafetá, terem visto reflexos de homossexualismo em textos do Mário, esse aspecto da vida dele é o menos importante.”

“Minha conclusão até agora é que ele era pansexual. Aliás, uma vez ele disse ao Rosário Fusco que seria capaz de ter relação sexual com uma árvore”, relata Tercio.

A suposta homossexualidade do autor de “Pauliceia Desvairada” é apontada como gota d’água no rompimento dele com outro modernista, Oswald de Andrade.

Tercio lembra que Oswald escreveu que Mário de Andrade era “o nosso Miss São Paulo traduzido em masculino”.

Werneck, citando o historiador modernista Mário da Silva Brito, lembrou que Oswald se referiu em texto a Mário como “boneca de piche”.

O escritor Mário de Andrade (sentado ao centro) com alunos do Conservatório Dramático e Musical de SP (Divulgação)

O escritor Mário de Andrade (sentado ao centro) com alunos do Conservatório Dramático e Musical de SP (Divulgação)

Professora titular do IEB (Instituto de Estudos Brasileiros) da USP e curadora do Arquivo Mário de Andrade, Telê Ancona Lopez refuta a tese de que a sexualidade é o motivo de a família resistir a biografias. “É absurdo. A família do Mário não é burra. Isso é preconceito de quem pergunta.”

Apontada à boca miúda por pesquisadores como uma guardiã rígida do acervo de Mário de Andrade no IEB, Lopez disse que a biografia dele “está disseminada por aí”, em artigos e salas de aula.

Mas ela declarou não se opor à biografia de Tercio. “Eu o conheço. Acredito que venha a ser um bom trabalho, porque ele é um biógrafo conceituado.”

Editoria de Arte/Folhapress

Editoria de Arte/Folhapress

SETE ANOS

Assim como outros biógrafos brasileiros, Tércio aguarda o desfecho do impasse sobre as biografias não autorizadas para definir como fará com a sua obra sobre Mário.

Ações no Supremo Tribunal Federal e no Congresso tentam alterar artigos do Código Civil que permitem o veto a biografias não autorizadas.

Tercio mergulhou há sete anos na pesquisa sobre o modernista e começou a escrever o livro há três anos. Planeja concluir o trabalho no primeiro semestre de 2014.

Autor de uma biografia do jornalista Carlinhos de Oliveira (“Órfão da Tempestade”) e de livros sobre o deputado Rubens Paiva, Tercio diz já ter sondado editoras, mas aposta que qualquer negociação só seguirá após a resolução do imbróglio jurídico.

O biógrafo procurou os herdeiros de Mário e expôs a importância de uma biografia. “As cartas têm informações biográficas, mas passageiras e incompletas” e, “mesmo se já houvesse uma biografia, poderia haver outras, pela grandeza de sua vida e obra”. Não convenceu.

“A posição é a mais absurda entre todas as de herdeiros, não teria amparo legal, mesmo no Código Civil atual”, diz Tercio, que já tem plano B caso surja impedimento jurídico.

“Publico o livro em outro país e apresento denúncia em órgãos internacionais, como o PEN International e Index on Censorship”, diz, aludindo à associação de escritores e à ONG que denuncia violações da liberdade de expressão pelo mundo.

Sete dicas infalíveis para ler mais rápido

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E sete motivos para não segui-las

Danilo Venticinque na revista Época

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imagem: Catraca Livre

Com tantos livros para ler e tão pouco tempo para eles, é natural que cedo ou tarde entremos em pânico. Todo leitor enfrenta essa dura revelação em algum momento de sua vida. A lista de obras que queremos ler é imensa, nossa estadia nesta adorável biblioteca é finita e, infelizmente, jamais conseguiremos ler tudo. Alguns encaram a descoberta com resignação e começam a escolher melhor os livros que leem. Outros passam a dedicar ainda mais tempo à literatura, na tentativa de reduzir suas perdas. E há os que se negam a aceitar seu destino. Decidem trapacear. Se fossem cavaleiros medievais, desafiariam a morte para uma partida de xadrez. Como são leitores, entregam-se à leitura dinâmica.

 

Já sucumbi várias vezes a essa tentação. Depois de cada uma delas, me arrependi e voltei à minha velocidade normal de leitura. Numa das tentativas, comprei um livro intitulado Leitura dinâmica e memorização. Não terminei de lê-lo e não lembro de nenhuma das dicas. Já tentei assistir a aulas de leitura dinâmica no YouTube, mas percebi que seria mais produtivo sair do computador e usar esse tempo para ler. Num ato de desespero, peguei emprestado um CD com um curso de leitura dinâmica baseado em técnicas nebulosas de programação neurolinguística. Desisti quando o locutor disse “feche os olhos e visualize seus objetivos sendo alcançados”. Mantive os olhos abertos, fui até a estante e busquei um livro para “visualizar”. Continuo lendo com a mesma velocidade desde então.

 

A melhor frase que li sobre o assunto é de Woody Allen. ”Fiz curso de leitura dinâmica e li Guerra e paz em 20 minutos. É sobre a Rússia.” Poucas vezes uma hipérbole foi tão verdadeira. É, sim, possível aprender a ler mais rápido. Mas há limites. Os resultados positivos costumam ser frutos de uma escolha entre velocidade e perda de compreensão. Alguns leitores podem achar que a troca vale a pena. Outros podem preferir ler menos, mas melhor. Para ajudar nessa decisão, fiz uma lista com minhas sete dicas favoritas (e infalíveis) para ler mais rápido – e seus sete desagradáveis efeitos colaterais.

 

>> Outras colunas de Danilo Venticinque

 

1) Leia um livro por vez
Quanto mais caóticos forem nossos hábitos de leitura, mais custosa será nossa tarefa de lembrar dos detalhes de um livro e retomá-lo do ponto em que paramos. Não é raro que tenhamos de ler duas ou três vezes a mesma página até reencontrarmos o fio da história. Quando intercalamos dois ou mais livros diferentes, a confusão mental é ainda maior. Assim perdemos vários minutos de leitura que poderiam ter um destino mais nobre. Estabelecer uma rotina de leitura disciplinada e mergulhar em apenas um livro por vez é uma boa maneira de evitar esses lapsos e acelerar a leitura. Se você sentir uma vontade incontrolável de abrir outro livro antes de terminar o que está lendo, contenha-se. Force-se a ler apenas um livro por vez. Afinal, você quer ser rápido ou quer se divertir?

 

2) Nunca releia
A memória de um leitor é traiçoeira. Incontáveis vezes, entre uma página e outra, somos acometidos por dúvidas básicas sobre trechos que acabamos de ler. Por que Brás Cubas abandonou sua segunda namorada? Qual foi a primeira frase do príncipe Míchkin para Aglaia Epantchiná? Esse Aureliano Buendía é filho de quem mesmo? A única solução para questões desse tipo é retroceder na leitura e buscar as respostas em capítulos já vencidos. Quem sucumbe a essas tentações, porém, jamais será um verdadeiro praticante da leitura dinâmica. A ordem é avançar a qualquer preço. A mão que vira as páginas deve se movimentar sempre da direita para a esquerda, sem nunca percorrer o caminho contrário. Talvez o autor esclareça sua dúvida num capítulo seguinte. Talvez você tenha de buscar a resposta na Wikipédia, ou consultar um leitor menos disciplinado. Talvez você nunca tenha a resposta. Não importa. É melhor ganhar uma dúvida para a vida inteira do que perder alguns minutos de leitura.

 

3) Pesquise antes de ler
Quanto menos surpreendente for a leitura, menos tempo você terá de gastar com ela. Os segundos que desperdiçamos quando uma frase nos emociona ou quando ficamos chocados com uma virada no enredo são preciosos. Evite surpresas. Leia o índice, leia resenhas, consulte resumos, convença um amigo a estragar o final. Quando souber tudo sobre o livro, a leitura se tornará uma formalidade rápida e quase indolor. Livre-se dela como uma enfermeira arranca um esparadrapo. Você perderá a alegria de ser surpreendido por um grande livro, mas lerá muito mais livros do que seus amigos.

 

4) Segure sua língua
A maioria dos leitores tem o hábito de pronunciar, sem emitir sons, cada palavra que lê. Para os defensores da leitura dinâmica, poucos barulhos são tão incômodos quanto esse monólogo mental silencioso. A fala é muito mais lenta do que a visão. Se nos acostumarmos a ler sem subvocalizar cada palavra, leremos muito mais rápido. Há técnicas para conseguir isso. A mais eficiente é ocupar as cordas vocais durante a leitura. Há quem aconselhe o leitor a repetir a mesma palavra inúmeras vezes, recitar o alfabeto ou até zunir para si mesmo – tudo isso enquanto lê. O aumento na velocidade é instantâneo. O desconforto também. Fica muito mais difícil apreciar a sonoridade das frases. E pense na cara de desapontamento que o autor do livro faria se soubesse que sua grande obra seria lida em meio a zumbidos e mantras desconexos.

5) Leia grupos de palavras
Depois de domar suas cordas vocais, você estará pronto para o Santo Graal da leitura dinâmica. Em vez de ler uma palavra por vez, leia grupos de palavras. Frases e até linhas inteiras. Aprendendo a criar, processar e digerir esses blocos de informação, sua velocidade de leitura chegará ao ápice. Como nas outras dicas, a rapidez tem seu preço. Sem tempo para se dedicar a cada palavra individualmente, é impossível dar a atenção merecida às escolhas vocabulares do autor. Palavras desconhecidas permanecerão desconhecidas para sempre: retroceder para lê-las seria violar a regra do item 2 (Nunca releia). E nem pense em pegar um dicionário: além de ser uma enorme perda de tempo, é uma evidente violação da primeira regra (Leia um livro por vez). Um neologismo curioso ou um vocábulo exótico não são justificativas para interromper o fluxo da leitura. Siga em frente, em velocidade máxima.

 

6) Exercite a leitura seletiva
Às vezes a velocidade máxima não é o bastante. A saída, então, é procurar um atalho. Ou seja: atravessar trechos inteiros do livro sem lê-los. Está aborrecido com um trecho descritivo de um romance? Comece o próximo parágrafo. Não quer encarar um diálogo entre dois personagens que você odeia? Vire a página. Já entendeu o que um autor de não-ficção queria dizer, mas ele insiste em dar novos exemplos? Pule para o próximo capítulo. Se o tempo de leitura for muito curto, pode ser necessário recorrer a métodos ainda mais radicais. Leia as páginas ímpares e pule as pares. Leia só o índice, o começo e o final. Leia apenas a primeira frase de cada parágrafo e a última de cada capítulo. Essa última técnica é minha favorita. Recorri a ela com uma frequência vergonhosa. Quantos trabalhos de faculdade não nasceram desse tipo de leitura? E quantos deles não receberam boas notas, talvez porque o professor aplicava neles um método de leitura dinâmica semelhante ao meu? Só o resultado imediato importa. Pouco tempo depois, você se sentirá como se nunca tivesse lido o livro. Aliás, falando nisso…

7) Finja que leu
Se a leitura seletiva é comparável a uma conversão proibida na estrada, fingir que já lemos um livro equivale ao teletransporte. Numa coluna anterior, já disse que essa é a forma mais eficiente de leitura dinâmica. Para praticá-la de forma satisfatória, basta seguir pela metade a dica 3 (Pesquise antes de ler). Pesquise, mas não leia. Fale do livro com desenvoltura sem nunca ter folheado suas páginas. A maioria dos devotos desse tipo de leitura prefere preservar seus segredos, mas já fui apresentado a praticantes orgulhosos dessa técnica sobrenatural. Para eles, ler um clássico é uma perda de tempo. Basta se informar sobre o livro e, quando muito, ler as primeiras páginas para ter uma vaga ideia de qual é o estilo do autor. Seguindo essas dicas, qualquer um pode ler Guerra e paz em poucos minutos – e descobrir que o livro é, afinal, sobre a Rússia. A quase morte do príncipe Andrei e a introdução de Pierre à maçonaria não os deixarão maravilhados ou boquiabertos. Serão apenas verbetes soltos de enciclopédia, e não duas das mais belas cenas da história da literatura. Pouco importa. A velocidade de leitura é fundamental. O livro é só um detalhe.

 

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