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“Me fascina o passado parecer mais intenso que o presente”, diz John Banville

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Raquel Cozer, na A Biblioteca de Raquel

O irlandês John Banville, autor do lindíssimo “O Mar” (Nova Fronteira), vencedor do Man Booker Prize 2005, vem neste ano para Flip, o que levou a Globo a programar seu romance mais recente, “Luz Antiga”, para junho. Minha entrevista com ele para o texto da Ilustrada foi motivada por outro lançamento, de “O Cisne de Prata” (Rocco), dentro da série de policiais que assina com o pseudônimo Benjamin Black. Falo um pouco do livro no link acima.

Desde 2006, quando começou a lançar policiais como Benjamin Black, inspirado pelos romances do belga Georges Simenon (1903-1989), Banville quase não escreve como Banville. Além de “Luz Antiga”, lançou só “Os Infinitos” (Nova Fronteira), que nem faz jus ao escritor que ele é. No mesmo período, foram sete livros como Black, com mais um previsto para este ano.

Em resumo, ele sofre mais para escrever como Banville, obcecado pela frase perfeita, e não vende tanto assim. Como Black, escreve com facilidade, sem nenhuma ambição de ser artista, e lidera listas de mais vendidos. É assim que funciona e, ele diz, é absolutamente natural.

Ele fala também sobre as especificidades de seus romances policiais, a “conversão” a Benjamin Black e a Wikipedia, entre outros temas, na entrevista abaixo, concedida por e-mail.

Foto de Beowulf Sheehan

Foto de Beowulf Sheehan

Em vez de centrar a história no ponto de vista de Quirke, o protagonista, “O Cisne de Prata” alterna capítulos na voz dele com as de outras personagens, incluindo a vítima. O resultado é que os leitores acabam sabendo muito mais do que o personagem que investiga a história. Por que optou por esse formato?
Acho romances policiais fascinantes do ponto de vista técnico. Nesse livro, foi interessante alargar a perspectiva e trazer, embora obliquamente, as vozes, ou ao menos as sensibilidades, de outros personagens. E com isso fazer Quirke desconhecer detalhes que outros personagens, e os leitores, sabem. Mas, enfim, Quirke geralmente progride por meio da ignorância dos fatos. O que admiro nele como protagonista é que ele não é um superdetetive. Se você quer o oposto de Sherlock Holmes ou Hercule Poirot, esse é Quirke. Ele é um pouco estúpido, como o resto de nós –humanos, em outras palavras. (mais…)

Biblioteca australiana diz que livro de Armstrong na seção de ficção foi trote

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Aviso colocado na biblioteca de Manly, em Sydney,na Austrália (Foto: Reprodução / Daily Mail)

Aviso colocado na biblioteca de Manly, em Sydney,
na Austrália (Foto: Reprodução / Daily Mail)

Publicado no Globo Esporte

A notícia de que uma biblioteca em Sydney, na Austrália, mudou todos os livros sobre o ex-ciclista Lance Armstrong para a seção de ficção, depois que o americano confessou ter se dopado e, assim, não teria vencido a Volta da França sete vezes seguidas, virou assunto pelo mundo. Mas nesta segunda-feira, a biblioteca de Manly revelou que sofreu um trote e que uma investigação interna será instaurada.

– Bibliotecas não podem arbitrariamente reclassificar as categorias dos livros, porque isso depende do número ISBN que é emitido pela Biblioteca Nacional – disse um porta-voz do Conselho de Manly, que administra a biblioteca, à agência de notícias Reuters.

Um aviso impresso, com uma proteção plástica, foi colocado em uma das prateleiras do local informando que os livros “Lance Armstrong: Imagens de um Campeão”, “O Programa de Treinamento de Lance Armstrong” e “Lance Armstrong, O Maior Campeão do Mundo” seriam movidas da parte de “autobiografias recomendadas” para o setor de ficção da biblioteca.

Dica do João Marcos

Livro conta história de sete bibliotecas espalhadas pelo mundo

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Silvia Oberg, na Folhinha

Quantos livros cabem na biblioteca de sua escola ou de seu bairro?

No livro “Bibliotecas do Mundo” cabem sete bibliotecas inteiras… Ou melhor, sete histórias de bibliotecas, de tempos e de lugares diferentes, contadas por narradores muito especiais e ilustradas por diversos artistas.

A filósofa Hipátia, que nasceu no ano 355, apresenta a biblioteca de Alexandria, do Egito Antigo. O menino José Joaquim conta como ajudou a trazer de Portugal, nas caravelas, os livros da Biblioteca Nacional, que fica no Rio de Janeiro. O sapo de um conto de fadas escapa das páginas para nos falar da Biblioteca Nacional da Juventude, criada depois da Segunda Guerra Mundial, na Alemanha.

Ilustração do livro "Bibliotecas do Mundo"  (Divulgação)

Ilustração do livro “Bibliotecas do Mundo” (Divulgação)

Os burrinhos Alfa e Beto contam suas andanças por uma região pobre da Colômbia, levando livros no lombo, conduzidos por um professor que acha importante que todos possam ler. Ele inventou a Biblioburro.

Essas são só algumas das histórias do livro, mas vale a pena ler todas.

Se você se divertir, vai gostar mais ainda de visitar uma biblioteca. Minha dica é a Monteiro Lobato (r. General Jardim, 485, Vila Buarque), especializada em livros para crianças e adolescentes. É a mais antiga biblioteca infantil em funcionamento no Brasil.

Que tal ir até lá depois de ler este livro?

Catálogo digital de editoras mais que dobrou em 2012

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Raquel Cozer, na Folha de S.Paulo

O ano que está acabando vai entrar para a história como aquele em que as grandes editoras brasileiras enfim descobriram o livro digital.

Foi um longo percurso desde 2009, quando a Zahar se tornou a pioneira entre as grandes no segmento –àquela altura só com títulos em PDF, formato simples que hoje as empresas rejeitam.

Com a iminência da estreia das lojas da Amazon, do Google e da Apple, concretizada neste mês, as editoras trataram de multiplicar seus catálogos digitais em 2012.

A Saraiva, que em dezembro de 2011 vendia 6.500 e-books nacionais, agora oferece 15 mil, média similar à de suas novas concorrentes.

Folha consultou 12 das maiores editoras do país sobre a evolução de seus catálogos. Sete delas (Globo, Sextante, LeYa, Companhia das Letras, Intrínseca, Objetiva e Novo Conceito) mais que dobraram seu número de títulos digitais em 2012 –a Companhia triplicou, de 200 para 600.

A Zahar, que começou antes, é a editora com maior parcela de títulos convertida, 547 de um total de 849 (64%). A LeYa vem em seguida, com 150 de seus 280 títulos (54%).

Será mais difícil para casas de catálogo rechonchudo como a Record, que, apesar do bom número bruto –388 obras em e-books–, só converteu 5% dos 7.500 que compõem seu portfólio.

Outra novidade foi que em 2012 as editoras passaram a lançar títulos nos dois formatos sempre que o contrato permite, em vez de reservar o digital para casos isolados.

O faturamento com o digital não costuma passar de 2% do total, mas há exceções. Com só um quarto de seu catálogo convertido (293 de 1.200 títulos), a Objetiva diz que os e-books já rendem 4% de seu faturamento total.

Esse número foi impulsionado por obras como “O Poder do Hábito”, de Charles Duhigg. Em dez semanas, foram 1.435 e-books -número que não faria feio nem se se referisse a livros impressos.

No mesmo período, o título teve 13.958 cópias vendidas na versão em papel. Ou seja, a comercialização do e-book equivaleu a mais de 10% da impressa, um caso raro.

O desafio agora é lidar com preços. Na estreia da Amazon no Brasil, predominaram entre os mais vendidos editoras independentes, com e-books a menos de R$ 5 –a KBR pôs todos a R$ 1,99. A maioria dos e-books das grandes editoras custa de R$ 20 a R$ 30.

Editoria de Arte/Folhapress
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