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O acervo digital dos Estados Unidos vem aí

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Lucas Ferraz, na Ilustríssima

Diretor do complexo de bibliotecas da Universidade Harvard comenta o lançamento da Biblioteca Pública Digital dos EUA, em abril, que vai pôr em rede o acervo em domínio público de dezenas de bibliotecas acadêmicas. Criado como antítese do Google Books, o projeto da DPLA é financiado por recursos privados.

O iluminismo é o principal tema de estudo do historiador americano Robert Darnton, 73, autor de vários títulos sobre como a difusão do conhecimento alimentou revoluções no século 18. É de certa forma inspirado nos ideais dos enciclopedistas que Darnton comanda ele também uma revolução.

Como diretor do imenso complexo de bibliotecas da Universidade Harvard, ele encabeça a criação da DPLA (Digital Public Library of America, sigla para biblioteca pública digital americana), que a partir de abril vai reunir e compartilhar gratuitamente na internet o acervo e obras de milhares de bibliotecas e universidades do país.

A DPLA é a resposta de Darnton e da academia à violação de direitos autorais representada pelo Google Books, que lucra com os livros repassados para a rede. “Vamos fazer diferente”, diz Darnton, que vê a biblioteca digital como o seu projeto mais ambicioso, algo a ser feito “por séculos”.

Robert Darnton no auditório da Folha, em São Paulo, em setembro de 2012 (Jorge Araujo - 28.set.12/Folhapress)

Robert Darnton no auditório da Folha, em São Paulo, em setembro de 2012 (Jorge Araujo – 28.set.12/Folhapress)

O debate em torno do livro na era das tecnologias digitais foi tema de “A Questão dos Livros”, coletânea de textos que lançou no Brasil em 2010, pela Companhia das Letras. Pela mesma editora, lançou no ano passado “O Diabo na Água Benta”, no qual aborda outro assunto importante em sua produção intelectual, o jornalismo –em especial, a imprensa clandestina que veiculava insultos e difamações mas também denúncias políticas de um e outro lado do canal da Mancha no século 18.

Irmão e filho de jornalistas, diz manter o encanto pelo ofício, que chegou a exercer nos anos 1960: foi repórter de polícia do “The New York Times” e teve como colega de editoria um dos maiores jornalistas americanos vivos, Gay Talese –de quem diz não ser muito fã.

Em seu escritório na Wads- worth House, no campus de Harvard, onde recebeu a Folha para esta entrevista, Darnton comentou algumas obras que retratam a história do jornalismo nos Estados Unidos. Seu pai, Byron Darnton, é citado em várias delas. Ao cobrir para o “New York Times” a Segunda Guerra Mundial (1939-45) no Pacífico, Byron foi atingido num bombardeio e tornou-se um dos primeiros jornalistas americanos mortos no conflito.

Folha – Como estão os preparativos para o lançamento da DPLA, que o sr. anunciou para abril?

Robert Darnton – Não queremos gerar falsas expectativas: de início não teremos todo o material digitalizado. Levará tempo. Teremos 2 milhões de livros liberados pelo domínio público. Vamos começar modestamente. Espero que cresça mais e mais. É um trabalho que deve ser feito por séculos.

O início envolve a digitalização de coleções especiais, principalmente as de Harvard. Temos uma enorme quantidade delas nas 73 bibliotecas da universidade, são mais de 18 milhões de volumes. Estamos escaneando livros, manuscritos e fotografias de diferentes assuntos.

Há acervos sobre mulheres, imigrações e obras sobre doenças epidêmicas, por exemplo; e há coleções históricas importantes, sobre a era medieval e sobre fotografia, com imagens da Lua e da escravidão, como fotos de escravos que nasceram na África e foram levados para os EUA.

Qual o maior problema que estão encontrando?

Montamos um escritório para discutir a questão legal e convidamos pessoas de diferentes instituições, de várias partes do país, que costumam enfrentar o mesmo tipo de problema: o óbvio, dinheiro, além de dúvidas relativas à tecnologia, à organização, ao conteúdo digitalizado e ao público que vai utilizar tudo isso. Mas a questão legal é a mais importante. Não podemos violar os direitos autorais.

A ideia é que a DPLA seja a antítese do Google Books?

Exatamente. O Google tenta fazer a mesma coisa, mas sob a lógica do lucro. O Google veio a Harvard para discutir a cópia de livros, quando eles começaram a digitalização. Eles também foram à NYPL (sigla em inglês da Biblioteca Pública de Nova York) e às universidades Stanford, do Michigan e da Califórnia.

Harvard disse que eles poderiam digitalizar alguns livros –aqueles em domínio público, não os protegidos por lei. Mas as demais universidades deram permissão para que copiassem o que quisessem, e eles começaram a fazer isso.

A Liga dos Autores e a Associação Americana de Editoras foram à Justiça contra a empresa. Após três anos de negociação secreta, fecharam um acordo com o Google, mas a Justiça de Nova York vetou, por entender que infringia a lei de direitos autorais.

Vamos fazer diferente, não vamos ganhar dinheiro, queremos apenas servir o público com livros abertos na internet.

Quantas bibliotecas e universidades americanas terão acervos digitalizados na DPLA?

Não tenho ainda um número certo, mas são milhares. Todas as bibliotecas abertas para pesquisa no país estarão envolvidas. Mas levará tempo: no início, serão todas as que já têm material digitalizado. Obviamente, todas que tiverem coleções anteriores a 1923 poderão participar.

A DPLA poderá usar livros publicados após 1923, se autores e editoras concordarem com a abertura das obras na internet, gratuitamente?

Sim, temos um programa para tentar convencê-los a ceder obras para a base da DPLA. Muitos livros deixam de ser lidos após alguns meses no mercado; eles morrem. Autores, claro, querem leitores. A maioria das obras não tem valor financeiro cinco ou seis anos depois da publicação, e os proprietários dos direitos podem ficar felizes ao ver seus livros disponíveis.

O fato de que as universidades e instituições envolvidas no projeto da DPLA tenham visões diferentes sobre o futuro do livro e sobre como usar a internet não é um problema?

É um problema potencial. Mas há coisas sendo feitas. Há uma coalizão de fundações, que vão nos prover dinheiro, e há as bibliotecas e universidades, que vão disponibilizar os acervos.

Estamos concebendo uma estrutura tecnológica que permita harmonizar todas as coleções digitais em um mesmo sistema. Superada essa questão, será o momento de reunir livros e coleções, por exemplo, do Alabama e da Dakota do Norte numa mesma base. É muito trabalho.

O site já está funcionando experimentalmente, mas ainda não há nada aberto ao público. No dia 18 de abril vamos lançá-lo com uma cerimônia na Biblioteca Pública de Boston.

O governo norte-americano não apoia a DPLA?

Não, é um projeto completamente independente do governo, gerido por fundações privadas. Não há envolvimento público.

A principal política, mesmo nas universidades privadas como Harvard, é abrir as bibliotecas para compartilhar conhecimento intelectual ao redor dos Estados Unidos e do mundo.

É difícil para as pessoas da Europa ou da América Latina compreenderem, porque muita gente fora dos EUA, para tocar esse tipo de projeto, depende do governo. Mas este é um país em que não devemos ter fé no governo ou no Congresso para prover um bom serviço gratuito ao público.

Sem nunca ter lido um livro ‘grande’, Leandro, do KLB, estreia na Assembleia

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Laura Mattos, na Folha de S.Paulo

Ele nunca leu um “livro grande” e não entende de política. É do PSD, o partido de Kassab, mas o que importa mesmo são outras três letras. “Sigla para mim é só KLB.”

Em 1º de fevereiro assume, ou melhor, estreia na Assembleia Legislativa de São Paulo o deputado estadual Leandro do KLB, 30 anos.

Na eleição de 2010, Leandro Finato Scornavacca recebeu pouco mais de 62 mil votos. Ele chega ao cargo depois que o titular, Ary Fossen (PSDB), morreu e outros três suplentes renunciaram para assumir prefeituras do Estado.

Tomou posse no último dia 3 e foi clicado pela imprensa com um estranho visual: terno e gravata. “Vou ter que usar só no plenário. Fora, pode roupa normal”, conta.

Marlene Bergamo/Folhapress
O cantor e agora deputado Leandro, do KLB, durante entrevista à *Folha* na Assembleia paulista
O cantor e agora deputado Leandro, do KLB, durante entrevista à Folha na Assembleia paulista

Com 12 anos de carreira artística e cerca de 5 milhões de CDs vendidos, Leandro está aprendendo a circular pelos corredores da Assembleia. Não se perde mais no caminho do seu novo gabinete, o 1.020, que está sendo decorado pela mãe.

Ele não conhece os detalhes da decoração, mas sabe que terá uma imagem de São Miguel Arcanjo, de quem é devoto. O santo, aliás, será tatuado no bíceps direito do deputado. No tríceps está o logotipo do KLB. Já no braço esquerdo, tem Jesus no tríceps e “The Twilight Zone”, uma série de TV, no bíceps.

Leandro é boxeador profissional, treinado pelo conceituado Miguel de Oliveira, ex-Maguila. Apesar de não participar de campeonatos, faz sparring, ou seja, ajuda no treinamento de pugilistas famosos.

Seu nariz todo mole, com a cartilagem quebrada em diversos pedaços, já passou por Popó, Vitor Belfort e outros.

Desde criança, Leandro gosta de esportes. Já os estudos não são o seu forte. Repetiu as 2ª e 5ª séries (hoje 3º e 6º ano do fundamental) e foi expulso de escolas “várias vezes”. “Era bagunceiro, não estudava muito, explodi os banheiros da escola.”

Nesse tempo de colégio, leu os livros obrigatórios, “aqueles pequenininhos”. “Mas não considero como livros, eram finos, não se aprofundavam tanto no tema. Livro grande mesmo nunca li.”

Ele tem três na prateleira que já começou a folhear, mas não consegue terminar: o best-seller “A Cabana”, de William P. Young, “O Príncipe”, de Maquiavel, e um “de mistério, assassinatos”, de que não se lembra o nome.

Não acredita que o fato de não ler e de não ter feito faculdade atrapalhe o seu trabalho como deputado. “Não faz a menor diferença. Embora a leitura seja importante, a gente tem a oportunidade de viajar o Brasil inteiro, de conhecer as pessoas, os lugares e suas dificuldades.”

Ele e seu irmão Kiko (o K do KLB) entraram na política a convite de Kassab. Em 2011, para deixar o DEM e fundar o PSD, o ex-prefeito de São Paulo usou a estratégia de convidar famosos.

Após uma campanha contra a pedofilia, Leandro diz que irá “defender a família e as crianças”. Para isso, quer “chamar as pessoas certas e elaborar um projeto”.

E não se importa com a indefinição do partido, ora de braços dados com o PT, ora com o PSDB. “Nem sabia disso. Para mim, não muda muito o lado, não tenho esquerda ou direita. Sou como um cidadão qualquer aí fora e só quero dar o melhor de mim.”

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