Canal Pavablog no Youtube

Posts tagged Simone

Simone de Beauvoir: defensora da emancipação feminina do século 20

0

Publicado no Terra

Escritora Simone de Beauvoir, em foto de 22 de abril de 1983, em Paris Foto: AFP

Escritora Simone de Beauvoir, em foto de 22 de abril de 1983, em Paris Foto: AFP

Tanto pelo lado do pai, Georges Bertrand de Beauvoir, nascido no coração do faubourg Saint-Germain, o bairro do alto patriciado parisiense, como pelo lado da sua mãe, Françoise Brasseur filha de um banqueiro de Verdum, a jovem Simone de Beauvoir não teria nada a reclamar da vida. Pertencia por assim dizer ao que os franceses chamam crème de la crème.

 

Desde que nascera em 9 de janeiro de 1908, fora cercada pelos carinhos da família bem como por uma atenta ama que lhe satisfazia os caprichos. Com exceção de alguns acessos de fúria comuns a uma menina mimada que divertiam sempre o seu pai – considerava-a jocosamente como ‘ insociável’-, nada indicava que no íntimo da encantadora filhinha, mais do que bem-nascida, se gestava a mais profunda defensora da emancipação feminina do século 20, quiçá de todos os tempos.

 

Ainda entrando na adolescência percebeu que sua inteligência pairava sobre a das suas colegas de escola e outros parentes próximos, o que a levou a uma crescente solidão da qual poucos a tiravam, como sua amiga dileta Elizabeth Le Coin (Zaza) e, mais tarde, aquele que lhe serviu inicialmente como tutor intelectual, o seu primo Jacques Champigneulle (que a apresentou aos poemas de  Mallarmè e outros modernistas menos enigmáticos assim como os pintores da moda).  O pai, ainda que advogado e funcionário graduado sem maiores ambições, era um leitor compulsivo e amante do teatro e das representações domésticas quando revela seu discreto lado histriônico, certamente a influenciou na sua inclinação pelo abstrato e no gosto pelos livros.

 

Bem ao contrário da maioria das meninas e moças da sua classe social e do seu tempo que seguiam obedientes os ditames e os interditos de uma educação católica e aos mitos de um ‘cristianismo místico’ que tinha por fim formar boas e ‘respeitáveis esposas’, ‘mulheres direitas’, dóceis e crentes. E se isto não fosse alcançado, lhes restava a solteirice ou o convento.

 

O futuro que a aguardava não as fazia escapar de um matrimônio arranjado (sim, mesmo na Paris do século 20, as famílias católicas tramavam casamentos de conveniência), administração do lar, filhos, festas e férias com a família, etc., causou-lhe crescente aversão.  Indignou-se que os interditos feitos às mulheres em geral não era estendidos aos homens, como se eles pertencessem a outro planeta.

 

Os primórdios desta sua trajetória rumo à emancipação completa (negou-se a casar, ser dona de casa e a ter filhos) acha-se  magistralmente relatado no livro Mèmoires d’une jeune fille rangèe, ‘Memórias de uma moça bem comportada’, de 1958, escrito na plena maturidade da autora.

 

Este magnífico livro, que contou com afiada lembrança da autora, é literatura de alta elaboração. Serviu não apenas como testemunho da façanha pessoal dela em enfrentar os condicionamentos sócio-religiosos de uma época ‘ e o destino abjeto que a aguardava’. Funcionou, por igual, como uma espécie de roteiro no qual milhares de outras tantas mulheres, suas leitoras, dispersadas pelo mundo Ocidental, se inspiraram. Insatisfeitas com o dia-a-dia que as decepcionava, recorreram à trajetória oferecida por Simone. O ‘eterno feminino’, tão alardeado pelos românticos e outros místicos, tinha um propósito conformista. Uma capsula ideológica que obrigava as mulheres seguirem comportadas conforme o que o mundo masculino determinara. Era preciso romper com aquilo.

 

 Por certo inconscientemente ela seguia só propósitos dos famosos versos de Lou-Andreas Salomé (1850-1937), umas raras mulheres admitidas como igual num meio majoritariamente masculino como aquele liderado por Sigmund Freud em Viena. Os versos de Lou praticamente são uma convocação à ação das mulheres:

 

Ouse, ouse… ouse tudo!!

 

Não tenha necessidade de nada!
Não tente adequar sua vida a modelos,
nem queira você mesmo ser um modelo para ninguém.
Acredite: a vida lhe dará poucos presentes.
Se você quer uma vida, aprenda… a roubá-la!
Ouse, ouse tudo! Seja na vida o que você é, aconteça o que acontecer.
Não defenda nenhum princípio, mas algo de bem mais maravilhoso:
algo que está em nós e que queima como o fogo da vida!!

 

– Lou Salomé – Reflexões sobre o problema do amor.

 

A partir de Simone, milhares passaram a ambicionar uma vida diferente do que lhes programava a família e a sociedade. Queriam independência, ser autônomas, ter sua profissão, seu sustento próprio, buscavam a felicidade e não a comodidade do lar sem sal em que a maioria delas vivia. Insistiam, como Simone o fez, no prazer de querer viver, ‘ de estar no mundo’, de escolher e traçar elas próprias os caminhos a seguir em sua existência, ainda que assumindo os riscos  decorrentes disto.

 

 Os primeiros passos:

 

“Inaugurei minha nova existência subindo as escadas da Biblioteca Sainte-Geneviève…”

 

O convento de Saint-Geneviève, na Place du Panthéon,  desativado pela Revolução de 1789, ficou sem destino por um bom tempo até que a prefeitura de Paris encarregou o arquitetor Henri Labrouste de transformar o belo prédio numa biblioteca. Obra realizada entre 1838-1858. Nenhuma solução poderia ser melhor. Foi neste local magnifico com um impressionante acervo, não muito distante de onde Simone residia, que se transformou no templo da cultura da jovem estudante.

 

Subir aquelas escadas, disse a escritora, foi o passo mais decisivo em sua vida. Lá, na sala de leitura, devorando a ‘Comédia Humana’ de Balzac, e uma quantidade incontável de tantos outros clássicos, começou a ser forjada uma das mais brilhantes cabeças do século 20. O contato dela com os grandes textos fez com que ela se sentisse suficientemente apta a frequentar as rodas intelectuais masculinas. Aquele seria o mundo dela.

 

Seus pais não faziam gosto dela seguir carreira no meio intelectual, mas não lhe criaram obstáculos maiores quando ela se decidiu seguir o Caminho das Letras. Formou-se em Filosofia e a seguir preparou-se para o aggregation, o rigoroso concurso público feito para o ingresso na Normale Supe, a École Normale Superieur, a mais prestigiada entidade francesa para as áreas humanas e científicas (Louis Pasteur e o filósofo Henri Bergson foram um dos tantos gênios que por ela passaram) que formava a elite intelectual do país.

 

Três outros também candidatos, Paul Nizan, Jean-Paul Sartre e René Maheu (este, ainda que casado, fora um espécie de namorado de Simone) compunham um grupo apartado do restante. (*)

 

Inteligentíssimos, sentiam-se a elite, aristocratas do pensamento. Os crescentes contatos que a jovem recém-formada fez com que reconhecessem nela uma parceira digna de privar com eles. Sartre sugeriu aos outros dois que Simone, então com 21 anos, fizesse uma apresentação privada de Leibniz para ajudá-los nas provas. Simone confessou que Sartre foi o primeiro homem que ela conhecera a intimidara intelectualmente.

 

 Àquelas alturas ela já se indignava que o aborto fosse considerado crime, rejeitava as hierarquias, os valores correntes e as cerimônias que distinguiam a elite, assim como a frivolidade dos amores burgueses. Sentiu então uma forte compulsão para colocar em palavras este sentimento cada vez mais ativo de rebeldia. Nascia a escritora.

 

Aprovados, Simone e Sartre, aquelas duas almas gêmeas fizeram um pacto (sentados num banco do Jardim Luxemburgo) de não se casar, de não ter filhos e de se dedicarem inteiramente à filosofia. Seu compromisso era um Pacto pela Liberdade, uma relação aberta que rejeitava qualquer amarra que os afastasse da atividade de pensar e naturalmente da escrita. Na época foi um escândalo. Admitiam que um marido ou uma esposa tivessem amantes, mas jamais que um homem pudesse viver maritalmente com uma mulher das classes médias de estar com ela sem registro passado por um juiz de paz ou a benção de um sacerdote.

 

Como palavra de ordem deixada às demais mulheres, Simone escreveu no seu famoso ensaio ‘O Segundo Sexo’: “Nós não nos deixaremos intimidar pelos ataques violentos dirigidos à mulher nem deixar-se levar pelos elogios interesseiros que são destinados à ‘ verdadeira mulher’…. (“Deuxième sexe” : l’Introduction, La femme indépendante )

 

(*) Paul Nizan aderiu ao Partido Comunista, com quem rompeu  em 1939 e morreu um ano depois como soldado francês em Calais quando se deu a invasão alemã de 1940. Maheu tornou-se um alto burocrata que chegou a dirigir a UNESCO e Jean Paul Sartre, tornou-se Sartre.

Biografia compara Sartre e Simone de Beauvoir aos amantes cruéis de Laclos

0

Jones reserva revelações capazes de chocar ainda mais que a hiperatividade sexual da dupla

Antonio Gonçalves Filho, no Estadão

A rigor, os casos extraconjugais dos filósofos Jean-Paul Sartre (1905-1980) e Simone de Beauvoir (1908-1986) são por demais conhecidos para surpreender seus leitores. Felizmente, para esses, a biógrafa e historiadora escocesa Carole Seymour-Jones reserva outras revelações capazes de chocar ainda mais que a hiperatividade sexual da dupla, além de oferecer uma ousada análise da “necessidade simbiótica de Beauvoir e Sartre um pelo outro”, firmada num pacto que durou meio século e passou como um trator sobre os amantes do casal. Carole Seymour-Jones foi atrás de alguns deles, que sobreviveram à crueldade dos dois pensadores franceses, comparados pela biógrafa aos personagens centrais do romance de Chordelos de Laclos, As Ligações Perigosas, a marquesa De Merteuil e o visconde de Valmont, dois pérfidos aristocratas que usam e humilham seus amantes. Tanto que batizou seu livro de Uma Relação Perigosa, que chega às livrarias no dia 17.

Divulgação A biógrafa Carole Seymour-Jones

Divulgação
A biógrafa Carole Seymour-Jones

A exemplo da dupla do romance epistolar do século 18, Sartre e Simone de Beauvoir manipulavam suas conquistas e ainda usavam as vítimas como personagens em seus livros. Foi assim que uma jovem aluna de 17 anos, Olga Kosackiewicz, vinda da Rússia, acabou inspirando o primeiro romance de Simone de Beauvoir, A Convidada (1943). Sem pretender ser original, ela conta no livro a relação de dois intelectuais, abalada pela formação de um triângulo amoroso com uma estudante. Dois anos depois Olga migrou para uma das mais conhecidas obras de Sartre, A Idade da Razão (1945), em que um professor de filosofia deve bancar o aborto de sua amante, pretexto para Sartre discutir conceitos como liberdade e existencialismo.

Garoto feio. Deslumbrada com a professora progressista, cheia de ideias libertárias – posteriormente exploradas no clássico O Segundo Sexo (1949) –, Olga caiu na rede de Simone, pulando de sua cama para a de Sartre. Esse esquema, de seduzir as alunas para o companheiro (os dois não moravam juntos), foi repetido inúmeras vezes, mas Olga acabou levando o filósofo à loucura. Essa obsessão despertou ciúme na companheira. Contudo, o padrão de relacionamento aberto continuou. Sartre se considerava feio demais para caçar sozinho suas presas. Quando pequeno, sua mãe tentava disfarçar o estrabismo do filho deixando crescer seus cachos loiros, até que o avô, cansado de ver o neto ser confundido com uma menina, levou-o ao barbeiro.

Albert Camus, que pretendia escrever uma enciclopédia de ética com Sartre, até ousou criticar a ação predatória do promíscuo amigo (com quem rompeu em 1952 por divergências políticas). Recebeu como resposta do filósofo um rosto marcado pela feiura e uma pergunta de volta: “Você já deu uma olhada na minha cara?”. Sartre era um Cyrano em busca de uma Roxane virgem para compensar o aleijão. A biógrafa, para quem o físico de Sartre determinou sua conduta, revela uma carta em que Sartre admite ser um “canalha desprezível”, um “funcionário público sádico e nojento”. Camus, ao contrário, era bonitão e namorava mulheres lindas (como as atrizes Catherine Sellers e Maria Casarès). Além disso, era melhor romancista que Sartre, um homem de ação comprometido com a Resistência. Sartre viu nele o combatente que aspirava ser, segundo a biógrafa. Camus não pegou em armas, mas arriscou a vida, escrevendo contra os nazistas, enquanto Sartre bebia com os oficiais alemães, de acordo com Carole Seymour-Jones.

O período da Ocupação alemã é o ponto nevrálgico da biografia de Sartre e Simone de Beauvoir. Ambos continuaram a viver confortavelmente em Paris durante o período em que os alemães desfilavam suas fardas e arrogância pela capital francesa. Sartre comprava comida no mercado negro e não hesitou em tomar o posto de um professor judeu no Liceu Condorcet, Henri Dreyfus Lefoyer (sobrinho-neto do famoso capitão Alfred Dreyfus), destituído do cargo durante a Ocupação. A biógrafa não o acusa de frequentar os salões dos nazistas, mas lembra que existiam outras escolhas a fazer. E, como para reafirmar o compromisso de Sartre com a própria obra, ela cita a noite de 3 de junho de 1943, quando inúmeros nazistas uniformizados brindaram ao sucesso da peça As Moscas, de Sartre, no teatro de Charles Dullin, considerado “deutschfreundlich” (amigável) pelos alemães. Marc Bénard, que esteve preso com o filósofo, reconheceu Sartre retribuindo os brindes dos alemães. Ele mesmo enviou o texto da peça aos censores nazistas, garantindo não existir “nada antigermânico” nela.

Político. A biógrafa usa a relação de amizade de Camus e Sartre para mostrar justamente que entre os dois era impossível estabelecer um vínculo frouxo como o do filósofo com os alemães ou suas amantes. Era tudo ou nada. Camus não foi um teórico, mas um ativista político bastante crítico em relação aos crimes de Stalin. Sartre, neutro sobre Vichy, também silenciou sobre a ditadura soviética mesmo quando o mundo já conhecia a história dos dissidentes russos, permanecendo um apologista do regime comunista. Se, ao tomar o lugar de Dreyfus durante a Ocupação, ainda que temporariamente, ele tirou proveito das leis raciais de Vichy, que proibiam professores judeus de lecionar – mesmo não precisando do emprego –, ao defender a indefensável ditadura do proletariado, Sartre admitiu que Camus foi o verdadeiro combatente da Resistência.

O que sobra do mito é pouco, depois da demolição conjunta de Sartre e Simone. Carole Seymour-Jones insinua que o romance do filósofo com uma agente da KGB, Lena Zorin, foi mais que um caso passageiro. Foi, segundo ela, a submissão final de um homem de natureza servil ao regime soviético. Raymond Aron, colega de Sartre, dizia que Sartre e Simone eram a “Resistência do Café de Flore”, o que equivale, no Brasil, a classificar a dupla de esquerda festiva.

Pode ser que Aron tenha exagerado, mas, voltando à cama de Sartre, a biógrafa faz uma lista trágica do destino de suas amantes, arregimentadas pela companheira: uma se matou, outra virou viciada e uma outra ficou tão traumatizada que até a fria professora sentiu culpa. A biógrafa assume ter ficado “perplexa com a profundidade do abismo entre a lenda pública e as vidas privadas do casal”. Mas esclarece que sua admiração – tanto por Sartre como por Beauvoir – não sofreu desgaste. Difícil acreditar.

Concurso Cultural Literário (27)

23

meninoouro

A família de Max não permitiria nenhum desvio na imagem perfeita que havia construído. Karen, a mãe, é uma advogada renomada, determinada a manter a fachada de boa mãe, esposa e profissional. Steve, o pai, é o exemplo do chefe de família presente em sua comunidade, favorito a um importante cargo público. O ponto fora da curva é Daniel, o caçula, que, para os padrões da família Walker, é “estranho”: não é carinhoso, inteligente ou perfeito como Max.

Melhor aluno da escola, capitão do time de futebol, atlético, simpático, sucesso entre as garotas: Max, o primogênito, é o menino de ouro. Ninguém poderia dizer que sua vida não é perfeitamente normal. Ninguém poderia dizer que Max esconde um segredo. Ele é diferente, especial. Max é intersexual: nasceu com os dois conjuntos de cromossomos, XX e XY e, portanto, é menino e menina. Ou nenhum dos dois.

É a partir do olhar de cada pessoa que orbita a vida de Max que a autora Abigail Tarttelin compõe a sua narrativa em Menino de Ouro. Cada uma das personagens esboça seu dia a dia, suas inseguranças e conquistas, e, principalmente, seu relacionamento com Max.

Apesar da dimensão de seu segredo, Max parece à vontade com sua vida. Seus questionamentos sobre sexo, relacionamentos e até sobre rejeição são tantos quanto um adolescente de 15 anos poderia ter. O cenário muda drasticamente quando Hunter, seu melhor amigo desde a infância, volta do passado e abusa de sua confiança da pior maneira que poderia.

Max se vê forçado a explorar seu segredo radicalmente, e percebe que muito mais foi escondido desde o seu nascimento. Por que sua família nunca conversou sobre suas opções? Quais eram elas? Como seria seu futuro? Como os outros lidariam com ele agora: seus amigos, seus parentes… Sua namorada? Quem é Max, realmente?

Em seu romance de estreia, Abigail Tarttelin trata de forma sensível, mas direta, as questões da identidade e do que consideramos “ser normal”. A autora traz à tona questionamentos sobre até que ponto o gênero sexual define uma pessoa e suas relações, por dentro e por fora.

“Emocionante e maravilhosamente escrito… Uma exploração corajosa e profunda da identidade social e sexual”
– Sahar Delijani, autora de Filhos do Jacarandá

“Tarttelin descreve de modo sensível a maneira como uma criança intersexuada lida com as elevadas emoções da adolescência.”
– Entertainment Weekly

“Corajoso e intenso”
– Publishers Weekly

“Triste época! É mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito”, disse o físico Albert Einstein. Para você, esta nova geração é menos preconceituosa ou não que as anteriores?

Registre sua opinião na área de comentários, usando no máximo 4 linhas. Todos os que participarem dessa reflexão coletiva vão concorrer a 3 exemplares de “Menino de ouro“.

Caso use o Facebook para participar, por favor deixe um e-mail de contato no post.

O resultado será divulgado dia 11/11 às 17h30 neste post e também no perfil do Twitter @livrosepessoas.

***

Parabéns aos ganhadores: Leandro de Matos, Olívia Meireles e Simone.

Por gentileza enviar seus dados completos para [email protected] em até 48 horas.

Biblioteca infantil reúne livros infantojuvenis em diversas línguas

0

Simone Tinti, na Folha de S.Paulo

São Paulo vai ganhar uma biblioteca infantojuvenil diferente. Nela, as prateleiras serão ocupadas por livros em diversas línguas: inglês, francês, japonês, alemão, italiano, espanhol, além de braile e português, entre outros idiomas.

Grande parte dos 11 mil exemplares reunidos até agora veio das estantes de Duda Porto de Souza, 28, jornalista e idealizadora da Biblioteca Infantojuvenil Multilíngue, que funcionará no Centro Universitário Belas Artes, na Vila Mariana, zona sul. A data da inauguração está marcada para 18 de abril -Dia Nacional do Livro Infantil e aniversário de Monteiro Lobato.

“A minha coleção de infância está aqui”, diz ela, sobre os títulos que ocupam temporariamente a biblioteca infantil do Belas Artes. A literatura sempre esteve presente na vida de Duda: seu avô é Sergio Porto (1923-1968), que ficou conhecido assinando crônicas em jornais e revistas sob o pseudônimo Stanislaw Ponte Preta. Além disso, como sempre estudou em escola britânica em São Paulo, Duda é fluente em inglês, o que a aproximou de obras estrangeiras.

A ideia do futuro espaço, conta ela, nasceu em 2009, espalhou-se entre amigos até que chegou à equipe do Belas Artes, que adotou o projeto. Hoje, o acervo está sendo criado com a colaboração de editoras, artistas, escritores e consulados estrangeiros.

Duda Porto, idealizadora da Biblioteca Infantil Multilíngue

Duda Porto, idealizadora da Biblioteca Infantil Multilíngue

Livros em diversas línguas que farão parte da biblioteca

Livros em diversas línguas que farão parte da biblioteca

Biblioteca terá livros em inglês, italiano, francês, alemão, japonês e outras línguas

Biblioteca terá livros em inglês, italiano, francês, alemão, japonês e outras línguas

Livros em diversas línguas que farão parte da biblioteca

Livros em diversas línguas que farão parte da biblioteca

Livros em diversas línguas que farão parte da biblioteca

Livros em diversas línguas que farão parte da biblioteca

Livros em diversas línguas que farão parte da biblioteca

Livros em diversas línguas que farão parte da biblioteca

Na lista de livros, desperta a curiosidade aquele que o presidente Barack Obama escreveu para suas filhas. Outros, com ilustrações em “pop-up”, mais parecem obras de arte –ou, quando abertos, brinquedos.

E aí está outra contribuição da biblioteca: valorizar o cuidado com o visual e com o conteúdo de cada obra que será oferecida ao público. Quadrinhos, e-books, DVDs e audiobooks também poderão compor o acervo.

Além dos livros, brinquedos e móveis sob medida para crianças ocuparão os 300 m² do novo espaço, conta Leila Rabello de Oliveira, bibliotecária-chefe da universidade. O projeto prevê ainda um playground na área externa e uma entrada separada da universidade, aberta ao público.

A agenda permanente da biblioteca deverá incluir contações de histórias, sessões de brincadeiras, workshops e palestras para escritores e ilustradores. “Assim como eu tive uma biblioteca maravilhosa em casa, quero que outras crianças também tenham”, diz Duda, que aceita doações de obras infantis, em qualquer idioma –é só escrever para o e-mail [email protected] e combinar a retirada dos títulos.

Fotos: Pétala Lopes/Folhapress

Go to Top