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Seleção no ensino infantil causa tensão em pais e filhos

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‘Vestibulinhos’ de escolas dão lugar a sorteios em disputas mais acirradas que as de provas para graduação

Antes de entrar no Santo Agostinho, Manuela chegou a fazer quatro provas Agência O Globo / Paula Giolito

Antes de entrar no Santo Agostinho, Manuela chegou a fazer quatro provas Agência O Globo / Paula Giolito

Roberta Salomone em O Globo

RIO – Assim que a filha Manuela completou 3 anos, a jornalista Verônica Hime começou a pesquisar com afinco escolas onde a menina pudesse estudar. Consultou as amigas, visitou dez colégios e contratou uma professora para checar, por meio de um simulado, se ela estava apta para o “vestibulinho” que iria encarar. Ajudou no reforço escolar e passou o ano de 2012 estudando com a filha em casa, depois que ela chegava da creche. À primeira prova das sete escolas em que foi inscrita, Manuela chegou depois de uma noite agitada e mal dormida. Não quis tomar café da manhã e se assustou quando viu crianças correndo e chorando pelo pátio. Na saída, não fez qualquer comentário sobre a avaliação.

— Hoje, depois de outras três provas que ela fez, sinto-me culpada por tanta cobrança. Foi muito estressante para toda a família. Sei que isso não é saudável para ninguém, mas não tive outra opção. Não podia pecar por não tentar — conta Verônica, feliz hoje por ter a filha de 6 anos matriculada no Santo Agostinho do Leblon, uma das escolas mais procuradas do Rio.

Como Verônica, outros pais e mães têm que encarar uma verdadeira maratona para conseguir uma vaga numa escola particular na cidade, especialmente na Zona Sul e na Barra da Tijuca, para séries até o 9º ano do ensino fundamental. A largada para 2014 já foi dada com inscrição pela internet, filas gigantes para entrevistas e entrega de documentos, convivências e também sorteio de vagas. Entre os adultos, o clima é de tensão constante, principalmente para os que sonham ter seus filhos matriculados nas escolas de mais destaque no ranking do Exame Nacional do Ensino Médio, o Enem.

Disputa maior que em vestibulares

Criado em 1998, o exame é apontado como um divisor de águas nos processos seletivos. O São Bento, um dos mais tradicionais da cidade, é o número um da lista estadual. A escola, que só aceita meninos, tem concorrência acirradíssima, e agora vai sortear os novos alunos do 1º ano do ensino fundamental (antigo C.A.). Há 108 lugares, e cada um deles é disputado por até dez crianças. A relação candidato/vaga é semelhante à do curso de Administração na Uerj (11,45 para um) e superior ao de Arquitetura na UFRJ (7,9 para um).

— O “vestibulinho” estará extinto como processo de seleção, mas permanecerá a disputa por vaga — acredita Maria Elisa Pedrosa, supervisora pedagógica do São Bento. — A oferta de escolas somente de educação infantil é grande, mas oferta que atenda às expectativas dos pais não é tão grande assim. As famílias, cada vez mais, buscam uma escola que forme seus filhos desde os primeiros anos escolares até o seu ingresso na universidade.

Desde que o Conselho Estadual de Educação condenou o chamado “vestibulinho” entre os candidatos até o 1º ano, o fator sorte passou a contar como nunca. Das mais de dez instituições ouvidas pelo GLOBO, entre as mais almejadas na cidade, a maioria fará sorteios entre os candidatos.

— O C.A. coroava a educação infantil com aprendizado de leitura e escrita, mas não tinha cobrança por notas e deveres. O “vestibulinho” reforçava a nova cobrança e provocava distorções graves. Tudo bem se o pai quer que o filho aprenda sobre empreendedorismo e queira networking aos 6 anos, mas não podem ser antecipadas etapas importantes da infância — afirma Luiz Henrique Mansur, presidente da Câmara de Educação Básica do Conselho Estadual de Educação do Rio de Janeiro.

Na unidade Centro do Cruzeiro, segundo no ranking estadual do Enem, a fila de espera começa no maternal II (média de idade de 3 anos), e as vagas para alunos acima de 7 anos são raríssimas. Para 2014 não há um lugarzinho sequer para o 1º ano do ensino fundamental.

— Se temos 20 vagas e 30 inscritos, chamamos os 20 primeiros nomes sorteados. Em caso de desistência, chamamos o 21º, e, assim, sucessivamente. No dia do sorteio, que é presencial, os pais contemplados já levam para casa a lista de documentos a serem providenciados e agendam a data da matrícula — explica Fernanda Fortes Carisio, coordenadora pedagógica da educação infantil e do 1º ano, sobre o processo que acontece no início de outubro.

Conhecido pelo rigor na seleção, que analisava habilidades e o nível de concentração em atividades como desenho e colagem, o Santo Inácio terá sorteio pela primeira vez. As inscrições foram encerradas na última sexta-feira, e, das 84 vagas para a pré-escola II, metade foi destinada a filhos de ex-alunos e funcionários. Para o 1º ano não sobrou nenhuma.

— O Santo Inácio sempre teve grande procura, anos antes dos resultados do Enem. Nunca fizemos o que chamam de “vestibulinho”, e garanto que nossa proposta jamais ocasionou prejuízo emocional para os candidatos. O que sempre observamos é uma concorrência enorme entre os pais — diz a diretora acadêmico-pedagógica, Ana Maria Loureiro.

A competição entre os adultos é, sem dúvida, considerável, e pode comprometer o desempenho das crianças. A chef Mariana Rodrigues preferiu seguir na contramão da maior parte das famílias. Ela não preparou o filho Bernardo, então com 4 anos, para a seleção do Santo Inácio, e, no dia da avaliação, disse que ele estava indo para a escola brincar e fazer novos amigos.

— Não pressionei meu filho em momento algum, porque sabia que as chances seriam pequenas, já que nem eu nem o pai dele estudamos lá. Agora, não há lugares para a série dele, e vamos ter que tentar em outros colégios — conta Mariana, que comemora o fato de a escolinha onde ele estuda ter alunos até o 5º ano do ensino fundamental. — Temos mais três anos de tentativa.

Poucas opções de horário integral

Postergar a saída dos filhos das creches, aliás, é outro provável motivo para tamanha disputa, principalmente entre crianças tão pequenas.

— Por questões práticas, os pais têm procurado escolinhas onde os filhos possam ficar o dia todo. Como a maioria dos colégios não oferece turnos integrais, a transferência é adiada ao máximo — afirma Valéria Filippo, coordenadora de atendimento aos novos estudantes da Escola Parque, na Gávea, onde as séries mais procuradas são as de crianças entre 5 e 6 anos.

Apesar de as provas serem proibidas por lei, há abertura para avaliações individuais. No entanto, elas devem ser limitadas a análises gerais, como o grau de leitura ou em qual turma o candidato poderá se adaptar melhor. Se existir algum teste, ele não pode ter caráter classificatório. Além disso, as regras de matrículas devem ser claras e não podem restringir ninguém.

As escolas bilíngues enfrentam o mesmo dilema, principalmente desde que o Rio passou a receber uma grande quantidade de estrangeiros que vêm morar na cidade por períodos determinados. Entre as famílias que procuram a Escola Americana, a maioria trabalha no setor de petróleo e não fala português.

— Existe um lado humanitário no processo de decisão. Se uma família vem de fora, é possível que a escola dê prioridade a esse aluno, caso não haja vaga para todos. Um estudante que já está numa escola brasileira teria a flexibilidade de aguardar um semestre ou um ano — explica Caren Addis Botelho, diretora de admissões do colégio, com unidades na Gávea, na Barra e na cidade de Macaé.

Buscando mais chances, muitos pais inscrevem seus filhos em várias escolas e têm que se desdobrar para participar de todas as etapas das seleções. As taxas de inscrição variam de R$ 100 a R$ 150, e a maioria dos colégios, independentemente do resultado, não reembolsa o valor depois. Por causa das reclassificações e desistências, o processo normalmente é estendido até dezembro — e a ansiedade das famílias, também.

Este, aliás, é um ponto extremamente negativo para as crianças e que merece atenção, segundo o pedagogo e mestre em Educação da PUC Winston Sacramento. A preocupação com uma boa formação é válida e pertinente, mas é preciso respeitar as demandas reais da infância, alerta:

— Talvez o apoio das famílias para o sucesso de crianças dessa idade tenha mais a ver com a escolha de um ambiente escolar focado numa socialização que valorize o respeito às diferenças, o aprendizado colaborativo e a formação de laços afetivos entre as crianças. O mercado privado da educação quer convencer os pais de que a aquisição de conhecimentos, competências e habilidades nessa idade são determinantes para as escolhas que serão feitas dez ou 15 anos depois. Do ponto de vista comercial parece ser um ótimo negócio, mas faltam evidências de que isso realmente dê resultados na maioria dos casos.

Lançado em inglês, livro ensina “como ser brasileiro” a estrangeiros

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O autor oferece gírias úteis para o dia a dia e discorre sobre comportamentos típicos

Publicado no Terra

Livro é espécie de guia para aprender a lidar com comportamentos e costumes adotados no Brasil Foto: Divulgação

Livro é espécie de guia para aprender a lidar com comportamentos e costumes adotados no Brasil Foto: Divulgação

Depois de sobreviver a diversos contratempos por diferenças culturais, o americano Steve Luttmann escreveu o livro How to be a Brazilian, no qual descreve experiências que acumulou durante 15 anos no Brasil.

 

Steve, que é CEO da destilaria Maison Leblon, se considera um americano que aspira ser brasileiro e seu objetivo com a publicação é ensinar aos demais estrangeiros o famoso “jeitinho brasileiro”.

 

Ao longo das páginas, ele relata dicas inspiradas em comportamentos considerados típicos como o gosto pela paquera, por reunir os amigos, fazer churrasco, assistir a uma partida de futebol, comer feijoada e beber caipirinha – com direito a receitas destes ícones da gastronomia brasileira.

 

Além disso, o autor oferece gírias úteis para o dia a dia.  “Me preocupei em escrever um guia extremamente prático e divertido para auxiliar os estrangeiros a vivenciar de fato o jeitinho brasileiro e a conhecer um pouco mais dessa cultura que vem conquistando os corações de todo o mundo. Aqui em Nova York, sinto muita falta do clima amistoso do país, a energia do brasileiro é única e contagia até os mais introvertidos”, explicou.  Anote algumas receitas.

The Tangerine Honey Caipirinha Leblon
Ingredientes

45 ml de Cachaça Leblon
½ tangerina em gomos
1 colher  de sopa de mel

 

Modo de preparo
Macere a tangerina e o mel em um copo de caipirinha. Adicione a cachaça, complete o copo com gelo e mexa bem.

 

The São Paulo Sour Leblon
Ingredientes

60 ml de Bourbon
45 ml de limão espremido
30 ml de simple syrup
15 ml de licor Cedilla
15 ml de clara de ovo

 

Modo de preparo
Combine todos os ingredientes, exceto o licor Cedilla, em uma coqueteleira. Complete-a com gelo e bata fortemente. Sirva em um copo curto e adicione o Cedilla delicadamente.​

 

The Rio Royale Leblon 
Ingredientes
25 ml de licor Cedilla
100 ml de champagne

 

Modo de preparo
Em uma taça de champagne, sirva o Cedilla e delicadamente e adicione o champagne. Finalize com um twist de limão.

 

À luz da preferência, livro digital tenta conquistar mercado no Brasil

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Cadu Caldas, no Zero Horas

Poucos títulos, acesso precário à internet e tributação fazem do e-book um produto ainda caro no país

Professora de inglês, Juliane vê no e-reader facilidade de ter obras estrangeiras que não encontra impressas no Brasil Foto: Fernando Gomes / Agencia RBS

Professora de inglês, Juliane vê no e-reader facilidade de ter obras estrangeiras que não encontra impressas no Brasil
Foto: Fernando Gomes / Agencia RBS

Era imensa a expectativa dos consumidores com o lançamento no Brasil dos e-readers – aparelhos para leitura de livros digitais – Kobo Touch, pela Livraria Cultura, no começo de dezembro, e Kindle, da Amazon, poucos dias depois. A concorrência entre grandes livrarias prometia acirrar a disputa, aquecer o mercado e derrubar preços.

Quase um mês mais tarde, não foi o que ocorreu. Por enquanto, os leitores estão sendo mais atraídos pela novidade do produto do que pela economia que pode proporcionar.

É o caso da professora de inglês Juliane Garcia, 28 anos, que se reúne uma vez por mês com seus alunos em um clube de leitura, onde a regra é ler na plataforma digital.

– Às vezes, é complicado achar obras impressas em inglês. Com um e-reader eu acho qualquer exemplar, de maneira quase instantânea – comenta.

Juliane também encontra outras facilidades:

– Posso levar um monte de livros para a praia sem ocupar espaço na mala. Nem sinto falta do cheirinho do papel.

O preço não tão atrativo de um livro digital – além do custo do próprio e-reader – é apontado como um dos motivos para a opção eletrônica não deslanchar no país.

Se depender da situação atual do mercado, vai demorar para que ocorra uma mudança. Levantamento feito por ZH mostra que, para comprar oito dos 10 títulos de ficção mais vendidos do país na versão para o Kindle, o brasileiro economizaria apenas 0,42% em comparação ao que gastaria com livros de papel. Nos Estados Unidos, a economia seria de 44,4%.

A pesquisa foi realizada verificando o custo dos livros digitais em duas grandes redes de livrarias e o valor das edições em papel divulgados em sites de comparação de preços. Quando a cotação é feita com o Kobo, da Livraria Cultura, o resultado é ainda pior: o livro digital vendido pela rede é 10,6% mais caro do que o livro de papel.

No caso dos leitores digitais, os e-readers, a constatação é a mesma: o leitor brasileiro paga bem mais caro pelo mesmo produto. O Kindle custa R$ 299 no Brasil, mais do que o dobro que os americanos pagam: US$ 69 (cerca de R$ 140), em média.

Economia bem menor no Brasil

O Kobo custa por aqui R$ 399 ante US$ 149 (cerca de R$ 300) nos Estados Unidos. Assim, basta um leitor americano comprar os seis primeiros livros da lista de mais vendidos para o investimento no equipamento valer a pena. A partir do sétimo livro, já está economizando. No Brasil, o cálculo semelhante aponta uma economia bem menor. Seria preciso ler 369 obras para a compra do e-reader valer a pena.

Mesmo alheia a esses cálculos, Juliane percebeu na prática que os títulos nacionais não são muito baratos.

O preço alto no Brasil é pressionado em grande parte pelas editoras, responsáveis por estipular o valor de capa no país. Nos Estados Unidos, a redução do preço veio graças à força de um outro personagem na história: o escritor, que, em certos casos, pode negociar a exposição de sua obra diretamente com as livrarias virtuais.

– O mercado americano é muito mais maduro que o nosso. Lá essa negociação direta empurrou o preço do livro para baixo, obrigando as editoras a fazerem o mesmo – explica Ednei Procópio, integrante da Comissão do Livro Digital da Câmara Brasileira do Livro e dono da editora Livrus.

dica do Jarbas Aragão

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