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Posts tagged Slogan

Cidades educadoras

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Deixar a educação com as cidades é manter escolas sem recursos

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Cristovam Buarque, em O Globo

Faz quase seis meses que a presidente Dilma lançou o lema, mas até hoje não definiu como seria a Pátria Educadora, nem o que seu governo fará para construí-la.

Por falta de definição da presidente ou dos marqueteiros que criaram o lema, devemos imaginar como seria a Pátria Educadora e o que fazer para construí-la.

A condição fundamental, óbvia, é ter todas as suas crianças em escolas com a máxima qualidade, o que exige: professores muito bem preparados, escolhidos entre os melhores jovens da sociedade, para isso eles precisam estar entre os profissionais muito bem remunerados, todos bem selecionados e avaliados permanentemente; os prédios das escolas entre os mais bonitos, limpos e confortáveis, com os mais modernos equipamentos de tecnologia da informação, bibliotecas, ginásios poliesportivos e facilidades culturais; todas as crianças em horário integral, durante os 220 dias de aulas por ano, sem paralisações. Quando todas as suas cidades forem assim, a Pátria Educadora não terá analfabetismo de adultos e todos os seus jovens concluirão, na idade certa, o ensino médio, com a qualidade ofertada nos países mais educados do mundo.

Para isso, a Pátria Educadora precisará ter todas suas Cidades Educadoras.

A Pátria Educadora só pode ser construída escola por escola, cidade por cidade, mas cada uma necessita de esforço nacional para apoiá-la. Para fazer suas Cidades Educadoras, o Brasil precisa adotar a educação de suas crianças, independentemente da cidade onde vivem e estudam.

Isso não será possível cortando recursos do Ministério da Educação nem prometendo os simbólicos 10% do PIB ou os royalties de um pretenso pré-sal de tamanho insuficiente para as necessidades da educação brasileira. Muito menos deixando a tarefa de construir a Pátria Educadora para as pobres e desiguais prefeituras do Brasil. Deixar a educação nas mãos das cidades é manter as escolas sem os recursos humanos, financeiros e técnicos necessários e também continuar com nossas crianças em escolas desiguais, conforme a renda dos pais e o orçamento da cidade onde vivem.

A simples evolução do atual degradado sistema escolar municipal não vai permitir construir a Pátria Educadora; o Brasil precisa implantar um novo sistema educacional, substituindo as atuais escolas em um processo ao longo de anos. Uma cidade educadora custa R$ 10 mil por aluno por ano; para atender a 51,7 milhões de alunos em 2035, seriam necessários R$ 517 bilhões. Se o PIB e a receita do setor público crescerem a uma taxa de apenas 2% ao ano, em 2035 o Brasil vai precisar de 6,2% do PIB para transformar o atual sistema da pátria deseducadora no novo sistema federal da Pátria Educadora; ou seja, 0,5% acima dos 5,7% do PIB gastos atualmente, metade dos 10% determinados pela Lei do PNE.

Isso só será possível com a união de todos os brasileiros assumindo a responsabilidade pela educação de todas as crianças do Brasil, não importa a receita fiscal nem a vontade do prefeito da cidade onde elas vivam.

Como ‘O Senhor dos Anéis’ virou um ícone da contracultura

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Frodo um dia já foi ícone de uma geração que queria revoluções

Frodo um dia já foi ícone de uma geração que queria revoluções

, na BBC Brasil

Em um tempo de sexo, drogas e rock’n roll – sem falar em protestos contra a Guerra do Vietnã e marchas por direitos civis e das mulheres – quem diria que um grande papel de influência foi desempenhado por um filólogo cristão de Oxford?

Mas nos anos 1960, em um tempo de mudanças sociais aceleradas nos Estados Unidos, os livros “O Hobbit” e “O Senhor dos Anéis”, de JRR Tolkien, se tornaram leitura obrigatória para a contracultura que nascia na época. As obras eram devoradas por estudantes, artistas, escritores, roqueiros e outros intelectuais mentores da mudança cultural. Slogans como “Frodo vive” e “Gandalf para Presidente” eram pichados nas estações de metrô de diversas partes do mundo.

A Terra Média – o universo mítico meticulosamente criado por JRR Tolkien – começou a nascer entre as duas grandes guerras mundiais. Professor de línguas em Oxford, Tolkien lecionava anglo-saxão, islandês arcaico e galês medieval.

Sua visão fantasiosa, com a ideia de que o mau está a espreita, ameaçando o bem, surgiu de sua experiência como católico devoto, e também como alguém que perdeu muitos amigos e familiares na Primeira Guerra Mundial.

“Os Pântanos Mortos e a região de Morannon se assemelham ao norte da França, que foi palco da Batalha de Somme”, escreveu Tolkien em uma carta nos anos 1960.

A saga de Frodo e Sam para chegar a Mordor é inspirada nos tormentos dos jovens soldados que combateram no front ocidental durante a guerra.

Os livros sempre tiveram uma certa popularidade desde seu surgimento – “O Hobbit” em 1937 e “O Senhor dos Anéis” em 1954 (primeiro volume). Mas eles explodiram em um fenômeno cultural de massa de verdade apenas nos anos 1960.

Hoje em dia, os mágicos, anões e orcs do imaginário de Tolkien parecem coisa de “nerds” aficcionados por histórias em quadrinhos. Mas o primeiro público a realmente cultuar esse universo foi o “hippie”. Como isso aconteceu?
Viagem

O consumo de drogas nos livros de Tolkien pode ajudar a explicar a sua popularidade nos anos 1960. Muitos dos personagens da Terra Média usam plantas alucinógenas.

'Frodo vive' foi um slogan da contracultura dos anos 1960

‘Frodo vive’ foi um slogan da contracultura dos anos 1960

As “pequenas pessoas do Shire” usavam uma erva alucinógena em seus cachimbos. Saruman, o mago perverso, também fica “viciado” em uma folha específica do Shire. Havia até mesmo um boato de que Tolkien escrevera grande parte do livro sob influência de drogas.

Outro fator que sempre teve grande apelo junto a esse público foi uma forma mais simples e medieval de vida, muito diferente do caos urbano e da modernidade. Tolkien exaltava os elementos mais comuns da natureza, como as pedras, a madeira, o ferro, as árvores e o fogo. Esse estilo de vida com menos modernidade e contra a poluição era defendido por muitos vegetarianos que construíam suas próprias casas e roupas e viviam em comunidades.

Um fator muito importante para quem combatia guerras e lutava por direitos civis e das mulheres era o contexto político dos livros. Os heróis de Tolkien eram os hobbits, as pessoas pequenas, que lideravam uma revolução.

O complexo militar industrial da época era parecido com Mordor e sua visão mecanizada de guerra. Ao saber de sua missão para levar o anel para sua destruição em Mordor, Frodo sente uma “vontade irresistível de descansar e ficar em paz em Rivendell”. Mas aqueles que lutavam ao seu lado viam o conflito como a chance de travar “a guerra que vai acabar com todas as guerras”.

Algumas passagens refletem particularmente o sentimento de (mais…)

Brasil será homenageado na feira de livros de Bolonha em 2014

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Publicado no Jornal do Brasil

Escritores brasileiros estão na “Feira de Livros para Crianças de Bolonha”, na Itália, que vai até o dia 28 deste mês, para representar o país e fazer o anúncio oficial sobre a próxima edição do evento. Ana Maria Machado, Anielizabeth Cruz, Maurício de Sousa, Anna Claudia Ramos, Roger Mello e Sandra Pina representam o país durante a divulgação da homenagem que será feita em 2014, quando 30 escritores daqui irão ao evento e o Brasil assumirá a condição de convidado de honra.

Na homenagem, o Brasil apresentará toda a diversidade da sua produção editorial e a riqueza de sua cultura. Sob o slogan “Um país cheio de vozes”, adotado para as próximas homenagens até 2020, serão lançadas  luzes sobre as marcas da produção editorial brasileira para os temas: multiplicidade cultural, capacidade de ressignificar influências externas e intertextualidade.

Brasil será homenageado na próxima edição da "Feira do Livro para Crianças de Bolonha", em 2014
                   Brasil será homenageado na próxima edição da “Feira do Livro para Crianças de Bolonha”, em 2014

Como não fiquei amigo de Leminski

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Miguel Sanches Neto, no Valor Econômico

No começo dos anos de 1980, eu era aluno interno no Colégio Agrícola de Campo Mourão (noroeste do Paraná) e vinha lendo a literatura disponível nas bibliotecas públicas locais. Na estante de poesia, havia livros até os anos 1960, depois disso surgia uma grande lacuna, sequela talvez da ditadura militar, que vivia os seus estertores. Por conta disso, eu desconhecia a literatura contemporânea e tinha uma sede muito grande de participar de meu tempo, mesmo estando em um espaço nada apropriado a tais frivolidades – toda a minha família era de agricultores ou de trabalhadores subalternos, sem ou com baixa escolaridade.

Assim, eu não sabia onde ficava o tempo presente.

Não lia jornais de circulação nacional e não tinha professores e amigos com informações que pudessem me orientar na selva selvagem daquela terra vermelha. Foi em 1983 que comecei a participar do agora, por meio do informativo “Primeiro Toque”, da editora Brasiliense, que tinha como slogan um verso de Walt Whitman: “Que pode haver de maior ou menor que um toque?” Essa publicação permitia que comprássemos os livros por reembolso postal, dando dicas de títulos. Foi ali que comecei a conjugar as minhas leituras no presente, recebendo informações sobre autores que seriam fundamentais nos anos seguintes, como Charles Bukowski e John Fante. Mas, entre todos os autores, o meu herói era o poeta curitibano afropolonês Paulo Leminski, que tinha a cara da revista “Primeiro Toque” e da Brasiliense.

Quando chegou a edição com uma capa pop art de “caprichos e relaxos”, que vinha com o subtítulo de “saques, piques, toques & baques”, entrei em êxtase com essa poesia da informalidade, mais próxima do rock do que da literatura. Nunca tinha lido um poeta que falava grandes coisas em poemas completamente diretos e intensos, que manejava a música, a materialidade da palavra e a ironia. Esse é o livro de poemas que mais li na minha vida, e funcionou como uma bíblia para mim, compulsada nos meus momentos de descrença literária.

Continuei lendo Leminski pelas traduções que ele fazia para a mesma editora e depois por meio dos autores a que ele se referia em apresentações. Para o jovem interiorano que eu era, Leminski fez de Curitiba a capital da poesia brasileira. Não havia como ser escritor morando em outro lugar. Depois de uma tentativa frustrada, mudei-me para a capital em 1987. E continuei seguidor fiel de Paulo Leminski, agora já devorando entrevistas dele em periódicos, acompanhando de perto o seu trabalho no jornal “Nicolau”, no qual ele era figurinha fácil.

Discípulo autodeclarado é aquela coisa: quer porque quer ter alguma importância na vida do mestre. Sonha ser aceito e para isso tenta toda sorte de insinuação. Consegui com uma amiga em comum, a poeta Helena Kolody, o endereço do polaco e, numa carta completamente juvenil, mandei um texto para ele, datilografado na minha inseparável (até hoje) Lettera 35.

Só depois de despachar a carta, relendo os originais de meu poema, vi que havia uma crase errada. Essa talvez tenha sido uma das maiores vergonhas de minha vida de escrevinhador. Dirigir-se à pessoa que é para você o resumo da cultura – e Leminski foi isso para mim – numa linguagem inadequada era um crime de lesa-cultura. Não sei se exatamente por isso, mas o fato é que não tive mais coragem de procurar o poeta. Lembro-me que contava com a possibilidade de cruzar por ele no centro da cidade – tinha visto umas fotos dele no calçadão da rua das Flores – ou mesmo em uma livraria, principalmente na Ghiginone, onde ele lançara alguns livros. Passava na frente do Bife Sujo, um de seus lugares preferidos, mas em horários muito vespertinos para encontrá-lo. (mais…)

Proprietários do ‘Keep Calm’ brigam na justiça por registro da marca

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A frase foi feita pelo governo inglês durante a Segundo Guerra Mundial
Foto: Reprodução

Publicado por Terra

Os proprietários de uma livraria ao norte da Inglaterra, que criaram variações do slogan “Keep Calm” (Mantenha a Calma) inventado pelo governo durante a Segunda Guerra Mundial e comercializaram cerca de 100 mil cartazes, cartões postais, camisetas, entre outros produtos enfrentam problemas com um concorrente, pois não registraram a marca, informou o The Guardian. A livraria, que começou a investir no negócio após descobrir alguns produtos perdidos na loja em 2001 com referência ao login do governo, não registrou o negócio, ao contrário de um empresário rival, que reinvidicou a marca em abril na União Europeia (UE).

Por isso, os advogados da livraria estão envolvidos em uma tentativa de anular o registro e tornar a frase de domínio público. De acordo com o jornal, o problema poderá ser resolvido simplesmente com provas de que o empresário não foi o primeiro a conseguir uma cópia do material da livraria, mesmo sendo o primeiro a registrar a marca.

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