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Menos de 1% das escolas brasileiras têm infraestrutura ideal

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Andrea Mohin/The New York Times

Andrea Mohin/The New York Times

Publicado por UOL

Apenas 0,6% das escolas brasileiras têm infraestrutura próxima da ideal para o ensino, isto é, têm biblioteca, laboratório de informática, quadra esportiva, laboratório de ciências e dependências adequadas para atender a estudantes com necessidades básicas. O nível infraestrutura avançada inclui os itens considerados mínimos pelo CAQi (Custo Aluno Qualidade Inicial), índice elaborado pela Campanha Nacional pelo Direito à Educação.

Já 44% das instituições de educação básica contam apenas com água encanada, sanitário, energia elétrica, esgoto e cozinha em sua infraestrutura.

Esse é o resultado de um estudo feito pelos pesquisadores Joaquim José Soares Neto, Girlene Ribeiro de Jesus e Camila Akemi Karino, da UnB (Universidade de Brasília), e Dalton Francisco de Andrade, da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), intitulado “Uma escala para medir a infraestrutura escolar”.

A pesquisa incluiu dados do Censo Escolar de 2011 de 194.932 escolas.

Girlene afirma que ela e os pesquisadores esperavam que os resultados demonstrassem a precariedade de muitas das escolas brasileiras, mas pontua que o percentual de elementares (44%) e de avançadas (0,6%) foi um “choque”.

“Sabíamos que encontraríamos diferenças e que a zona rural, por exemplo, apresentaria infraestrutura mais deficitária. Mas não achávamos que seria tanto. O mesmo vale para as diferenças regionais, como é o caso do Norte e do Nordeste, e para as redes municipais, onde se concentram as escolas com as piores condições”, afirma.

“A criança, quando chega à escola, tem que ter equipamentos, conforto do ambiente para se concentrar, se dedicar aos estudos e ao aprendizado. O professor precisa de equipamento para desenvolver o trabalho dele, assim como a escola”, explica Joaquim José Soares Neto. “O Brasil está passando por um momento em que é consenso que se deve investir em educação. A pesquisa traz uma perspectiva de como orientar esse investimento para resolver um problema que não é simples”.

Dados
Para definir uma escala para a situação da infraestrutura, os pesquisadores selecionaram 24 itens de infraestrutura escolar para checar se há sua disponibilidade – ou não – nos colégios públicos brasileiros.

A partir da presença ou não desses itens, as escolas foram distribuídas em quatro categorias. No nível elementar ficam escolas que têm apenas o mínimo para o funcionamento do prédio.

Infraestrutura elementar: Estão neste nível escolas que possuem somente aspectos de infraestrutura elementares para o funcionamento de uma escola, tais como água, sanitário, energia, esgoto e cozinha

Infraestrutura básica: Além dos itens presentes no nível anterior, neste nível as escolas já possuem uma infraestrutura básica, típica de unidades escolares. Em geral, elas possuem: sala de diretoria e equipamentos como TV, DVD, computadores e impressora

Infraestrutura adequada: Além dos itens presentes nos níveis anteriores, as escolas deste nível, em geral, possuem uma infraestrutura mais completa, o que permite um ambiente mais propício para o ensino e aprendizagem. Essas escolas possuem, por exemplo, espaços como sala de professores, biblioteca, laboratório de informática e sanitário para educação infantil. Há também espaços que permitem o convício social e o desenvolvimento motor, tais como quadra esportiva e parque infantil. Além disso, são escolas que possuem equipamentos complementares como copiadora e acesso a internet

Infraestrutura avançada: As escolas neste nível, além dos itens presentes nos níveis anteriores, possuem uma infraestrutura escolar mais robusta e mais próxima do ideal, com a presença de laboratório de ciências e dependências adequadas para atender estudantes com necessidades especiais

Desigualdades regionais
Os dados do estudo revelam que as grandes diferenças entre as regiões do país aparecem também na infraestrutura das escolas. Das 24.079 unidades de ensino da Região Norte, 71% podem ser consideradas no nível elementar, o mais precário. No caso do Nordeste, esse índice ainda se mantém alto, mas cai para 65%. No Sudeste, Sul e Centro-Oeste, o maior percentual de escolas localiza-se no nível básico. Em todas as regiões a taxa de colégios públicos classificados como de infraestrutura avançada não excede os 2%.

Quando observados os dados por redes, as desigualdades também são grandes. Entre as escolas federais, 62,5% podem ser consideradas adequadas e avançadas. No caso das estaduais, 51,3% das unidades são básicas em relação à infraestrutura e, considerando as municipais, 61,8% das escolas são classificadas como elementares.

Outro dado destacado pelos pesquisadores é a diferença entre as escolas urbanas e rurais. “Enquanto 18,3% das escolas urbanas têm infraestrutura elementar, o oposto ocorre em relação às escolas rurais: 85,2% encontram-se nesta categoria”, diz o estudo.

Veja quais são as 20 metas para a educação na década; PNE ainda não foi aprovado

Resultado no desempenho
Os pesquisadores não fizeram ainda a relação entre infraestrutura escolar e o desempenho dos alunos. “É necessário correlacionar os resultados das avaliações, como a Prova Brasil, com as condições físicas das escolas. O nível socioeconômico das regiões em que a infraestrutura é insuficiente é também bastante carente. Essa discussão precisa ser feita”, afirma Neto.

Para ele, a escala ajuda a apontar quais são as regiões do país que precisam de políticas públicas especiais. “Não interessa onde a criança esteja: ela tem direito a uma Educação de qualidade. Isso pressupõe também uma infraestrutura escolar de qualidade”, ressalta. “É preciso mais recursos, com um investimento que seja realizado com eficiência.”

O regime de colaboração entre os entes federados, segundo os pesquisadores, também precisa ser reforçado. “Precisamos que Estados, municípios e União trabalhem juntos nessa questão, definindo políticas públicas que atendam a essas escolas com condições físicas piores. É claro que só isso não resolve a qualidade da educação que é oferecida, mas é uma condição para que as escolas funcionem normalmente”, afirma Girlene. “Caso contrário, continuaremos a amargar resultados ruins.”

Contestador, ‘Armandinho’ ganha fama no Facebook

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Conhecida em Santa Catarina, tirinha se expande pela rede social
Visão crítica e bom humor do personagem lembram Mafalda e Calvin
Autor deve lançar livro até o fim do ano

"Travesso

Travesso e contestador, Armandinho faz sucesso com suas histórias e lições Reprodução

Evelyn Soares, em O Globo

Armandinho é uma criança (dos quadrinhos) como todas as outras. Travesso como Calvin e questionador como Mafalda, suas histórias divertem os usuários do Facebook desde 29 de novembro do ano passado. O criador do personagem, cuja página tem mais de 40 mil curtidas, é o agrônomo e publicitário Alexandre Beck, de 40 anos.

Pai de um rapaz de 17 anos e uma menina de 10, ele buscou nos filhos e em amigos deles a inspiração para o personagem da tirinha, que existe há três anos.

– Apesar de gostar do humor da Mafalda e do Calvin, me inspirei nos meus filhos. Criei o Armandinho porque estava enjoando dos personagens de outras histórias que fazia. Na época, minha filha era pequena. Como toda criança, tem tiradas que nos fazem pensar em muita coisa – explica Beck por telefone.

Essas tiradas infantis, ingênuas porém críticas, motivaram Beck a fazer da tirinha uma pausa para “fazerem os leitores repensarem tudo que está em volta”. Outras referências são ilustradores brasileiros como Angeli, Laerte, Galvão e Samuel Casal, que, segundo Beck, carregam em suas charges e tiras um “humor com pesar”. O tom certo para a tirinha veio de Mafalda e Calvin.

– Esses personagens mostram que podemos melhorar e que existem outros caminhos, que tem uma luz no fim do túnel. O Armandinho tem um pouco da minha visão crítica. Tento me colocar no lugar da criança para chegar a situações que os adultos acham absolutamente normais. E acredito que o jeito ingênuo e puro do personagem, combinado à sua crítica, tem sido aceito pelo pessoal – diz o desenhista.

Nascido por acaso

“Armandinho” nasceu da pressa do jornal “Diário Catarinense”, em 2010, quando precisava de três histórias de quadrinhos para o dia seguinte. O personagem, que tem traços simples e, à época, não tinha nome, já estava desenhado. Bastou desenvolver a história para publicar no dia seguinte.

Os pais do personagem e outros adultos não apareceram, inicialmente, pela falta de tempo. Mas esse acaso ganhou sentido na HQ:

– Fiz só as pernas do pai porque não dava tempo para desenvolver o desenho na primeira tirinha. Ninguém sabe a cara dele, se é careca, gordo, qual a cor de sua pele… E quero que ninguém saiba, porque ele não é o mais importante. Fiz sem querer, e achei que deveria ficar.

Os outros personagens que aparecem no quadrinho são Fê, a irmã de Armandinho, e o sapo.

Em pouco tempo, a tirinha tornou-se querida em Santa Catarina. Tanto que o nome foi sugerido em um concurso promovido pelo jornal que o veicula: leitores deveriam enviar a sugestão de nome e um motivo. Logo, “Armandinho nasceu por estar sempre armando algo”.

Sucesso inesperado

A página do Facebook nasceu em novembro do ano passado, e era curtida por amigos de Beck. Mas, sem querer, uma tragédia nacional trouxe fama para ela. Alexandre Beck e sua família se mudaram de Florianópolis para Santa Maria, no Rio Grande do Sul, no fim do ano passado. Como todos os outros moradores da cidade, sentiram o luto pelo incêndio da boate Kiss, em 27 de janeiro, onde 241 jovens morreram.

– Parecíamos doentes naquele fim de semana. Criei uma só tirinha aquele dia, falando sobre o tempo na cidade, e ela teve mais de 10 mil compartilhamentos e aumentou o número de curtidas na página.

Outra tirinha muito compartilhada, e que elevou o sucesso da página e a levou além do limites de Santa Catarina, foi a da prova em que o Armandinho deveria responder o que era “essencial à vida de todos os seres vivos” e começava com a letra A. Para o pai do personagem, era “água”, mas para Armandinho, “amor”.

Beck anda sem tempo para fazer os quadrinhos, e alimenta o Facebook com histórias antigas. Entre os comentários estão elogios e alguns pedidos, como o de um livro. O autor já conversava com um amigo sobre o assunto antes da página bombar.

– Esse papo foi há duas semanas, quando pensávamos numa tiragem de 500 exemplares. Que bom poder pensar grande hoje! As tirinhas estão prontas, mas ainda estou diagramando o livro. Quero lançá-lo ainda este ano, mas ainda não sei em qual editora. O intuito é que o livro possa ser olhado com calma e tranquilidade, e que pais possam ler com os filhos. E, principalmente, que os filhos possam ler com os pais.

Diretora de escola no Rio diz ter sido agredida por aluno de 15 anos

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Segundo diretora-adjunta, “a violência não é comum na escola”.
Estudante foi transferido para outro colégio, diz secretaria.

Os alunos da escola João Kopke fizeram um cartaz escrito "Violência não" na manhã desta segunda (25), após diretora ter sido agredida por aluno. (Foto: Isabela Marinho / G1)

Os alunos da escola João Kopke fizeram um cartaz escrito “Violência não” na manhã desta segunda (25), após diretora ter sido agredida por aluno. (Foto: Isabela Marinho / G1)

Isabela Marinho, no G1

A diretora da Escola Municipal João Kopke, Leila Soares, em Piedade, no Subúrbio do Rio, afirma ter sido espancada quinta-feira (21) por um aluno de 15 anos. Segundo informou nesta segunda-feira (25) a diretora-adjunta da escola, Ana Paula, Leila sofreu lesões no rosto, ficou com a face muito machucada e está de licença. Ainda de acordo com Ana Paula, o caso foi “pontual” e “a violência não é comum na escola”.

Assista ao vídeo aqui.

A mãe de uma aluna de 13 anos, identificada apenas como Aline, contou ao G1 nesta segunda que desde que a diretora Leila chegou à escola, ela tenta “melhorar o ambiente”. Os alunos da escola fizeram um cartaz escrito “Violência não” na manhã desta segunda.

De acordo com Aline, antes de o aluno agredir a diretora, uma briga entre dois jovens, na semana retrasada, movimentou a escola. “Minha filha me contou que um aluno jogou pedra em outro, que revidou”, disse. A mãe ressaltou ainda que o consumo de drogas no entorno da escola é comum.

Jennifer foi aluna da escola há cinco anos e seu irmão estuda na instituição atualmente. Segundo ela, naquela época, já havia presenciado a tentativa de agressão de um aluno à mesma diretora.

“Acho que é porque ela quase não fica na escola. É difícil encontrá-la aqui. E quando chega quer botar moral e não consegue”, afirmou a ex-aluna. De acordo com Jeniffer, o irmão dela costuma comentar que “a pancadaria” na escola é frequente.

Uma professora da escola, que não quis ser identificada, contudo, disse que a diretora subiu para ver o que estava acontecendo no corredor. Segundo ela, o aluno estava dando uma gravata “de brincadeira” em um colega. O rapaz deu um empurrão e xingou a professora, que disse que chamaria o responsável do aluno. Foi quando ele deu um soco na diretora.

“Ela foi para a sala, ele a imobilizou, deu vários socos nela. Saiu muito sangue, enchemos uma lixeira com papeis. Ela também machucou o ouvido”, contou a professora. A diretora foi encaminhada para o Hospital Salgado Filho. A história foi publicada pelo jornal “O Dia” nesta segunda.

Medo

A professora disse ainda que os professores estão com medo, porque o aluno fez ameaças de que caso fosse expulso, voltaria para matar todo mundo.

Segundo a professora, a afirmação da ex-aluna de que Leila é omissa é uma inverdade e que “ela é muito dedicada” e fica na escola além do horário.

A mãe de uma outra aluna, que não quis se identificar, chegou na porta da escola por volta de 11h20, preocupada.

“Recebi a ligação de uma amiga me dizendo que o aluno que agrediu a diretora é morador do Morro do Urubu e que os traficantes viriam à escola pegar a diretora. Não sei o quanto disso é verdade, mas fiquei com medo e vim aqui ver. Fiquei tranquila quando vi que as portas da escola estão trancadas e que as coisas estão calmas”, contou.

Segundo nota da Polícia Civil, a vítima procurou a delegacia informando ter sido agredida por um aluno de 15 anos. O menor foi ouvido e a vítima encaminhada para exame de corpo de delito. De acordo com a delegada Cristiane Carvalho, da 24ª DP (Piedade), a vítima compareceu à delegacia sem apresentar lesões externas, contudo, foi encaminhada ao IML para averiguar lesões internas, no ouvido.

Ainda segundo a polícia, na delegacia, o aluno contou que agrediu Leila após a diretora do colégio o repreender por ele não voltar à sala após o intervalo de aula.

A Secretaria Municipal de Educação esclareceu, em nota, que não admite este tipo de conduta nas escolas da Prefeitura do Rio e já aplicou o Regimento Escolar Básico do Ensino Fundamental ao caso, com a transferência do aluno para uma outra unidade.

“É triste e lamentável. Não admitimos qualquer tipo de violência nas nossas escolas”, declarou a secretária de Educação, Claudia Costin.

De acordo com a Polícia Civil, o caso foi enviado a Vara da Infância e Juventude e foi registrado na 24º DP (Piedade).

Texto atribuído a Mário Quintana vira mantra de casamentos moderninhos

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Editoria de Arte/Folhapress

Editoria de Arte/Folhapress

Roberto de Oliveira, na Folha de S.Paulo

“Promete que fará sexo sem pudores, que fará filhos por amor e por vontade, e não porque é o que esperam de você…” Esse trecho do texto “Promessas Matrimoniais” vem causando burburinho e suspiros em casamentos.

É claro que nada disso acontece sob a tutela da igreja. Tratado como um poema, “Promessas” tornou-se uma espécie de mantra moderninho em oposição aos clássicos sermões dos padres.

Caiu nas graças daquela turma que não é chegada às celebrações tradicionais, geralmente casais jovens, de perfil, digamos, “descolado”.

Nesses eventos, assim como em redes sociais, sites e blogs sobre casamentos, “Promessas Matrimoniais” costuma ser atribuído ao poeta Mario Quintana (1906-1994), mas não é dele.

Foi criado em maio de 1998 pela escritora e colunista gaúcha Martha Medeiros, 52. O texto faz parte do livro de crônicas “Montanha-Russa”.

O casamento de Juliana Paes com o empresário Carlos Eduardo Baptista, no Rio, em setembro de 2008, ajudou a “bombar” “Promessas Matrimoniais” na web.

Só que a autoria estava equivocada.

Erro dos sites de celebridades, de quem realizou o casamento ou dos pombinhos?

Pastor queridinho dos famosos, Luiz Longuini, que celebrou a união da atriz, conta que sempre soube que o texto “era do Mario Quintana”.

Ele diz que Juliana Paes não sabia quem era o autor. “Depois do casamento descobri, pelo sucesso na mídia, que é da Martha Medeiros.”

Hoje, Juliana Paes jura que sempre soube que o texto era de Martha. “Gosto desse texto faz muitos anos. Muito antes de pensar em me casar.”

Para a fotógrafa carioca Fabricia Soares, 36, o poema é “lindo”.

“Há uma grande discussão na internet sobre a autoria. Uns dizem que é do Quintana, outros dizem que é da Martha Medeiros”, diz.

Durante a cerimônia de sua união com o fotógrafo Alexandre Marques, 42, a juíza bolou um texto que emocionou a todos, um “pot-pourri” de trechos que falavam dos noivos, suas manias e amores, e, de quebra, enxertava partes de “Promessas”.

O ambiente era a tradicional confeitaria Colombo, no centro do Rio, em uma área reservada para um almoço com 12 convidados, entre amigos e parentes.
Fabricia não conhecia o texto, tampouco o autor.

A juíza de paz Lilah Wildhagen, 56, não incluiu no discurso a parte que trata de sexo. “Evito porque o Conselho de Ética pode vir em cima da gente”, justifica. “Apesar de o sexo ser inerente ao casamento, não é mesmo?”

Às vésperas de celebrar 2.000 casamentos, Lilah conta que sempre usa trechos do texto nas cerimônias. “É uma forma de personalizar.”

A juíza pinça partes do texto com base em respostas de um questionário com 32 perguntas aplicado aos noivos antes da cerimônia.

A autoria? Ela ignora. “É de um autor desconhecido. Na internet, dizem que é de Mario Quintana. Não é. Nem dele, nem da Martha Medeiros, nem de Carlos Drummond de Andrade. Apesar de a Martha ser genial”, diz ela.

EFEITO COLATERAL

Segundo a professora Lucia Rebello, do Instituto de Letras da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em toda a obra de Quintana “não existe nada sobre casamento, promessas matrimoniais e sermões”. “Mesmo o estilo do texto não tem nada a ver com a poesia de Quintana.”

Martha, a verdadeira autora, lembra que talvez a ideia de escrever a crônica tenha surgido quando ela foi a um casamento de uma amiga.

Antes de entrar com os tópicos iniciados com a palavra “promete”, ela faz uma introdução na qual explica que “achava bonito o ritual do casamento na igreja, com seus vestidos brancos e tapetes vermelhos”, mas que o sermão do padre lhe desagradava.

“Promete ser fiel na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, amando-lhe e respeitando-lhe até que a morte os separe? [sic]’ Acho simplista e um pouco fora da realidade. Dou aqui novas sugestões de sermões.”

Segundo a escritora, há uma série de textos creditados a ela incorretamente e textos seus atribuídos a outras pessoas. “É uma chatice com a qual a gente tem que aprender a conviver”, diz.

Martha considera “impressionante” o volume de créditos errados veiculados na internet. Cita nomes como Carlos Drummond de Andrade, Caio Fernando Abreu e Clarice Lispector, que também costumam ser “vítimas” desse “troca-troca autoral”.

“Confesso que não gosto, mas não dá para fazer disso uma cruzada. É um efeito colateral da internet”, diz ela.

A escritora avisa que não gostaria de parecer “antipática”, mas que preferiria ser lida só em seus livros e nos jornais. “Além de autoria trocada, colocam enxertos, dão outros finais às histórias, criam finais melosos.”

Seja do poeta, seja da cronista, o que importa para esses casais é tentar cumprir as promessas. E ser feliz!

Ao contrário da não ficção, romances e contos brasileiros não emplacam boas vendas

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Marco Rodrigo Almeida, na Folha de S.Paulo

Basta uma rápida olhada nas listas de livros mais vendidos para notar dois cenários bem distintos no mercado editorial brasileiro.

A categoria de não ficção é dominada por livros nacionais, quase sempre ocupando os primeiros lugares.

Já entre os títulos de ficção, encontrar um autor brasileiro é como achar uma agulha em um palheiro.

O site “PublishNews”, que monitora as vendas de 25% a 35% das livrarias do país, publicou um balanço de 2012 que ilustra bem a questão.

Entre os 20 livros de não ficção de maior sucesso no ano, há 14 títulos brasileiros (veja ao lado). Biografias do bispo Edir Macedo e do empresário Eike Batista e o manual de etiqueta da colunista da Folha Danuza Leão são os maiores sucessos da categoria.

Na seara da ficção, há apenas dois autores brasileiros entre os 20: Jô Soares e Luis Fernando Verissimo, ambos no fim da lista.

O livro de Jô, “As Esganadas”, ocupa o 17º lugar no grupo liderado pela trilogia britânica “Cinquenta Tons de Cinza”. É o melhor desempenho de uma ficção brasileira em 2012, embora tenha sido lançado em outubro de 2011.

A aferição feita pelo “PublishNews” é considerada hoje pelas editoras a mais confiável do país. Ainda assim, não há números exatos de exemplares vendidos no Brasil. As listas de livros mais vendidos dependem de dados de editoras e livrarias, que nem sempre divulgam essas informações.

Escritores, autores e críticos ouvidos pela Folha apontaram tanto questões de mercado quanto artísticas para tentar, ao menos em parte, explicar o fenômeno.

LITERATURA POPULAR

“O mercado cresceu, mas ficou mais concentrado. Poucos títulos vendem muito. Neste cenário, fica difícil competir com um blockbuster internacional”, diz Otávio Marques da Costa, publisher da Companhia das Letras.

“Enquanto isso, na não ficção”, completa, “os títulos internacionais têm menos força. O público prefere assuntos que lhe são próximos, sobre nossa história. É mais fácil entrar na lista.”

Para ele, falta ao Brasil a tradição de uma literatura comercial de qualidade, que faça frente aos sucessos estrangeiros. Cita como exemplo vitorioso o caso de “As Esganadas”, editado pela Companhia.

Sergio Machado, presidente do grupo editorial Record, aponta o mesmo problema.

“Há pouca gente aqui se arriscando a fazer uma ficção mais popular. Quem poderia fazer isso bem prefere ir para a TV, escrever a novela das oito.”

Os dois maiores sucessos brasileiros do grupo em 2012, segundo o levantamento do PublishNews, são de não ficção: “A Queda”, de Diogo Mainardi, e “Encantadores de Vidas”, de Eduardo Moreira.

O último, conta Machado, recebeu uma verba de marketing “agressiva”: mais de R$ 200 mil. Um livro de ficção nacional considerado “normal” recebe cerca de R$ 2.000 de marketing.”Esse investimento é mais raro mesmo na ficção. Não adianta fazer publicidade de um produto que não vai despertar o interesse do público”, afirma.

Enquanto Companhia e Record dizem dividir seus catálogos brasileiros de forma equiparada entre ficção e não ficção, a Leya tem privilegiado este último.

“Simplesmente porque são poucos os autores de ficção que merecem publicação”, justifica o diretor-geral da editora, Pascoal Soto.

Ele esteve envolvido em alguns dos principais fenômenos da não ficção dos últimos anos, como “1808” (quando Soto ainda atuava na Planeta) e a série “Guia Politicamente Incorreto” (já na Leya).

“Na não ficção, encontramos autores dispostos a atender à demanda do grande público. Eles escrevem de forma acessível. Já os romancistas escrevem para os amigos, para ganhar o Nobel de Literatura”, alfineta Soto.

Arte/Folhapress

Arte/Folhapress

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