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Autêntica publica aguardada obra de Judith Butler

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‘A vida psíquica do poder’ combina teoria social, filosofia e psicanálise

Publicado no Jornal do Brasil

Considerada uma das maiores pensadoras da atualidade, Judith Butler concilia, com originalidade, filosofia e psicanálise em A vida psíquica do poder, lançamento da Autêntica Editora. O objetivo é propor uma teoria da formação do sujeito que considere a ambivalência dos efeitos psíquicos do poder social. Ela toma como base o pensamento de Hegel, Nietzsche, Freud, Foucault e Althusser para demonstrar como o poder fundamenta o sujeito.

Para Butler, a operação social do poder é o que gera nossa vida psíquica, e nossa psique, paradoxalmente, oculta e fortalece o poder social que a gerou. Para ela, o poder não é entendido como algo que o sujeito “internaliza”, ao contrário: o sujeito é gerado como efeito ambivalente do poder. Nesse sentido, ele é uma operação da consciência.

Filósofa estará no Brasil entre os dias 7 e 9

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Considerando a questão da subjetividade e da consciência de si, a autora faz uma investigação crítica sobre o processo de formação do sujeito que revela o sujeito consciente de si como paradoxo necessário; ela interroga como o poder produz subordinados e como estes vêm a se entender como tais.

Por mais que a maioria dos leitores de Foucault evite a teoria psicanalítica, e a maioria dos teóricos da psique evite Foucault, Judith Butler busca teorizar essa relação ambivalente entre o social e o psíquico como um dos efeitos mais dinâmicos e difíceis do poder.

Com tradução de Rogério Bettoni, a obra é lançada junto com a vinda da autora ao Brasil. Judith Butler participa do Simpósio Internacional “Os Fins da Democracia”, que acontece entre os dias 7 e 9 de novembro, no Sesc Pompeia. O seminário convida filósofos, sociólogos, antropólogos, cientistas políticos e psicanalistas da América Latina, Europa, EUA e África para discutirem as reações contemporâneas e locais ao enfraquecimento do potencial campo de consenso nas democracias liberais para o pensamento crítico contemporâneo.

Judith Butler é doutora em Filosofia pela Universidade Yale e hoje é professora de Retórica e Literatura Comparada na Universidade da Califórnia, em Berkeley. É autora de diversos livros, entre os quais se destacam Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade e Relatar a si mesmo: crítica da violência ética. Tem presença marcante em debates sobre direitos humanos e identidade de gênero e ganhou vários prêmios na área, entre eles o Adorno Prize, de Frankfurt (2012), por suas contribuições para os estudos de gênero, para a filosofia política e para a filosofia moral.

Menino de 2 anos aprende a ler o alfabeto e a contar

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Garoto de Mauá, no ABC, teve ajuda de aplicativo de celular.
Segundo especialista, tecnologia ajuda a desenvolver habilidade precoce.

arthur

Publicado no G1

Um menino de Mauá, no ABC, surpreendeu os pais ao ler as letras e pronunciar alguns números. Com apenas 2 anos e 7 meses de idade, Arthur Nunes Almeida já sabe escrever, além do seu, os nomes da mãe e da irmã, e contar até 50.

Tudo começou com um aplicativo educativo que seu pai, o vendedor José Adriano Gomes Almeida, de 38 anos, baixou no celular para distrair o menino. O programa incentiva a criança a fazer, com o dedo, o contorno da letra. Como recompensa pela tarefa concluída, o aplicativo faz sons divertidos e indica algumas palavras que começam com a letra.

O programa prendeu a atenção de Arthur. “Ele troca a chupeta pelo tablet”, brincou Almeida. Os primeiros indícios do aprendizado do garoto surgiram em um supermercado. “Ele começou a apontar para as letras dos cartazes de promoções e disse: ‘Olha, pai, esse é o A. Olha, aquele é o E’”, disse.

O pai decidiu, então, incentivar, sentando ao lado do garoto para ensiná-lo os números, os sinais matemáticos e as formas geométricas, como quadrado, círculo e triângulo.

Facilidade
Apesar de surpreender, a facilidade em aprender é algo comum para os pequenos, segundo especialistas ouvidos pelo G1. “As crianças prestam atenção a várias coisas, aprendem o tempo todo e fazem ‘leituras’ do mundo. Isso não significa que elas vão sair por aí lendo tudo ou fazendo contas, que são processos complexos. E a aprendizagem demanda tempo”, disse a pedagoga Maria Letícia Nascimento, professora do Departamento de Metodologia do Ensino e Educação Comparada da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP).

Especialista em neurociência e psicologia aplicada e fundadora do Instituto Brasileiro de Superdotação e Alterações do Neurodesenvolvimento, Claudia Hakim lembra que a tecnologia atual, disponível cada vez mais cedo para a nova geração, ajuda a desenvolver esse tipo de habilidade. “Hoje em dia, com a informatização e o uso de tablet, tem sido cada vez mais comum. Há muitos relatos desse tipo de precocidade.”

As especialistas, porém, ressaltam que a parte social não pode ser abandonada. “Pesquisas indicam que as aprendizagens sociais são mais interessantes nessa idade”, disse Maria Letícia. Ela cita principalmente o convívio com pessoas da idade do menino. “Há um conjunto de relações sociais a serem aprendidas por meio das brincadeiras e jogos com outras crianças.”

Para ela, os pais do menino devem reconhecer como interessante esse aprendizado, mas não supervaloriza-lo. Mesma opinião é defendida por Claudia. “Privar do social leva a mais dificuldades. É um desafio, mas tem que priorizar o social também.”

Docente deve voltar a ser importante na sociedade, diz diretor da Unesco

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Marcelle Souza, no UOL

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Jorge Sequeira é diretor da Secretaria de Educação para a América Latina e Caribe da Unesco

Uma das chaves para melhorar a educação na América Latina é retomar o valor social da carreira docente. É nisso que acredita o diretor da Secretaria de Educação para a América Latina e Caribe da Unesco no Chile, Jorge Sequeira. Em entrevista ao UOL durante o Bett Latin America Leadership Summit, Sequeira disse que o papel do professor deve ser reconhecido com valorização social e salarial.

“Quando eu era criança, o docente tinha muito valor social, tinha muita importância na sociedade, na comunidade, assim como os diretores de escola. Hoje em dia, essa valorização social foi perdida. Temos que recuperá-la, mas isso implica em melhores condições de vida, melhores salários, valorização social, mais importância e reconhecimento [da profissão] na sociedade”, afirma.

Segundo o diretor da Unesco, alguns países da região fizeram importantes avanços em educação, entre eles Colômbia e Brasil, mesmo que o grupo latino-americano ainda apresente desempenho abaixo da média no Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos).

“É preciso seguir adiante, manter-se sempre crescendo, formar e dar apoio aos docentes, porque são eles que realmente mudam a qualidade da educação na sala de aula. Se existe ganho de aprendizagem, o fator fundamental para melhorar a qualidade da educação são os docentes”, afirma.

Foco nos anos inciais

Sequeira defende que os países da região concentrem seus investimentos na pré-escola e nos primeiros anos do ensino fundamental. “Os países devem desenvolver políticas públicas que apontem para os mais desfavorecidos, para fortalecer a educação pública, e não necessariamente começar [o investimento] nas universidades. É preciso investir onde está a raiz da desigualdade, que é a educação pré-primária e primária”, diz.

O diretor da Unesco também destaca países como Argentina, Uruguai, México, Chile, Costa Rica, que têm procurado diversificar os seus investimentos e feito reformas nos sus sistemas educativos. Para ele, há uma tendência regional de focar os investimentos nos iniciais de ensino.

Ainda sobre dinheiro, Sequeira diz que a solução para os problemas educacionais na América Latina não está necessariamente no aumento dos recursos para o setor. Ele defende que é preciso repensar e investir melhor em áreas estratégicas.

“Muitos países não podem necessariamente colocar mais recursos, mas podem colocar melhores recursos, ou seja, direcionar o investimento para onde mais se necessita. A porcentagem do PIB [para a educação] em países como México e Argentina é de cerca de 6%, é muito recurso. Então é preciso utilizar esses recursos onde mais se necessita, que é na educação básica, sem prejudicar a educação superior”.

Mas as mudanças, diz Sequeira, não dependem apenas da mobilização do governo. “É possível [investir melhor na educação], mas requer políticas públicas a longo prazo, com continuidade, com apoio e, sobretudo, com participação de todos –jornalistas, pais, crianças, professores, funcionários, parlamentares –, porque a educação é um assunto que compete a todos, não só ao Ministério da Educação e aos docentes”, diz.

Alunas brasileiras vencem concurso de ideias inovadoras de Harvard

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Outros três estudantes de Sri Lanka, Nepal e Filipinas foram premiados.
Jovens vão para Harvard, nos EUA, expor projetos para investidores.

 

Georgia Gabriela e Raíssa Muller são as brasileiras selecionadas no programa "Village to Raise a Child" (Foto: Arquivo pessoal)

Georgia Gabriela e Raíssa Muller são as brasileiras selecionadas no programa “Village to Raise a Child” (Foto: Arquivo pessoal)

Duas estudantes brasileiras foram selecionadas em um programa que incentiva projetos inovadores de empreendedorismo social promovido por alunos da Universidade Harvard, nos Estados Unidos. No total, entre 80 inscritos, além de Georgia Gabriela da Silva Sampaio, de Feira de Santana (BA), e Raissa Muller, de Novo Hamburgo (RS), ambas com 19 anos, outros três participantes vindos do Sri Lanka, Nepal e Filipinas, foram premiados. Em novembro eles vão participar de um conferência no campus de Harvard para expor seus projetos para investidores do mundo todo e conhecer a universidade.

Chamado de “Village to Raise a Child” (significa “Vila por Trás do Jovem”), o evento realizado pela primeira vez por um grupo de alunos, ex-alunos e professores de Harvard tem objetivo de tornar conhecidas ideiam que impactem a comunidade em que os autores vivem. “A ‘vila’ significa bairro, comunidade, escola ou qualquer grupo social por trás desse jovem. Há sempre uma ‘vila’ atrás de uma ideia, de um projeto e nosso critério mais forte foi o de premiar ideias que impactem a comunidade”, diz o brasileiro Renan Ferreirinha Carneiro, de 20 anos, que integra a comissão organizadora do evento e cursa o 2º ano de economia e ciências políticas em Harvard.

Uma das premiadas é Georgia Gabriela da Silva Sampaio que pesquisa a criação de um método menos invasivo e mais barato, por meio de um exame de sangue, para o diagnóstico da endometriose, doença que acomete as mulheres. Ela começou a pesquisar o assunto há três anos, depois que tia foi diagnosticada e teve de extrair o útero, e Georgia cogitou a possibilidade de herdar a patologia, hipótese descartada até o momento.

A ‘vila’ significa bairro, comunidade, escola ou qualquer grupo social por trás desse jovem. Há sempre uma ‘vila’ atrás de uma ideia, de um projeto e nosso critério mais forte foi o de premiar ideias que impactem a comunidade”
Renan Ferreirinha Carneiro, de 20 anos, aluno de Harvard

“Fiquei pensando no contexto social e econômico e como as pessoas são privadas de ter um diagnóstico e se tratar. Desenvolvi um método de diagnóstico que pode ser feito através de marcadores biológicos que depois vai ser adaptado para um exame de sangue”, diz Georgia. Segundo ela, cientificamente não é uma ideia inédita, porém os pesquisadores “nunca foram adiante para trazer para a realidade.”

Georgia lembra que o diagnóstico da endometriose, inicialmente feito por exame de ultrassonografia, e o tratamento, que até prevê uma indicação cirúrgica, é muito restrito. “Esse olhar é voltado para minha comunidade, me senti incomodada com a possibilidade de muitas mulheres nem conseguirem ser diagnosticadas. Quero dar continuidade à minha pesquisa com ajuda de um orientador.”

A estudante concluiu o ensino médio no ano passado e neste ano vai disputar uma vaga em uma universidade americana, onde pretende conciliar cursos de engenharia e algo no campo das ciências biológicas.

Renan Ferreirinha é o único brasileiro que integra a comissão do evento (Foto: Arquivo pessoal)

Renan Ferreirinha é o único brasileiro que integra a
comissão do evento (Foto: Arquivo pessoal)

Esponja para absorver óleo
A segunda brasileira vencedora é a estudante do ensino técnico em química Raíssa Muller que criou uma espécie de esponja que repele água e absorve óleo e poderia, por exemplo, ser utilizada em acidentes com derramamento de óleo no mar. “É um filtro que funciona com criptomelano, que é um mineral pouco conhecido e tem com propriedade ser poroso. No primeiro processo aumentei a tamanho do poros e no segundo fiz uma cobertura de silicone para repelir água e absorver óleo.”

Nenhuma substância química tem esse poder, segundo Raíssa, que lembra que a palha de milho também é usada para este fim, mas depois precisa ser queimada. “Ao utilizar o filtro, o óleo pode ser absorvido e recuperado depois para que seja revendido, e o filtro pode ser reutilizado.”

Agora a estudante pretende fazer testes do produto em grande escala para verificar a aplicabilidade. “Ser selecionada no prêmio foi muito bom, é um reconhecimento para mim, para minha região. Quero expor minha ideia e minha pesquisa.”

Raíssa vai concluir o ensino técnico de quatro anos em 2015, e pretende em seguida disputar uma vaga em uma universidade americana, para mesclar estudos de psicologia e neurociência. “É a química do cérebro, para mim está tudo interligado.”

 

Fonte: G1 Educação

Um teto todo seu e 500 libras por ano: condições para escritoras, segundo Virginia Woolf

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Ela cria uma situação hipotética: e se Shakespeare tivesse uma irmã igualmente talentosa? Essa irmã poderia tentar o mesmo caminho do dramaturgo, mas muito provavelmente não conseguiria chances iguais e seu talento seria sufocado. Por mais que se diga que a genialidade não escolhe sexo ou classe, o grupo social privilegiado obtém mais condições de manifestá-la.

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Nicole Ayres Luz, no Homo Literatus

Virginia Woolf foi convidada, em 1928, para palestrar em duas universidades exclusivas para mulheres na Inglaterra sobre o tema “As Mulheres e a Ficção”. Posteriormente, seus artigos foram publicados em livro. O estilo acadêmico se mistura ao estilo ficcional da escritora em um discurso muito bem pensado e desenvolvido, feminista, sem radicalismos. Virginia começa com uma premissa: uma mulher, para conseguir ser escritora, precisa ter um teto todo seu (título da palestra) e 500 libras por ano, ou seja, um espaço para trabalhar à vontade e a situação financeira estável. Então, ela tenta exemplificar o seu argumento através de uma narrativa que descreve sua rotina e sua linha raciocínio em relação ao tema imposto.

Procurando dar um tom de generalização e afastamento, ela escolhe uma personagem para essa narrativa (apesar do uso da 1ª pessoa): Mary Seton ou Carmichael, mulher comum, culta, que possui as duas condições já expostas para escrever, porém não observa o mesmo ao seu redor. Mary passeia pelo campus de uma universidade refletindo sobre o tema “As Mulheres e a Ficção”. No refeitório, durante o almoço, nota a presença de um gato sem rabo, figura grotesca e rara. Fica no ar a reflexão sobre o que exatamente poderia simbolizar aquele gato sem rabo na universidade. A mulher? A mulher escritora? A mulher universitária? A mulher que não possui um teto todo seu e 500 libras por ano?

1À noite, Mary visita uma amiga numa universidade feminina. Durante o jantar, ela percebe o contraste entre a refeição farta do outro campus e a sopa simples daquele. Por que a verba para a universidade feminina é tão inferior? Por que as fundadoras não lutaram por mais recursos? Porque estavam ocupadas cuidando de suas casas, de seus filhos e deixando os assuntos financeiros para os maridos.

Mary resolve consultar o acervo do museu e da biblioteca e constata que há muito mais livros de homens falando sobre as mulheres do que de mulheres falando sobre homens, além da imensamente maior quantidade de escritores do que de escritoras. Os escritores e pensadores, aliás, apresentam as mais variadas opiniões sobre o sexo oposto; alguns o desprezam, outros o temem, outros o idealizam. Mary reflete sobre o patriarcado e a submissão feminina. Ela julga que os homens não querem que as mulheres descubram seu valor, por medo de que elas os superem. É o orgulho e a necessidade de autoafirmação que faz dos homens dominadores e controladores de suas companheiras, por tanto tempo e de maneira tão intensa. Ela não os culpa, apenas tenta compreender seus motivos. Entretanto, observa que muitas mulheres escritoras os responsabilizam por sua condição social desprivilegiada e isso afeta negativamente sua literatura. Analisando um conto de Charlotte Brontë, ela marca como a narrativa é interrompida para um desabafo revoltado contra a posição feminina na sociedade, o que prejudica o andamento da história. Jane Austen, ao contrário, conseguiu construir uma boa literatura, sem o peso da amargura feminista.

Virginia ou Mary é adepta da teoria de Coleridge de que a mente do escritor deve ser andrógina, para que a criação artística seja livre. No entanto, é difícil fugir das imposições do gênero. Se já é difícil profissionalizar-se como escritor, pois não há uma demanda social direta, para a mulher, é ainda mais difícil, devido às menores oportunidades, em termos de viagens, experiências culturais e sociais. Ela cria uma situação hipotética: e se Shakespeare tivesse uma irmã igualmente talentosa? Essa irmã poderia tentar o mesmo caminho do dramaturgo, mas muito provavelmente não conseguiria chances iguais e seu talento seria sufocado. Por mais que se diga que a genialidade não escolhe sexo ou classe, o grupo social privilegiado obtém mais condições de manifestá-la.

A autora reflete ainda sobre o paradoxo entre a condição privilegiada da mulher na ficção, sendo as personagens femininas da literatura normalmente fortes, e na realidade, em que se demorou tanto para que as mulheres conseguissem conquistar seus direitos, gradativamente. Ela faz um panorama das mulheres escritoras a partir do século XVIII até o início do século XX, comentando estilos e inovações.

No final das contas, Woolf deixa mais porquês do que respostas, apesar de expor suas próprias conclusões, terminando o discurso com sua voz. Dentre suas considerações finais, está o cuidado em não se comparar talentos femininos e masculinos, já que, em seu ponto de vista, é perigoso medir aptidões: “Contanto que você escreva o que tiver vontade de escrever, isso é tudo o que importa; e se isso importará por eras ou por horas, ninguém pode afirmar”. Woolf ressalta as diferenças entre os gêneros e como eles se complementam mutuamente (daí a ideia da mente andrógina do escritor, aberta para a arte, sem adotar partidos).

O curioso é perceber a pertinência da fala de Virginia até os dias de hoje. Muitas situações se mantêm atuais. O machismo tornou-se mais velado, não deixou de existir. Mesmo que as mulheres tenham obtido sua autonomia, a pressão social sobre elas é ainda maior: precisam ser boas mães, boas esposas, boas donas de casa e profissionais exemplares, além de felizes e lindas, é claro. Como arranjar tempo para escrever, ainda que haja talento?

O discurso da escritora gera, portanto, reflexões para a literatura, a história e a filosofia, pois o assunto dificilmente será esgotado. Esta edição conta ainda com um posfácio da escritora e crítica literária contemporânea Noemi Jaffe (que deixa ainda mais perguntas no ar, como: as mulheres do século XXI ainda são gatos sem rabo? e o que seria a literatura feminina, afinal?) e alguns trechos selecionados do diário de Virginia Woolf, em que é possível entrever pensamentos da autora entre uma produção literária ou acadêmica e outra. Recomendado para todas as mulheres, escritoras ou leitores, e todos os homens que as admiram e respeitam.

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Referência Bibliográfica:
WOOLF, Virginia. Um Teto Todo Seu. São Paulo: Tordesilhas, 2014.

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