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Brasil vira membro oficial do grupo de elite da matemática mundial

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Matemática (Foto: Pixabay)

 

Nathan Fernandes, na Galileu

A União Matemática Internacional (IMU, na sigla em inglês) acaba de aprovar a entrada do Brasil no Grupo 5, que reúne a elite das nações que desenvolvem pesquisas na área da matemática.

A partir de agora, o país dialoga com igualdade e se equipara a potências como Alemanha, Canadá, China, Estados Unidos, França, Israel, Itália, Japão, Reino Unido e Rússia.

“Começamos a trabalhar nisso em junho de 2017, enviando uma candidatura que expõe por que merecemos entrar no grupo”, explica Marcelo Viana, diretor-geral do Impa (Instituto de Matemática Pura e Aplicada) em entrevista à GALILEU.

O documento relata, entre outras coisas, as pesquisas que são feitas no país, além do nível das pós-graduações, publicações de livros na área e os esforços em conjunto com a mídia e através de eventos para a popularização da disciplina.

“Mas acho que uma das coisas mais espetaculares foi a conquista da Medalha Fields [o Nobel da matemática] pelo Artur Avila, em 2014”, opina Viana — que, em 2016, foi laureado com o Grand Prix Scientifique Louis D., principal prêmio científico da França.

“O fato de eu ter tido uma formação brasileira, inclusive ter feito doutorado aqui, indica que o Brasil pode formar um matemático no nível máximo profissional, é como se fosse um selo de qualidade”, reconhece Artur Avila. “Mas claro que a matemática não se faz só com uma pessoa, meu trabalho também é impactado pelo trabalho dos meus colegas.”

O presidente da Sociedade Brasileira de Matemática (SBM), Paulo Piccione, também destaca outros esforços feitos na área da educação. “Um exemplo é o incentivo que damos para a participação das mulheres nas pesquisas matemáticas”, explica ele.

“A ciência brasileira tem um problema grande de gênero, mas felizmente tivemos uma melhora nesse sentido. Além disso, hoje se produz dez vezes mais pesquisas do que produziamos na década de 1980.”

(Foto: Galileu)

Neste ano, que faz parte do Biênio da Matemática 2017-2018 — uma série de iniciativas nacionais e internacionais para estimular, popularizar e fomentar melhorias no ensino da matemática no país —, o Brasil também sedia o Congresso Internacional de Matemáticos, em agosto.

“Não é coincidência que apresentamos a candidatura numa fase já muito avançada da organização do Congresso, foi intencional”, explica Viana. “Isso porque não se trata apenas de mostrar que o Brasil é bom em matemática, mas também de mostrar que temos uma comunidade madura, capaz de organizar um evento complexo do tipo.”

A conquista marca uma batalha de mais de 60 anos do país pelo reconhecimento mundial. O Brasil é membro da IMU desde 1954, quando ingressou no Grupo 1, dois anos depois da fundação do IMPA. Em 1978, subiu para o Grupo 2, onde permaneceu até 1981, quando mudou novamente de nível. Em 2005 ingressou no Grupo 4 e só agora alcançou o Olimpo dos matemáticos.

“É o primeiro país do hemisfério sul a fazer parte do grupo de elite e, se não me engano, o único que entrou no Grupo 1 e foi galgando posições até o topo”, diz Piccione.

O reconhecimento acontece no mesmo ano em que o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) sofre um corte de 19% no orçamento em relação a 2017.

Para Marcelo Viana, não é possível fazer ciência sem um apoio consistente: “Há o risco de estragarmos tudo por causa do corte? Sim. Então espero que essa conquista notável chame atenção de quem tomas decisões importantes para continuar investindo na área”.

Afinal, quem ganha é a sociedade como um todo. “Quando o Brasil ganhou a Copa de 1958, nós passamos a ser vistos como uma potência no futebol, isso mudou a nossa auto-imagem e mudou valorização do jogador brasileiro. É o que acontece e vai acontecer com os matemáticos”, afirma Viana.

Artur Avila, no entanto, acredita ainda existir um longo caminho a ser percorrido. “A tradição matemática no Brasil é recente, é necessário intensificar essa tradição e criar uma diversificação geográfica. Somos uma país enorme, não precisamos ter recursos tão concentrados no sudeste. Precisamos também formar pessoas em áreas que não estão sendo representadas, de forma que a matemática aqui abranja a diversidade de países como a França.”

Para Ana Maria Machado há uma eclosão de novas vozes na literatura brasileira

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Escritora analisa que lugar o livro ocupa no Brasil

Publicado no JC Online

ana maria machadoUm aumento na publicação e a explosão da literatura juvenil fazem do Brasil um país em plena efervescência literária. A escritora Ana Maria Machado analisa que lugar o livro ocupa no Brasil, o convidado de honra no Salão do Livro 2015 de Paris.

P: Em que se caracteriza a literatura brasileira em comparação com seus vizinhos da América Latina?

R: A literatura brasileira é particular, em primeiro lugar, porque é escrita em português. Viemos de uma tradição levemente diferente, apesar de ser ibérica. Por exemplo, o realismo mágico, que tanto marcou a literatura hispânico-americana, não é tão frequente em nosso país. E isso embora o primeiro (a fazê-lo) tenha sido um brasileiro, Machado de Assis, que escreveu no século XIX “Memórias Póstumas de Brás Cubas”.

Temos uma tradição em geral mais realista, com o realismo social de Jorge Amado desde os anos 30 e, posteriormente, o realismo psicológico. Mas o que mais nos caracteriza hoje em dia é uma grande diversidade de vozes. Trata-se da primeira geração verdadeiramente alfabetizada em todo o país e há uma eclosão de novas vozes, de gente que escreve sobre as cidades com uma diversidade de experiências urbanas. É difícil medir onde isso vai nos levar, mas este fenômeno de efervescência é muito emocionante.

P: Este fenômeno se traduz em uma explosão no número de livros publicados?

R: Há um maior número de títulos publicados, e publicamos mais na internet que nos jornais. Na lista de escritores que vêm ao Salão do Livro de Paris há um grande número de jornalistas que reuniram seus artigos em um livro, ou que escrevem romances com esta experiência da escrita do dia a dia. Isso leva a uma escrita por vezes fragmentada, com uma linguagem muito viva, muito realista, e um apego às questões urbanas. Tivemos uma urbanização quase selvagem, devido à rapidez com que foi feita, e todos estes problemas aparecem nos livros.

Além disso, há muitos leitores jovens e a literatura juvenil está muito desenvolvida no Brasil, tanto pela qualidade quanto pelo número de escritores. Houve a partir dos anos 1990 um programa do governo que permitiu comprar livros juvenis para distribui-los pelas bibliotecas das escolas. Isso desenvolveu muito este setor do mercado.

P: Que lugar o livro ocupa na sociedade brasileira?

R: Saltamos da cultura oral à cultura audiovisual e eletrônica sem verdadeiramente fazer uma parada significativa na etapa de Gutenberg.

A sociedade brasileira sempre foi muito desigual. Isso teve consequências na educação em geral. As pessoas vêm de famílias nas quais não havia livros. Não tivemos bibliotecas suficientes. A leitura não era valorizada e há estereótipos negativos sobre as pessoas que leem.

Atualmente, há quase uma biblioteca em cada município. Mas as bibliotecas sofrem no Brasil. As pessoas não têm o costume de ir e não sabem o que se pode encontrar em uma biblioteca. Não é um espaço de ócio ou de descoberta, mas simplesmente um lugar onde os alunos fazem seus deveres.

Apesar disso, devemos ter esperança e continuar trabalhando para divulgar o livro.

Os 6 livros que descomplicaram a história do Brasil em 2012

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Desvendar a história do Brasil não precisa ser algo enfadonho nem acadêmico, como demonstram os livros a seguir, que deram ar de novo a velhos momentos da sociedade brasileira e podem ser a leitura das férias

Marco Prates na revista Exame

São Paulo – Já faz alguns anos os leitores brasileiros descobriram que História não se aprende apenas na escola ou com emburradas obras acadêmicas.

Já é moda por aqui – com razoável participação entre os livros mais vendidos – o lançamento de obras cuja função é desvendar um episódio ou um personagem de relevo para a história do Brasil, mas que não esquecem que uma das razões de um livro, não se pode negar, é ser também uma boa leitura.

É uma boa oportunidade de usar as férias para conhecer mais sobre o próprio país.

 Livro "Getúlio"

Getúlio

Não é que falte material sobre o “pai dos pobres” no Brasil. O que falta são páginas preenchidas sem a indeliberada paixão que seu nome ainda causa, quando se misturam a figura do estadista, do modernizador e do ditador. Com vasta pesquisa, o cearense Lira Neto, autor de várias outras biografias, mescla na obra o cenário político e o personagem, sempre com inúmeras fontes de informação. Este volume vai do nascimento de Getúlio até a chegada ao poder, em 1930. Mais dois volumes estão a caminho.

Getúlio – Dos anos de formação à conquista do poder
Autor:
 Lira Neto
Companhia das Letras

 

 Livro "A Carne e o Sangue"

A Carne e o Sangue

Não há melhor maneira de conhecer a história do primeiro reinado do Brasil do que inserindo nele um complicado triângulo amoroso. É exatamente isso que faz a historiadora Mary del Priore, hoje dedicada a fazer obras históricas mais palatáveis sobre diferentes momentos da história do país. “A carne e o sangue” narra a saga da relação entre o primeiro imperador brasileiro, Dom Pedro I, sua amante, Domitila de Castro Canto e Melo, conhecida como marquesa de Santos, e a Imperatriz Leopoldina. O livro mostra como a mais famosa das amantes da história do país balançou a monarquia brasileira.

A Carne e o Sangue – A imperatriz D. Leopoldina, D. Pedro I e Domitila, a Marquesa de Santos
Autora: 
Mary del Priore
Rocco

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