Contando e Cantando (Volume 2)

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O que são as virtudes e como podemos trabalhá-las

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Flávia Vivaldi, Abril

Embora seja um tema recorrente na Educação, trabalhar as virtudes com os alunos não é algo simples e requer a compreensão do conceito e do processo de construção da moralidade.

Vamos recorrer, então, à definição dada por Josep Maria Puig, professor de Teoria da Educação e coordenador do Grupo de Pesquisas em Educação Moral da Universidade de Barcelona. Ele afirma que as virtudes humanas são “o conjunto de disposições admiráveis que delineiam o melhor do caráter de um sujeito”. Segundo o estudioso, elas não são inatas e, portanto, para serem construídas como traços de caráter, precisam ser praticadas com regularidade. Uma vez adquiridas, o próprio exercício de mantê-las presente, fará com que tenham estabilidade e durabilidade.

Podemos considerar que existem diferentes tipos de virtudes, tais como:

As morais, como a justiça, que são percebidas desde cedo. A criança, por exemplo, quando passa por uma situação em que percebe que está sendo tratada diferente do colega ou do irmão, imediatamente, se manifesta.
Aquelas que, embora não sejam morais, contribuem para o exercício de outras. A coragem está entre elas. É preciso tê-la para assumir a responsabilidade por um dano ou para intervir quando vemos que alguém está sendo injustiçado ou humilhado. Nesse caso, ela pode fortalecer a honestidade e a justiça.
As virtudes que dão origem a outras, como a polidez. O uso regular das expressões “por favor”, “com licença” e “obrigado” possibilitam o desenvolvimento do respeito ao próximo, da socialização e da gratidão.

Entendido isso, vamos ao contexto da escola. Frequentemente, as instituições elaboram projeto de virtudes, para o qual as equipes gestora e docente escolhem aquelas que julgam mais necessárias por sua escassez nas relações entre os alunos e deles com os professores e funcionários. Com base nisso, são pensadas uma série de atividades criativas para dar conta da questão: debates, exposições, apresentações cênicas, produção de livros e cartilhas etc.

Mas é preciso pensar se, de fato, essa é a melhor forma de trabalhar o tema. Não podemos nos esquecer que projetos têm começo, meio e fim. Então, cabe a pergunta: quando a proposta é concluída não se trabalha mais as virtudes?

É um grande equívoco achar que elas são aprendidas apenas pelo discurso e com algumas horas-aula destinadas a trabalhar o assunto. As virtudes são adquiridas por esforço moral pessoal.Apenas o cuidado com a qualidade das relações interpessoais e o exercício constante de autorregulação de atitudes impulsivas, reativas e, muitas vezes, negativas teremos a cristalização das virtudes. É na prática diária que exercitamos – ou não – o respeito, a solidariedade, a tolerância, a responsabilidade.

O olhar do educador para planejar atividades que tratem desse tema fará toda a diferença no desenvolvimento moral dos alunos. Vou explicar melhor. Muitas vezes, os gestores e os docentes se preocupam apenas com o resultado das atividades, desconsiderando o processo,que éjustamente o momento de construir as virtudes antes de chegar ao objetivo. O respeito aos colegas na hora de falar, a escuta atenta às explicações e diferentes opiniões, e a responsabilidade, por exemplo, são – ou deveriam ser – praticados em todo momento e durante qualquer atividade proposta.

As virtudes estão presentes em todas as práticas da escola – de maneira intencional ou não. Por essa razão, é necessário aguçar o olhar e reconhecê-las nas atitudes positivas, que, certamente, existem nas turmas. Da mesma maneira, é preciso refletir sobre as negativas. Isso não significa expor os alunos a elogios ou críticas. A condução dessa discussão deve ser feita de maneira impessoal, sem nominar quem fez ou deixou de fazer algo.

Nada de doutrinação e longos sermões. Aproveite sempre as situações cotidianas que surgem em sala de aula ou na escola para propor momentos de discussão sobre o que está por trás dos fatos, identificando os princípios que sustentam e orientam as diversas ações e que, necessariamente, nos aproximam da reflexão sobre as virtudes.

Autora de ‘Comer, rezar e amar’ divulga carta em solidariedade ao Brasil

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Casada com um brasileiro, Elizabeth Gilbert estava torcendo pela Seleção, e pediu que o país cuide dos jogadores com carinho depois da vexatória derrota

Fernanda Machado, no Divirta-se

A escritora norte-americana Elizabeth Gilbert, conhecida pelo best seller ‘Comer, rezar e amar’, enviou, na noite desta terça-feira, uma carta aos brasileiros, se solidarizando com a derrota histórica contra a Alemanha. Casada com um brasileiro, a romancista afirmou que estava torcendo pela seleção canarinho.

No texto postado em sua página oficial no Facebook, Elizabeth demonstra preocupação com os jogadores que sofreram o enorme baque na partida da semifinal, e pede que o país cuide deles com carinho. No entanto, a escritora não deixa de parabenizar a Seleção Alemã pela vitória, e especialmente pelo espírito esportivo e humildade perante o resultado massacrante em cima da anfitriã do torneio.

Leia abaixo a carta na íntegra:

“Eu não poderia ir para cama hoje sem mandar amor para meus amigos no Brasil, que sofreram a mais devastadora derrota na Copa do Mundo.

Eu fico pensando naqueles garotos brasileiros que perderam o jogo hoje, e me preocupo sobre como eles vão se recuperar. Suas vidas serão profundamente afetadas por isso – e agora eles vão ter que aprender como processar o que aconteceu. Eles tiveram muita pressão em seus jovens ombros, eu acho. Se esperar que eles carregassem os sonhos de um país inteiro, enquanto jogavam em sua própria terra, enquanto competiam com lendas dos heróis do futebol brasileiro do passado, enquanto estão sendo assistidos pelo mundo inteiro…tudo isso é um pouco demais. Eu espero que esses meninos sejam apoiados, não demonizados. Eles são só crianças. Mamãe Liz fica preocupada…

Mas eu também tenho que dizer – parabéns para a Alemanha! Não só pela poderosa vitória (apesar de vocês saberem que meu casamento com um brasileiro me obriga a torcer pelo Brasil!) mas ainda mais pela graça e espírito esportivo que mantiveram um pouco de dignidade e bondade no campo hoje. Isso realmente me tocou. Vocês poderiam ter sido babacas sobre esse jogo, mas não foram. Isso foi legal.

Eu sei que é só um esporte, mas são pessoas reais jogando, e essa é verdadadeiramente uma Copa do Mundo do mundo TODO. Tudo fica muito apaixonado e caloroso, mas eu adoro esse sentimento – por alguns momentos a cada quatro anos – quando todo mundo na Terra está pensando na mesma coisa. Eu não posso evitar em me importar com isso e ficar maravilhada com isso. A emoção coletiva humana é muito impressionante, mesmo quando devastadora.

De qualquer forma…

Fique bem, Brasil, nós amamos vocês! Cuidem desses garotos; eles vão precisar disso.”

Profeta Gentileza pode se tornar ‘patrimônio afetivo’ no Rio

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Profeta Gentileza, José Datrino, conhecido pela frase: “gentileza gera gentileza”.
Divulgação

Heloisa Aruth Sturm, no Estadão.com

Talvez poucos conheçam José Datrino. Mas não há, no Rio, quem já não tenha ouvido falar, ao menos uma vez, no profeta Gentileza. Ele já foi tema de filme, livro, música. Agora, recebe homenagem da Companhia Crescer e Viver de Circo, que transformou sua história em show circense. Se “existe amor em São Paulo”, no Rio o que estampa camisetas e adesivos é “Gentileza gera Gentileza”.

Passados mais de 15 anos de sua morte, a figura de túnica branca e longas barbas e cabelos continua no imaginário carioca. Para que não se perca, organizadores de Universo Gentileza querem que ele vire “patrimônio afetivo do Rio”. Na pré-estreia do espetáculo, no início do mês, fizeram o pedido a Washington Fajardo, presidente do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade.

Fajardo disse que essa categoria de patrimônio ainda não consta na lei municipal e prometeu estudar o assunto. A peça mostra a trajetória do homem nascido em Cafelândia, interior paulista, que se mudou ainda jovem para o Rio e teve a vida transformada em 1961, após o incêndio criminoso no Gran Circus Norte-Americano, em Niterói, que deixou centenas de mortos. Datrino abandonou empresa, mulher e filhos e foi montar um jardim sobre cinzas do circo. Considerado louco por uns e poeta por outros, viveu anos como andarilho, fazendo pregações pela cidade, distribuindo flores e deixando mensagens de amor e solidariedade nas pilastras do Viaduto do Gasômetro, no centro do Rio. Apesar de o governo planejar a remodelação da área, com o fim da Perimetral, todas as pilastras com escritos serão preservadas.

Segundo um dos coordenadores da companhia circense, Vinícius Daumas, a ideia da montagem foi inspirada na leitura do livro UNIVVVERRSSO GENTILEZA, de Leonardo Guelman. “A gente hoje faz com o circo aquilo que ele fez durante muitos anos sozinho, tentando passar mensagem de gentileza, de amor. Parece um ciclo que se fecha, é a volta do profeta ao circo, mas não um circo queimado, e sim vivo”, disse Daumas. Trata-se da segunda montagem da peça, encenada pela primeira vez em 2008.

Vida. No palco, 15 artistas fazem referência a esses e outros episódios do “profeta”, como internação em hospitais psiquiátricos e restauro de seus escritos após a Companhia de Limpeza Urbana “limpar” o viaduto em 1997. Muitos dos jovens artistas são provenientes de comunidades carentes da capital e litoral fluminense que participam do Programa de Formação do Artista de Circo, da Crescer e Viver.

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