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Posts tagged Soneto

10 poemas de amor para receitar e rolar sem moderação

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publiucado no Bula

Pode ser que ele a surpreenda com um colar de estrelas cadentes caídas direto do céu da sua boca. Pode ser que ela fique louca com um anel de dias antes, um artefato simples e ordinário, feito de plástico, que ele descobriu por acaso, futricando dentro, garimpando no fundo de um saco de balas, feito um menino. O afeto disfarça-se nos detalhes, de acordo com o universo feminino. Pode ser que beijos doces redimam um homem amargo que desaprendeu com o tempo a dizer Eu te amo. São coisas que acontecem. A vida é dura. O amor amolece. Pode ser que ela banque pacotes completos para viajarem na fantasia, com tudo incluso, inclusive planos para um futuro breve e leves poemas para serem digeridos após se cometer loucuras a dois. Contra as iniquidades do mundo, a união faz a força. Pode ser que ele ouse na culinária, cozinhe, tempere de maneira extraordinária, a seu gosto, aquele prato predileto, e a convide, sem rodeios, direto, para jantarem fora, no jardim de casa, nus, hilários, criativos por causa e consequência do vinho, competindo brancuras com o luar. Pode ser que a velha chama reacenda — com o combustível dos vagalumes — corações em estado de latência. Pode ser que a ciência confirme, para o desagravo dos poetas por opção, que amar faça bem à saúde dos que se afeiçoaram à solidão.

Book pages in the shape of a heart

Book pages in the shape of a heart

*Por ocasião do Dia dos Namorados, a Revista Bula conclama os seus leitores a presentear com poesia os ouvidos de quem se ama. Pode parecer démodé — e deve ser — , mesmo assim, seguem 10 dos melhores poemas de amor de todos os tempos para recitar e rolar sem moderação.

Amor é fogo que arde sem se ver
(Luís Vaz de Camões)

Amor é um fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói, e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
É um andar solitário entre a gente;
É nunca contentar-se e contente;
É um cuidar que ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

(mais…)

Os 6 melhores poemas de Vinícius de Moraes para ler agora

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Fonte: Universia Brasil

Fonte: Universia Brasil

Publicado na Universia Brasil

Com talento nato para criar as mais belas composições com palavras, que contribuíram para a literatura, a música e a cultura brasileira, Vinícius de Moraes, ou o poetinha, como era conhecido, pode ser considerado um dos maiores nomes da poesia nacional.

Nascido na cidade do Rio de Janeiro, em 19 de outubro de 1913, Vinícius sempre foi um exemplo clássico da boemia carioca. Amante intenso e apaixonado, o poetinha casou-se nove vezes e teve incontáveis casos amorosos. Depois das mulheres, sua grande paixão era apreciar os dias, tardes e noites do Rio de Janeiro, sentado em uma mesa de bar, compondo músicas e escrevendo.

Entre seus trabalhos de maior destaque está a canção Garota de Ipanema, feita em parceria com Tom Jobim, gigante da Música Popular Brasileira (MPB). O hit foi composto para a modelo Helô Pinheiro, mas se tornou um hino para reverenciar a beleza da mulher carioca.

Vinícius de Moraes, que além de escritor e compositor foi diplomata do governo brasileiro, jornalista e dramaturgo, faleceu no ano de 1980, em sua cidade natal. Seu legado de composições atemporais e populares se perpetuou pelos anos e ainda ocupa um espaço de imensa importância nas aulas de literatura brasileira.

Para celebrar o Dia Mundial da Poesia, a Universia Brasil fez uma seleção dos melhores poemas de Vinícius de Moraes, com trechos de suas composições mais famosas, como o Soneto da Fidelidade e A Rosa de Hiroxima, que falam sobre questões sociais, exaltação à pátria, mas, principalmente, amor. Veja a seguir:

soneto-de-fidelidade

soneto-de-separacao

soneto-do-amor-total

a-rosa-de-hiroxima

receita-de-mulher

ternura-poema

Os 10 maiores poemas brasileiros de todos os tempos

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Carlos Willian Leite, na Revista Bule

Pedimos a 50 convidados — escritores, críticos, professores, jornalistas — que escolhessem os poemas mais significativos de autores brasileiros em todos os tempos. Cada participante poderia indicar entre um e dez poemas. Nenhum autor poderia ser citado mais de uma vez. 40 poemas foram indicados, mas, destes, apenas 24 tiveram mais de três citações. São eles: “A Máquina do Mundo”, “Procura da Poesia”, “Áporo” e “Flor e a Náusea”, de Carlos Drummond de Andrade; “O Cão Sem Plumas”, “Tecendo a Manhã” e “Uma Faca Só Lâmina”, de João Cabral de Melo Neto; “Invenção de Orfeu”, de Jorge de Lima; “O Inferno de Wall Street”, de Sousândrade; “Marília de Dirceu”, de Tomás Antônio Gonzaga; “Cobra Norato”, de Raul Bopp; “O Romanceiro da Inconfidência”, de Cecília Meireles; “Vozes d’África”, de Castro Alves; “Vou-me Embora pra Pasárgada” e “O Cacto”, de Manuel Bandeira; “Poema Sujo” e “Uma Fotografia Aérea”, de Ferreira Gullar; “Via Láctea” e “De Volta do Baile”, de Olavo Bilac; “Canção do Exílio”, de Gonçalves Dias; “As Cismas do Destino” e “Versos Íntimos”, de Augusto dos Anjos; “As Pombas”, de Raimundo Correia; “Soneto da Fi­delidade”, de Vinícius de Moraes. Eis a lista baseada no número de citações. Por motivo de direitos autorais, alguns poemas tiveram apenas trechos publicados.

A Máquina do Mundo
(Carlos Drummond de Andrade)

E como eu palmilhasse vagamente
uma estrada de Minas, pedregosa,
e no fecho da tarde um sino rouco

se misturasse ao som de meus sapatos
que era pausado e seco; e aves pairassem
no céu de chumbo, e suas formas pretas

lentamente se fossem diluindo
na escuridão maior, vinda dos montes
e de meu próprio ser desenganado,

a máquina do mundo se entreabriu
para quem de a romper já se esquivava
e só de o ter pensado se carpia.

Abriu-se majestosa e circunspecta,
sem emitir um som que fosse impuro
nem um clarão maior que o tolerável

pelas pupilas gastas na inspeção
contínua e dolorosa do deserto,
e pela mente exausta de mentar

toda uma realidade que transcende
a própria imagem sua debuxada
no rosto do mistério, nos abismos.

Abriu-se em calma pura, e convidando
quantos sentidos e intuições restavam
a quem de os ter usado os já perdera

e nem desejaria recobrá-los,
se em vão e para sempre repetimos
os mesmos sem roteiro tristes périplos,

convidando-os a todos, em coorte,
a se aplicarem sobre o pasto inédito
da natureza mítica das coisas.

(Trecho de A Máquina do Mundo, de Carlos Drummond de Andrade).

Vou-me Embora pra Pasárgada
(Manuel Bandeira)

Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive

E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d’água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada

Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcaloide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar

E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.

Poema Sujo
(Ferreira Gullar)

turvo turvo
a turva
mão do sopro
contra o muro
escuro
menos menos

menos que escuro
menos que mole e duro
menos que fosso e muro: menos que furo
escuro
mais que escuro:
claro
como água? como pluma?
claro mais que claro claro: coisa alguma
e tudo
(ou quase)
um bicho que o universo fabrica
e vem sonhando desde as entranhas
azul
era o gato
azul
era o galo
azul
o cavalo
azul
teu cu
tua gengiva igual a tua bocetinha
que parecia sorrir entre as folhas de
banana entre os cheiros de flor
e bosta de porco aberta como
uma boca do corpo
(não como a tua boca de palavras) como uma
entrada para
eu não sabia tu
não sabias
fazer girar a vida
com seu montão de estrelas e oceano
entrando-nos em ti
bela bela
mais que bela
mas como era o nome dela?
Não era Helena nem Vera
nem Nara nem Gabriela
nem Tereza nem Maria
Seu nome seu nome era…
Perdeu-se na carne fria
perdeu na confusão de tanta noite e tanto dia

(Trecho de Poema Sujo, de Ferreira Gullar).

Soneto da Fidelidade
(Vinícius de Moraes)

De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

Via Láctea
(Olavo Bilac)

“Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto…

E conversamos toda a noite, enquanto
A Via Láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: “Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?”

E eu vos direi: “Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas.”

O Cão Sem Plumas
(João Cabral de Melo Neto)

A cidade é passada pelo rio
como uma rua
é passada por um cachorro;
uma fruta
por uma espada.

O rio ora lembrava
a língua mansa de um cão
ora o ventre triste de um cão,
ora o outro rio
de aquoso pano sujo
dos olhos de um cão.

Aquele rio
era como um cão sem plumas.
Nada sabia da chuva azul,
da fonte cor-de-rosa,
da água do copo de água,
da água de cântaro,
dos peixes de água,
da brisa na água.

Sabia dos caranguejos
de lodo e ferrugem.

Sabia da lama
como de uma mucosa.
Devia saber dos povos.
Sabia seguramente
da mulher febril que habita as ostras.

Aquele rio
jamais se abre aos peixes,
ao brilho,
à inquietação de faca
que há nos peixes.
Jamais se abre em peixes. (mais…)

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