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Livros impressos na hora renovam tradicional livraria de Paris

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Impressora produz livros em uma média de tempo de quatro minutos. Gabriel Brust / RFI

Impressora produz livros em uma média de tempo de quatro minutos.
Gabriel Brust / RFI

 

O Quartier Latin em Paris é conhecido pela Sorbonne, por maio de 68 e por ser um ponto de encontro de intelectuais. Mas as famosas livrarias do bairro não estão imunes à transformação do mercado editorial. A loja da editora Presses Universitaires de France – Les PUF para os íntimos – agora não tem mais quase nenhum livro em suas prateleiras.

Gabriel Brust, na RFI

Fundada há 100 anos como a primeira editoria de Ciências Humanas da França, a Les PUF agora oferece seu catálogo de 5.000 títulos em um tablet. O cliente escolhe a obra, pode incluir as anotações que quiser e imprimir o livro na hora.

É o conceito on demand agora para livros. Além das publicações da editora, o leitor também encontra cerca de 3 milhões de títulos em diversas línguas, incluindo português, graças à parceria com a fabricante norte-americana da impressora.

A máquina imprime qualquer livro em uma média de quatro minutos. A inovação permitiu à livraria fundada em 1921 manter suas portas abertas, em um momento difícil para o mercado editorial local. As compras pela internet e os altos custos de alugueis em Paris levaram 28% das livrarias da cidade a simplesmente fecharem suas portas nos últimos 15 anos.

“Decidimos fazer isso por uma questão de espaço. Não podemos mais abrir livrarias de 600 metros quadrados como antigamente, por questão de custo de aluguel”, explica Alexandre Gaudefroy, gerente da livraria. “O público recebeu a inovação muito bem, porque a livraria havia desaparecido do bairro por mais de 10 anos. Isso mostra que mesmo as editoras mais clássicas são capazes de inovar”, diz o editor.

Mesmo preço

Com a novidade, a editora agora controla toda a cadeia de produção de seu produto, o que, segundo Gaudefroy, compensa o fato de cada exemplar ter um custo mais alto do que se fosse impresso em grandes quantidades. Mas o preço final ao consumidor, ele garante, é o mesmo de outras livrarias. A prensa de Gutenberg do século 21 da Les PUF imprime entre 25 e 35 obras por dia.

O fim do estoque permitiu a Les PUF se mudar para um local menor, com custos reduzidos. A livraria saiu da equina da Praça da Sorbonne, agora ocupada por uma marca de roupas famosa, e se mudou para uma quadra próxima. Mas sem nem pensar em abandonar o Quartier Latin.

Aluna de escola pública aprende francês em casa e é aprovada na Sorbonne

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Marcelle Souza, em UOL

As primeiras aulas de francês começaram na cozinha de casa, onde a filha virou aluna e a mãe, professora. Naquela época, Natália Marques não sabia que as lições iriam levá-la tão longe: hoje ela estuda letras modernas na Universidade Paris-Sorbonne.

Mas o caminho até a França não foi simples. Natália sempre estudou em escolas públicas e a família não tinha dinheiro para matricular nenhum dos três filhos em um curso de idiomas. “Eu vi que os primos dela aprendiam inglês desde criança. Então eu disse ‘filha, não posso pagar, mas vou te ensinar o que eu sei”, conta a mãe Sandra Marques, que aprendeu as primeiras palavras em francês com uma amiga e depois ganhou uma bolsa para estudar o idioma na adolescência.

Sem dinheiro para um curso da filha, a mãe instalou um quadro branco na cozinha e começou a ensinar Natália aquilo que sabia. Sandra é professora de educação infantil e, por causa da fluência em francês, nas horas vagas trabalha como baby sitter (babá) em casa de famílias estrangeiras que moram no Brasil.

Por influência da mãe, Natália também começou a trabalhar cuidando de crianças francesas no horário de folga da escola. Em 2012, foi convidada para acompanhar uma família francesa que iria voltar para o país.

“Fiz cursinho e fui aceita na PUC com bolsa integral pelo Prouni. Mas, para minha surpresa, no primeiro semestre de aula recebi uma proposta para ser au pair [babá] na França e não hesitei: larguei tudo e vim para cá”, diz.

Ficou quase um ano trabalhando por lá e voltou com um novo sonho: fazer uma faculdade na França. Foi um longo ano de preparação para o exame de proficiência, com muitas horas de estudo em casa, e a seleção. “Tinha dias que não aguentava mais estudar e tudo parecia tão impossível que tinha vontade de chutar o balde. Mas minha mãe sempre dizia que eu era inteligente e que podia ir longe”, diz.

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“Quando li o e-mail dizendo que tinha sido aceita na Sorbonne, as lágrimas caíram involuntariamente. Chorei em silêncio. Depois li o e-mail mais uma vez e então comecei a gritar e a dar risada ao mesmo tempo. Pensei que a minha mãe fosse desmaiar”, diz.

Há cinco meses em Paris, Natália mora na casa dos pais do namorado e viveu boa parte desse tempo com os cerca de 200 euros que a família conseguia mandar mensalmente. Assim que chegou conseguiu um emprego, mas teve que abandoná-lo para dar conta dos estudos.

“Sempre soube que o ensino na escola pública no Brasil era precário, mas vindo para cá senti na pele essa diferença. Os outros alunos sabem um pouco sobre tudo. Alguns até me ensinam coisas sobre a história do Brasil que eu mesma não conhecia. Às vezes é vergonhoso”, diz. “Eu sinto que tenho progredido, e esse segundo semestre já está bem melhor que o primeiro. Os professores são bem compreensivos e estão sempre à disposição, isso ajuda bastante”.

Agora com um novo emprego, ela busca outra moradia e pretende ajudar outros brasileiros que sonham em estudar na França. “Estou desenvolvendo um blog e um canal no YouTube para ajudar e incentivar pessoas que querem vir para cá”, conta.

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