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Aos 11 anos, poetisa comemora mil livros vendidos e dá até palestras

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Jovem se inspira em momentos do cotidiano (Foto: Carlos Dias/G1)

Jovem se inspira em momentos do cotidiano (Foto: Carlos Dias/G1)

 

Exemplar foi publicado em fevereiro deste ano, após convite de editora.
‘Escrever é minha paixão’, diz adolescente de Sorocaba (SP).

Publicado no G1

“Uma jovem garotinha, começando a crescer. Uma bela menininha, aprendendo a viver”. Esse é um trecho das diversas poesias da escritora mirim Ana Cristina Rodrigues, de Sorocaba (SP). Aos 11 anos, a jovem comemora mil exemplares vendidos do livro “Sementes de Ana Cristina”, após ser convidada a publicar a obra em fevereiro deste ano.

Em entrevista ao G1, a poetisa conta que a relação dela com a literatura começou aos 6 anos, antes mesmo de aprender a escrever. De forma despretensiosa, juntando folhas de caderno e formando pequenos livros, na época já se formava a paixão pelas palavras. “Sempre fui curiosa, acredito que isso tenha ajudado na época em que estava aprendendo a escrever. Além disso, minha mãe lia livros para mim antes de dormir, o que me fez aprender a ler e até a escrever um pouco, antes de entrar na escola”, lembra Ana.

Conforme ia crescendo, a criatividade e a vontade de aprender a acompanhavam. Motivada pela família, ela usava histórias em quadrinhos, músicas e livros adquiridos pelos pais. “Apesar de ser uma novidade tudo isso para mim, eu sempre apresentei histórias para ela, porém, eu não imaginava que ela aquilo estava a ajudando a se tornar uma poetisa”, diz a mãe, Andréia Rodrigues.

Sementes plantadas
A vida de Ana se transformou fazendo o que mais gosta: declamando versos. De acordo com ela, para não guardar para si mesma e apresentar para outros amantes da poesia os seus versos, ela aperfeiçoou a técnica com visitas frequentes a um sarau na cidade. “Tenho um vizinho que também é poeta e ele sempre via os meus textos. Foi então que ele me levou em um sarau, tudo com apoio dos meus pais, que nunca me forçaram a nada”, comenta a mini escritora.

Em meio a pesquisas e percepção do dia a dia, surgiu a inspiração para a poesia “Amigos de verdade”. Nos versos estão momentos com amigos da época, retratados em rimas que garantiram o convite inesperado do representante de uma editora para que um livro dela, com 20 poesias, fosse publicado. “Ficamos feliz com o convite, mas não tínhamos nenhuma condição de pagar a publicação. Dias depois da proposta, ele retornou e disse que os 100 primeiros seriam de presente para ela. Com o passar do tempo, compramos de acordo com a quantidade de venda, que nos surpreendeu já no primeiro dia de lançamento, com 52 exemplares vendidos”, comemora a mãe.

'Amigos de Verdade' foi a poesia que 'abriu portas' (Foto: Carlos Dias/G1)

‘Amigos de Verdade’ foi a poesia que ‘abriu portas’ (Foto: Carlos Dias/G1)

 

A obra repercutiu e passou a marca dos mil exemplares vendidos, cada um por R$ 10. A poetisa agora tem a preocupação com agenda de palestras. Com um banner, caixas de livros e o microfone em mãos, ela busca despertar a leitura dentro de escolas e motivar adultos nas empresas. “Em escolas eu tento ajudar os outros da minha idade ou até mais velhos a terem o gosto pela leitura e a importância de entender e saber cada vez mais as palavras. Já para os adultos em empresas, a minha missão é mostrar a minha história e mostrar que nunca deve desanimar da vida e temos que acordar cedo e batalhar por aquilo que queremos”, diz.

Apesar da correria entre palestras, poesias e estudos, ela garante que consegue se organizar para que o rendimento rendimento escolar não seja prejudicado. “Faço todas as lições e até ajudo as amigas que pedem dicas”, brinca.

Poesia e romance
Empolgada com a nova experiência, dois livros estão prontos para serem publicados: um de poesias, com vocabulário mais diversificado e um romance. “Leio muito. Só em 2015 quase 200 livros já passaram por mim. Isso aperfeiçoou meu conhecimento. O novo livro de poesia é inspirado em tudo que vejo. Já o romance apresenta a história de um casal que se conheceu na infância aos 8 anos e, após encontros e desencontros, só se casam aos 85 anos, depois de momentos bons e ruins”, finaliza a jovem.

Se lançar um livro é um sonho já realizado, a pequena escritora mira o futuro, apesar do receio em uma carreira focada apenas nos livros. “Escrever é minha paixão. Mas sei que não dá para viver só com a venda de exemplares. Por isso, penso em fazer uma faculdade de Direito ou até Publicidade e Propaganda, mas sempre escrevendo”, revela a poetisa.

Livros são vendidos em um shopping em Sorocaba (Foto: Carlos Dias/G1)

Livros são vendidos em um shopping em Sorocaba (Foto: Carlos Dias/G1)

Ex-detento cria editora para publicar livros que escreveu em penitenciária

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Ex-presidiário encontra na literatura chance para abandonar vida no crime (Foto: Divulgação / ViisionFilm)

Ex-presidiário encontra na literatura chance para abandonar vida no crime (Foto: Divulgação / ViisionFilm)

Morador de Sorocaba (SP) já escreveu cinco romances.
‘Vou de porta em porta, mas vou sobreviver e ser reconhecido’, diz.

Jomar Bellini, no G1

Tráfico de drogas, decepções amorosas e força de vontade. Estes são os principais capítulos da história de um ex-presidiário de Sorocaba (SP) que encontrou na literatura a motivação para abandonar a vida no mundo crime e seguir adiante. Aos 41 anos, após cumprir pena em seis penitenciárias diferentes, Paulo Henrique Milhan abriu a própria editora para publicar suas obras e driblar o preconceito. A vida dele, inclusive, já virou até um filme divulgado na internet (veja o vídeo abaixo).

Natural de Andirá, no interior do Paraná, Milhan é o terceiro de cinco irmãos e mora com os pais em uma casa no Jardim Santa Bárbara, em Sorocaba. Mas é difícil encontrá-lo na cidade: ele começou uma jornada para divulgar, de porta em porta, o último livro, intitulado “Tarde Demais para Acreditar no Amor”.

A história do ex-presidiário começou há mais de 20 anos, quando se envolveu com o tráfico de drogas. “Comecei sem nenhum motivo específico, foi simplesmente ilusão de ganhar dinheiro rápido, ter carros, casas, mulheres, etc”, conta.

A primeira prisão aconteceu em 1995, na cidade natal. “Gastei um bom dinheiro com advogado, então em 20 dias, o processo estava arquivado”, diz ao explicar que depois se mudou para a cidade de Piedade (SP), na região de Sorocaba.

Em Piedade ele trabalhou em uma oficina com o irmão por seis meses, até voltar a investir na venda de entorpecentes e a ser preso novamente em novembro de 1996, desta vez condenado a três anos de cárcere (sendo dois na cadeia e o restante na rua, em condicional).

Escritor passou por seis prisões diferentes e acumula condenações por tráfico de drogas (Foto: Divulgação / ViisionFilm)

Escritor passou por seis prisões diferentes e acumula condenações por tráfico de drogas (Foto: Divulgação / ViisionFilm)

Em 1998, ele foi preso mais uma vez após se mudar para Sorocaba e morar nos bairros Vila Sabiá e Bairro dos Morros – dois lugares que aparecem com frequência nos boletins de ocorrência envolvendo drogas. “Fui condenado a 5 anos e 10 meses de prisão e levado ao Centro de Detenção Penitenciária (CDP) de Sorocaba na ala D cela 9, onde morei por mais de um ano. Depois fui transferido para Avanhandava e Andradina”, relembra.

Desilusão amorosa
Foi com o concurso de poesias na última penitenciária que Milhan começou a escrever. A inspiração saiu de um amor mal resolvido, interrompido pela prisão. “Escrevi a poesia contando a minha história e o meu sentimento de desprezo pela pessoa que eu estava apaixonado, a Jaqueline, e me inscrevi no concurso”. “Desprezo”, explica ele, porque a moça nunca chegou a visitá-lo enquanto estava preso. “Eu escrevia cartas para a Jaqueline, mas elas nunca foram respondidas.”

Por questões pessoais, Paulo decidiu sair do concurso, mas a poesia serviu de base para escrever o seu primeiro romance. “Ela foi como um roteiro. Outros detentos gostaram e começaram a pedir emprestada para escrever para esposas e namoradas que os haviam abandonados na prisão. Após eu criar a poesia, comecei a idealizar o livro”, conta. Devido a temores de uma possível rebelião, o texto não começou a ser colocado no papel.

Milhan ficou preso durante três anos e seis meses, sendo liberado após (mais…)

Libertado pela literatura

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Maíra Fernandes no Cruzeiro do Sul

Sofro preconceitos até hoje, mas detesto falar disso; os obstáculos estão para serem ultrapassados e não lamentados – Por: Divulgação

Ele foi condenado a mais de 100 anos de prisão pelos crimes cometidos ainda muito jovem. Cumpriu mais de 30. Do sistema carcerário, saiu há nove anos, mas liberdade mesmo já havia conquistado tempos antes, ironicamente quando foi parar na chamada cela forte, uma espécie de solitária para castigar os presos no sistema carcerário.

Para passar o tempo, um amigo comentava os livros que havia lido com ele, e acabou o incitando à leitura de obras como “Escuta, Zé Ninguém!”, de Wilhem Reich, “Um Homem”, de Oriana Falltti , a coleção “O Tempo e o Vento”, de Érico Veríssimo, entre outros, que não o ajudaram apenas a enfrentar os tempos difíceis dentro da penitenciária, mas foram responsáveis pela transformação na vida de Luiz Alberto Mendes, 60 anos e há 12 anos escritor e colunista do site da revista Trip.

Ainda preso, Mendes aprendeu a ler e a gostar de ler, escrever e a gostar de escrever, e que também tinha talento para a literatura.
Longe do crime e perto da escrita, ele hoje dá palestras, realiza oficinas e, claro, escreve muito. “Escrever, escrever, escrever. Criar, criar, criar. Arte, arte, arte, finalmente” é o que aspira para o futuro o escritor que vem hoje para Sorocaba lançar o seu mais recente trabalho, o livro “Cela Forte”, pela editora Global, na livraria Nobel do Sorocaba Shopping, às 19h. O livro tem apresentação do escritor Marcelino Freire e faz parte da coleção “Literatura Periférica”. “Conheço muito gente em Sorocaba. Fiz oficinas de leitura e escrita em quase todas as penitenciárias da região, estive fazendo palestras em quase todas as universidades sorocabanas, vivi momentos grandiosos de amor na Fazenda Ipanema, tenho um conhecimento com as pessoas assentadas lá na fazenda, em suma; depois de Embú das Artes (onde moro) e São Paulo, Sorocaba é o lugar onde mais estive e onde tenho mais contatos. Gosto da cidade”, declara.

Antes de “Cela Forte”, Mendes já havia publicado os livros, “Memórias de um Sobrevivente”, onde conta sobre sua vida na penitenciária. O livro, primeira obra do ator, foi lançado m 2001, com o apoio do escritor Fernando Bonassi e do médico Dráuzio Varella, pela Companhia das Letras. Em 2004, lançou “Tesão e Prazer” pela editora Geração Editorial e em 2005 publicou “Às Cegas”. Para se ter uma ideia, mal recebeu a sentença de liberdade e já estava lançando livro na Bienal de São Paulo e dando entrevistas. “Escrever é a parte mais intensa, que toma mais meu tempo e a única que realmente me arrebata a alma e expande a vida”, explica Mendes, que fugiu de casa ainda menino, para se libertar das mãos pesadas do pai alcoólatra, e ganhar as luzes da cidade que tanto o encantavam.

As experiências vividas dentro do sistema carcerário são recorrentes nas obras de Mendes e isso não o incomoda, pelo contrário, o escritor sabe que, quer queira ou não, difícil desassociá-lo de sua própria história. No entanto, ele adianta que explora outros gêneros como teatro, cinema, poesia. “Se criminoso é quem comete crimes, eu fui criminoso porque cometi vários crimes. Conto e até rio e brinco com o meu passado, quando não o choro. Não ligo muito para recepções. Quem quiser me julgar que julgue, fazer o que não é mesmo? Mas não esqueçam: cumpri a pena máxima do país e mais um pouco, não devo nada. Estou há nove anos aqui fora, reabilitado jurídica e socialmente e sou um escritor, um professor às vezes; são 60 anos de experiência e quase 40 anos de leituras. Torno-me útil socialmente e contribuo o quanto posso.” Confira a entrevista ao Mais Cruzeiro:

Quem era o Luiz antes de ir parar na penitenciária e como você recebeu a sua sentença da prisão?
Fui criado em Juizado de Menores (Fundação Casa, agora). Tive um pai alcoólatra e uma fascinação muito grande pelas luzes e liberdade que imaginava encontrar no centro da cidade de São Paulo. Então, aos 11 anos, comecei a fugir de casa e ir para a cidade. A polícia trazia para casa, o pai espancava e eu fugia novamente. Aprendi a roubar com os meninos que não tinham pais ou eram foragidos como eu que moravam na cidade como eu (nichos de prédios, “mocós”…). Sobrevivi à sanha dos policiais na cidade, aos comissários de menores, às vitimas de nossos pequenos roubos, sendo preso e fugindo sempre até completar a maioridade. Quando percebi, estava condenado a mais de 100 anos de prisão e tinha cerca de 23 anos de idade. Não sairia mais. Não recebi, sobrevivi a todas as sentenças e condenações que me imputaram. Não havia planos antes de sair, eu nem acreditava que sairia mais, rua era ilusão para mim.
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