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Clubes de livros provam que a leitura continua movendo paixões no Brasil

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No Centro de Referência da Juventude, o #ClubedolivroBH chega a reunir até 300 pessoas todo o trimestre, oferecendo três horas de palestras, brincadeiras e sorteio de livros

Paulo Henrique Silva, no Hoje em Dia

Nas redes sociais, já são mais de 40 mil seguidores falando de um mesmo tema: literatura. Durante os encontros presenciais, que acontecem trimestralmente no Centro de Referência da Juventude, na região central de Belo Horizonte, o gosto por histórias de diversos gêneros leva à lotação máxima.

Criado há cinco anos pela blogueira Letícia Pimenta, o #ClubedolivroBH é a prova de que a crise econômica e a digitalização das obras podem ter afetado livrarias e editoras – algumas delas se viram forçadas a negociar com fornecedores para não fecharem as portas –, mas não quer dizer que o gosto pelos livros tenha acabado.

Como a foto acima pode comprovar, não se trata de um clube exclusivo de mulheres, algo que já existe desde 1868. Naquele ano, jornalistas mulheres não puderam participar, por machismo, de um encontro literário e fundaram o Sorosis – tipo de associação presente no recém-lançado filme “Do Jeito que Elas Querem”, com Diane Keaton e Jane Fonda.

O clube mineiro tem “gente de todo tipo, de todos gêneros, raças, idades e bairros”, como Letícia faz questão de frisar. Tem sido assim desde que a blogueira resolveu compartilhar o amor pelos livros. “Eu queria ajudar outras pessoas a descobrirem como o livro é bom e que, ao começarem a ler, enxergariam um novo mundo”.

Ela lembra que o início não foi fácil. Como numa obra de entendimento mais complexo, precisou de persistência. “Por meio do blog, percebi que havia muita gente como eu, amante dos livros, e vi a necessidade de conhecê-los. Procurei uma livraria e marquei o encontro. Foram quatro pessoas apenas”, lembra.

Sem nova chance na livraria, ela passou o encontro para o Parque Municipal, onde o público foi crescendo gradativamente, a partir de “gincanas literárias” e da ideia de transformar o livro num meio de se falar do cotidiano. “Deu certo! Com um ano e meio, virou um boom”, recorda Letícia.

No escuro

Os participantes nunca sabem o título do livro. Nas redes sociais, a organizadora dá pistas, especialmente em relação ao gênero. “É no escuro mesmo, o que acaba sendo um atrativo. No dia, falo sobre o livro e, mesmo que a pessoa não o tenha lido, acaba participando da discussão”.

As editoras já perceberam o potencial do grupo para estimular as vendas e 35 delas enviam publicações para a avaliação da blogueira. “Escolho seis por evento, após pesquisa em torno do gênero no catálogo das editoras”, registra Letícia, que também sorteia 50 exemplares por encontro.

A estudante de Biomedicina Stephanne Manini Pereira, de 20 anos, frequenta o #ClubedolivroBH há três anos. “Simplesmente me apaixonei pelo evento. É uma experiência única. Amo ler e, com o clube, fiz várias amizades que vou levar para o resto da vida”, assinala.

Fracasso das livrarias ajudou a criar ‘novo varejo’

Um dos muitos clubes de assinatura de livros que foram criados no Brasil, nos últimos anos, a TAG tem hoje cerca de 35 mil assinantes ativos, que recebem mensalmente um kit de obras escolhidas por curadores. “Não sei se o público está consumindo menos livros. Não me parece”, observa o sócio-fundador Arthur Dambros.

Empresa gaúcha, criada há quatro anos, conta hoje com cerca de 35 mil assinantes ativos, boa parte deles jovens – TAG/Divulgação

E não adianta culpar a tecnologia pela baixa venda em livrarias. Segundo o executivo, “ler em papel” ainda está longe de ser um hábito de gente mais velha. Na TAG, a média de idade dos assinantes é de 34 anos. “Os clubes por assinatura são o ‘novo varejo’. O varejo está indo relativamente mal porque os leitores estão buscando novas formas de consumir”.

Na Leiturinha, os kits variam entre R$ 39,90 e R$ 74,90, dependendo do número de livros e da forma de adesão. Na TAG, existem duas opções: a “Curadoria”, em que um escritor de renome faz a seleção, ao preço de R$ 59,90, e “Inéditos”, em que livros prontos de editoras são lançados com exclusividade, no valor de R$ 39,90

Repaginado

A poetisa Ana Elisa Ribeiro salienta que não se trata de uma novidade, já que clubes de assinatura existem desde a década de 1920, com a mesma premissa: envio de uma determinada quantidade de títulos para quem paga mensalidade. “A ideia é velha, mas agora retomaram num formato digital”.

Para Dambros, o modelo é bem-sucedido por uma série de fatores que inclui o simples desejo de sair da “zona de conforto literária”. Ele observa que, geralmente, as pessoas vão às mesmas seções de uma livraria e, nas lojas digitais, o algoritmo sugere o mesmo tipo de livro comprado anteriormente. “Vamos contra a miopia literária, contra os vícios”, diz.

Outro fator importante é que o livro sai por um preço mais em conta. “Além de receber em casa, junto a outros benefícios, o leitor ganha uma edição exclusiva, só dele. Para a editora, também é vantajoso, porque ela levaria três, quatro anos para vender a mesma quantidade de livros”, detalha Dambros.

Ana Elisa já teve um livro lançado no modelo, o “Pulga Atrás da Orelha”, em parceria com o Clube Leiturinha, de Poços de Caldas, o mais importante no segmento infantojuvenil, com 120 mil assinantes.

“Para o autor e para a editora, é ótimo. Além da vantagem financeira, especialmente num momento de dificuldade do varejo, o livro vai direto para a mão do leitor”, compara.

Ela lamenta, no entanto, que a escolha seja feita por outra pessoa. “É preciso confiar que farão uma boa escolha”, assinala a escritora, que fez um estudo sobre os clubes de assinatura em 2016, realizando trabalho de campo na Leiturinha.

Feedback

Coordenadora de curadoria e conteúdo da Leiturinha, Cynthia Spaggiari é formada em Filosofia e Psicanálise e comanda equipe de dois psicólogos, dois comunicólogos e um pedagogo.

“Fazemos nossa seleção de acordo com o desenvolvimento infantil, buscando promover o hábito da leitura a partir da interação familiar. Acredito que esta seja uma das razões do sucesso”, explica.

A curadoria leva em conta o feedback dos pais. “Como os livros chegam como surpresa, temos a preocupação de não ofender nenhuma família, evitando questões políticas ou de gênero. Nossa função é promover a interação familiar e se não o pai se nega a fazer a intermediação, fica complicado”, explica.

Concurso Cultural Literário (152)

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Imprensa feminina e feminista no Brasil
Século XIX

Constância Lima Duarte

Imprensa feminina e feminista no Brasil traz para o leitor contemporâneo um grandioso painel onde ressurgem nada menos que 143 jornais e revistas que circularam no país ao longo do século XIX e que tinham a mulher como público-alvo. Surpreende a multiplicidade de títulos, a amplitude que alcançaram no território nacional e o fato de refletirem as polarizações então vigentes quanto ao papel da mulher na sociedade. Enquanto alguns se empenharam em acompanhar a transformação dos tempos e defenderam seu direito de frequentar escolas e espaços públicos, outros a queriam estacionada na ignorância e na dependência, reiterando a fragilidade e se limitando a falar de moda, filhos e culinária.

Fruto de dedicada pesquisa sobre a história das mulheres e do movimento feminista no Brasil, o Dicionário apresenta uma cartografia que vai de norte a sul do país. Alimentado por fontes primárias raras ou de difícil acesso, cumpre com eficiência o papel de mapa e guia norteador de novas pesquisas, contribuindo para preencher lacunas acerca da história da mulher brasileira na busca por seus direitos e na construção de sua identidade.

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Em parceria com a Autêntica, vamos sortear 3 exemplares de “Imprensa feminina e feminista no Brasil“, o novo livro de Constância Lima Duarte

Para concorrer, responda na área de comentários:

Qual a importância de uma imprensa feminista para a mulher brasileira?

Se participar via Facebook, por favor deixe seu e-mail de contato.

Para ficar sempre por dentro das novidades e promoções, sugerimos que curta as páginas dos envolvidos neste concurso cultural:

O resultado será divulgado dia 12/5 neste post.

Participe e divulgue!

 

Atenção para as sorteadas: Mariana Miranda, Giovanna Berriel Matsumoto e Rosane Dornelles. Entraremos em contato via e-mail.

Promoção: Deus é vermelho

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Dia 3/7 sortearemos 3 exemplares de “Deus é vermelho” da Ed. Mundo Cristão.
Para participar, basta seguir as regras abaixo:

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Parabéns aos ganhadores: Gerlane Oliveira, Letícia Delacourt e Roney de Carvalho

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