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Posts tagged Stanley Kubrick

Livro ‘2001 – Uma Odisseia no Espaço’ ganha versão maravilhosa para comemorar 50 anos

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Publicado no Hypeness

Da mesma forma que o hominídeo pré-histórico se espanta de tal forma diante do monólito alienígena no início do filme 2001: Uma Odisséia no Espaço, que dispara uma guinada radical na evolução da espécie, a plateia também se viu em espanto diante do filme de Stanley Kubrick que completou 50 anos esse ano – e que também provocou uma radical transformação na evolução do cinema.

Arthur C. Clarke e Stanley Kubrick no set do filme

Junto do aniversário do filme, o livro 2001: Uma Odisséia no Espaço, escrito por Arthur C. Clarke enquanto o escritor desenvolvia com Kubrick o roteiro do filme, em 1968, também completa 50 anos – e uma edição realmente especial será lançada em celebração.

A Edição Histórica 50 anos é uma parceria entre a editora Aleph, referência nacional em livros de ficção científica, e a plataforma de financiamento coletivo Catarse, e tudo no projeto, desde a embalagem até os presentes especiais e exclusivos, fazem referência ao universo do filme e do livro. A começar pela caixa, projetada como uma releitura do robô HAL 9000, um dos grandes vilões da história do gênero. Junto do livro propriamente, especialmente ilustrado por João Ruas – e que em seu projeto gráfico único, todo preto, remete ao icônico monolito – essa edição traz como presente um “osso”, símbolo do justo encontro entre nossos ancestrais pré-históricos e a tecnologia alienígena imortalizado em cena do filme.

Acima, o monolito no filme; abaixo, o livro

Além do texto original, o livro traz um texto in memorian de Arthur C. Clarke para Stanley Kubrick, um prefácio especial do autor, e os contos “A Sentinela” e “Encontro no Alvorecer”, também de Clarke, que serviram como base para a feitura do roteiro. Como não poderia deixar de ser, o livro será realizado através de uma campanha de financiamento coletivo, que entrou no ar no dia 19 de setembro e ficará até dia 14 de novembro, em modo tudo ou nada.

Logo, se você quer que essa joia da literatura e do cinema exista, e especialmente em sua casa, visite a página da campanha e invista – trata-se de um projeto exclusivo, que não será lançado em livrarias ou feiras.

2001: Uma Odisseia no Espaço | Livro mostra detalhes da criação do clássico de Stanley Kubrick

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Publicação foi lançada pela Todavia

Fabio de Souza Gomes, no Omelete

A Editora Todavia lançou este mês no Brasil 2001: Uma Odisseia no Espaço – A Criação de uma Obra-Prima, publicação escrita por Michael Benson sobre a criação do clássico dirigido por Stanley Kubrick. Confira a capa:

Em 1964, Stanley Kubrick e Arthur C. Clarke se juntaram para, nas palavras do diretor, “fazer o primeiro filme de ficção científica que não seja considerado lixo”. Quatro anos depois, 2001: Uma odisseia no espaço seria lançado. Agora, o autor reconta como foi a criação do filme, de sua gênese ao lançamento em 1968.

O autor entrevistou Clarke, bem como Christiane, viúva de Kubrick, e Doug Trumbull, o criador dos efeitos-especiais do filme, captando não apenas a epopeia cinematográfica mas também a complexidade da relação de Kubrick e Clarke. O resultado é um misto de making of, ensaio e análise do filme.

2001, uma odisseia no espaço

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Douglas Pereira, no Cafeína Literária

2001, uma odisseia no espaço
Arthur C. Clarke

Já comentei por aqui que gosto de literatura fantástica, desde que o livro mantenha uma perna dentro da realidade. Criar um mundo encantado ou inventar criaturas mágicas/místicas não é um salvo conduto para absurdos. Na literatura tudo é válido, mas é preciso levar o leitor com maestria até o seu mundo. Bem como setar regras coerentes que não ofendam a inteligência de quem lê.

O mesmo vale para ficção científica. Mesmo que o autor suponha falar do futuro e de toda a utopia (ou distopia) com a qual ele possa se parecer, tudo soará falso se as leis da física e da natureza não forem respeitadas.

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O livro 2001, Uma odisseia no espaço de Arthur C. Clarke, é um magnífico exemplo de livro que respeita as leis da realidade e, indo além, prediz o futuro, imaginando itens que vieram a existir de verdade. É aquele tipo de clássico que revoluciona e vira referência, e que dá origem a uma corrente de outras obras. Há até uma novela global em que existe um computador igualzinho ao HAL do filme, ambos baseados neste livro.

Aliás, falando no filme, decidi ler o livro justamente porque assisti novamente ao filme e, mesmo sendo muito bom, tinha um final… Vamos dizer… Esquisito. Busquei o livro então como uma forma de tentar entender o que Kubrick queria dizer e logo nas primeiras páginas me apaixonei.

A narrativa é dividida em três tomos (igual ao filme). Cada qual com seu núcleo de conflito próprio, mas ligados entre si pela premissa do monolito encontrado. A narração é em terceira pessoa, mas tende a ser indireta livre e não ao estilo demiúrgica. Cada tomo mantém o ponto de vista restrito ao do personagem em foco.

O autor demonstra alguns lampejos poéticos, mas o seu estilo pesa mais para o sóbrio, conferindo à obra um tom de seriedade que corrobora diretamente para manter a verossimilhança. Se ele tendesse demais ao lirismo, a ficção científica descambaria para a fantasia.

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Arthur C. Clarke e Stanley Kubrick no set (foto: http://hollywoodandallthat.com/)

Ele é tão meticuloso em montar sua previsão de futuro que peca um pouco pelo excesso de descrições. Suas explicações de como máquinas e dispositivos futuristas funcionam devem ter impressionado muito no tempo em que o livro foi escrito. Hoje em dia, o que impressiona é menos o dispositivo em si do que a forma muito assertiva com que ele deduz tecnologias que realmente vieram a existir. O que mostra um trabalho meticuloso de pesquisa e uma inteligência e imaginação muito acima da média.

No posfácio, o autor comenta um pouco sobre seu processo de criação e sua relação com Kubrick e Carl Sagan. Com essa dupla de amigos influenciando-o, era de se prever que o texto se tornaria uma obra prima.

Para os amantes da ciência, como eu, este livro abre uma janela por onde saltamos de braços abertos, flutuando num mar de divagações e imaginações. Entrou para meus top 10.

Ganha um merecido café vienense.
★★★★★

E se Saul Bass tivesse criado a abertura de “Game of Thrones”?

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A resposta está nesta sequência assinada por Milan Vuckovic

Amanda de Almeida, no B9

Saul Bass fez muita coisa bacana ao longo de sua frutífera carreira, mas talvez as aberturas e pôsteres de filmes de Alfred Hitchcock, Stanley Kubrick e Martin Scorsese sejam os mais presentes na memória do grande público.

E foi inspirado por este grande mestre que o designer alemão Milan Vuckovic criou uma abertura alternativa para uma de suas séries favoritas (e nossas também), Game of Thrones.

Tão bacana quanto o trabalho gráfico é a trilha sonora, assinada por Scott Bradlee e Dave Koz, que confere aquele ar de suspense e mistério dos clássicos de Hitchcock ao tema original criado por Ramin Djawadi.

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A breve infância do pai de Lolita

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Vladimir Nabokov

Publicada pela primeira vez na íntegra, tradução da autobiografia de Vladimir Nabokov mostra como o encerramento de sua juventude aristocrática influenciou na criação do mito do sexo prematuro

Ana Weiss, na IstoÉ

Uma das lembranças mais vívidas do livro de memórias de Vladimir Nabokov é uma borboleta de asas cor de cereja, com um olho de pavão em cada uma delas.

O detalhe tocante, descreve ele em “Fala, Memória”, que sai agora no Brasil com o texto na íntegra, ficou por conta das asas um tanto deformadas do inseto, “porque havia sido retirada da prancha cedo demais, com ansiedade demais”. Os detalhes tocantes da autobiografia, na realidade, são muitos e passam por acontecimentos históricos que vão da década que antecedeu a Revolução Russa, em 1917, à ascensão nazista na Europa, através da lente de um dos maiores nomes da literatura de emigrante. E os pormenores voltam, durante o livro ao mesmo ponto: a beleza precocemente colhida, a infância interrompida antes do tempo, mote de sua personagem mais famosa, Lolita, que o tornou conhecido fora dos círculos literários.

Vladimir Nabokov nasceu numa família aristocrática, herdeira de terras em São Petersburgo. Amparados por 50 criados, os Nabokov dividiam o tempo entre suas casas na cidade e no campo, tendo a educação dos filhos delegada a preceptores em línguas diferentes, algo de grande serventia com a chegada da Revolução Russa, a onda que devastou a vida idílica do clã, que nunca mais retornaria à terra natal. “Minha velha (desde 1917) briga com a ditadura soviética não tem qualquer relação com questões de propriedade. É total o meu desprezo pelo emigrado que ‘odeia os vermelhos’ porque eles ‘roubaram’ seu dinheiro e sua terra. A nostalgia que venho alimentando todos esses anos é uma sensação hipertrofiada de infância perdida, não de tristeza por dinheiro perdido”, escreve ele no quinto

Sue Lyon como "Lolita"

NAS TELAS
Sue Lyon como “Lolita”, na versão de 1962 filmada por Stanley Kubrick. A menina
emancipada sexualmente pelo padrasto se tornou a personagem mais
famosa do escritor, que morreu em 1977 na Suíça

Lolita, de Nabokov

 

Não há como ignorar o ressentimento que conduz a narrativa. O autor russo vivia, até a chegada da revolução bolchevique, como um pequeno príncipe bajulado, que se distraía com as joias e as peles da mãe em sua cama “…aquelas tiaras, gargantilhas e anéis cintilantes pareciam para mim dificilmente inferiores em mistério e encantamento à iluminação da cidade durante as festividades imperiais”. Tinha orgulho de um tio materno, general na luta vitoriosa contra Napoleão Bonaparte. E lembrava do pai de farda, muitos anos depois de dispensado do serviço militar, assim vestido para o batizado cristão do primeiro filho. Aos 18 anos, o primogênito, que adoecia facilmente para receber presentes na cama, vivia em Londres distante dos parentes, exilados em Berlim. “As numerosas doenças que experimentei na infância aproximaram ainda mais minha mãe e eu”, conta nos capítulos dedicados às longas férias familiares na propriedade rural em Vyrna, sua “caverna primordial”. “Depois de 1923, quando ela (a mãe de Nabokov) se mudou para Praga e eu morava na Alemanha e na França, não consegui visitá-la com frequência; também não estava com ela quando morreu, o que se deu na véspera da Segunda Guerra Mundial.”

Aos 7 anos com o pai, Vladimir Dmitrievich Nabokov

ÁLBUM
Aos 7 anos com o pai, Vladimir Dmitrievich Nabokov,
filho liberal de uma tradicional família aristocrata

A culpa de Nabokov transcendia a intimidade familiar. Seus romances mais importantes, “A Verdadeira Vida de Sebastian Knight” (1941) e “Lolita” (1955), foram escritos primeiro em inglês e só muito depois traduzidos para sua língua materna. Apesar do sucesso a partir dos anos 50, pagou as contas no estrangeiro ensinando literatura russa, atividade que deixou de exercer bem cedo. Nas suas aulas (leia ao lado) apontava como grande falha de colegas de profissão maiores que ele, como Nikolai Gógol e Fiódor Dostoiévski justamente a falta de conhecimento do povo que deixou para fugir do comunismo. O livro foi publicado pela primeira vez com o título “Prova Conclusiva”, que o autor mudou na edição de 1966 para o atual “Fala, Memória”, também em inglês. A tradução da Alfaguara traz pela primeira vez em português o 16o capítulo, um exercício em que Nabokov resenha o próprio livro como se fosse uma terceira pessoa. Um dos pontos destacados pelo texto crítico é o esclarecimento para os leitores ocidentais de quão livres as ideias e opiniões circulavam até 1917, época em que era possível capturar borboletas-do-pavão, espécie muito rara “em nossas florestas do norte”.

críticas de Nabokov a outros autores russos

Foto: The Kobal Collection/MGM; Acervo de família

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