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Filme que concorre ao Oscar é inspirado por obras de Stefan Zweig

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Em 22 de fevereiro, há 73 anos, autor deixou carta de adeus em Petrópolis.
O “Grande Hotel Budapeste” concorre em nove categorias.

Publicado no G1

 

O filme “O Grande Hotel Budapeste” concorre neste domingo (22) ao Oscar, em 9 categorias. A história é baseada nos livros do autor austrí­aco Stefan Zweig, que passou os últimos dias de sua vida em Petrópolis, na Região Serrana do Rio, com a mulher, Lotte. Um museu aberto na Cidade Imperial, 73 anos depois da morte deles, registrada entre 22 e 23 de fevereiro, conta a história do escritor, considerado um dos maiores do mundo.

Casa onde autor morreu virou museu em Petrópolis (Foto: Reprodução / Inter TV)

Casa onde autor morreu virou museu em
Petrópolis (Foto: Reprodução / Inter TV)

O museu foi criado em julho de 2012, e o acervo atrai visitantes de todas as partes, principalmente, pela curiosidade envolvendo o mistério da morte do casal. Foi em Petrópolis que Zweig e Lotte encontraram a paz que precisavam ao se refugiar da Segunda Guerra Mundial, mas também foi na cidade que eles resolveram dar um fim a própria vida, tomando uma overdose de medicamentos. No museu, está exposta a carta de despedida deixada por eles, datada no dia 22 de fevereiro de 1942, cinco meses depois da assinatura do contrato de aluguel da casa.

O historiador, Joaquil Eloy, conta que o autor escolheu Petrópolis pelo clima semelhante ao de sua terra natal, mas a paz durou pouco.

“Quando ele recebeu a informação de que havia navios brasileiros na costa sendo bombardeados pelos alemães e quando, imediatamente, o presidente Getúlio Vargas fez a declaração de guerra à Alemanha, Stefan Zweig pensou, certamente: ‘a guerra chegou até aqui e eu não tenho mais para onde ir’. Então, ele preferiu esse caminho, da morte”, explica o historiador.

A estudante austríaca Katharina Wegerer fez uma visita à última moradia do escritor conterrâneo e gostou de ver o espaço bem conservado e a história preservada.  Os intessados em conhecer a Casa de Stefan Zweing podem visitá-la de sexta a domingo, das 11h às 17h, com entrada franca. A casa fica na Rua Gonçalves Dias, 34, no bairro Valparaíso.

Inspiração para o cinema e teatro
Em Petrópolis, Stefan Zweig escreveu apenas um livro, sendo um grande tabuleiro de Xadrez a única referência dessa história, como conta a gerente da casa, Dora Martini. Ela confirma que ele escreveu o livro todo ali, e que depois virou peça de teatro na França e um filme na década de 60. Mas ao longo dos anos, muitos diretores de cinema e roteiristas se inspiraram na obra de Zweig, tendo, atualmente, cerca de 60 filmes baseados em seus livros, um deles é “O Grande Hotel Budapeste” que concorre ao Oscar neste domingo (22). A cerimônia será exibida pela TV Globo, logo após o Big Brother Brasil.

Autor passou fim da vida exilado no Brasil (Foto: Reprodução / Inter TV)

Autor passou fim da vida exilado no Brasil
(Foto: Reprodução / Inter TV)

O Filme
O Grande Hotel Budapeste concorre ao Oscar em nove categorias, incluindo a de melhor filme. O diretor e roteirista Wes Anderson declarou que duas obras de Zweig inspiraram o roteiro: os livros “O mundo que eu vi” e “Cuidado da piedade”.

A narrativa do filme lembra a do escritor: conta uma história dentro de outra história. Três personagens fazem referência a Stefan Zweig, entre eles o gerente do Grande Hotel Budapeste, figura central da trama, e o escritor, que narra a historia, Jude Law.

A estudante carioca Ana Luiza de Carvalho, durante uma visita ao museu em Petrópolis, assistiu ao filme e lembrou das cores fortes e dos personagens marcantes e grotescos.

“Todos têm detalhes muito característicos. Tem o bigodinho do ajudante dele, do menino indiano que trabalha com ele”, destacou.

No final da trama, o diretor do filme atribui a inspiração ao escritor austríaco, que passou os últimos dias em Petrópolis, fazendo um agradecimento à sua obra genial.

 

Obras do autor inspiraram roteiro do filme O Grande Hotel Budapeste (Foto: Reprodução / Inter TV)

Obras do autor inspiraram roteiro do filme O Grande Hotel Budapeste (Foto: Reprodução / Inter TV)

 

Casa onde autor morreu virou museu em Petrópolis, no RJ (Foto: Reprodução / Inter TV)

Casa onde autor morreu virou museu em Petrópolis, no RJ (Foto: Reprodução / Inter TV)

Sujeito que apelidou Brasil de “país do futuro” se matou, diz autor

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Publicado na Folha de S.Paulo

Ioschpe traça um panorama sobre o sistema educacional brasileiro

Em “O Que o Brasil Quer Ser Quando Crescer?”, Gustavo Ioschpe afirma que, graças às condições atuais da educação, “o sujeito que apelidou o Brasil de ‘país do futuro’ se suicidou”.

A edição reúne artigos publicados na revista “Veja”, entre julho de 2006 e setembro de 2012, que apresentam o que o autor considera uma crise no sistema educacional brasileiro, tanto público quanto privado.

Segundo ele, salário de professores ou volume de investimento em educação não levará a uma melhora da qualidade do ensino no país.

Ioschpe deixa de lado as discussões filosóficas e ideológicas e foca em práticas e resultados.

Abaixo, leia um trecho de “O Que o Brasil Quer Ser Quando Crescer?”.

1. A falência da educação brasileira

O sujeito que apelidou o Brasil de “país do futuro” se suicidou. Não é uma condenação, mas não deixa de ser um indício. Se Stefan Zweig estivesse vivo hoje, provavelmente se mataria de novo ao notar quão distante da realização sua profecia se encontra, mais de sessenta anos depois. Nosso futuro está penhorado porque não cuidamos do patrimônio mais importante que um país tem: sua gente. Se dependermos da qualificação dela para avançarmos, tudo leva a crer que continuaremos vendo os países desenvolvidos de longe e que, assim como a geração anterior viu o Brasil ser ultrapassado pelos tigres asiáticos, a nossa irá testemunhar a passagem de China, Índia e outros países menores. Enquanto os países de ponta chegam perto da clonagem humana, nós ainda não conseguimos alfabetizar nossas crianças.

Não é exagero, infelizmente. O último levantamento do Inaf (Indicador Nacional de Alfabetismo Funcional realizado pelo Instituto Paulo Montenegro) mostrou que apenas 26% da população brasileira de 15 a 64 anos é plenamente alfabetizada. Deixe-me repetir: três quartos da nossa população não seria capaz de ler e compreender um texto como este. Na outra grande área do conhecimento, a Matemática, a situação é igualmente desoladora: só 23%, segundo o mesmo Inaf, consegue resolver um problema matemático que envolva mais de uma operação, e apenas esse mesmo grupo tem capacidade para entender gráficos e tabelas.

Esses indicadores são o produto final de um sistema de educação que apresenta deficiências, de modo geral, em todas as etapas do ensino, em todo o país (ainda que as tradicionais diferenças regionais também se manifestem na área educacional) e tanto nas escolas públicas como nas privadas. É um quadro que não pode ser creditado ao nosso subdesenvolvimento, pois países muito mais pobres tiveram (Coreia) e têm atualmente (China) desempenhos muito melhores que os nossos. Na área da educação, especialmente de ensino básico, nossos pares são os países falidos da África subsaariana.

O exemplo mais claro dessa falência é também o mais preocupante, por estar na origem de todo o sistema: o nosso índice de repetência nos primeiros anos. Segundo os dados mais recentes da Unesco, 31% de nossos alunos da primeira série do ensino fundamental são repetentes. Na nossa frente, apenas as seguintes “potências”: Gabão, Guiné, Nepal, Ruanda, Madagascar, Laos e São Tomé e Príncipe. A taxa da Argentina é de 10%, a da China e da Rússia de 1%, a da Índia de 3,5% e de praticamente zero nos países industrializados da OCDE.

Na segunda série, temos mais 20% de repetentes. É possível, portanto, que metade dos alunos que adentram nossas escolas tenha repetido uma série já no segundo ano de ensino. Isso não é apenas preocupante pelo efeito que a repetência tem na autoestima dos alunos, nem pelo custo bilionário a mais gerado por eles. O que mais inquieta é: imagine a qualidade de um sistema de ensino que reprova a metade dos seus alunos justamente na fase onde se transmite o conhecimento mais básico, de ler e escrever; que torna eliminatório um período que é meramente um rito de passagem nos outros países.

Se não conseguimos alfabetizar, conseguiremos ensinar Matemática, Química, Geografia? Conseguiremos ensinar nosso aluno a pensar? Conseguiremos torná-lo um cidadão consciente? Claro que não. Não conseguimos nem mantê-lo na escola até o seu término. A má qualidade perpassa todo o sistema. (mais…)

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