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A era do escritor-espetáculo

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Além de escrever bem, os novos autores precisam saber divulgar seus livros

Danilo Venticinque na revista Época

Na pré-história da literatura, o escritor que saltitava de evento em evento para divulgar seu livro era chamado de arroz de festa. Não importava o tema ou o local: lá estava ele, esticando sua rede de contatos no mercado editorial e, com alguma sorte, conquistando um a um os raros leitores. Hoje há mais feiras literárias do que escritores no Brasil, e os escritores também se tornaram festas. Em seus sites pessoais, blogs e perfis em redes sociais, há milhares de leitores dispostos a acompanhar seus passos. Não basta ler seu autor favorito: é preciso segui-lo, curtir suas fotos, comentar seus posts e divertir-se com fragmentos de sua personalidade. Qualquer página no Facebook é uma festa literária permanente em que autores podem encontrar seus fãs e interagir com seus colegas.

Cada autor sabe a melhor maneira de cativar sua audiência. Paulo Coelho publica textos curtos e vídeos em diversos idiomas. Neil Gaiman mantém um diário com pensamentos aleatórios e fotografias de suas viagens. O poeta Carpinejar compartilha aforismos sobre amor no Twitter. Thalita Rebouças já gravou até um vídeo em que canta e ensina seus 130 mil fãs a fazer mousse de maracujá. Não te apetece? Pouco importa. Se os escritores são como festas, basta lembrar que cada uma é feita para um público diferente. A diversão de uns pode ser insuportável para outros. Quem não gostou de uma festa pode procurar outra. Com um pouco de persistência, é inevitável encontrar algo que lhe agrade.

Há inúmeras vantagens na postura adotada por esses escritores. Eles ajudam a popularizar a leitura, dividem com as editoras a difícil tarefa de divulgar seus livros e consolidam seus nomes no mercado editorial. Também se divertem, aparentemente. Mesmo assim, há quem seja criticado por dizer o óbvio. Numa entrevista recente ao jornal O Globo, o escritor Raphael Draccon afirmou que não haveria espaço para autores reclusos, no estilo Rubem Fonseca, no mercado nacional de livros de fantasia. Foi o suficiente para provocar uma polêmica literária nas redes sociais – algo raro hoje em dia.

 

Pouco tempo depois, Draccon publicou um texto ressaltando que o comentário era apenas sobre autores de fantasia, e que em outros estilos as regras seriam diferentes. Concordo com a entrevista e discordo da correção: excetuando os gênios incontestáveis (e raríssimos), que editora preferiria um eremita das letras a um escritor que sabe vender seu trabalho? O brasileiro até lê, mas vender livros no país não é fácil. Se um autor não se dispõe a incentivar a leitura e a divulgar seus livros na internet e em eventos literários, é bem possível que ele esteja na profissão errada.

Isso não se deve apenas a novas regras do mercado editorial, mas também a mudanças na maneira como todos nós vivemos e consumimos informações. Na disputa pela atenção dos jovens leitores, um livro concorre com fotos de gatos, notícias de celebridades e vídeos de comédia. É uma luta inglória e desigual, que só pode ser vencida com uma boa estratégia e algum esforço. Nenhum escritor estreante arriscaria ser recluso como Rubem Fonseca. Para não desaparecer nas redes sociais, é preciso falar constantemente. O silêncio é o caminho mais curto para a irrelevância.

Para a nova geração de autores, a busca pela fama já virou tema de livros. Em Suicidas, seu primeiro romance policial, o carioca Raphael Montes, de 22 anos, conta a história de um jovem escritor que faz um pacto sangrento para garantir o sucesso póstumo de seu livro. Na vida real, o autor se contenta em manter uma página no Facebook em que divulga eventos, publica fotos enviadas por leitores, compartilha resenhas do livro e dá pistas sobre seus próximos trabalhos. Até agora, a estratégia deu certo: seu livro de estreia vendeu mais de 5 mil exemplares.

 

Outra autora que escreve sobre o desejo de ser uma estrela é Carolina Munhóz, de 24 anos. A protagonista de seu terceiro romance de fantasia, Feérica, é uma fada que decide ser famosa e se inscreve num programa de talentos na televisão. Há algo em comum entre a autora e a personagem. O próximo projeto de Carolina é protagonizar um reality show ao lado de Draccon, com quem é casada há três anos. O programa, previsto para 2014, mostraria a rotina de um casal de jovens escritores no Brasil, seus encontros com fãs e outros eventos. Curiosamente, a ideia causou menos polêmica do que a menção de Draccon a Rubem Fonseca. Faz algum sentido. Com tantos reality shows na televisão, sobre os temas mais variados, por que não um com escritores? É a evolução natural de uma geração que perdeu a vergonha de se expor para divulgar seus livros.

Os escritores da pré-história achariam tudo isso ridículo. Para os novos autores, ridículo é não ser lido.

 

Professor veste a mesma roupa há 40 anos

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Conheça este curioso personagem que em 1973 decidiu não mudar mais o estilo de suas roupas.

Publicado por G1

Podemos até não concordar, mas a camisa branca de gola alongada com estampas de bolinha e a jaqueta marrom são considerados itens clássicos da moda masculina – ou pelo menos já foram. Pois é exatamente isso que tenta demonstrar o professor Dale Irby, por meio de uma série de fotografias que ele mesmo publicou na internet.

Da noite pro dia, Irby acabou se tornando um hit “viral” na rede ao ter suas fotos republicadas em sites e redes sociais em todo o mundo.

Professor veste a mesma roupa há 40 anos. (Foto: BBC)

Professor veste a mesma roupa há 40 anos. (Foto: BBC)

Este instrutor de ginástica da escola primária Prestonwood, na cidade norte-americana de Dallas, no Texas, tem vestido exatamente estas mesmas roupas para cada umas das 40 fotos oficiais da escola, em cada ano escolar, desde 1973.

Ao final desse longo período, a sequencia de fotos de si mesmo, que começa com um rosto jovem e mais magro, além dos cabelos castanhos, termina como uma pessoa mais madura, de rosto mais arredondado, cabelos grisalhos, quase brancos.

De acordo com o jornal britânico Metro, tudo começou por acidente, quando o professor notou que havia utilizado a mesma vestimenta por dois anos seguidos.

Para alívio de sua esposa, que seguramente não perderia a oportunidade de fazer alguma crítica ao guarda-roupa de Dale. “Cathy, a quem conheci em meu primeiro ano como professor, me pediu para repetir a roupa no ano seguinte. Daí em diante, não paramos mais”, conta Irby.

Estrela da internet

Há pouco tempo, para relembrar os anos de trabalho, já que agora se aposentou, aos 63 anos de idade, decidiu postas as fotos na internet. E não passou despercebido.

Colocadas em ordem, as fotos se tornam interessantes. Elas testam a imaginação, com todo o tipo de suposição que pode ser feita para relembrar da vida e um veterano professor de ginástica de uma escola primária de Dallas, no Texas.

Na primeira imagem que aparece, uma incontestável expressão de um mestre novato. Em outro ano, a pose já é mais erguida, orgulhosa, mas também com um ar mais sério.

Numa outra foto, parece que está a ponto de contar uma piada, enquanto em outras transmite uma certa “malandragem”. Já em outra imagem transmite um ar de inteligência, sabedoria.

Na última, a impressão é a de que ele não pôde ocultar nada, ficando exposto.

Mas as diferentes expressões faciais, sempre com um sorriso discreto, destacam também um bigode quase inalterado. Há algumas diferenças nos óculos, que em algumas fotos tem lentes e suporte de orelha menores ou maiores.

Vintage

Não está claro, no entanto, se em todos estes 40 anos ele vestiu exatamente a mesma roupa de 1973, quando a primeira fotografia foi tirada, ou se vem renovando a vestimenta comprando peças idênticas.

Num olhar mais atento, a camisa e a jaqueta parecem extremamente alinhadas em todas as suas 40 imagens.
Em termos do mundo fashion, a roupa de Irby poderia ser chamada de vintage.

As fotos não podem ser consideradas como exemplos de qualidade, mas o traje do professor é a clássica definição de clássico.

dica do Guilherme Massuia

Adolescente cria imagens surrealistas com efeitos de edição

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Zev Hoover, de 14 anos, criou série de fotos que lembram contos infantis
Imagens mostram contraste entre tamanho da pessoa e de outros elementos

Zev Hoover, de 14 anos, cria imagens surreais em seu projeto de fotografia “Little folk” Reprodução de internet / Fiddle Oak

Zev Hoover, de 14 anos, cria imagens surreais em seu projeto de fotografia “Little folk” Reprodução de internet / Fiddle Oak

Publicado em O Globo

RIO – Esta imagem parece ter sido extraída de um livro de contos infantis, mas é, na verdade, uma montagem com fotografias. O criador dessa e de outras fantásticas montagens é o americano Zev Hoover, de 14 anos. O adolescente da cidade de Natick, em Massachusetts, criou a série “Little folk” (ou Gente pequena, em tradução livre para português), na qual trabalha desde agosto de 2011 com a colaboração de sua irmã, Nellie, de 18 anos.

Para criar suas fotos surrealistas, ele brinca em programas de edição com a proporção de tamanho. É possível perceber pela grandeza dos elementos das imagens em comparação com as – pequenas – pessoas. Basta ver como o próprio Zev aparece nas imagens: montar uma torre de baralhos sendo da altura das cartas, voar segurando duas penas enormes em cada braço, ou estar na companhia de outra pessoa em um barco, feito com palitos de sorvete e uma folha, iluminado apenas por uma vela.

Em seu blog pessoal, o adolescente mostra o making off das imagens. Por exemplo, a imagem na qual voa em um avião de papel foi feita em algumas etapas. Os aviõezinhos foram presos em fios, e estes colados em uma placa de isopor (que, segundo ele, é um difusor que cria uma luz agradável nos objetos). As fotos foram tiradas com uma lente “tilt and shift” – na qual cenários reais parecem miniaturas ou maquetes. Com a ajuda do irmão, Zev fotografou as pernas e depois a parte de cima do corpo.

 

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O resultado do trabalho pode ser visto em sua conta no Flickr.

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