Contando e Cantando (Volume 2)

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Júlio Verne: previsões do autor que se tornaram realidade

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Marilia Mara Sciulo, na Galileu

O escritor francês Júlio Verne é considerado por muitos o pai da ficção científica. Suas principais obras, Cinco Semanas em um Balão (1863), Viagem ao Centro da Terra (1864), Da Terra à Lua (1865), Vinte Mil Léguas Submarinas (1869) e A Volta ao Mundo em 80 Dias (1872), influenciaram gerações e inspiraram filmes e séries de TV. Há quase cem filmes baseados em mais de 30 livros assinados por ele.

Júlio Verne faleceu aos 77 anos em março de 1905 (Foto: Wikimedia/Félix Nadar)

Júlio Verne nasceu na cidade de Nantes em fevereiro de 1828. Sua verdadeira paixão eram as viagens, que na época eram feitas principalmente de navio. Aos 11 anos, ele fugiu de casa para se tornar marinheiro. Na primeira escala, porém, seu pai conseguiu apanhá-lo — e depois quem apanhou foi o pequeno Verne. Reza a lenda que ele teria jurado não voltar a viajar, a não ser em sua imaginação e fantasia.

Para agradar ao pai, mudou-se para Paris para estudar Direito, em que se formou em 1850. Infeliz e insatisfeito com o trabalho, seguiu o conselho de um amigo, o editor Pierre-Jules Hetzel (que o aconselhou durante toda a carreira) e publicou seu primeiro livro, Cinco Semanas em um Balão.

Pôster de Hetzel anunciando os trabalhos criados por Júlio Verne (Foto: Wikimedia)

Foi tão bem sucedido que assinou um contrato de 20 anos com o próprio Hetzel para escrever dois livros por ano. O autor nunca parou de escrever: publicou seu último livro em 1905, ano em que faleceu, aos 77 anos.

Um dos fatos que mais chamam a atenção em suas obras são as previsões feitas pelo escritor que se concretizaram séculos depois. Conheça algumas a seguir.

Viagem à lua, velas solares e o ponto de lançamento do Apollo 11 na Flórida: Da Terra à Lua (1865)
Júlio Verne previu o que se tornou uma realidade em 1969: no livro, os módulos de passageiros eram lançados por um canhão dar velocidade suficiente para vencer a gravidade. Em uma passagem, ele descreve com estranha precisão o ponto de partida de uma nave: “Esse sítio está situado a 300 toesas sobre o nível do mar e 27º27’ de latitude norte e 5º e 7’ de longitude oeste, parece-me que pela sua natureza árida e rochosa apresenta todas as condições que o experimento exige”. Se convertidas ao sistema métrico, as medidas revelam um local bastante próximo ao Cabo Canaveral. Ainda nesta história, o autor especulou sobre uma espaçonave que usasse propulsão movida através de luz — tecnologia conhecida hoje como velas solares.

A rota do submarino Nautilus (Foto: Domínio Público)

Submarinos elétricos, escafandro autônomo e taser: Vinte Mil Léguas Submarinas (1870)
Em uma de suas obras mais famosas, o submarino Nautilus era movido à eletricidade. Na época, os veículos mais modernos eram movidos a vapor e submarinos só surgiram 16 anos depois do relato imaginário de Verne. No mesmo livro, o escritor descreveu o escafandro autônomo, no qual um reservatório de ar era fixado às costas, como uma mochila — algo que só foi criado de fato em 1943. E, finalmente, Verne imaginou uma arma que lançava projéteis carregados de eletricidade estática, algo muito parecido com os tasers atuais.

Noticiários pela TV e videoconferência: O Dia de Um Jornalista Americano no Ano 2889 (1889)
Oitenta anos antes dos noticiários televisivos surgirem, Júlio Verne descreveu a alternativa para os jornais: “Em vez de ser impresso, o Crônicas da Terra seria falado, teria assinantes e partiria de conversas interessantes dos repórteres e cientistas que contariam as notícias do dia”. Ele também imaginou o “fonotelefoto”, que seria usado pelos repórteres. “Além de seu telefone, cada repórter tem diante de si uma série de comutadores que permitem estabelecer a comunicação com um telefoto particular. Assim os assinantes não só recebem a narração, mas também as imagens dos acontecimentos, obtidas através da fotografia intensiva.” Atualmente, qualquer pessoa com um computador ou smartphone e acesso à internet pode experimentar a engenhoca imaginada por Verne.

5 livros que podem te levar a uma conversa com estranhos na rua

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Fabio Mourão, no Dito pelo Maldito

Estamos prestes a contradizer uma regra básica que seus pais repetiram incessantemente durante toda a sua infância: “Nunca fale com estranhos!”
Não que já não tenhamos quebrado regras antes, mas como uma criança, você realmente não deveria falar com estranhos. Mas a medida que envelhecemos e ficamos mais sábios, conversar com estranhos passa a ser uma necessidade que pode gerar conversas bem interessantes. Principalmente quando se tem os livros envolvidos no papo.

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Eu posso quase que te garantir com absoluta certeza que, se você estiver lendo em público qualquer uma das obras indicadas abaixo, é bem provável que você seja abordado por alguém para conversar sobre o que você está lendo.

✔ O Azarão, de Markus Zusak
*Livro já resenhado aqui no blog. Clique aqui para acessar a resenha.

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Muita gente leu ‘A Menina que Roubava Livros’, mas poucos conhecem os outros trabalhos do autor Markus Zusak. Com essa indicação explícita na capa do livro, certamente alguém irá te perguntar se ele é tão bom quanto o best-seller do autor.
Narrado em primeira pessoa, o livro apresenta a história de Cameron Wolfe, um garoto de 15 anos perdido na vida e que vive às turras com a família. Trabalha com o pai encanador e sua mãe está sempre brigando com os filhos.
Steve é o mais velho e mais bem-sucedido. Sarah é a segunda, e está sempre dando uns amassos com o namorado. Rube é o terceiro e o mais próximo de Cameron. Os dois, além de boxeadores amadores, vivem armando esquemas para roubar lojas e outros locais do tipo. Contudo, os planos nunca saem do papel.
Uma história sobre a vida e sobre as lições que dela podem ser tiradas. Um romance de formação que exibe um jovem incorrigível, infeliz consigo mesmo e com sua vida.
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✔ A Culpa é das Estrelas, de John Green

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É o livro que todo mundo está falando no momento, e se você está pensando em lê-lo em público, com certeza alguém virá até você dizer algo a respeito. Garanto!
Hazel foi diagnosticada com câncer aos treze anos e agora, aos dezesseis, sobrevive graças a uma droga revolucionária que detém a metástase em seus pulmões. Ela sabe que sua doença é terminal e passa os dias vendo tevê e lendo Uma aflição imperial, livro cujo autor deixou muitas perguntas sem resposta. Essa era sua rotina até ela conhecer Augustus Waters, um jovem de dezessete anos que perdeu uma perna devido a um osteosarcoma, em um Grupo de Apoio a Crianças com Câncer. Como Hazel, Gus é inteligente, tem senso de humor e gosta de ironizar os clichês do mundo do câncer – a principal arma dos dois para enfrentar a doença que lentamente drena a vida das pessoas. Com a ajuda de uma instituição que se dedica a realizar o último desejo de crianças doentes, eles embarcam para Amsterdã para procurar Peter Van Houten, o autor de Uma aflição imperial, em busca das respostas que desejam. Inspirador, corajoso, irreverente e brutal, A Culpa é das Estrelas é a obra mais ambiciosa e emocionante de John Green, sobre a alegria e a tragédia que é viver e amar.
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✔ 1Q84, de Haruki Murakami

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1Q84 é o livro mais ambicioso de Haruki Murakami, fenômeno da literatura contemporânea. Escrita originalmente em três volumes, a obra esteve no topo das listas de mais vendidos no mundo inteiro e, só no Japão, ultrapassou a marca de 4 milhões de exemplares vendidos.
Tóquio, 1984. Aomame, uma mulher que esconde sua profissão de assassina, é enviada para matar um homem numa missão que mudará drasticamente sua vida. Em paralelo, Tengo, professor de matemática e aspirante a escritor, se envolve em um misterioso projeto de reescrever o romance Crisálida de ar, composto por uma menina de 17 anos. De forma alternada, as duas narrativas convergem, e aos poucos o leitor descobre o verdadeiro elo entre elas. Conforme 1Q84 caminha para uma resolução, acompanhamos o incerto destino se fechar ao redor de Aomame e Tengo. Ao mesclar com maestria suspense, fantasia e amor, Murakami alcança nesta trilogia o ápice de sua criatividade literária.
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✔ As Sombras de Longbourn, de Jo Baker

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Se alguém olhar rapidamente a capa desse livro, ele será rapidamente remetido ao clássico ‘Orgulho e Preconceito’. Então, essa pessoa (de olhar fantástico) provavelmente irá te perguntar algo sobre a obra que tem em mãos.
Admiradora de Jane Austen, a romancista Jo Baker perguntava-se quem seriam aquelas presenças pontuais e quase inumanas que serviam à mesa ou entregavam um recado para os personagens de ‘Orgulho e Preconceito’, um dos romances mais recontados em versões literárias desde a sua publicação, há duzentos anos. Por trás de cada descrição da toalete das irmãs Bennet havia certamente o trabalho de uma criada, e cada refeição servida implicava uma cozinheira, um mordomo para servi-la. Qual seria a história não contada desses personagens?
As Sombras de Longbourn é o romance dessas figuras invisíveis. Sob o comando da governanta e cozinheira sra. Hill, trabalham Sarah e Polly, duas jovens trazidas de um orfanato quando ainda eram crianças para trabalhar na casa. O mordomo idoso, sr. Hill, serve à mesa e divide a administração da casa com a sra. Hill. Os quatro formam um pequeno exército de empregados que labuta dezoito horas por dia para que a família Bennet goze do máximo conforto possível.
Por sua impressionante pesquisa sobre a vida cotidiana no início do século XIX, e também por impor um estilo próprio a sua narrativa, Jo Baker recebeu elogios de críticos e publicações como The New York Times, que considerou ‘As Sombras de Longbourn’ excepcional: não uma sequência, mas um olhar comovente sobre o mundo de Orgulho e preconceito, só que do ponto de vista da área de serviço.
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✔ O Teste: Seu Tempo Está Acabando, de Joelle Charbonneau

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A primeira vista, o visual dessa obra pode até sugerir um spin-off de ‘Jogos Vorazes’, e qualquer fã da saga ficará tentado em perguntar do que se trata o livro.
No dia de formatura de Malencia ‘Cia’ Vale, e dos jovens da colônia de Five Lakes, tudo o que ela consegue imaginar – e esperar – é ser escolhida para O Teste, um programa elaborado pela United Commonwealth que seleciona os melhores e mais brilhantes recém-formados para que se tornem líderes na demorada reconstrução do mundo pós-guerra. Ela sabe que é um caminho árduo mas existe pouca informação a respeito desta seleção. Mas então ela é finalmente escolhida e seu pai, que também havia participado da seleção, se mostra preocupado.
Desconfiada sobre o seu futuro, ela corajosamente segue para longe dos amigos e da família, talvez para sempre. O perigo e o terror a aguardam. Será que uma jovem é capaz de enfrentar um governo que a escolheu para se defender?
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E por falar em conversa, use o nosso espaço dos comentários abaixo para contar quais livros já provocaram uma conversa com algum estranho na rua.

6 Livros para ler se você gosta de ‘Orange is the New Black’

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Fabio Mourão, no Dito pelo Maldito

A segunda temporada de ‘Orange is the new Black’ acaba de chegar na Netflix, e para coroar essa estreia, a Editora Intrínseca não perdeu tempo e teve o bom senso de trazer para o Brasil o livro que deu origem à série, e já pode ser encontrado à venda nas livrarias (clique aqui para comprar o seu).

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Pautado nisso, nos últimos dias, tivemos uma overdose de campanhas publicitárias alertando sobre o retorno de Piper Chapman e sua nada mole vida na prisão federal feminina. Esperando que você ainda não tenha enjoado da cor laranja, o DpM resolveu ir um pouco além desse markenting todo e fazer algo diferente. Inspirado pelo contexto da série, eu selecionei alguns bons livros com uma temática semelhante à do seriado, que talvez possam te entreter no tempo que passar esperando pela terceira temporada, que aliás, já foi confirmada pela Netflix.
Sendo assim, veja abaixo a nossa seleção de livros recomendados para quem acompanha ‘Orange is the New Black’:

✔ Férias na Prisão, de Lucimar Mutarelli

1Segundo romance de Lucimar Mutarelli, autora do elogiado ‘Entre o Trem e a Plataforma’, ‘Férias na Prisão’ conta a história das amigas Rose e Alana. Recém-formadas no ensino médio, elas decidem passar três meses em uma das maiores instituições correcionais do país.
As “férias” fazem parte de um projeto social para que jovens conheçam de perto a vida dos detentos e, assim, possam aprender a não cometer os mesmos erros que eles. As meninas, que se prepararam para viver uma aventura inesquecível, na verdade estão prestes a receber a mais assustadora lição sobre o mundo dos adultos.
Crime, sedução, crueldade e demência se misturam no intenso cotidiano dos aprisionados e daqueles que aprisionam, em um texto em que se juntam o senso de humor e o espírito crítico.
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✔ Quatro Estações, de Stephen King

1Essa coletânea de quatro contos, é um dos livros mais renomados de Stephen King. Em um profundo mergulho na natureza humana, revela medos, esperanças e impulsos. E explora todas as facetas do ser humano, desde seu mais puro desejo de ser livre à sua mais apavorante crueldade. O mestre do terror se distancia do sobrenatural e se lança no dia a dia de personagens comuns, construindo histórias envolventes que prendem o leitor até a última página.
São histórias que retratam o cotidiano de personagens comuns. Em “A primavera eterna”, um homem tenta escapar de uma prisão de segurança máxima, após uma condenação injusta. Esta história foi adaptada para o cinema sob o título “Um sonho de liberdade”. “Verão da corrupção” traça o relacionamento entre um adolescente e um velho nazista. Também adaptada para o cinema sob o título de “O aprendiz”. Em “O outono da inocência” um grupo de jovens encontra um corpo, marcando sua passagem para o mundo adulto. Foi para a telona com o título de “Conta comigo”. A última história, “Inverno no clube” traz a luta de uma mãe para salvar seu filho.
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✔ A Dona das Chaves, de Julita Lembruger e Anabela Paiva

1Escrito em parceria com a jornalista Anabela Paiva, Julita Lemgruber abre as portas do mundo das cadeias e nos leva às celas, gabinetes e corredores de um sistema prisional marcado por violência, corrupção e atos surpreendentes de coragem e generosidade.
Relatos marcantes como os esquemas mirabolantes de fugas, greves de fome e ameaças de morte recheiam as páginas do livro. Temas áridos ganharam suavidade nas mãos de Julita, que bolou títulos baseados no linguajar das prisões, como os inusitados “Branca de Neve na Penitenciária” e “Fugas Doril: Ninguém Sabe, Ninguém Viu”.
Os bastidores de diversos episódios que figuraram nas manchetes dos jornais cariocas são revelados. Entre os mais emblemáticos está a explosão de violência no presídio Ary Franco, em 1991, quando 32 presos morreram calcinados devido a um incêndio na cela em que estavam trancados. Com a instalação de uma sindicância, apurou-se a responsabilidade de dois guardas, que foram demitidos, mas absolvidos no inquérito policial, em 2003.
Outro acontecimento que mereceu destaque nesta obra foi o plano do bicheiro Maninho, na época preso, de assaltar a casa de Julita e matá-la. O motivo foi a gestão linha-dura da então diretora do Desipe. Ela se empenhou em evitar que os bicheiros tivessem todos os direitos dos outros presos, sem usarem de seus variados recursos para a obtenção de privilégios. A autora conta detalhes desta ação contra a regalia dos presos.
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✔ Sobrevivendo na Prisão, de John Cheever

1Após assassinar o irmão, Ezekiel Farragut é enviado para a prisão de Falconer, onde deverá passar longos anos cumprindo pena. Encarcerado no Bloco F, o mais frio e esquecido de toda a penitenciária, Farragut dá início a usa via-crúcis, e é lá também que conhecerá outros prisioneiros, tão solitários e excêntricos quanto ele. Completamente alheio ao mundo exterior, Farragut não tem outra alternativa a não ser se adaptar às rígidas regras de Falconer e aprender, a duras penas, quais são suas leis.
Com um narrativa caracteristicamente forte e grande dose de memórias autobiográficas, John Cheever monta em “Sobrevivendo na Prisão” um cenário de pequenas revelações, encontros e desencontros humanos, em que a maior brutalidade é o silêncio.
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✔ Um Estranho no Ninho, de Ken Kesey

1Este clássico, que se consagrou com sua premiada versão cinematográfica estrelada por Jack Nicholson e dirigida por Milos Forman, relata os dias de R.P. McMurphy em um hospício.
Ao ser condenado por um crime, ele se finge de louco para escapar da cadeia e agora enfrenta os desafios de uma instituição em que a insegurança e o medo imperam sob o comando de uma sádica enfermeira. Logo, McMurphy descobre que pode modificar aquela realidade, transformando suas vidas para sempre.
A fim de quebrar a rotina e demonstrar seus pensamentos, ele desobedece às regras do manicômio e passa a ser considerado um líder protetor pelos outros pacientes. Mas, ao mesmo tempo, ganha a inimizade da enfermeira-chefe. O livro trata, entre outras questões, de relacionamentos, saúde mental, isolamento e atenção a pessoas com transtornos mentais.
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✔ O Conto da Aia, de Margaret Atwood

1A história de O Conto da Aia, da canadense Margaret Atwood, passa-se num futuro muito próximo e tem como cenário uma república onde não existem mais jornais, revistas, livros nem filmes – tudo fora queimado. As universidades foram extintas. Também já não há advogados, porque ninguém tem direito a defesa. Os cidadãos considerados criminosos são fuzilados e pendurados mortos no Muro, em praça pública, para servir de exemplo enquanto seus corpos apodrecem à vista de todos. Para merecer esse destino, não é preciso fazer muita coisa – basta, por exemplo, cantar qualquer canção que contenha palavras proibidas pelo regime, como “liberdade”. Nesse Estado teocrático e totalitário, as mulheres são as vítimas preferenciais, anuladas por uma opressão sem precedentes. O nome dessa república é Gilead, mas já foi Estados Unidos da América.
Com esta história assustadora, Margaret Atwood leva o leitor a refletir sobre liberdade, direitos civis, poder, a fragilidade do mundo tal qual o conhecemos, o futuro e, principalmente, o presente. O conto da aia já foi transformado em filme, peça de teatro, ópera, audiolivro e dramatização radiofônica.
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6 Dicas de livros para fãs de Super-Heróis

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Fabio Mourão, no Dito pelo Maldito

Vivemos em um momento de extrema empolgação por parte dos fãs de super-heróis. Quem aprecia o gênero, não esconde o estado de felicidade em ver a cultura dos quadrinhos, que já foi tão marginalizada no século passado, transportada para o cinema, resultando em diversos filmes de sucesso. É algo interessante de se conceber. Bem quando as vendas de HQs, e da mídia impressa em geral, começaram a cair em declínio, esses personagens resistem ao mercado e ressurgem mais poderosos do que nunca em seus uniformes extravagantes.

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Então, o que fazer enquanto se espera pelo próximo lançamento de um novo filme de herói, ou já se esgotou o interesse pelas histórias dos quadrinhos? Ora, você sempre poderá encontrar uma abordagem mais profunda desse tipo de personagem, e conhecer outros moledos de mutantes e meta humanos, na literatura.
É claro que o estilo ainda está longe de alcançar em livros, o mesmo êxito que obteve nos cinemas. Mas, aos poucos, as editoras vão abrindo os olhos para essa possibilidade, e hoje já podemos encontrar alguns excelentes exemplares sobre heróis.
Abaixo você confere alguns desses ‘super’ livros, para acrescentar a sua lista de leitura:

✔ Wild Cards, editado por George RR Martin

*Livro já resenhado aqui no blog. Clique aqui para acessar a resenha.
1Depois de criar um mundo em As Crônicas de Gelo e Fogo com mais de 20 milhões de cópias vendidas, George R. R. Martin estabelece um novo conceito de Super Heróis.
Há uma história secreta do mundo, uma história em que um vírus alienígena atingiu a Terra no final da Segunda Guerra Mundial, fortalecendo um grupo de sobreviventes com poderes extraordinários. Alguns foram chamados Ases – aqueles com habilidades físicas e mentais sobre-humanas. Outros foram denominados Curingas – amaldiçoados com bizarra deficiência mental ou física. Alguns usaram seus talentos a serviço da humanidade. Outros para o mal. Wild Cards é a sua história.
Publicado originalmente em 1987, Wild Cards traz, além do próprio George R. R. Martin, poderosos contos de Roger Zelazny, Walter Jon Williams, Howard Waldrop e Lewis Shiner.
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✔ O Orfanato da Srta. Peregrine Para Crianças Peculiares, de Ransom Riggs

1Tudo está à espera para ser descoberto em O orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares, um romance inesquecível que mistura ficção e fotografia em uma experiência de leitura emocionante. Um mutante que não fosse gabaritado para entrar no instituto Xavier para Jovens Superdotados, seria facilmente aceito para ficar sob a tutela de Miss Peregrine.
Nossa história começa com uma horrível tragédia familiar que lança Jacob, um rapaz de 16 anos, em uma jornada até uma ilha remota na costa do País de Gales, onde descobre as ruínas do Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares. Enquanto Jacob explora os quartos e corredores abandonados, fica claro que as crianças do orfanato são muito mais do que simplesmente peculiares. Elas podem ter sido perigosas e confinadas na ilha deserta por um bom motivo. E, de algum modo – por mais impossível que pareça – ainda podem estar vivas. Uma fantasia arrepiante, ilustrada com assombrosas fotografias de época, O orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares vai deliciar adultos, adolescentes e qualquer um que goste de aventuras sombrias.
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✔ Wayne de Gotham, de Tracy Hickam

1Por trás de toda máscara existe um homem de verdade Ainda criança, Bruce Wayne testemunha o assassinato dos pais – e o mistério sobre o motivo o impulsiona a fazer uma busca pelo seu passado. É quando descobre um diário secreto de seu pai Thomas, um médico rebelde que parece finalmente revelar o seu lado obscuro. Sua identidade é seriamente abalada quando um convidado levanta, inesperadamente, questões sobre o evento que acabou com a vida de sua amada mãe e seu admirável pai – caso que provocou para sempre sua vontade insaciável de proteção e vingança.
Para descobrir a história real da família, Batman precisa confrontar o antigo inimigo, como o perverso Coringa, seu próprio mordomo Alfred, além do passado que assombra o asilo Arkham, para assumir o novo fardo de um legado sombrio. Muito mais próximo dos filmes de Burton e Christopher Nolan e das HQs de Frank Miller do que dos seriados de TV dos anos 1960 e dos outros quadrinhos. Um olhar imaginativo sobre o lado humano de um super-herói icônico.
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✔ Incríveis Aventuras De Kavalier & Clay, de Michael Chabon

1Considerado um dos mais criativos e descompromissados livros dos últimos anos, a obra conquistou público e crítica com uma receita simples e rara: trama e estilo impecáveis. O livro conta a história de Joseph Kavalier, um fã judeu de Houdini, que usa suas habilidades para escapar de Praga. Kavalier se esconde no caixão que leva os restos do Golem, legendário monstro de barro feito por um rabino, para Nova York. Lá, nosso herói se une ao primo Sammy Clay na busca por dinheiro e liberdade. Do talento para desenhar de Kavalier e da habilidade de Sammy para contar histórias nasce um novo personagem de quadrinhos: o sensacional Escapista (numa clara alusão a Houdini).
O herói, e seu alter-ego – Tom Mayflower -, combate o crime e protege os oprimidos com a ajuda da bela Luna Moth, inspirada numa artista local chamada Rosa Luxemburgo, que desperta o interesse dos dois cartunistas. Tudo isso enquanto seus criadores se confrontam com seus próprios fantasmas. Kavalier e sua sede por poder e dinheiro, e Sammy e sua recém descoberta homossexualidade. O nome de Escapista tem aqui sua verdadeira razão. A religião, a sexualidade, o gênero e a raça podem ser potentes prisões e para escapar de suas barras é necessário, quase sempre, se expor.
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✔ Os Últimos Dias de Krypton, de Kevin J. Anderson

1Antes do Apocalipse – que fez o bebê conhecido mais tarde como Clark Kent ser enviado à Terra – Krypton prosperava. Na cidade de Kandor, o cientista Jor-El e a historiadora Lara casaram-se e tiveram Kal-El, o único que sobreviveria ao fim do mundo. Tudo era harmonia e perfeição numa civilização com baixíssimo índice criminal, quando um alienígena invade o planeta e provoca uma tragédia irremediável para os kryptonianos.
É a grande chance do diabólico General Zod tomar o poder e implantar uma ditadura que usará da invenção tecnológica de Jor-El para subjugar a todos. E em meio a tudo isso, uma tragédia fatal se aproximava – um destino catastrófico profetizado por Jor-El que mudaria a história kryptoniana para sempre…
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✔ Super-Heróis, de Gerson Lodi-ribeiro e Luiz Felipe Vasques

1Mais rápidos do que uma bala, mais poderosos que uma locomotiva, capazes de saltar por cima de arranha-céus. Do alto das nuvens ou à espreita nas sombras, enfrentando invasões cósmicas ou derrubando quadrilhas de traficantes, heróis com poderes incríveis chegaram para ajudar.
Super-Heróis é a coletânea da Editora Draco sobre estes seres capazes de nos inspirar por seus feitos assombrosos e sacrifícios em prol de um mundo melhor. Nessas 14 histórias a justiça não escolhe campo de batalha, sejam os becos sujos de uma metrópole, os rincões afastados do interior brasileiro, uma Lisboa prestes a ser invadida por Napoleão ou a arena política onde se decide o destino da sociedade.
Organizada e estrelada por Gerson Lodi-Ribeiro e Luiz Felipe Vasques, a coletânea apresenta, além da capa, os conto ilustrados com pinturas do artista Angelo de Capua.
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5 Trechos bizarros que você não esperava encontrar em livros clássicos

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Publicado no Dito pelo Maldito

Eu sempre fui encucado com certas classificações de livros. Principalmente quando ela define uma obra como ‘intelectual’. 
Que fatores, além da qualidade básica da escrita, faz alguns livros serem mais valorizados do que outros? E se os leitores têm gostos diferentes; quem decide esse tipo de coisa, afinal?

Em resumo, podemos dizer que ‘livros intelectuais’ são aqueles que abordam temas significativos e profundos. Mas se você prestar atenção, algumas dessas obras possuem trechos surpreendentes que poderiam facilmente fazer parte de alguma comédia pastelão.
Abaixo separamos cinco livros clássicos, considerados ‘intelectuais’, que contêm partes estranhas que talvez tenham lhe passado despercebido:
 
✔  O Conto do Inverno , de William Shakespeare
Obviamente Shakespeare é um mestre da linguagem. Ele passeia entre diferentes situações com facilidade, salteando, como ninguém, entre cenas insanas e a alta tragédia. Alguns estudos definem suas peças como: Uma meditação sobre a morte. Ou ainda: Um julgamento do coração humano. Mas há uma coisa que ninguém consegue explicar…

O momento que você não esperava: Ursos. Shakespeare não era conhecido pela sua direção de palco. Normalmente, dar a deixa de entrada e da morte dos personagens, era tudo que se limitava a fazer. Mas em O Conto do Inverno, há uma encenação que diz: “Ele sai, perseguido por um urso.” Nenhum urso foi mencionado anteriormente na cena, e não havia absolutamente nada que justificasse isso. Uma situação digna de fazer parte dos filmes da franquia ‘Todo Mundo em pânico’… Mas estamos falando em algo escrito pelo mestre do idioma Inglês.

 
✔  Ulysses, de James Joyce
Esta obra-prima literária é verdadeiramente um épico de quase 1.000 páginas, e não há dúvidas de que está na prateleira dos “intelectuais”. A obra é embalada com referências literárias e composta de uma escrita densa. James Joyce disse uma vez que colocou o suficiente no livro para manter os professores ocupados por centenas de anos. Até agora, ele tem tido razão.

O momento que você não esperava: Merda. Literalmente. Logo no início da narrativa, um dos protagonistas é introduzido em algumas páginas inteiramente dedicadas ao coco.

 
✔ Chapeuzinho Vermelho (O original), de Charles Perrault
Como tantos outros contos de fadas que são tão onipresentes em diversas culturas mundiais, há muitas versões diferentes desta história. Em algumas um caçador salva a Chapeuzinho Vermelho, em outras, ela salva a si mesma. Às vezes ela é apresentada com uma menina astuta, ou então, como ingênua, e em outras simplesmente como uma estúpida. Em uma das primeiras, e mais famosas versões do conto, o lobo diz a ela para subir na cama com ele, é aí que ela…

O momento que você não esperava: Primeiro, ela faz uma pausa para tirar as roupas, embora o lobo nunca ter mencionado nada sobre ela se despir. Ela faz isso de livre e espontânea vontade. Se ela sabia que era o lobo, ou se achava que era a sua velha avó que estava sobre a cama, não faço ideia. Mas de qualquer forma,… O que você está fazendo Chapeuzinho Vermelho? O que você está fazendo?

 
✔  Watchmen, de Alan Moore
Ok, essa é, tecnicamente, uma graphic novel, mas a partir do momento que ela é considerada um diferencial dentro do gênero, acho que vale a sua inclusão nessa lista. Esta história é, sem dúvida, um tour conduzido por uma narrativa não linear que salta décadas com facilidade e cria personagens ricas e complexas que não têm medo de ser profundamente falhos.

O momento que você não esperava: Uma das personagens fica nua e transa em pleno planeta Marte. Faz todo o sentido no contexto da história, mas ainda parece algo saído de uma comédia intergaláctica feita por nerds para um trabalho de faculdade.

 
✔ A Filosofia na Alcova, de Marquês de Sade
Este pode ser um contraponto dentre os outros itens desta lista, afinal, os livros do Marques de Sade não ficaram famosos por citar assuntos profundos ou significativos. A obra de Sade sempre foi considerada um tabu infame, não apenas para a sua época, mas também para os padrões de hoje em dia. E se você está se perguntando o porque de eu ter incluído um livro desse autor na categoria ‘intelectual’, acho válido lembrar que ele influenciou muitos pensadores e filósofos do século passado.
O momento que você não esperava: No meio de todo o seu erotismo explícito, Sade consegue encaixar uma ruminação longa, sofisticada e progressista sobre a filosofia e a moral de uma verdadeira república, filosofando sobre o fato da religião ser o ópio do povo.
dica do Fabio Mourão
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