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Fiquei em estado de choque, diz Ana Maria Machado sobre polêmica com livro

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A escritora Ana Maria Machado (Bel Pedrosa/Claudia/Dedoc)

Livro da escritora e membro da Academia Brasileira de Letras escrito em 1983 foi acusado nas redes sociais de incitar o suicídio infantil

Fabiana Futema, na Veja

A escritora Ana Maria Machado, membro da Academia Brasileira de Letras, foi arrastada sem querer para uma polêmica criada em grupos de pais de WhatsApp. No fim da semana passada, pais começaram a compartilhar em suas redes alertas contra o livro O menino que espiava pra dentro, publicado em 1983.

A partir de uma leitura superficial de uma das páginas da publicação, alguns entenderam que o livro incitava o suicídio infantil. Foi o que bastou para a ameaça se espalhar, obrigando a editora do livro a publicar uma explicação sobre o livro.

O menino que espiava pra dentro, de Ana Maria Machado (//Divulgação)

“Fiquei meio em estado de choque, não podia acreditar que eu estava sendo alvo de tanta hostilidade, tanta raiva , do nada, sem ter feito nada para merecer”, disse ela ao blog.

O menino que espiava pra dentro, de Ana Maria Machado (//Divulgação)

Veja abaixo o que escritora disse ao blog sobre a polêmica:

Como você ficou sabendo que seu livro estava sendo alvo de protestos nas redes sociais?

Eu soube ainda no corredor de um avião, numa escala em Brasília, de um voo de horas, que vinha de Santarém via Manaus, voltando de um encontro com professores patrocinado pela universidade local. Entre saltar de um avião e correr para outro que estava encerrando o embarque, às oito da noite, recebi um telefonema de meu filho e um e-mail da editora, contando o que estava acontecendo com essas mensagens viralizando nas redes sociais. No primeiro momento, não pude avaliar a extensão, só fiquei incrédula. Tarde da noite, ao chegar em casa no Rio, verifiquei quanto aquilo tinha se espalhado.

Como você se sentiu ao ser arrastada para essa discussão?

Fiquei meio em estado de choque, não podia acreditar que eu estava sendo alvo de tanta hostilidade, tanta raiva, do nada, sem ter feito nada para merecer.

A que atribui essa interpretação equivocada do livro? Falta repertório e leitura às pessoas ou vivemos um tempo de excesso de patrulha?

Talvez seja um sintoma destes tempos de polarização exacerbada que estamos vivendo. Já escrevi todo um romance (para adultos) sobre isso, o premiado Infâmia. É uma época de denúncias levianas e de irresponsabilidade, que está fazendo muito mal ao país como um todo. Vivemos um momento em que há uma perigosa mistura de ódios, intolerância, fanatismo e superficialidade, em que falta diálogo e desacostumamos de ouvir os outros.

O que a sociedade pode fazer para evitar que obras literárias passem por esse tipo de patrulha?

Vários professores e críticos literários tentaram analisar isso, a partir deste episódio. Concordo muito com um que falou de um momento autoritário em que andam querendo controlar até a imaginação. Outro que fez uma ótima reflexão foi o escritor mineiro Leo Cunha, que diz que interpretações enviesadas geralmente não são fruto de má fé ou implicância, mas resultam, ‘quase sempre, da falta de traquejo coma leitura literária, com as metáforas, com o universo simbólico que é próprio da arte e da literatura. Falta ler mais, ler obras mais variadas, ampliar a bagagem cultural.’

Como a literatura pode nos ajudar a falar sobre suicídio

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(Sylvia Plath Page/Reprodução)

(Sylvia Plath Page/Reprodução)

Pamela Carbonari, na Superinteressante

Quando li pela primeira vez A Redoma de Vidro, de Sylvia Plath, não consegui terminar a leitura em uma tacada só. Me obriguei a intercalar a história de Esther Greenwood com outros livros, dilui-la na minha cabeceira. Mas quem conhece a depressão profunda como a narrada no romance único de Plath sabe que não é só fechar a página e colocá-la para dormir no criado mudo. A depressão é uma doença insone.

A história de uma jovem brilhante do subúrbio que chega em Nova York para estagiar em uma revista feminina e passa do fascínio de ter chego à aquele mundo até então inatingível ao total desespero com a realidade é também a história de Sylvia.

Apesar do romance ser considerado “semi-biográfico”, a frustração por não se sentir realizada, a distância que Esther sente das preocupações mundanas, a pressão pela pureza, as dúvidas sobre as próprias escolhas, o sentimento de esvaziamento e a sensação de estar “inexpressiva e parada como um bebê morto” são narradas por Sylvia com a crueza de quem conhece de perto esse abismo. A personagem é internada em uma clínica psiquiátrica e o livro termina com um final bastante aberto. Para Esther, as respostas de como deixar a redoma de vidro estavam no mundo. As respostas de Sylvia, infelizmente, não. No dia 11 de fevereiro de 1963, menos de um mês depois de ter publicado seu romance, a escritora americana cometeu suicídio.

Enquanto lia A Redoma de Vidro, tive dificuldades em dissociar a autora da personagem. A imagem de Sylvia de franjinha esvoaçante perseguiu Esther durante toda a leitura, assim como achei que seriam seus destinos. Na época, conversei com algumas pessoas que também leram o livro e, apesar de alguns terem me advertido a só voltar a ler quando me sentisse em pleno domínio da minha saúde mental, uma amiga em especial me contou que se sentiu acolhida pelo sofrimento da protagonista. Na redoma de vidro de Esther, minha amiga, que já havia passado por um tratamento para depressão, viu que as frustrações que vieram junto com a sua doença não eram uma anomalia, ela não era a primeira pessoa a se sentir assim. O que para mim pareceu uma pedrada à primeira vista, para ela funcionou como um conforto.

Não que Sylvia Plath tenha escrito o romance como um chamado panfletário de união às pessoas que sentem o vazio que ela sentia. Talvez escrever fosse uma das únicas maneiras para preencher-se. Mas o fato é que meu desconforto frente à doença foi insignificante se comparado ao alento que o livro causou a minha amiga.

A melancolia é uma das grandes matérias-primas da arte. Mas como tudo que é humano também é hipócrita, se leva mais a sério a ressalva de maneirar na dose do que de realmente discutir como resolver os problemas de saúde pública como a depressão e o suicídio. Todas as vezes em que o suicídio aparece na arte e na mídia, o principal argumento para puxá-lo de volta para a gaveta dos assuntos que não podem ser nomeados é para que não cause o “Efeito Werther”.

Diversos clássicos da literatura já abordaram o assunto de maneira semelhante, como Romeu e Julieta, de Shakespeare, e Anna Karenina, de Tolstói, por exemplo. Mas o nome do fenômeno vem do romance Os sofrimentos do jovem Werther, do alemão Johann Wolfgang von Goethe, cujo protagonista se mata após ser rejeitado por sua amada Charlotte. O tom realista, depressivo e passional do livro, publicado em 1774, quando a literatura era a principal mídia entre os adolescentes, provocou uma comoção entre os jovens da época, que seguiram Werther e também se suicidaram. O livro foi banido em diversos lugares, retirado de circulação, queimado em praça pública por um Arcebispo de Milão e algumas edições chegaram a incluir um aviso: “Seja homem e não me siga”.

Por isso, o termo é usado para descrever o aumento das mortes quando um suicídio é midiatizado. O fenômeno goethiano é comprovado pela ciência: médicos da Universidade de Viena analisaram 98 casos de suicídio de famosos e perceberam que reportagens sensacionalistas que glamourizavam a morte de celebridades estimulavam o “suicídio por imitação”. A recomendação das autoridades de saúde é que não se simplifique, romantize, mostre a forma como alguém cometeu suicídio e nem justifique o comportamento suicida como heroísmo ou vingança.

No clássico O Mito de Sísifo, Albert Camus descreve o ato como a única questão filosófica realmente séria: “Julgar se a vida vale ou não a pena ser vivida significa responder à questão fundamental da filosofia”. Único ou rodeado por outros problemas filosóficos, o fato é que precisamos falar sobre as vítimas, as causas, as pessoas afetadas e as formas de evitá-lo. Enquanto os índices de suicídio têm diminuído na maioria dos países, as taxas brasileiras avançam. Entre 2002 e 2012, o número de casos subiu 33,6%, bem acima dos 11% de crescimento da população no mesmo período. Entre adolescentes de 10 a 14 anos, o aumento chegou a 40%, de acordo com o último levantamento do Mapa da Violência.

“As pessoas que se matam não querem necessariamente morrer, elas querem se livrar do sofrimento. E quanto mais tabu existir, ao invés de acolhimento, mais são as chances dele acontecer. O primeiro passo para a prevenção é falar sobre o suicídio”, diz a psicóloga e coordenadora do Instituto Vita Alere, que faz prevenção ao suicídio, Karen Scavacini. Essa é também a visão da OMS.

E, aliada à terapia médica, a literatura também pode ter um papel importante nesse processo de quebra de tabu. Como não existe ficção sem que antes existisse a realidade para servir de inspiração, compartilhar narrativas de transtornos psicológicos é uma maneira de sensibilizar e informar quem prefere que essas doenças permaneçam à margem das discussões e confortar quem convive com elas. No guia Farmácia Literária, as autoras Ella Berthoud e Susan Elderkin sugerem 400 livros úteis para auxiliar no tratamento de centenas de males. No capítulo dedicado à depressão, elas descrevem o mesmo sentimento da minha amiga ao ler A Redoma de Vidro:

“É pouco provável que seu ânimo melhore com uma leitura leve e alegre. Um romance desse tipo pode até fazê-lo se sentir pior – culpado por não conseguir rir, irritado por algo que lhe parece um otimismo ingênuo e com ainda mais raiva de si mesmo. Pode parecer contra-intuitivo a princípio, mas, nessas horas, um romance que conte a situação como ela é, com personagens que se sintam tão deprimidos quanto você, ou com uma visão de mundo inflexivelmente desoladora, tem mais chance de tocá-lo, de estimulá-lo a ser mais gentil consigo mesmo e de apoiá-lo de maneira mais apropriada; um romance que possa acompanhá-lo a seu lugar melancólico e escuro, reconhecendo-o e articulando-o, para que você perceba que outros já estiveram ali e que, afinal, você não é tão diferente ou não está tão terrivelmente sozinho.” Dentre os livros descritos na receita, as biblioterapeutas indicam A Insustentável Leveza do Ser, de Milan Kundera, Ao Farol, de Virgínia Woolf, e O Olho Mais Azul, de Toni Morrison.

E se a ficção não for o bastante, o que não falta é realidade na literatura. Inclusive, o Instituto Vita Alere está promovendo um concurso literário sobre histórias de sobreviventes do suicídio. Poemas, contos e crônicas de quem conviveu com o comportamento suicida, perdeu alguém dessa maneira ou enfrenta o tabu de alguma outra forma estarão online no site do Instituto a partir da próxima semana. “Queremos dar espaço para que sejam contadas histórias relacionadas ao tema suicídio, contribuindo para a diminuição do tabu, o aumento da consciência pública do assunto e compartilhando histórias no que diz respeito à experiência, superação e aprendizado, honrando as histórias e memórias daqueles que convivem ou conviveram com o suicídio”, afirma a coordenadora do Instituto Vita Alere, Karen Scavacini.

A dor de quem convive com uma doença psicológica ou luta contra o comportamento suicida não passa sem tratamento adequado. Mas para que mais gente consiga pedir ajuda sem julgamento, ter acesso a instituições de apoio e tratamento qualificado, é preciso reconhecer: discutir saúde mental é obrigatório. Com Sylvia, Esther ou Werther, que, pelo menos, a literatura sirva como acolhimento em uma sociedade que insiste em silenciar o suicídio. O que não falta na literatura são exemplos das realidades que preferimos ignorar.

Setembro Amarelo | 5 livros que falam sobre o tema: Suicídio

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setembroamarelobooks

 

Esse é um tema delicado, entretanto, não pode deixar de ser discutido, devido a sua enorme importância.

Graziele Fontes, no Cabana do Leitor

Antes de falar sobre os livros que abordam o tema, afinal, não podíamos deixar passar em branco um dos meses mais importantes do ano devido a sua campanha de prevenção ao suicídio. O setembro amarelo é uma campanha de conscientização sobre a prevenção do suicídio, com o objetivo direto de alertar a população a respeito da realidade do suicídio no Brasil e no mundo e suas formas de prevenção. Ocorre no mês de setembro, desde 2015, por meio de identificação de locais públicos e particulares com a cor amarela e ampla divulgação de informações.

Acho que a maioria das pessoas conhece alguém que tentou se suicidar ou, infelizmente, conseguiu alcançar o objetivo. Falar de suicídio é difícil, pois muitas pessoas não entendem, dizem que quem tenta se suicidar, quer chamar atenção e é frescura. A pessoa quer chamar atenção sim, mas não como a maioria das pessoas pensam, na verdade, a tentativa de suicídio é um pedido de socorro. Aquela pessoa está ali pedindo sua ajuda e, na maioria das vezes, nós lhe damos as costas, até que seja tarde demais.

O sintoma de Suicídio é sério e precisa ser identificado e tratado. A taxa de suicídio de adolescentes com idades entre 10 e 14 anos aumentou 40% nos últimos 10 anos e 33% entre aqueles com idades entre 15 e 19 anos, segundo o Mapa da Violência 2014. Todo dia, 28 brasileiros se suicidam e, para cada morte, há entre 10 e 20 tentativas. Hoje, o número é ainda maior e assustador. Os médicos alertam que é um problema de saúde que não recebe tanta atenção por causa do tabu social.

Aqui, vou falar somente de alguns livros que abordam o tema, mas que são muito importantes para nos alertar sobre os sinais sobre nós mesmos e sobre nossas próprias atitudes.

As vantagens de ser invisível (Stephen Chbosky – Editora Rocco)

Cartas mais íntimas que um diário, estranhamente únicas, hilárias e devastadoras – são apenas através delas que Charlie compartilha todo o seu mundinho com o leitor. Enveredando pelo universo dos primeiros encontros, dramas familiares, novos amigos, sexo, drogas e daquela música perfeita que nos faz sentir infinito, o roteirista Stephen Chbosky lança luz sobre o amadurecimento no ambiente da escola, um local por vezes opressor e sinônimo de ameaça. Uma leitura que deixa visível os problemas e crises próprios da juventude.

As vantagens de ser invisível foi adaptado para os cinemas e teve no elenco Emma Watson (Harry Potter e Bela e a Fera), Logan Lerman (Percy Jackson) e Ezra Miller (Animais Fantásticos e Onde Habitam).

Por lugares incríveis (Jennifer Niven – Editora Seguinte)

Dois jovens prestes a escolher a morte despertam um no outro a vontade de viver. Violet Markey tinha uma vida perfeita, mas todos os seus planos deixam de fazer sentido quando ela e a irmã sofrem um acidente de carro e apenas Violet sobrevive. Sentindo-se culpada pelo que aconteceu, Violet se afasta de todos e tenta descobrir como seguir em frente. Theodore Finch é o esquisito da escola, perseguido pelos valentões e obrigado a lidar com longos períodos de depressão, o pai violento e a apatia do resto da família.

Enquanto Violet conta os dias para o fim das aulas, quando poderá ir embora da cidadezinha onde mora, Finch pesquisa diferentes métodos de suicídio e imagina se conseguiria levar algum deles adiante. Em uma dessas tentativas, ele vai parar no alto da torre da escola e, para sua surpresa, encontra Violet, também prestes a pular. Um ajuda o outro a sair dali, e essa dupla improvável se une para fazer um trabalho de geografia: visitar os lugares incríveis do estado onde moram. Nessas andanças, Finch encontra em Violet alguém com quem finalmente pode ser ele mesmo, e a garota para de contar os dias e passa a vivê-los.

Os 13 porquês (Jay Asher – Editora Ática)

Ao voltar da escola, Clay Jensen encontra na porta de casa um misterioso pacote com seu nome. Dentro, ele descobre várias fitas cassetes. O garoto ouve as gravações e se dá conta de que elas foram feitas por Hannah Baker – uma colega de classe e antiga paquera -, que cometeu suicídio duas semanas atrás. Nas fitas, Hannah explica que existem treze motivos que a levaram à decisão de se matar. Clay é um desses motivos. Agora ele precisa ouvir tudo até o fim para descobrir como contribuiu para esse trágico acontecimento.

Os 13 Porquês teve adaptação e foi produzido pela Netflix, com 13 episódios. A 2ª temporada foi renovada, mas não tem data prevista para o lançamento. A série teve uma repercussão gigantesca e dividiu muitas opiniões. Vale a pena assistir a série, mas é necessário ter a mente tranquila, pois as cenas são fortes e impactantes.

Eu estive aqui (Gayle Forman – Editora Arqueiro)

Quando sua melhor amiga, Meg, toma um frasco de veneno sozinha num quarto de motel, Cody fica chocada e arrasada. Ela e Meg compartilhavam tudo… Como podia não ter previsto aquilo, como não percebera nenhum sinal?

A pedido dos pais de Meg, Cody viaja a Tacoma, onde a amiga fazia faculdade, para reunir seus pertences. Lá, acaba descobrindo muitas coisas que Meg não havia lhe contado. Conhece seus colegas de quarto, o tipo de pessoa com quem Cody nunca teria esbarrado em sua cidadezinha no fim do mundo. E conhece Ben McCallister, o guitarrista zombeteiro que se envolveu com Meg e tem os próprios segredos.

Porém, sua maior descoberta ocorre quando recebe dos pais de Meg o notebook da melhor amiga. Vasculhando o computador, Cody dá de cara com um arquivo criptografado, impossível de abrir. Até que um colega nerd consegue desbloqueá-lo… e de repente tudo o que ela pensou que sabia sobre a morte de Meg é posto em dúvida.
Eu estive aqui é Gayle Forman em sua melhor forma, uma história tensa, comovente e redentora que mostra que é possível seguir em frente mesmo diante de uma perda indescritível.

Não conte nosso segredo (Julie Anne Peters – Universo dos Livros)

Com o namorado dos sonhos, o cargo de Presidente do Conselho Estudantil e a chance de ir para uma Universidade de Ivy League, a vida não poderia estar mais perfeita para Holland Jaeger. Ao menos, é o que parece. Até que Ceci Goddard chega na escola e muda tudo. Ceci e Holland têm sentimentos que não conseguem esconder, mas como todos ao redor vão lidar com este novo romance?

Entre intrigas, preconceitos e a não aceitação dos pais, Ceci e Holland lutam para manter-se juntas, mas o amor delas pode não ser tão forte quanto as críticas da sociedade…

Não conte nosso segredo é o primeiro livro da autora Best-seller no New York Times, que promete emocionar leitores de todas as idades e gêneros.

*

Para finalizar este texto, gostaria de pedir para que vocês pesquisem mais sobre o assunto, analisem suas atitudes em relação as pessoas. Eu não estou aqui para julgar ninguém, mas vamos pensar no próximo a partir de agora. A gente não sabe como o nosso colega, amigo, irmão, primo ou quem quer que seja, acordou no dia de hoje. Se bem ou se mal, se algo de ruim já aconteceu no seu dia. Não faça com os outros o que não gostaria que fizessem com você. Não vamos piorar ainda mais o dia de alguém.

EVITE:

Interromper a conversa
Mostrar-se chocado
Colocá-lo numa posição de inferioridade
Fazer comentários invasivos
Encarar o problema como trivial

Vemos, todos os dias, pessoas batalhando para termos um país melhor, para vivermos em um mundo melhor, então, se cada um fizer um pouquinho por dia, podemos sim alcançar este objetivo.

Mais amor, por favor!

Após sete suicídios, livro ’13 Reasons Why’ é banido de cidade nos EUA

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Renato Marafon, no CinePop

A polêmica em torno de ‘13 Reasons Why‘ continua. Após várias escolas dos EUA anunciarem um boicote à série, o livro que deu origem à história foi banido de uma cidade no Colorado, EUA.

Após sete jovens se suicidarem em Mesa County Valley, as autoridades da cidade decidiram proibir a venda do livro ‘13 Reasons Why‘ em todas as livrarias da região.

Apesar de não saberem se os suicídios foram incentivados pela publicação, lançada em 2007, as autoridades decidiram que o livro não poderá mais ser comercializado temporariamente. Segundo eles, a trama romantiza o suicídio.

Recentemente, a série que adapta a história recebeu classificação indicativa para maiores de 18 anos na Nova Zelândia.

O Órgão de Classificação de Filmes da Nova Zelândia deu a alta classificação indicativa por registrar o maior número de adolescentes suicidas do mundo, com cerca de dois jovens cometendo suicídio por semana.

Nossos órgãos de saúde mental estão extremamente preocupados com o efeito que 13 Reasons Why pode ter na Nova Zelândia. A morte de Hannah é representada como algo lógico ao longo da série, e traz como consequência inevitável os eventos que a sucederam. Não podemos aceitar que o suicídio seja mostrado como uma opção viável. Além disso, temos uma péssima mensagem na série para os sobreviventes de violência sexual”, afirmou o Órgão de Classificação de Filmes do país.

Durante a semana, a Netfix renovou a série para sua 2ª Temporada!

Baseada no best-seller de Jay Asher, a série acompanha Clay Jensen (Dylan Minnette) que, ao voltar da escola, encontra uma caixa misteriosa com seu nome na porta de casa. Dentro dela, ele encontra fitas-cassetes gravadas por Hanna Baker – sua colega de classe e paixão secreta – que cometera suicídio duas semanas antes. Nas fitas, Hanna explica as treze razões que a levaram à decisão de acabar com a própria vida. Será que Clay foi uma delas?

A série tem produção executiva de Selena Gomez e episódios dirigidos pelo vencedor do Oscar® Tom McCarthy (Spotlight – Segredos Revelados).

Os 13 episódios deste drama jovem adulto já estão disponíveis na Netflix.

Jojo Moyes: ‘As pessoas se apaixonam mais quando estão em risco’

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Autora de best-sellers como ‘Como Eu Era Antes de Você’ comenta literatura, romantização da tragédia e feminismo em entrevista exclusiva para VEJA

Mabi Barros, na Veja

O mito do “felizes para sempre” já não convence os adolescentes, que hoje estão mais para as tragédias românticas. Livros sobre câncer, suicídio e acidentes terríveis como A Culpa É das Estrelas e Os 13 Porquês angariam leitores ao redor do mundo, garantindo seu lugar no ranking dos mais vendidos. A britânica Jojo Moyes, autora de best-sellers açucarados com um quê de trágico, como A Última Carta de Amor, vê o fenômeno como o reflexo de um instinto de sobrevivência: “Humanos são pré-programados para se apaixonar mais quando suas vidas estão em risco, muito para manter a humanidade”. Sua obra mais famosa, Como Eu Era Antes de Você, acompanha a vida de um jovem milionário que fica tetraplégico e deprimido, até conhecer a estranha Lou. O livro foi adaptado para o cinema, com Emilia Clarke e Sam Claflin nos papeis principais, e atraiu milhões de espectadores. Confira entrevista exclusiva da autora a VEJA.

Como surgiu a trama de Como Eu Era Antes de Você? Como Eu Era Antes de Você surgiu a partir de duas situações. Na época em que escrevi o livro, dois membros da minha família precisavam de cuidados 24h, vítimas de doenças degenerativas. Convencer as pessoas nessas condições de que têm alguma qualidade de vida ou que existe algum prazer em viver é muito difícil. Isso ficou ecoando na minha cabeça, até que um dia eu estava dirigindo e ouvi no rádio a história de um ex-atleta que ficou tetraplégico e, alguns anos depois, convenceu os pais a levá-lo a um centro de suicídio assistido. Eu fiquei bastante chocada, não conseguia entender como alguém concordaria em fazer algo do tipo com o próprio filho, aquele que você quer proteger acima de tudo. Mas, quanto mais eu lia a respeito, mais percebia que o suicídio assistido não era “preto no branco” — ia muito além disso. Eu imaginei como seria ser aquele rapaz, sua mãe, alguém que o amava, e como seria possível fazê-lo mudar de ideia.

Seus livros são muito românticos, apesar de trágicos. Você acredita que a tristeza valoriza a vida? Com certeza! Basta olhar para os grandes romances escritos durante as guerras — quando o medo de morrer é constante e deixa você mais sensível ao entorno. Humanos são pré-programados para se apaixonar mais quando a vida está em risco, muito para manter a humanidade (risos).

Você procurou supervisão ou ajuda especializada para escrever sobre o suicídio assistido? Sim! Eu conversei com o responsável pelo maior centro de suicídio assistido no mundo. Ele até me convidou para visitar o local, mas achei que seria invasivo para as famílias naquela situação terem uma estranha fazendo perguntas. Li o máximo que pude a respeito, no entanto.

Você assistiu à série 13 Reasons Why? Ainda não! Mas, engraçado, na Inglaterra muitas escolas estão enviando cartas aos pais com instruções sobre como prevenir o suicídio infantil. Como mãe, eu recebi uma.

Paris para Um é mais feliz que seus outros livros. Afinal, você acredita em “felizes para sempre? Eu tenho que acreditar, sou casada há 19 anos! (risos) Falando sério, eu não acredito que a vida seja tão simples quanto “felizes para sempre”, sempre vamos enfrentar situações que nos deixam para baixo. Mas, se você tiver sorte, pode atingir uma grande felicidade e ter um grande amor, como um humano acho que este é o máximo que podemos desejar.

Algum outro livro seu irá paro cinema, ou quem sabe, a televisão?
Olha, eu espero que sim! Já escrevi o roteiro de Paris para Um, que, com sorte, começará a ser gravado neste ano. O de A Última Carta de Amor também está pronto e do Um Mais Um.

Você imagina algum ator para os protagonistas desses três roteiros? Não, acredita? Na minha cabeça, eu já criei uma pessoa. Eu tive sorte em Como Eu Era Antes de Você porque me deixaram ver os testes de elenco, mas na verdade isso é o trabalho do diretor e do diretor de elenco.

Recentemente, você ficou brava com o jornalista italiano Claudio Gatti por expor a identidade de Elena Ferrante. Para você, qual o limite entre o público e o privado? Você é uma leitora de Elena Ferrante? Sim! Eu amo os livros da Elena, acho que ninguém soube colocar em palavras a complexidade da amizade entre mulheres como ela. Seu trabalho é sensacional e inovador. Quanto ao Gatti, acho que a determinação com que ele quis revelar a identidade da Elena ultrapassou qualquer barreira ética. Ela não deve nada a ninguém, e escolheu não expor sua vida pessoal. Em entrevistas, ela explicou que acredita que não seria capaz de escrever do jeito que escreve se tivesse sua identidade revelada — uma forma bastante clara e educada de dizer “me deixem em paz”. Ele escolheu sobrepor o desejo de Elena, algo muito agressivo e petulante. De verdade, espero que ela esteja em paz.

Você comentou que ela retrata a amizade entre mulheres como ninguém. A literatura de Elena Ferrante é feminista? E você, é partidária do movimento? De verdade, eu não entendo como alguém pode não se considerar feminista nos dias de hoje. É muito simples: me pague o mesmo que os homens, me trate igual a eles.

Você já leu algum autor brasileiro? Eu li Paulo Coelho, mas sinto que meu conhecimento literário está desfalcado neste departamento (risos).

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