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Conheça 6 transtornos com nomes inspirados em personagens da literatura

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Adaptação lançada em 2009

Adaptação lançada em 2009

Gustavo Magnani, no Literatortura

Como já sabemos, o conflito é o motor da trama. É aquilo que leva ao objetivo final da história. Porém, dentro de todas as obras, existem ainda inúmeros conflitos, nuances, dualidades, contradições, dilemas, reflexões, sequelas. Elementos que, por vezes, são tão marcantes a ponto de referenciar um personagem ou ser referenciado por ele.

A partir disso, a Super Interessante publicou uma matéria ressaltando 6 transtornos com nomes inspirados em personagens, que fazem questionar, em termos, quando acaba a realidade e inicia a ficção [e vice-verso].

Confira:

1. Síndrome de Alice no País das Maravilhas

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Não é preciso seguir o coelho branco para visitar o estranho País das Maravilhas – para algumas pessoas, essa ~viagem~ faz parte do dia a dia. Em 1955, o psiquiatra J. Todd descreveu esta condição neurológica que compromete os sentidos e a percepção, e tem efeitos que muito se assemelham às experiências da personagem do escritor Lewis Carroll. No livro, de 1865, Alice cresce e encolhe com ajuda de alguns cogumelos alimentos e bebidas que encontra pelo seu caminho. É assim que os afetados pela síndrome se sentem: o doente fica confuso em relação ao tamanho e forma do próprio corpo, sentindo que está aumentando ou diminuindo de tamanho, por exemplo. A confusão também se dá quanto aos formatos e dimensões dos objetos ao seu redor. A condição teria ligação com enxaquecas e com epilepsia, mas estudos que determinam suas causas ainda estão sendo conduzidos.

2. Síndrome de Peter Pan

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Em 1911, J.M. Barrie nos levou em um passeio pela Terra do Nunca, lar encantado de Capitão Gancho, de Sininho, dos Garotos Perdidos e, claro, de Peter Pan, o menino que não queria crescer. Não por acaso, é deste garoto levado que a psicologia pegou emprestado o nome para a condição descrita e popularizada pelo escritor Dr. Dan Kiley. A Síndrome de Peter Pan descreve adultos que nunca conseguiram dar adeus à infância. “Ele é um homem devido a sua idade e um garoto por seus atos”, descreve Kiley em livro publicado em 1983. Considerada uma psicopatologia, a condição ainda não foi incluída na lista de distúrbios da Organização Mundial da Saúde.

3. Síndrome de Rapunzel

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Você com certeza se lembra dela: Rapunzel é a heroína do conto escrito pelos Irmãos Grimm e publicado em 1812. Inconfundível, a jovem princesa, aprisionada em uma torre sem portas ou escadas, possui loooongos e belos cabelos dourados. Como você pode imaginar, as madeixas também são uma parte importante da rara síndrome de mesmo nome, descrita em 1968. ASíndrome de Rapunzel está ligada à tricotilomania, transtorno que torna irresistível a vontade de arrancar os próprios cabelos e muitas vezes está associado também à tricofagia: a compulsão pela ingestão destes fios. O problema se agrava porque o corpo humano não é capaz de digerir o cabelo, que pode acabar se acumulando entre o estômago e o intestino delgado. Aí, já viu: caso essa grande massa (chamada tricobezoar, em “cientifiquês”) vá crescendo até chegar até o intestino delgado, acaba o obstruindo, tornando necessária sua remoção cirúrgica.

4. Síndrome de Dorian Gray

Forever young (via)

Forever young (via)

Obcecado com sua aparência, Dorian Gray, o perturbado e narcisista personagem criado por Oscar Wilde, faz escolhas impensáveis para manter sua juventude eterna. O Retrato de Dorian Gray, publicado em 1890, inspirou a descrição da condição que aflige àqueles que também não lidam nada bem com a ideia do envelhecimento. Ainda não incluída no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (a bíblia dos psiquiatras), a síndrome descrita noInternational Journal of Clinical Pharmacology and Therapeutics, em 2001, aponta uma das mais comuns “fontes da juventude eterna” procuradas pelos afligidos pela condição: cirurgias plásticas e drogas milagrosas que prometem esconder a passagem dos anos.

5. Síndrome de Huckleberry Finn

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Huck não teve uma infância feliz. O garoto, personagem de As Aventuras de Huckleberry Finn, livro escrito por Mark Twain em 1884, nunca conheceu sua mãe e era constantemente abandonado por seu pai. Ao invés de ir para escola, Huck cabulava aulas e fugia de qualquer obrigação. E, segundo estudos, este tipo de comportamento na infância pode ter impactos ao longo da vida. Vem daí o nome da Síndrome de Huckleberry Finn, que faz uma ligação entre a infância problemática e atitudes erráticas na vida adulta – como a instabilidade profissional, por exemplo. Segundo o Steadman’s Medical Eponyms, a condição seria despertada por sentimentos de rejeição.

6. Síndrome de Otelo

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Tragédia com C maiúsculo (New York Shakespeare Festival, 1964 via Theater in Park)

É verdade o que você ouviu por aí: o ciúme pode mesmo ser uma doença. O sentimento angustiante tem uma explicação clínica – é causado pelo medo da perda de um objeto amado. Até aí, tudo bem. Mas, quando o ciúme passa a gerar perturbações e sofrimentos sérios, deixa de ser considerado normal. Segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, quem sofre do Transtorno Delirante Paranóico do tipo ciumento tem convicção, sem motivo justo ou evidente, de que está sendo traído pelo cônjuge ou parceiro. O ciúme patológico e delirante se enquadra na Síndrome de Otelo, cujo nome remete à obra escrita por William Shakespeare em 1603. Em Otelo, o Mouro de Veneza, o personagem-título é devorado pelas suspeitas infundadas de que sua esposa, Desdêmona, estaria o traindo. Se você não sabe como termina a história, uma dica: ninguém vive feliz para sempre neste conto.

1010 maneiras de comprar (um livro) sem dinheiro

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Publicado na revista Super Interessante

Dia 23/04 foi o Dia Internacional do Livro. A comemoração nasceu há quase 90 anos na Catalunha (Espanha) e mais tarde foi instituída como efeméride mundial pela UNESCO, por ter sido o dia de morte de grandes escritores, como o espanhol Miguel de Cervantes e o inglês William Shakespeare. Na Europa, a data costuma ser celebrada com ofertas e descontos em livrarias. Mas, na Catalunha, há três anos surgiu uma iniciativa que promove a leitura e dá valor ao livro de outra forma que não pelo dinheiro: 1010 Ways To Buy Without Money* (1010 Maneiras de Comprar Sem Dinheiro, em inglês).

Comprar livros sem dinheiro. Parece incoerente, não? Só que isso não significa que o livro é grátis. A ideia é vender livros em troca de ações que devem ser realizadas e comprovadas pelos clientes. Valem ações do tipo:
– ligar para a sua mãe e dizer que você a ama;
– montar uma playlist alegre e compartilhar com seus amigos;
– doar sangue;
– deixar de fumar; ou
– tornar-se um doador de órgãos.

Os 1010 preços seguem uma lógica. Eles devem significar uma ação positiva para a pessoa que realiza, proporcionar um valor para a coletividade, gerar algum tipo de utilidade ou despertar a reflexão sobre consumo e sustentabilidade.

A proposta é da agência de publicidade Carlitos e Patricia, de Barcelona. Uma equipe de 20 voluntários trabalhou por algumas semanas para catalogar todos os livros e atribuir seus preços. As obras foram doadas por escolas, associações, editoras, autores, amigos e desconhecidos.

Na semana passada, quando se comemorou o Dia Internacional do Livro, a mesma equipe esteve no espaço do projeto, montado na Plaza Real de Barcelona, para vender as obras e ajudar as pessoas nesta compra diferente. Alguns “pagamentos” podiam ser feitos à vista e, para isso, havia um fotógrafo registrando as ações. Mas em boa parte das compras, as pessoas se comprometeram a enviar uma prova de que a ação foi cumprida. O sucesso da iniciativa está na confiança: “Se não fizer nada em troca, é como se a pessoa roubasse o livro”, explicou uma das voluntárias.

Esta terceira edição do 1010 Ways To Buy Withou Money contou com eventos simultâneos em outras cidades do mundo, como Madrid, Amsterdam, Buenos Aires e Montevidéu. Em breve, o site do projeto* será atualizado com imagens e vídeos de todas as edições e com orientações para organizar e divulgar seu evento de venda sem dinheiro. A expectativa da agência é de que, num futuro próximo, o projeto realize eventos com outros objetos, além de livros.

Eu também aderi à campanha. Minha escolha na banca do “1010 Ways To Buy Without Money” foi demorada. Fiquei em dúvida entre um livro e um pôster de ilustração. O preço do livro era “Ir a pé ao trabalho por um mês”. Achei uma ótima ideia, mas como aqui em Barcelona não tenho emprego fixo que faça me deslocar com frequência, percebi que não teria como pagar. Neste projeto, o preço também influencia muito na hora da compra. E alguns não estão ao nosso alcance. Mas há produtos para todos os bolsos. Optei pelo pôster, com um preço que posso e estou disposta a pagar: adotar uma árvore. O voluntário que me atendeu enfatizou o significado de ADOTAR: “tem que cuidar também”, disse. Negócio fechado!

No vídeo abaixo, você pode ver um pouquinho da edição do ano anterior, em Montevidéu:

*1010 Ways To Buy Withou Money

Imagens: Divulgação

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