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A melhor notícia de Dilma

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aluno na lousa

Gilberto Dimenstein, na Folha de S.Paulo

Para quem acha que o capital humano é essencial no desenvolvimento de uma nação, escolho aqui, neste final de 2012, o que não é a melhor notícia do ano, mas mas a melhor notícia de Dilma Rousseff.

A melhor notícia é a atuação do Supremo Tribunal Federal contra a corrupção, cujo maior mérito é mudar a mentalidade de conivência contra a corrupção e a sensação de impunidade.

A pior é o baixo crescimento econômico, colocando em xeque a eficiência do governo e, mais ainda, o efeito parasita dos governos.

A melhor notícia de Dilma foi sua declaração de que pretende batalhar para que o dinheiro do pré-sal seja destinado à educação. Não sei se ela consegue vencer bem a batalha. Nem se, caso consiga vencer, o dinheiro será aplicado corretamente, sem desperdício.

Sei que existe um risco de o pré-sal acomodar o país com a riqueza fácil e finita. Mas a maior riqueza de uma nação não é o que está debaixo da terra. Mas dentro da cabeça.

Aproveitar essa chance única para focar em melhoria do ensino e do desenvolvimento da pesquisa e da ciência é o caminho para sermos um país civilizado. É algo muito, mais muito mais relevante do que o Bolsa Família.

Não existe país decente com escola pública indecente.

Se Dilma conseguir vencer essa batalha, ela pode perder a próxima eleição – e perder feio. Mas terá assegurada uma forte candidatura a estadista.

 

Na terra de Lobato, estudiosos falam de polêmica sobre obras do escritor

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Publicado originalmente no G1

Os livros “Caçadas de Pedrinho” e “Negrinha”, do escritor Monteiro Lobato, são alvos de movimentos sociais que pretendem barrar a sua distribuição pelo governo por suposto conteúdo racista e sexista. O Instituto de Advocacia Racial e Ambiental (Iara) pede que as obras deixem de integrar o Programa Nacional Biblioteca na Escola (PNBE), que distribui livros a bibliotecas escolares do país.
Em Taubaté, terra de Monteiro Lobato, estudiosos e sociólogos tem opiniões distintas sobre o caso. Para o secretário de Educação e professor de literatura, Carlos Rodrigues, o alvo da polêmica não pode ser considerado o trabalho do escritor.

“A polêmica não é em relação ao livro, não é em relação ao texto. O que se procura entender no Brasil é que há um descompasso histórico entre a obra do Lobato e a visão e reformulação do ensino de história no país. Ele (Monteiro Lobato) trabalhou a linguagem de forma histórica, é a visão de seu tempo. O Brasil precisa sentir isso”, afirma.

Para Aloízio Rodrigues, coordenador do Centro de Estudos Comunitário-Cultural Afro-Brasileiro, é preciso cuidado com a forma com que se transmite informação para as crianças que estão em fase de formação educacional.

“Tem que se estudar profundamente este caso e principalmente a falta de preparo dos professores que a gente observa na rede pública de ensino. Tem que haver um critério muito profundo sobre isso e a gente, lamentavelmente, sabe que isso não existe” explica.

Já para o sociólogo Maurício Rego, as obras em questão são um instrumento de formação educacional. “Fazer a ponte entre a literatura e a realidade é na verdade um elemento de educação, de formação. A descontextualização de uma obra literária é um erro imperdoável. Não só pelo pelo ponto de vista da própria literatura, mas também do ponto de vista legal”, diz.

‘Mulatinha escura’

“Negrinha” foi adquirido pelo governo federal em 2009 e 2010 por meio do PNBE. A obra, lançada em 1920, reúne 22 contos de Monteiro Lobato. A personagem principal é uma criança órfã de sete anos “mulatinha escura, de cabelos ruços e olhos assustados”, diz o texto da obra.

De acordo com o Iara, a “negrinha” sofre violência diária de sua patroa e não há explicações de que isso não é correto. O Iara pede que a CGU analise se há improbidade administrativa na aquisição de “Negrinha”, uma vez que o PNBE veta obras didáticas consideradas preconceituosas.

Ainda de acordo com diretor do Instituto, no livro adquirido pelo governo, da Editora Globo, há uma nota de apresentação que afirma não haver racismo nas obras de Monteiro Lobato.

Impasse

Os autores das ações contra “Caçadas de Pedrinho” e “Negrinha” pedem ainda que qualquer livro com teor semelhante adotado pelo MEC tenha uma nota explicativa. Elaborada por especialistas do ministério, essas notas serviriam de suporte para que os professores promovam uma educação antirracista.
O Iara defende ainda que os professores sejam preparados para lidarem com educação sobre relações étnico-raciais dentro da sala de aula.

O MEC diz ser suficiente parecer do Conselho Nacional de Educação (CNE) e homologado pelo ministro da Educação em 2011 que orienta e obriga o professor a contextualizar em sala de aula todas as obras de valor histórico e literário.

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