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Literatura atual compete com cinema e videogame, diz Joël Dicker

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Mais jovem escritor da Flip, o suíço quer escrever livros únicos, que marquem os leitores e os estimulem a ler mais

Dicker. Anunciado como ‘o melhor que veio da Suíça desde Federer’, vendeu 2 milhões de cópias mas dividiu a crítica - Márcia Foletto / Márcia Foletto

Dicker. Anunciado como ‘o melhor que veio da Suíça desde Federer’, vendeu 2 milhões de cópias mas dividiu a crítica – Márcia Foletto / Márcia Foletto

Fernanda Dutra em O Globo

PARATY, RJ — Desde que chegou ao Rio, na última sexta-feira, o escritor suíço Joël Dicker vem coletando ideias para seu próximo romance. No Pão de Açúcar, ao notar a antiga Ilha da Trindade, imaginou um protagonista vivendo sozinho na área preservada.

Nas várias churrascarias que visitou, notou os nomes dos garçons de diferentes origens e pensou no que trouxe as famílias de cada um ao país. Não à toa, o autor do calhamaço de quase 600 páginas “A verdade sobre o caso Harry Quebert” (Editora Intrínseca), que vem à Flip discutir “Fabulação e mistério” com a neozelandesa Eleanor Catton hoje, tornou-se um defensor das narrativas intrincadas e do entretenimento na literatura.

A história de um escritor prodígio americano que acaba investigando um crime de que é suspeito seu mentor, Harry Quebert, em uma cidadezinha litorânea dos Estados Unidos, já vendeu mais de dois milhões de livros.

Além de render a Dicker o Grande Prêmio do Romance da Academia Francesa, em 2012, e levá-lo à final de outro prêmio francês, o Goncourt. A crítica no Brasil, Estados Unidos e Inglaterra, no entanto, dividiu-se a respeito do suspense recheado de metalinguagem e sucesso de público.

— Quando os jornalistas perguntaram aos jurados da Academia Francesa por que um livro de suspense mereceu o prêmio, um deles respondeu que não lia um livro que não fosse entediante há muito tempo. Desde os anos 1950, os franceses deixaram de considerar livros com boas histórias como literatura. É como se negássemos a tradição de nomes como Émile Zola, Victor Hugo e Guy de Maupassant. O que eram eles senão contadores de histórias? — questiona Dicker.

Há dois anos promovendo “A verdade sobre o caso Harry Quebert” pelo mundo, Dicker não parece afetado pelo bloqueio criativo de que sofre o protagonista do livro, Marcus Goldman. Depois de um segundo livro de sucesso, Goldman não consegue escrever em seu apartamento luxuoso em Nova York. Decide visitar na fictícia Aurora, em New Hampshire, seu professor de faculdade e melhor amigo Harry Quebert — também ele um autor consagrado pela obra-prima “As origens do Mal”, de 1975. Ele retorna a Nova York sem nada até que descobre pela TV que o corpo de uma adolescente, Nola, que havia desaparecido no ano em que o clássico de Harry foi lançado, fora enterrada no jardim do professor. Harry, ainda por cima, revela ter tido um caso com Nola. Marcus começa a investigar a história acreditando na inocência do amigo e, no meio do caminho, escreve um livro homônimo ao que temos em mão. A metalinguagem e os comentários sobre a indústria dos livros permeiam toda a obra.

— Eu não considero “A verdade…” um livro de suspense. Não costumo ler livros desse gênero e, originalmente, na França, ele não foi vendido assim. Mas os editores estrangeiros conversaram sobre qual seria a melhor forma de vendê-lo e decidiram por essa estratégia. Para mim, um livro de suspense tem sua estrutura inteira baseada no crime. Não se sustenta sem isso. Se você tirasse o crime do meu livro, teria a história das relações entre Marcus e Harry, Harry e Nola, Nola e o pai. É, na verdade, uma narrativa sobre relacionamentos.

UM ESCRITOR METÓDICO

Durante a entrevista, o escritor de 29 anos, um dos convidados mais jovens da Flip, se revelou metódico e destacou algumas regras que norteiam sua escrita. Uma delas é que a literatura deve entreter os leitores, pois, segundo Dicker, o dever de um escritor nos dias de hoje é tornar os livros tão atraentes quanto o cinema e os videogames.

— Não competimos só com outros livros, mas com computadores, cinema… Enquanto isso, a literatura é vista como algo velho, empoeirado. Nas escolas francesas que visitei após o lançamento do livro, muitos alunos comentavam “você é o primeiro escritor vivo que lemos”. Por isso fico empolgado com a valorização de autores como Eleanor Catton, que trazem novos pontos de vista a discussões em festivais como a Flip. Não quero, porém, vender só um produto. Quero escrever livros únicos, que marquem os leitores e os estimulem a ler mais livros.

Outra regra de Dicker é que todos os nomes dos personagens devem ter um valor para a história. Do editor americano de Dicker aos críticos nos Estados Unidos, a escolha de nomes incomuns no país chamou atenção. O crítico do “Washington Post” Richard Lipez chegou a dizer que nomes como Perry Galahowood e Stephanie Larjinjiak pareciam anagramas ou erros de digitação. Já outros críticos viram no personagem Benjamin Roth, advogado de Marcus Goldman, uma referência ao escritor americano Philip Roth.

— Eu sou um escritor jovem. Já cometi muitos erros e vou continuar cometendo. Mas espero melhorar a cada livro. Não pensei que veriam o advogado como uma referência a Philip Roth, embora ele seja uma influência literária para mim. Foi talvez o único nome que eu escolhi sem pensar muito e agora me arrependo. Com todos os outros fiz diferente e os defendi quando o meu editor americano disse que eles não pareciam americanos o suficiente. Como o Brasil, os Estados Unidos são feitos de imigrantes e não há só Johns e Peters por lá.

Nascido e criado em Genebra, Dicker passava os verões com a família no estado do Maine, nos Estados Unidos. Daí tirou a ambientação da história. Para seu próximo livro, cogita uma narrativa que se passe na sua cidade natal, onde se tornou uma estrela. Na Europa, o slogan de Dicker virou “o melhor que veio da Suíça desde o tenista Roger Federer”. Como alguns críticos, os próprios pais do escritor — a mãe trabalha em uma livraria e o pai é professor de literatura no Ensino Médio — levaram mais tempo para serem convencidos de seu talento.

— Logo que meu livro saiu, minha mãe só pedia uma cópia por vez e a escondia nas prateleiras entre outros escritores. Até que um dia ela passou por outra livraria em Genebra e viu na vitrine vários dos meus livros com recomendações de leitores e outros livreiros. Só assim ela decidiu que daria o mesmo destaque aos meus livros.

Stephen King diz estar nervoso com continuação de ‘O Iluminado’

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Escritor conta que não gostou de adaptação para o cinema do primeiro romance e afirma que leitores estão mais difíceis de assustar.

Publicado no G1

Stephen King admitiu estar nervoso sobre a reação para seu próximo livro, uma continuação do romance de horror O Iluminado, de 1977.

Stephen King diz estar nervoso com continuação de 'O Iluminado' (Foto: BBC)Stephen King diz estar nervoso com continuação de ‘O Iluminado’ (Foto: BBC)

Em entrevista à BBC, o escritor americano disse esperar que 95% das resenhas sobre o livro Doctor Sleep (ainda sem título em português) sejam uma comparação com a obra anterior.

‘Você se depara com essa comparação e é natural que ela te deixe nervoso, porque muitas águas já passaram sob a ponte (desde o primeiro livro). Sou um homem diferente’, afirmou.

Ele disse ainda que visita sites sobre literatura na internet para saber o que os fãs estão dizendo sobre o livro mesmo antes do lançamento.

Aos 65 anos, o veterano da literatura de suspense acredita que a qualidade de seus livros aumentou desde que escreveu O Iluminado, quando tinha 28 anos.

‘O que muitas pessoas estão dizendo é ‘okay, eu devo ler (Doctor Sleep), mas não vai ser tão bom quanto O Iluminado’. Mas eu sou otimista e quero que elas mudem de opinião ao terminarem de ler. O que quero realmente é que achem melhor que O Iluminado.’

Filme ‘frio’

O autor também afirma que não gostou da versão do diretor Stanley Kubrick para O Iluminado, uma das adaptações mais famosas de seus livros para o cinema.

‘(O filme) É muito frio. Eu não sou uma pessoa fria. Acho que uma das coisas que as pessoas gostam nos meus livros é que há uma proximidade, algo que diz ao leitor ‘quero que você seja parte disso”, disse.

‘E com O Iluminado de Kubrick era como (os personagens) fossem formigas em uma fazenda, pequenos insetos fazendo coisas interessantes.’

Durante a entrevista, ele também fez críticas às performances de Jack Nicholson, que interpreta Jack Torrance, e Shelley Duvall, que interpretou sua esposa Wendy.

‘O Jack Torrance do filme parece louco desde o início. Eu tinha visto todos os filmes de motoqueiro de Jack Nicholson nos anos 60 e achei que ele estava só trazendo de volta o personagem’, afirmou.

‘Já Shelley Duvall como Wendy é um dos personagens mais misóginos já colocados em um filme. Ela basicamente está lá para gritar e ser burra, e essa não é a mulher sobre a qual eu escrevi.’

O escritor revelou que o personagem de Jack Torrance é o mais autobiográfico que ele já escreveu.

‘Quando eu escrevi o livro eu estava bebendo muito. Eu não me enxergava como um alcoólatra, mas os alcoólatras nunca se enxergam assim. Então eu o via como um personagem heroico que estava lutando sozinho contra seus demônios, como os ‘homens americanos fortes’ devem fazer.’

Assustar ficou mais difícil

Em entrevista ao editor de artes da BBC Will Gompertz, King disse ter receio de que as pessoas que leram ainda jovens sua primeira história sobre a família Torrance no Hotel Overlook tenham as mesmas expectativas com Doctor Sleep.

‘Acho que as pessoas liam aqueles livros sob as cobertas com lanternas quando elas tinham 12, 14 anos de idade e por isso tinham medo. Meu receio é que elas voltem esperando se assustar novamente como naquela época, e isso simplesmente não acontece. Eu quis escrever um livro mais adulto’, diz.

Para ele, é mais difícil assustar os leitores hoje, porque ‘eles estão mais espertos a respeito dos truques que os escritores e cineastas usam para provocar sustos’.

No entanto, o autor ainda acredita ser possível assustar as pessoas ‘de um jeito honrado, se elas se importam com os personagens’.

‘Quero que o público se apaixone por esses personagens e se importe com eles. E isso cria o suspense de que se precisa. O amor cria o horror.’

O novo livro começa um ano depois que o hotel Overlook, onde a família Torrance se hospeda, é destruído e mostra o crescimento do garoto, Danny Torrence.

‘As pessoas me perguntavam o que aconteceu com o garoto de O Iluminado. Eu fiquei curioso sobre o que aconteceria com ele, porque ele era realmente um filho de uma família disfuncional.’

Já adulto, Danny trabalha como enfermeiro em uma casa de repouso, que usa suas habilidades psíquicas para ajudar pessoas que estão morrendo a passarem deste mundo para o próximo, de acordo com o autor.

Ele conhece uma menina que tem as mesmas habilidades e é perseguida por ‘vampiros psíquicos’, que vivem da essência de crianças como ela.

 

Apaixonada por livros e leitores

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Curitibana forma corrente de leitura com sua empresa de locação. É só telefonar que ela entrega o livro em casa

Adriana Czelusniak, na Gazeta do Povo

Lígia da Silva Maldonado, proprietária da Ligue Livros (Daniel Castellano/Gazeta do Povo)

Lígia da Silva Maldonado, proprietária da Ligue Livros (Daniel Castellano/Gazeta do Povo)

Depois de uma carreira como técnica de enfermagem e como assistente social em hospitais psiquiátricos, Lígia da Silva Maldonado, 54 anos, resolveu unir a vontade de ajudar as pessoas com a paixão que sempre teve pelos livros. Aproveitou a experiência de um período de trabalho em livrarias e criou o próprio negócio, a Ligue Livros, há 24 anos, com a missão de incentivar a leitura. Os clientes pagam uma taxa trimestral ou semestral, pedem os livros por telefone ou e-mail e os recebem em casa. Depois de lidos, são devolvidos e um novo pedido já pode ser feito.

Em um país onde as pessoas dedicam pouco tempo aos livros – em média, apenas dois são lidos por ano, segundo a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, do Instituto Pró-Livro –, a Ligue Livros cumpre um papel importante como difusor de leitura. Lígia consegue fazer compras diárias de novos títulos e manter o acervo sempre atualizado.

Mas ela não se restringe apenas às operações de pedidos e trocas dos 18 mil livros que reuniu. Como lê o tempo todo e atende pessoalmente cada pedido, se tornou uma espécie de guia de leitura para os 1.760 clientes – mulheres acima dos 40 anos, em sua maioria. “Consigo divulgar autores e livros que não são tão divulgados pela mídia. E temos à disposição desde edições esgotadas de clássicos até todos os últimos lançamentos do mês”, diz.

Fidelidade

O atendimento próximo e frequente também acaba fidelizando o cliente, que se não quiser não precisa se preocupar nem em escolher qual livro vai ler entre tantas opções de romances em geral, romances históricos, policiais, espionagem, suspense, terror, ficção científica, esotéricos e em outros idiomas. “Se tenho sucesso nas indicações, o leitor fica estimulado e lê mais, o que garante a satisfação com o serviço. Perguntam-me como consegui indicar um livro que tem tudo a ver com o momento. Acho que essa sensibilidade de perceber o que faz bem para cada pessoa vem da minha formação de assistente social”, conta.

Outros “mimos” sem taxas adicionais que agradam a clientela são a possibilidade de pedir mais de um exemplar por vez em período de férias ou feriados e o envio de livros infantis para quem tem filhos. Há quatro anos Lígia resolveu experimentar a locação de DVDs, mas decidiu continuar somente com livros. “Não conseguíamos acompanhar a aquisição dos lançamentos no ritmo das grandes locadoras e com a expansão das tevês a cabo e da internet ficou inviável continuar”, explica.

Aprovado

Associados dão nota 10 para o serviço

A jornalista Roseli Abrão é cliente do Ligue Livros há 20 anos e é considerada pela própria Lígia como uma “leitora voraz”, pois a cada semana lê ao menos três livros. “Não tenho ideia de quantos títulos já li, mas se são uns cem por ano durante 20 anos, faça a conta”, provoca. Roseli diz que se não fosse pelo serviço não teria lido tanto, pois falta­-lhe tempo para ir a livrarias.

Outra cliente é a auxiliar financeira Regina Maria Prim, 58 anos. Ela conta que foi sócia da Best Sellers Club, a primeira locadora de livros de Curitiba. Ao saber que Lígia havia montado a própria livraria, Regina adotou o serviço, em 1998. “Ela promoveu a evolução na locação. É muito prático. Depois de tanto tempo, a Lígia já sabe o estilo e os autores que eu gosto e ela escolhe o que mandar. Se não gosto do livro, é só avisar que ela troca.”

Regina considera mais vantajoso ter um serviço assim, já que lê três livros por mês e desta forma não precisa nem de um lugar para armazená-los. Pela sua conta já foram quase 600 títulos alugados pela Ligue Livros. Mas as vantagens não estão apenas na grande variedade de obras disponíveis e na praticidade de retirada e entrega. “Tem também o fato de a Lígia ser muito simpática. Já aconteceu de ligar para pedir uma troca e a gente ficar um tempão batendo papo”, diz.

Em Curitiba é possível alugar livros pelo telefone e internet
Os clientes pagam uma taxa trimestral ou semestral, pedem os livros por telefone ou e-mail e os recebem em casa. Quanto mais rápido lerem, mais trocas são feitas. São 18 mil livros no acervo e cerca de 1.700 clientes cadastrados.

Serviço

Contato com a Ligue Livros pelos telefones (41) 3367-2466 e 3367-3544, e-mail: [email protected] e site www.liglivros.com.br.

dica do Chicco Sal

Autora da saga ‘Harry Potter’ publica livro de suspense usando pseudônimo

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Publicado por Folha de S.Paulo

A escritora britânica J. K. Rowling, autora das bem-sucedidas histórias do bruxo Harry Potter, escreveu em segredo um suspense sob o pseudônimo de Robert Galbraith, segundo revela neste domingo (14) o jornal “The Sunday Times”.

Trata-se de “The Cuckoo’s Calling”, um livro publicado em abril e que relata a história de um ex-combatente que responde ao nome de Cormoran Strike e que se transforma em detetive privado.

Desde sua publicação, Rowling vendeu 1.500 cópias, mas o segredo foi descoberto depois que o “Sunday Times” se perguntou como podia ser que um autor que publicava pela primeira vez pudesse conseguir uma resposta tão imediata.

J.K. Rowling, autora da série "Harry Potter"  / Carlo Allegri/Reuters

J.K. Rowling, autora da série “Harry Potter” / Carlo Allegri/Reuters

“Eu esperava guardar este segredo durante um tempo mais porque ser Robert Galbraith foi uma experiência libertadora”, disse a autora em declarações que publica o jornal.

“Foi maravilhoso publicar sem expectativa e por puro prazer para obter uma resposta com um nome diferente”, acrescentou.

Uma das pistas que levaram a descobri-la é que Rowling e Galbraith compartilhavam o mesmo agente e a mesma editora.

O livro foi publicado pela Sphere, parte do grupo editorial Little, Brown Book Group, que lançou no ano passado seu primeiro romance para adultos “The Casual Vacancy”.

Rowling publicou esse livro 15 anos depois de lançar o primeiro episódio da saga de Harry Potter, traduzida para 73 idiomas e da qual vendeu 450 milhões de cópias em mais de 200 países.

Conheça 7 excelentes livros do charmoso gênero mafioso

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Luiz Guilherme, no Literatortura

A máfia nos livros ganhou e ainda adquire muitas faces, personalidades e vestimentas, seja a de Don Vito Corleone (Marlon Brando) ou Michael Corleone (Al Pacino) que comandaram a inesquecível e igualmente tradicionalista família Corleone e até a de Francis Costello (Jack Nicholson) em Os Infiltrados (The Departed).

Sendo a grande maioria de origem italiana, o modo como as máfias se organizam (dando ênfase a todas as formalidades exigidas) e efetuam seus atos ilícitos na ficção nos leva a analisar o mundo de outra forma. As sábias frases proferidas por Don Vito Corleone ecoam na mente de quem as lê, levando o leitor a viajar por um mundo instável e por vezes lúgubre, no qual seus inimigos estão realmente próximos de você e tudo parece estar dominado por disputas pelo poder, negócios ilegais, mortes quase sem explicações e corrupção até atingir um clímax dramático após o suspense.

As organizações criminais servem de base para estudos e grandes reportagens por parte de intelectuais, além de influenciar diversos escritores de obras fictícias. A “admiração” acompanhada de um certo repúdio por este tema me faz lembrar o termo que o criminólogo gaúcho Salo de Carvalho utiliza ao se referir sobre o estudo do crime quando cita “o fascínio pela violência”.

A palavra “máfia” que já era bastante difundida nos Estados Unidos, finalmente começou a se popularizar no Brasil por meio de livros de administração, auto-ajuda, culinária e muitos outros além do literário. Apesar de apareceram nos noticiários os horrores efetuados por organizações criminosas italianas, a máfia da ficção e da não-ficção (majoritariamente livros-reportagem) ainda assim se tornaram tão clássicas que é inadimissível deixar de admitir que os “homens de honra” serviram de inspiração na literatura. Cada escritor do gênero possuía a sua própria receita, havendo casos até de ameaças dirigidas a eles caso ousassem revelar os bastidores da máfia.

Poderoso Chefão/ Omertà/ O Siciliano e outros – Mario Puzo

Um dos pais do gênero mafioso, Mario Puzo escreveu diversos livros sobre a máfia italiana. Sua obra mais famosa que inspirou a trilogia de mesmo nome e rendeu-lhe o Oscar de Melhor Roteirista além da fama internacional foi O Poderoso Chefão (The Godfather), que descreve a saga da família Corleone nos Estados Unidos na década de 40, posterior ao ápice do poder criminal que ocorreu nos períodos da Lei Seca. O livro revelou inúmeros detalhes sobre a hierarquia e a atuação da máfia por debaixo dos panos, salientando diversas vezes a importância de se negociar com as autoridades e paralelamente saber competir e administrar o negócio. O que poucos sabem é que Mario Puzo teve a inspiração em produzir The Godfather “do nada” enquanto ele escrevia reportagens policiais, conforme comentou em entrevistas.

A Firma – John Grisham

Um dos livros que melhor retratam a frase: “a máfia não esquece”. O advogado e escritor norte-americano, John Grisham, é um nome que aos poucos ganha espaço nas prateleiras das livrarias brasileiras. Sendo pioneiro em escrever obras cujo foco são os tribunais, causas jurídicas e o Direito em si, em A Firma (The Firm) que já inspirou uma longa metragem estrelando Tom Cruise e mais recentemente um seriado, Mitch McDeere é um advogado prodígio que se formou em Harvard e acaba de ser convidado por um grande escritório de direito tributário. Mesmo com a tranquilidade repousando o seu dia-a-dia, Mitch ao ser interceptado pelo FBI, que o alerta sobre o escritório e após realizar investigações próprias, descobre que os seus colegas advogados contribuem para lavar o dinheiro de uma organização criminosa e por consequência o grande escritório de advocacia serve de fachada para atos ilícitos e transações fraudulentas com âmbito mundial. Impedido de sair, tendo em vista que todos os advogados que pediram demissão foram mortos por motivos desconhecidos, também corre o risco de ser preso por cooperar com a máfia.

Gomorra – Roberto Saviano

O escritor italiano Roberto Saviano tornou-se bastante conhecido ao receber elogios de famosos (inclusive ganhadores de prêmios Nobel) por ter tido coragem em denunciar a atuação da máfia italiana Camorra, descrevendo minuciosamente suas atividades no país. O livro alcançou grandes números de vendas no Brasil e no mundo, contudo Roberto acabou pagando um preço bastante caro ao publicar a sua obra, já que hoje ele vive com guarda-costas e em lugares não revelados por ter sido ameaçado de morte.

Roberto Saviano ist in Lebensgefahr

Honra teu Pai – Gay Talese

Outro livro estilo reportagem que foca a história da família Bonanno, liderada por Joseph “Joe Bananas” Bonanno, uma das maiores dos Estados Unidos. Abordando as relações familiares de Joseph além do vínculo com o crime, Gay Talese disponibilizou ao público um pequeno dossiê de Bonanno.

Minha Vida Secreta na Máfia – Joseph D. Stone

Livro que inspirou o filme Donnie Brasco (com Al Pacino e Johnny Deep), o policial Joe Pistone se infiltra na máfia italiana presente nos Estados Unidos com a identidade de Donnie Brasco. Gradativamente Joe ganha a confiança da máfia e embora esteja arriscando a sua vida, denuncia diversos líderes para colocá-los posteriormente na prisão.

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Educação Siberiana – Nicolai Lilin

Pessoalmente fiquei curioso com a publicação de Educação Siberiana. Há uma carência muito grande quanto aos relatos da máfia russa e os que existem não são muito divulgados devido à grande influência que tal organização criminal ainda exerce nos países da antiga União Soviética. Nicolai narra um incrível relato sobre os urcas siberianos que se ascenderam na queda da União Soviética quando conseguiram adquirir quotas de empresas estatais e privadas. Lilin se aprofunda no enredo e conta como eram os ensinamentos que teve de aprender nas ruas siberianas habitadas por uma grande quantidade de criminosos na maioria deportados.

O lado oriental da máfia

Tóquio Proibida: Uma viagem perigosa pelo submundo japonês

O jornalista Jake Adelstein foge totalmente daquele paradigma clássico em descrever a máfia ítalo-americana. Em Tóquio Proibida (Tokyo Vice), Adelstein segue uma vida bastante similar com a de Saviano na vida real, sendo ameaçado diversas vezes pela máfia japonesa após a publicação de seu livro. A obra nos traz ricos detalhes dos negócios obscuros de uma organização criminosa que apesar de ter ramificações no mundo todo, não é bastante vista pelos holofotes da mídia.

Tóquio Proibida, como o próprio título já ilustra, não é apenas um mero dossiê da Yakuza, mas sim um relato de fatos incomuns aos quais até os próprios japoneses veem com certa incredulidade.

Existem diversas outras obras que oferecem um retrato genuíno e extremamente rico em detalhes, incluindo as próprias ficções. Livros que abordam a máfia acabam sendo um símbolo do lado sombrio de nossa sociedade, mostrando cicatrizes da civilização e servindo até como uma metáfora para nós mesmos que lembramos de frases de lendários chefes quando estamos prestes a adotar uma postura rígida e meticulosa diante de um fato.

Por fim gostaria de esclarecer que o presente texto não tem como meta fazer apologias à máfia e tampouco divulgar suas ações. O que foi abordado aqui é o gênero e não estritamente o objeto.

“Na sua idade diziam que nós podíamos ser policiais ou criminosos. Hoje eu lhe digo o seguinte: com uma arma apontada para você, que diferença faz?” (Frase do filme Os Infiltrados – The Departed)

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