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O lugar que guardava livros

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Importante pensador do futuro das bibliotecas, Matthew Battles defende ‘curadoria’ da informação digital e participação do cidadão nos acervos

Visitantes na biblioteca pública de New York New York Times

Visitantes na biblioteca pública de New York New York Times

Maurício Meireles em O Globo

RIO – Matthew Battles era um homem que tomava conta dos livros. De responsável pelas obras raras da biblioteca da Universidade de Harvard ele passou a um dos principais pensadores do futuro das bibliotecas diante dos avanços tecnológicos. Hoje, dirige o MetaLab, centro de pesquisas de Harvard sobre a influência da tecnologia nas artes e ciências humanas. No laboratório, é um dos colaboradores da Digital Public Library of America, biblioteca digital que une vários acervos dos Estados Unidos. Ele conversou com O GLOBO, por telefone, antes de vir ao Rio para a série “Múltiplos e contemporâneos: a literatura .com”, que começa nesta quarta-feira com sua palestra “Biblioteca do futuro”, às 18h30m, no Centro Cultural Banco do Brasil — e terá uma mesa por mês, até dezembro.

O senhor já escreveu um livro sobre a história cultural das bibliotecas (“A história conturbada das bibliotecas”, editora Planeta, 2008). Como elas vão mudar daqui em diante?

A biblioteca já existia antes de haver o livro como o conhecemos, um produto comercial. Ao longo do tempo, as bibliotecas foram reconhecidas mais pela sua forma do que pelos livros guardados nelas. Portanto, são um conceito aberto, com espaço para mudança. Elas terão um papel importante no futuro, mas o que fazemos dentro delas e os objetos com os quais interagimos vão mudar.

Que novos materiais a biblioteca passará a guardar?

Conforme os livros passem a ocupar o reino digital, a biblioteca vai virar um local para interagir com tais objetos, criando novas experiências de significado a partir deles. Os e-books são maravilhosos, mas seu modelo de consumo é baseado sobretudo no iPod e no download de músicas — que ouvimos em fones de ouvido, de forma privada. A leitura já é um ato bastante privado, então precisamos de formas de dividir essa experiência uns com os outros. Caso contrário, ela vira uma província em que só há interação do consumidor com um varejista da internet. As bibliotecas podem ajudar nisso ao dar acesso a outras fontes de informação, como ferramentas de visualização, mecanismos de edição, salas interativas — e outras mídias caras demais para o leitor ou estudante médio. Além disso, a biblioteca vai ajudar o leitor a se ver como criador de cultura. E auxiliá-lo a preservar peças do seu passado que tenham a ver com nossa história comum.

As bibliotecas costumam guardar os chamados efêmeros, como jornais e documentos oficiais. Elas vão continuar a guardá-los? Como fazer com a informação das redes sociais?

Um amigo meu tem uma coleção enorme de fanzines, que ele acaba de doar para a biblioteca de obras raras da Universidade de Iowa. Esse tipo de acervo é precioso, e as bibliotecas vão continuar a organizá-lo. Mas mais interessante é a informação digital — desde mensagens de e-mail e das redes sociais até dados da vida urbana e de saúde pública. Hoje, muito da nossa interação com o mundo produz informação. As bibliotecas precisam entender as vastas fontes de informação da sociedade moderna como um fenômeno que precisa de curadoria.

Para preservar o acervo, é comum que o acesso a ele seja dificultado. Como encontrar o equilíbrio entre preservação e necessidade de interação?

As ferramentas digitais ajudam. Já faz um tempo que digitalizamos livros e material iconográfico. O próximo passo é permitir que os usuários da biblioteca tenham acesso a dados que conectem esses livros e outras fontes uns aos outros. Como encontrar todos os livros que mencionam o Rio de Janeiro? Como descobrir quantas vezes uma obra foi traduzida ao longo da História, com um mapa de sua leitura no mundo?

O senhor pode dar algum exemplo de iniciativas que fazem isso?

Várias cidades americanas já divulgam dados civis que documentam tudo, desde a origem dos alimentos até dados de trânsito. Muitas bibliotecas já digitalizaram seus acervos, mas essas fontes de informação são meio esotéricas, difíceis de encontrar e usar. É preciso criar programas para ajudar o cidadão a interagir com eles. Um grande exemplo é a Digital Public Library (projeto do historiador Robert Darnton de digitalização e acesso aos acervos das bibliotecas americanas) e a Europeana (biblioteca digital da União Europeia). Essas iniciativas permitem que programadores independentes interajam diretamente com ele, criando programas para lidar com a informação.

Qual a sua colaboração com a Digital Public Library?

A Digital Public Library vai reunir acervos de várias bibliotecas. Depois, será feito um catálogo de catálogos. A ideia é que os arquivos conversem entre si. Estamos criando ferramentas para interagir com esse acervo de acervos. Mais à frente, a ideia é ajudar as pessoas a incluir seu próprio material.

Um dos obstáculos para digitalizar acervos diz respeito aos direitos autorais. O Google Books tentou e não conseguiu. Como resolver isso?

As pessoas têm mais consciência da importância de compartilhar a informação cultural. Com o tempo, as leis também devem mudar. O próximo passo da digitalização deve ser pessoas comuns contribuírem para arquivos históricos e culturais. Perdemos muito da Antiguidade clássica porque autores como Cícero e Horácio, por exemplo, não escreviam sobre o cidadão comum. Seus manuscritos só refletem parte da vida naquele tempo. Já nas ruínas das casas, há registros de recibos, poemas, cartas de amor.

No Brasil, há muitas bibliotecas vazias por conta da dificuldade de atrair o público. Como mudar isso?

Todo mundo está virando bibliotecário. A biblioteca precisa apelar para a sensação de alegria das pessoas de descobrir algo novo e dividir com os outros. É o que já fazemos nas redes sociais. O desafio é fazer essa lógica funcionar no espaço físico, por meio da tecnologia, que nos permita interagir não só com os livros, mas uns com os outros.

Conheça 10 escritores que eram famosos pelo uso de drogas

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Amanda Leonardi, no Literatortura

Não é de hoje que artistas e drogas andam juntos. Sempre vemos rockstars usando drogas, assim como atores, pintores e… é claro, também, escritores! Haverá alguma conexão entre o fazer artístico e o uso de drogas? Muitos escritores, dos mais importantes, já usaram drogas, e ainda escreveram obras inteiras sob influência destas. Seriam as drogas alguma espécie de combustível criativo? Baudelaire, em Paraísos Artificiais, argumenta que o artista não pode depender de um veneno – como ele mesmo cunha as drogas – para pensar; porém não é novidade que, quando sob o efeito de substâncias que alteram a percepção, é possível ver as coisas de formas diferentes, fator este que, conseqüentemente, amplia a visão do escritor, cujo um dos principais intentos é mostrar, através de palavras, pontos de vista antes pouco – ou nunca – percebidos por outros. E isto é bem descrito também por Baudelaire, ainda em Paraísos Artificiais, referindo-se ao haxixe como um verniz mágico que colore a vida com solenidade, aclarando toda sua profundeza, e a embriaguez, assim, ilumina a inteligência.

Apesar de, obviamente, não ser necessário o uso de substâncias químicas para escrever, muitos escritores parecem ter uma necessidade de usar tais substâncias. Seria alguma consequência da ansiedade daqueles que questionam, talvez demais, o mundo a seu redor, por isso sentem a necessidade de escrever, e assim também a necessidade de se entorpecer de alguma forma? Bem, cada um usa drogas por seus próprios motivos, e não é certo julgar que é exatamente por esta ou por outras razões, mas o certo é que há uma forte presença do uso das drogas entre os literários. Portanto, segue uma breve lista com alguns (só alguns, é quase impossível lembrar-se de todos eles) dos mais importantes escritores que já usaram drogas – e que até já escreveram grandes obras sob sua influência.

p.s: alguns dos escritores abaixo não usavam, necessariamente, nenhuma droga ilítica. Mas, a bebida afetou tanto suas vidas que fica difícil não mencioná-los.

Hunter S. Thompson – Seu forte apreço pelo álcool lhe rendeu a fama de ter sido o fundador do jornalismo Gonzo, expressão que significa algo como “o último homem a permanecer em pé após muita bebida”, e como se isso não fosse o suficiente para colocá-lo com louvor nesta lista, ele até chegou, certa a vez, a dizer: “Eu odeio recomendar drogas, álcool, violência, ou insanidade para qualquer um, mas isso tudo sempre funcionou comigo.” Thompson conviveu com a cultura hippie, e utilizou várias drogas, como LSD e álcool – sua bebida favorita era o rum. Seu mais famoso livro, Medo e Delírio em Las Vegas, foi o resultado distorcido de uma matéria que ele ficara de fazer para uma revista sobre uma corrida, porém gastou o dinheiro da hospedagem em drogas e bebidas, e acabou escrevendo, em vez da matéria, um relato sobre seus dias de entorpecimento. Thompson suicidou-se em 2005, com um tiro de espingarda. Em 2011, estreiou o filme O Diário de um jornalista bêbado, com Johnny Depp, que é baseado em um livro de Thompson.

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Stephen King – O mais famoso escritor de terror contemporâneo, Stephen King diz não se lembrar muito bem de quando escreveu um de seus maiores clássicos, Cujo, pois andava mal por conta do uso excessivo de cocaína e álcool na época. Seu problema com alcoolismo é até refletido em sua mais célebre obra, O Iluminado, na qual Jack Torrance também mostra ter um problema com bebidas. Com a agravação do vício de King, sua família e seus amigos interviram e desde então ele esteve sóbrio.

Charles Baudelaire – Famoso por sua poesia ligada ao vinho e às drogas, Baudelaire escreveu Paraísos Artificiais, na qual narra sobre as experiências geradas pelo uso do haxixe, do ópio e do vinho. Inclusive, fez parte de um grupo chamado Clube dos Hashishins, que se reuniam, obviamente, para usar haxixe. Baudelaire narra, de forma lírica, em sua obra, diversas formas como o haxixe, o ópio e o vinho, mas principalmente o haxixe, que pode ampliar a percepção do artista, iluminando sua inteligência. Porém, no fim do livro, ele condena o uso de substâncias como auxílio à criatividade, dizendo: “Aquele que puder recorrer a um veneno para pensar, em breve não poderá mais pensar sem o veneno. É possível imaginar o terrível destino de um homem cuja imaginação paralisada não soubesse mais funcionar sem o recurso do haxixe ou do ópio?” (Paraísos Artificiais, p. 50)

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Edgar Allan Poe – Impossível deixar fora desta lista o célebre Edgar Allan Poe. O escritor passou por diversos dilemas sérios no decorrer de sua vida, e entre eles (ou talvez em decorrer deles) estavam a dependência do álcool e do ópio. Poe inclusive mostra, em alguns de seus contos como Berenice e Ligeia, protagonistas também dependentes do ópio. Além de álcool e ópio, o escritor também usava láudano, e foi isso que utilizou em sua tentativa de suicídio, em 15 de novembro de 1848, um ano antes de sua morte.

Thomas de Quincey – Sua autobiografia chama-se Confissões de um comedor de Ópio – o que deixa bem claro o porquê dele estar nesta lista. De Quincey usava Láudano, uma mistura de ópio e álcool que contém morfina e codeína. Quando estava sem se entorpecer, sua produção literária tendia a decair, o que demonstra a importância das drogas em sua vida. Baudelaire foi fortemente influenciado por de Quincey, e em Paraísos Artificais há diversas citações da biografia deste, seguidas de comentários de Baudelaire. De Quincey defende abertamente o uso do ópio em Confissões de um comedor de Ópio, ao contrário de Baudelaire, que acabou se mostrando contra o uso.

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Hemingway – Quando falam de Hemingway, muitos o associam facilmente à bebida. São diversas as frases de Hemingway relacionadas ao assunto, como:”Eu bebo para tornar as outras pessoas mais interessantes”, e “Para conviver com os tolos, um homem inteligente precisa beber” Sua bebidas preferidas eram o absinto, o Mojito, que conheceu em Havana, e também uma versão especial de Daiquiri, que hoje inclusive é chamada de Special Hemingway. O escritor, que bebia excessivamente em decorrer de problemas como depressão, se suicidou em 1961.

Samuel Coleridge – Láudano e ópio também eram as drogas preferidas de Samuel Coleridge, o autor do poema A Balada do Velho Marinheiro (The Rime of the Ancient Mariner), um dos poemas épicos mais fortemente influenciado pelo uso de drogas já escrito. Coleridge pertencia ao mesmo círculo social de Quincey, que chegou a escrever um ensaio sobre Coleridge e seu uso excessivo de ópio – o ensaio chama-se Coleridge e o Ato de Comer Ópio (Coleridge And Opium-Eating).

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Jack Kerouac – Um dos maiores escritores da famosa geração Beat escreveu muito sob efeito de drogas. O amigo do escritor, Allen Ginsberg, comentou que o próprio Kerouac disse que sentia que conseguia escrever mais dessa forma. Muitos de seus romances, entre eles, o aclamado On the Road, foram escritos sob a influência de benzedrina, entre outras drogas. Kerouac também bebia muito, o que pode ser considerado o seu suicídio lento, uma vez que o escritor chegou a declarar que, por ser católico, não podia cometer suicídio, mas podia beber até a morte. E foi o que ele realmente fez: Kerouac sofreu uma hemorragia de varizes no esôfago, o que o levou a fazer 26 transfusões de sangue, e foi em virtude do alcoolismo que ele morreu, em 1969.

Aldous Huxley – O autor do famoso Admirável Mundo Novo considerava o LSD e outros alucinógenos como portais para percepções espirituais profundas, místicas. Ele escreveu a obra As Portas da Percepção, na qual descreve experiências com o uso de drogas como o ácido lisérgico, a mescalina, entre outras. Huxley disse, em uma entrevista à Paris Review, em 1960, que, indiretamente, o uso de tais substâncias pode ajudar no processo criativo, mas não de forma que alguém possa dizer “agora vou tomar um ácido para escrever um poema brilhante”, isso ele não acreditava que funcionasse.

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Bukowski – O próprio já dizia: “Beber é algo emocional. Faz com que você saia da rotina do dia-a-dia, impede que tudo seja igual. Arranca você pra fora do seu corpo e de sua mente e joga contra a parede. Eu tenho a impressão de que beber é uma forma de suicídio onde você é permitido voltar à vida e começar tudo de novo no dia seguinte. É como se matar e renascer. Acho que eu já vivi cerca de dez ou quinze mil vidas.” “Se algo ruim acontece, você bebe em uma tentativa de esquecer, se algo de bom acontece, você bebe para celebrar, e se não acontecer nada, você bebe para fazer algo acontecer ” Depois dessas, acho que o próprio Bukowski já explica com suas próprias palavras porque está nessa lista, certo? Em suas obras há muitas referências ao álcool, assim como à maconha, apesar do escritor ter dito ser contra o uso de drogas; ele gostava realmente era de beber, de beber muito, inclusive defende o uso do álcool abertamente, como se pode notar no vídeo abaixo, onde diz que se não fosse a bebida, provavelmente teria se matado:

Menções importantes:

Truman Capote

Ken Kesey

Robert Louis Stevenson

William S. Burroughs

Philip K. Dick

Sylvia Plath (alcoolismo)

Anne Sexton (alcoolismo e pílulas para dormir)

Lord Byron (alcoolismo)

E então, que tal a lista? Quais escritores você acha que faltam aqui? (Sim, concordo que realmente faltam muitos, mas por mais escritores que se acrescente, acho que ainda faltariam mais haha) Comente!

Obs.: lista inspirada livremente na matéria litreactor.com

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