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Crianças de escola pública desenvolvem aplicativo para incentivar novos talentos

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As garotas ficaram em 2º lugar no evento internacional Startup Weekend e receberam apoio do Banco Palmas para tornar o projeto realidade

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Publicado em Tribuna do Ceará

Transformar arte em produto. Essa é a ideia de cinco meninas, que criaram um aplicativo para incentivar novos talentos em instituições de ensino. As garotas, de faixa etária entre 11 e 14 anos, estudam na escola municipal Maria Helenilce Cavalcante Martins, no Conjunto Palmeiras, e pretendem beneficiar a comunidade onde vivem, uma das mais violentas de Fortaleza.
Pensando nos amigos com habilidade nos desenhos e sem oportunidades de expandir a aptidão, Tifany Ambrósio, Ana Vitória Ribeiro, Kaiane Costa, Rayssa Mara e Maria Keliane criaram a ideia do aplicativo Traço Kids.
“O propósito é transformar a região em um celeiro de jovens que possam usar a tecnologia e a programação para entender e transformar a sua realidade e a da comunidade”, afirma o professor Cleudson Santos.

Trata-se de uma pinacoteca virtual, onde os talentos infantis podem ser divulgados a partir de cadastros da escola e, em seguida, vendidos a empresas para serem utilizados em capas de cadernos, roupas, brindes corporativos ou cases para celulares. “A criança vai desenhar, a gente vai colocar no aplicativo, as pessoas vão baixar esse aplicativo. Se algum desenho interessar à pessoa, ela compra, e com o dinheiro arrecadado a gente compra material de desenho”, explica a estudante Tifany Ambrósio, de 14 anos.

Elas tiveram o projeto selecionado em um evento de tecnologia, que incentiva garotas a conhecer melhor o universo da programação e a criar aplicativos para celular para solucionar programas da comunidade. O objetivo do Startup Weekend é estimular a participação feminina na programação, universo tradicionalmente masculino.

“As empresas poderão usar os desenhos, e os valores serão revertidos para compras de materiais de pinturas ou disponibilização de cursos de desenho. É uma ideia revolucionária”, comemora o o professor.

As meninas foram orientadas por programadores e monitores no Instituto Banco Palmas, no Conjunto Palmeiras. O instituto também disponibilizou laboratório de informática para as atividades. “Fizemos uma reunião com elas, foi colocado e discutido o problema do bairro. Elas apontaram sugestões, e verificamos se tinha viabilidade econômica. A ideia foi apresentada em apenas 60 segundos”, conta o professor.

E não é que as garotas se deram bem? O aplicativo ficou em segundo lugar no Startup Weekend. Agora, o próximo passo é criar o selo Traço Kids, para que sejam vendidas licenças de uso da arte. Em seguida, as alunas desenvolverão a programação do app, com financiamento do Banco Palmas, e apoio do Instituto Centro de Ensino Tecnológico do Ceará (Centec). “Foi um fim de semana intenso. Elas estudaram de manhã até a noite. Vitória incrível”.

Cantando e aprendendo

Outras duas garotas cearenses, Thalita Cabral e Milena Souza, de 12 e 11 anos – respectivamente, também participaram do evento internacional, e receberam menção honrosa pelo desenvolvimento do protótipo do app “Cantando e Aprendendo”. O software tem a intenção de permitir que as pessoas treinem habilidades de fala enquanto cantam e auxiliar fonoaudiólogos em seus trabalhos.

“A educação é o caminho para mudar essa realidade, e a tecnologia é uma ferramenta acessível e atraente às crianças e adolescentes. É possível fazer coisas incríveis quando bem orientadas”, conclui o professor Cleudson.

Editoras recorrem a leitores para escolher quais livros publicar

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Sandy Hall estava nervosa. Bibliotecária em Morristown, em Nova Jersey, Hall se preparava poucas noites atrás para conduzir sua reunião semanal do clube de leitura com um grupo de 14 adolescentes.

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Alexandra Alter, no The New York Times [via MSN]

Sandy Hall estava nervosa. Bibliotecária em Morristown, em Nova Jersey, Hall se preparava poucas noites atrás para conduzir sua reunião semanal do clube de leitura com um grupo de 14 adolescentes. O livro a ser discutido, um romance para jovens adultos intitulado “A Little Something Different” (Alguma coisa um pouco diferente, em tradução literal), sua primeira obra.

“Ainda estou na fase ‘tomara que gostem'”, ela disse uma hora antes da reunião.

Porém, Hall, de 33 anos, tem motivos para estar mais confiante do que a maioria dos escritores de primeira viagem. Seu romance é o primeiro livro a ser publicado pela Swoon Reads, novo selo voltado para jovens adultos que permite que os fãs votem nos manuscritos que devem ser publicados.

Aproximadamente nove mil leitores leram sua história na internet; foi a que atraiu o nível mais alto possível de cinco corações. A editora está tão entusiasmada com o livro que pretende uma primeira edição enorme com cem mil exemplares nos Estados Unidos e lançamentos simultâneos na Grã-Bretanha e na Austrália.

A Swoon Reads, selo para jovens que faz parte da Macmillan Publishing, está mudando o processo tradicional de descobertas recorrendo à terceirização em massa para escolher os títulos. Ao dar um quê de concurso de talentos de televisão à sua pilha de manuscritos digitais inéditos, a editora espera encontrar best-sellers potenciais que reflitam não os gostos dos editores, mas a sabedoria coletiva e os caprichos da multidão.

“Os fãs e os leitores têm mais contato com o que pode vender”, disse Jean Feiwel, vice-presidente da divisão infantil da Macmillan e editor da Swoon Reads, que criou o conceito em 2012. “Eles entendem mais dessas coisas do que qualquer um de nós é capaz de ver”.

Foto: Ben Solomon/The New York Times

Foto: Ben Solomon/The New York Times

Até agora, Feiwel adquiriu seis romances estreantes de 237 manuscritos publicados no site da Swoon Reads. Variando do realismo contemporâneo ao romance paranormal, as obras foram escolhidas tomando por base os comentários e notas (de um a cinco corações) entre os dez mil usuários registrados do site. Os leitores também votam em narradores de livros em áudio depois de ouvir amostras de áudio digital, decidem quais cidades os autores visitam nas turnês de divulgação e escolhem as capas dos livros. Escritores publicados pela Swoon Reads recebem luvas de US$ 15 mil, mais direitos autorais.

Depois que ‘A Little Something Different’ chegar às livrarias no final de agosto, Hall e sua editora vão descobrir se o apoio de leitores online se traduz em vendas impressas. Eles esperam que os milhares de leitores que defenderam o livro se tornem divulgadores para impulsionar recomendações boca a boca.

‘Trata-se de uma espécie de mistura entre edição de livros com os programas ‘X Factor’ ou ‘American Idol”, afirmou Jon Yaged, presidente e editor da divisão infantil do grupo Macmillan. ‘Nós esperamos que esses livros tenham um índice de acertos maior’.

O experimento reflete um novo impulso de escritores e editoras para criar uma base de fãs para os livros muito antes de eles serem publicados – e, às vezes, antes ainda de serem escritos. Ao inverter o processo usual de lançar um livro antes e achar o público depois, as editoras desejam se tornar mais parecidas com o resto do setor de entretenimento, onde novos filmes e programas televisivos são submetidos a testes rigorosos de mercado antes de serem exibidos.

Editoras e agentes literários estão examinando sites como o Wattpad, que oferece ficção gratuita de escritores amadores, para descobrir autores com muitos e entusiasmados admiradores. No Kickstarter, os escritores arrecadaram coletivamente US$ 22 milhões no financiamento de perto de seis mil livros sendo escritos, variando de gibis e romances adolescentes a não ficção. Várias empresas novas dedicadas a atrair as multidões para financiar a literatura foram abertas nos últimos anos, incluindo a Unbound, a qual permite aos leitores dar apoio financeiro direto a autores em troca de uma cópia do livro finalizado.

Até mesmo autores consagrados estão começando a explorar a terceirização em massa. No caso de seu futuro livro, ‘The Innovators’ (os inovadores, em tradução literal), Walter Isaacson publicou um capítulo no site Medium para ouvir comentários dos leitores e ideias sobre o argumento central, o qual defende que as revoluções tecnológicas muitas vezes nascem da colaboração e não de gênios solitários.

Há quem questione se os fãs terão maior sucesso na descoberta de tesouros escondidos do que o modo tradicional do setor editorial. Dois anos atrás, a Avon Romance, divisão da editora HarperCollins, criou um site para aspirantes a escritores de romances dividirem suas obras e ouvirem avaliações, na esperança de que novos e ótimos livros apareceriam. Alguns editores vasculham o site toda semana para avaliar os manuscritos que recebem mais ‘amor’ – o equivalente ao ‘curtir’ do Facebook. Até agora, 500 obras foram carregadas no site, mas nenhuma foi adquirida para publicação.

Erika Tsang, diretora editorial da Avon, disse que estava um tanto cética em relação ao sistema de notas. ‘Sinceramente, muitas vezes são os parentes dos escritores que ‘adoram”.

Também não está claro se envolver fãs no processo de avaliação editorial é mais eficiente do que classificar os manuscritos inéditos ou se valer das sugestões de agentes. Na Grã-Bretanha, a HarperCollins criou um site no qual os escritores podem publicar os manuscritos e um avaliar o trabalho do outro. O site, Authonomy, tem cerca de cem mil usuários registrados e mais de 15 mil manuscritos. Todo mês, uma equipe de editores da empresa lê os cinco manuscritos com maior nota, mas até agora somente 15 dos romances publicados no site foram publicados.

‘Sabemos que existem best-sellers ali’, afirmou Rachel Faulkner, editora da HarperCollins. ‘Só precisamos mexer um pouco no pote para fazer os melhores virem à tona’.

Editoras e escritores veem a terceirização em massa como forma de não apenas descobrir novos talentos como também de mensurar a reação dos fãs antes de um livro ir para o prelo.

Depois que Swoon Reads comprou ‘A Little Something Different’ em fevereiro, Hall e sua editora, Holly West, analisaram mais de 200 comentários para ver o que os leitores achavam do livro e como ele poderia ser melhorado. Ficou imediatamente claro que muitos estavam confusos com as rápidas trocas de pontos de vista. Ambientado num campus universitário, o romance acompanha o florescer de uma paixão entre dois alunos cujo afeto um pelo outro está claro para todos, menos para eles. A narrativa salta entre a perspectiva de um barista, um entregador de comida chinesa, um professor, o motorista de ônibus, um esquilo e outros observadores torcendo para o casal ficar junto. O primeiro rascunho tinha 23 perspectivas. Depois de ler uma dúzia de reclamações quanto à complexidade da obra, Hall reduziu para 14 perspectivas.

Outros leitores tinham críticas mais nuançadas. Alguns sugeriram que os capítulos individuais precisavam de tramas mais claras. Para Hall, a crítica dos fãs – que a maioria dos escritores só lê depois que um livro está à venda – a ajudou a deixar o livro mais adequado para um público de adultos jovens.

‘Após testá-lo online, dá para refiná-lo de acordo com o que as pessoas querem ler’, disse Hall. ‘Você fica um pouco mais confiante’.

Inclusão de autores americanos no Man Booker Prize causa polêmica

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Boatos dizem que principal prêmio literário da comunidade britânica vai aceitar escritores dos EUA
Críticos reclamam que láurea vai perder a identidade

Publicado em O Globo

RIO – O mundo literário britânico ficou atordoado com a notícia (ainda não confirmada oficialmente) que o Man Booker Prize vai permitir a participação de escritores americanos a partir do próximo ano, com autores questionando se o prêmio não vai perder sua “identidade” ou mesmo impedir o aparecimento de novos talentos britânicos. O Man Booker, que hoje aceita a participação de autores do Reino Unido, da Irlanda e da comunidade britânica, é o mais prestigioso prêmio da literatura da terra da rainha. A lista de vencedores inclui nomes como Salman Rushdie, Iris Murdoch e J.M. Coetzee. No domingo, surgiu a informação que romancistas dos Estados Unidos serão permitidos pela primeira vez, a partir da próxima edição. Jim Crace, finalista da edição deste ano, com seu romance “Harvest”, se pronunciou sobre o assunto.

— Em princípio, eu deveria achar que todos os prêmios serem abertos para todos. Mas acho que eles precisam ter sua própria personalidade e, às vezes, essa personalidade é definida pelas limitações dos prêmios — disse.

Uma porta-voz do Man Booker, no domingo, não quis comentar o assunto, mas afirmou que mudanças nas regras do prêmio seriam anunciadas esta semana.

— Abrir o prêmio para todos que escrevem em inglês daria um panorama fantástico da literatura escrita nessa língua, mas faria o prêmio perder o foco. Gosto muito da ideia de uma comunidade britânica. Há algo disso que se perderia caso o prêmio seja aberto para autores americanos — afirmou Jim Crace.
O locutor da Rádio BBC Melvyn Bragg acrescentou que o prêmio perderia sua “distinção”.

Susan Hill, finalista da edição de 1972 e membro do júri do Man Booker de 1975 a 2011, disse não ver razão para a mudança nas regras.

— Por que não podemos ter um prêmio só nosso? De todo modo, tenho pena dos pobres jurados. São eles que ficam sob pressão — disse Susan.

Kazuo Ishiguro, vencedor do prêmio em 1989, por “Os resíduos do dia” (Companhia das Letras), ouviu sobre as mudanças “há alguns meses, por alguém muito antigo da organização do prêmio, e o argumento era que as normas não eram rígidas o suficiente”. Ishiguro é a favor das mudanças.

— No começo, era bastante ambíguo. Por um lado, é triste, por conta da tradição do prêmio. Posso entender que algumas pessoas sintam-se um pouco ofendidas, mas a sociedade mudou, não faz mais sentido dividir o mundo literário dessa forma — afirmou o autor.

A mudança nas regras do prêmio de £ 50 mil (R$ 181 mil) é uma surpresa, uma vez que o diretor literário da Booker Prize Foundation, Ion Trevin, botou panos quentes sobre o boato, na semana passada.

— É um dos assuntos que sempre são discutidos. Mas, no momento, não temos planos de anunciar nenhuma grande mudança — disse Trewin na ocasião.

Fontes sugeriram que os organizadores do prêmio acham a ausência dos autores americanos anacrônica. O Man Booker também pode mudar as regras como reação à criação do Folio Prize, aberto para todas as nacionalidades, que acontece pela primeira vez em 2014.

— Acho que é uma reação ao Folio Prize. Minha preocupação é o grande número de romances que podem ser eleitos. Teria que haver um método para decidir que livros seriam levados ao júri, e o Man Booker perderia sua abertura — disse David Lodge, finalista em 1984.

A lista com os finalistas de 2013 foi anunciada semana passada. Jim Crace era o único britânico. Os críticos da mudança acham que ficaria ainda mais difícil para romancistas britânicos serem notados.

Alguns escritores reclamaram no Twitter. Nikesh Shukla, autor de “Coconut unlimited”, disse que autor como ele seriam “empurrados para fora do mercado.” Stuart Evers, que escreveu “Is this is home”, afimou que os autores da comunidade britância seria prejudicados. Will Wiles, autor de “Care of wooden floors”, chamou a mudança de “um chute na cara”.

Comenta-se que a lista de finalistas deste ano já aponta a inclusão de autores americanos, uma vez que quatro escritores na final moram e trabalham nos Estados Unidos. Uma das autoras, Jhumpa Lahiri, descedente de indianos nascida em Londres, é considerada uma autora americana.

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