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‘Booktubers’ comentam livros do vestibular em vídeos na internet

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'Booktubers' comentam livros do vestibular em vídeos publicados na internet (Foto: Beto Barata/Folhapress)

‘Booktubers’ comentam livros do vestibular em vídeos publicados na internet (Foto: Beto Barata/Folhapress)

Carolina Dantas, na Folha de S.Paulo

“Li ‘Vidas Secas’ só por ler, meio sem vontade. Anos depois, quando assisti a Tati, realmente fiz por interesse”, diz o arquiteto Rafael Ribeiro, 22. Ele se refere a Tatiana Feltrin, 33, dona de um canal no YouTube que comenta uma das exigências do vestibular: os livros.

Os chamados “booktubers” formam um grupo de fãs da literatura que se reúne pela internet. Eles leem pelo menos um livro por semana e comentam on-line. Entre as obras, estão aquelas de leitura obrigatória nas provas das universidades públicas.

“Estou com um desafio de falar sobre cem obras da literatura brasileira. Já levantei os nomes da Fuvest. A cada 15 dias vou comentar sobre uma delas”, diz Feltrin, dona do canal criado em 2007 que leva o seu próprio nome.

Os vídeos são feitos, quase sempre, na casa de cada um e sem muita produção.

Eles não se sustentam com esses canais. O único pagamento vem do “Google AdSense”, ferramenta que conecta anunciantes com canais de produtores de conteúdo na internet.

Tatiana Feltrin, a mais antiga das “booktubers”, recebe perto de U$ 300 (o equivalente a R$ 900) por mês, marca que conseguiu alcançar há apenas um ano.

BOM HUMOR

A característica comum à maioria dos “booktubers” é a maneira descontraída com a qual comentam obras densas da literatura brasileira, como “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis, exigido para o vestibular da USP deste ano.

O desafio dos cem livros da literatura brasileira, iniciado por Feltrin, teve 15 mil visualizações. Na apresentação, um dos temas foi “O Cortiço”, de Aluísio Azevedo, também na lista da Fuvest.

Nada perto do recorde da professora, 200 mil cliques no comentário sobre um best-seller que deve passar longe dos vestibulares: “Harry Potter”, de J.K. Rowling.

O público que visita as páginas é, em geral, composto por jovens de 14 a 20 anos, que ainda aproveitam a seção de comentários do YouTube para pedir conselhos sobre a escolha do curso.

Mariana Gastal, 22, “booktuber” e formada em publicidade e design, fala da profissão em um dos seus vídeos. “Passei a receber algumas mensagens de jovens que queriam saber sobre os conteúdos que eu estava estudando e como tinha escolhido qual carreira queria seguir”, conta à Folha.

Os vídeos, porém, não substituem a leitura completa dos livros, argumenta o professor de literatura Nelson Dutra, 60.

“As provas têm exigências muito específicas que precisam ser estudadas com afinco. A análise aprofundada e crítica das obras se torna fundamental para entender as características de cada autor brasileiro e, claro, passar no vestibular”, diz.

Os “booktubers” entrevistados afirmam que não fazem críticas literárias ou resenhas. Eles classificam de comentários pessoais e dizem que a intenção é atrair os jovens para a leitura.

“A verdade é que o jeito como esses livros são geralmente apresentados para os adolescentes durante a escola não gera qualquer tipo de identificação. Dessa maneira, passa a ser algo interessante”, diz Rafael Ribeiro.

Inspirado pela hoje amiga Feltrin, Ribeiro criou seu próprio canal no YouTube: o Bigode Literário, que já fechou parceria com quatro editoras e recebe passe livre para eventos de autores.

Apesar de não substituírem a leitura, o professor Dutra vê valor nos vídeos. “Melhor canal de literatura do que canal de besteira, não é?”

Confira a lista dos livros exigidos nos vestibulares .

Evento com vlogueiras atrai centenas de pessoas e causa tensão na Bienal

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Pâm Gonçalves, de 23 anos, e Tatiana Feltrin, de 32, são garotas que fazem vídeos veiculados no Youtube nos quais falam de literatura (Foto: Rodrigo Casarin/UOL)

Pâm Gonçalves, de 23 anos, e Tatiana Feltrin, de 32, são garotas que fazem vídeos veiculados no Youtube nos quais falam de literatura (Foto: Rodrigo Casarin/UOL)

Rodrigo Casarin, no UOL

Ninguém esperava tanta gente para acompanhar a mesa com as vlogueiras Pâm Gonçalves, do canal Garota It, e Tatiana Feltrin, de Tiny Little Things, na noite de sábado (23) na Bienal Internacional do Livro de São Paulo. O evento era para acontecer em um espaço que comportava 80 pessoas, contudo, como aproximadamente 400 fãs queriam ouvir as garotas, o papo rolou de forma improvisada no estande do Espaço Imaginário.

Pâm, de 23 anos, e Tatiana, de 32, são garotas que fazem vídeos veiculados no Youtube nos quais falam de literatura. A quantidade de pessoas dispostas a ouvi-las na Bienal apenas comprova o sucesso que ambas fazem junto ao público principalmente jovem; impressiona a influência que possuem sobre seus seguidores.

Quando o mediador do papo perguntou quem ali já havia lido obras por indicação das duas, praticamente todos levantaram a mão. Ao abrirem espaço para perguntas da plateia, alguns confessaram ler clássicos da literatura nacional e até mesmo estudar tradução por conta de Tatiana, que demonstrou preocupação com essa segunda revelação. “Acho complicado influenciar pessoas a seguir um ramo tão importante, mas tão pouco valorizado”.

Ambas disseram que hoje se sentem mais à vontade falando do que escrevendo resenhas, e a preferência é falar sobre o que gostam. “Não faço mais vídeos de livros que não gostei porque às vezes as pessoas se doem muito fácil. E nem sempre é o autor, mas os fãs”, disse Pâm.

Ao serem questionadas sobre suas bibliotecas básicas, a vlogueira do Garota It respondeu de pronto “A Lista Negra”, de Jennifer Brown, obra a qual fez referência e implorou para que o público lesse durante boa parte do evento, e ainda lembrou de “Jogos Vorazes”, de Suzanne Collins, e “Peças Infernais”, de Cassandra Clare. Já Tatiana também deu seu pitaco de literatura pop ao falar de John Green, mas ainda destacou Edgar Alan Poe, Gabriel García Márquez e Jorge Luis Borges.

Enquanto falavam e as perguntas iam chegando, o mediador tinha o cuidado de separar piadinhas, xavecos ou elogios à beleza das duas –ao todo, foram cinco pedidos de casamento destinados a Pâm e Tatiana. Elas admitem que esse tipo de assédio também acontece em suas páginas na internet. Pâm diz que vem principalmente de quem chega às páginas por acaso, sem conhecer o seu trabalho. Já Tatiana contorna a situação fazendo com que seu marido marque presença em alguns vídeos.

Tensão

Pouco antes das 19h, hora marcada para o início do papo, o clima era de bastante tensão no Espaço Imaginário. Enquanto organizadores andavam de um lado para o outro buscando soluções para atender o enorme público que queria adentrar ao lugar –que já estava lotado há horas–, pessoas do lado de fora reclamavam bastante, alegando problemas variados.

“A mulher da organização disse que não adiantava chegar antes das 18h30, que só distribuiriam ingressos nessa hora. Então cheguei às 18h, mas não tinha mais ingresso. Disseram que às 16h já estava cheio de gente aqui e deixaram elas entrar”, queixou-se Viviane Paganotti, 34 anos, vendedora, de São Paulo. “Teve um evento antes e as pessoas que estavam nele não iriam sair, para ficar também para este. Nós estamos em muitos, então não nos deixaram entrar. Umas 17h30 disseram que não tinha mais lugar”, relatou Natália Lima, estudante de 15 anos, que veio do Rio de Janeiro para a Bienal.

Segundo Sergio Lopes Servollo, agitador cultural do Sesc e responsável pela programação e coordenação do espaço, o que aconteceu foi que, às 15h, houve uma primeira aglomeração de pessoas para esperar pela distribuição das 80 senhas para a mesa, que só aconteceria às 18h30. Após explicarem como funcionaria a retirada dos bilhetes, esse público de dispersou. Contudo, às 16h30 já havia, novamente, mais de duzentas pessoas aguardando para acompanhar o papo de Pâm e Tatiana. Como a fila apenas aumentava, optaram por distribuir as senhas, imaginando que o problema se resolveria. Não foi o que ocorreu.

Com o espaço lotado e seus arredores tomado por pessoas querendo acompanhar o papo, tiveram que procurar uma solução. “O público tem toda razão em reclamar. Nosso medo era que houvesse algum tumulto, nos preocupamos com a segurança”, disse Sergio. Ao final, a solução encontrada – as garotas na rampa e todo o público acompanhando o papo –pareceu agradar a todos. “Não esperávamos uma procura tão grande, impressionou a todos”, revela Sergio. As palavras de Pâm vão ao encontro do que disse o responsável pelo espaço. “Isso é muito estranho para gente, imaginei que não ia nem lotar o lugar”.

As garotas

O canal do “Garota It” no Youtube conta com mais de 50 mil assinantes, enquanto o do “Tinny Little Things” se aproxima dos cem mil. O esquema das garotas é semelhante: uma câmera ligada, um único ângulo, frontal, registrando o que elas pensam sobre os livros que andam lendo ou que recebem em casa das editoras. Costumam durar entre 10 e 15 minutos e as avaliações e discussões quase sempre se resumem às histórias e aos personagens das obras abordadas. Mas, ainda que ambas sejam uma referência para esse formato de publicação na internet, há sensíveis diferenças entre as duas.

Pâm (que na verdade chama Pâmela) Gonçalves tem 23 anos, mora em Tubarão, Santa Catarina, e, por conta do blog, desistiu do curso de Sistemas de Informação para estudar Publicidade e Propaganda, curso no qual está para se formar. Ela é a típica leitora da geração Harry Potter – série que, ao ser citada na conversa, arrancou urros da plateia –, que passou a adolescência convivendo com o mundo mágico de J. K. Rowlling, sua autora favorita, e depois seguiu suas leituras com obras como “Crepúsculo”, de Stephenie Meyer, e “Jogos Vorazes”.

Seus vídeos costumam trazer obras que se encaixam no chamado “jovem adulto”, termo utilizado para definir os trabalhos que focam no leitor que acaba de deixar a adolescência. São títulos como “A Extraordinária Garota Chamada Estrela”,  de Jerry Spinelli, “Um Caso Perdido”, de Colleen Hoover, e “Sem Você Não é Verão”, de Jenny Han. Conta que começou a “blogar sobre livros porque não encontrava ninguém que fizesse isso”.

Já Tatiana Feltrin é formada em Letras, dá aulas de inglês, mora em Diadema e, ainda que vez ou outra fale sobre algum “Águas para Elefantes”, “O Menino do Pijama Listrado” ou quadrinhos e mangás, nos últimos tempos vem mesmo é abordando grandes clássicos em seus vídeos. Passeando pelo Tinny Little Things, surgem comentários sobre Aldous Huxley, Fiódor Dostoiévski, Umberto Eco, Miguel de Cervantes, Jack London e até mesmo uma série de vídeos sobre a leitura de “Em Busca do Tempo Perdido”, de Marcel Proust.

A ideia é mostrar que a literatura de entretenimento, os livros pops, são sim legais, mas há coisas bacanas além deles, que os clássicos podem ser vistos, lidos e discutidos de uma maneira menos carrancuda do que a feita pela escola. “Quando falamos deles de forma mais simples, de ‘Dom Quixote” ou “Os Miseráveis’, por exemplo, as pessoas gostam e os procuram”.

Apesar disso, o vídeo que fez com que seu vlog alavancasse foi sobre “50 Tons de Cinza”, de E. L. James, que resenhou  antes da obra sair no Brasil, quando as pessoas ainda estavam curiosas com o fenômeno internacional. Sua opinião não foi favorável ao livro e até hoje a vlogueira diz receber xingamentos por conta disso.

A quantidade de pessoas dispostas a ouvir as voglueiras Pâm Gonçalves e Tatiana Feltrin na Bienal comprova o sucesso que ambas fazem junto ao público principalmente jovem (Foto: Rodrigo Casarin/UOL)

A quantidade de pessoas dispostas a ouvir as voglueiras Pâm Gonçalves e Tatiana Feltrin na Bienal comprova o sucesso que ambas fazem junto ao público principalmente jovem (Foto: Rodrigo Casarin/UOL)

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