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Grupo pressiona para que editoras vendam livros digitais a cegos

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Militante do Movimento Cidade para Todos, que luta pelo livro acessível, está processando três empresas

José Maria Mayrink, no Estadão

O Movimento Cidade para Todos, que reivindica equipamentos e recursos de acessibilidade para facilitar a vida de deficientes visuais, está lutando para obrigar editoras a vender versões digitais de todos os livros disponíveis em seus catálogos.

Cegos são capazes de ler esses livros, independentemente do formato em que são digitalizados, com um programa leitor de tela que transforma as palavras em voz. É um passo além do Braille, sistema para leitura tátil, de aprendizado lento e de distribuição limitada.

Cego, o psicólogo Naziberto Lopes de Oliveira, do Movimento Cidade para Todos, está processando três editoras que, segundo seu advogado, se negaram a lhe vender versões digitais de livros, sob a alegação de que o pedido contraria a lei de direitos autorais.

Oliveira perdeu a ação em primeira instância, mas ganhou em segunda, no Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. Como duas das três editoras – Companhia das Letras e Contexto – recorreram, o caso será julgado pelo Superior Tribunal de Justiça, em Brasília.

“Reconhecemos o direito do reclamante de comprar edições digitais e não recorremos”, declarou Francisco Bilac Pinto, advogado da GEN Editorial Nacional, também processada. Já a responsável pelo setor de direitos autorais da Companhia das Letras, Eliane Trombini, disse que, por força de liminar, a editora vende livros digitais ao psicólogo. Na Contexto, o diretor comercial Daniel Pinsky alegou que sua editora não se nega a fornecer livros digitais.

O problema, segundo Pinsky, é que Oliveira insiste em comprar da editora, em vez de procurar livrarias ou pedir os livros em instituições. “Não questionamos a acessibilidade, mas ele está tentando impor um modelo de negócio, forçando-nos a vender para ele”, diz Pinsky.

Deficiente visual, o arquiteto Renato Barbato também enfrenta dificuldades. “Se quiser consultar uma obra de arquitetura, tenho de digitalizar as páginas e levar ao leitor de tela, algo demorado e caro”, afirma.

Editoras e instituições costumam encaminhar os cegos para a Fundação Dorina Nowill, antiga Fundação para o Livro do Cego. “Foi uma iniciativa de méritos fantásticos, mas que produz livros em quantidade insuficiente – cerca de 150 títulos num País que lança entre 80 mil e 120 mil por ano”, diz Barbato.

Além de defender o livro acessível, o Movimento Cidade para Todos briga também pela adaptação das calçadas, poda de árvores, identificação de ônibus nos pontos e instalação de semáforos sonoros.

Acessório permite ler livros em tablets enquanto se corre em esteiras

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‘Run-n-Read’ faz tela de tablet se ajustar à visão durante corrida. Projeto tenta colocar aparelho à venda por US$ 55 nos EUA.

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'Run-n-read' permite correr e ler livros em tablets (Foto: Divulgação/Weartrons)

‘Run-n-read’ permite correr e ler livros em tablets (Foto: Divulgação/Weartrons)

Um acessório promete ajudar quem gosta de correr em esteiras e ler livros no formato digital no iPad, adaptando a tela aos olhos do usuário e facilitando a leitura. Chamado de “Run-n-Read” (corra e leia, em tradução), ele possui um sistema que consegue fazer o texto na tela “pular” em sincronia com os olhos durante a corrida.

O acessório pode ser colocado na cabeça, usando uma faixa, ou na gola da camiseta. Usando um aplicativo, a tela do tablet – que é colocado no painel da esteira –  e o sensor entram em sincronia, fazendo com que, aos olhos do corredor, a tela fique estática na mesma posição, mas, na realidade, ela está acompanhando o movimento dos olhos durante a corrida.

Para avançar uma página, basta tocar uma vez no aparelho e, para retroceder, são dois toques.

O acessório funciona com tablets com sistema iOS e Android e será vendido nos Estados Unidos por US$ 55. A Weartons, que criou o clipe, tenta arrecadar fundos para conseguir lançar o aparelho comercialmente (clique aqui para acessar o site).

 

Ler para fugir da vida – ou para mergulhar nela

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O que as memórias de um editor e a doença de sua mãe nos ensinam sobre a leitura e a solidão

Danilo Venticinque, na revista Época

A leitura é um dos métodos mais eficientes e aceitáveis para evitar pessoas. Talvez por isso eu goste tanto dos livros e tenha decidido me dedicar a eles. Não sou o único. Já vi muitos leitores dizerem que têm mais livros que amigos, ou que gostam mais de livros do que de pessoas. Costumo concordar com eles e me considero um homem de sorte. Enquanto meus colegas jornalistas conversam constantemente com fontes, pessoalmente ou ao telefone, escolhi uma área que é o paraíso dos introvertidos. A maior parte do meu trabalho é feita em silêncio, diante de um livro ou da tela de um computador. Mesmo fora do trabalho, basta dizer que quero ler ou escrever e todos ao meu redor me deixam em paz (talvez para o meu azar). Seria a receita perfeita para a reclusão. Mas, como todo leitor com ideias descabidas e alguma curiosidade, vez ou outra deparo com livros que mostram o tamanho da minha ignorância – sobre a vida e sobre a leitura. Este texto é sobre um desses livros.

Para quem enxerga a leitura como uma forma de isolamento ou fuga da realidade, O clube do livro do fim da vida (Objetiva, R$ 37,90, 296 páginas, tradução de Rafael Mantovani) é um convite a repensar essa visão de mundo. Para quem acredita na leitura como uma experiência coletiva, é um livro que merece ser discutido em grupos e passado de mão em mão. Uma declaração de amor à vida, à leitura e à família.

 

 

No livro, o americano Will Schwalbe, ex-executivo de uma editora, narra a vida ao lado de sua mãe, Mary Anne, uma pioneira no trabalho voluntário no Afeganistão. Há muitas páginas dedicadas ao belo trabalho humanitário de Mary Anne, e aos bastidores do mercado literário revelados por Will. Mas o tema central de O clube do livro do fim da vida são os últimos dois anos da vida de Mary Anne, e a maneira como os livros transformaram o convívio entre mãe e filho.

 

Ao descobrir que sua mãe recebera um diagnóstico de câncer no pâncreas em estágio avançado, Will decide acompanhá-la nas sessões semanais de quimioterapia. Na primeira, sua mãe lhe pergunta o que ele estava lendo. Ele acha graça – foi-se o tempo em que podíamos pressupor que alguém estava lendo algo, mas ela insistia em fazer aquela pergunta a todos. Os dois passam a trocar opiniões e indicações de leitura, e os livros viram o principal assunto entre os dois na sala de espera do hospital. As conversas se repetem, com livros e opiniões diferentes a cada semana. “Tínhamos criado, sem saber, um clube do livro muito insólito, com apenas dois participantes. Como acontece em muitos clubes de leitura, nossas conversas transitavam entre as vidas dos personagens e as nossas próprias”, diz Will. “Não líamos apenas ‘grandes livros’, líamos de forma casual, promíscua e impulsiva.” Na lista de leituras, há desde autores clássicos como Shakespeare e Dante a best-sellers recentes e livros de autoajuda.

 

O clube do fim da vida (Foto: Divulgação)

 

Aos poucos, os livros passam a servir como apoio para que mãe e filho conversem sobre assuntos difíceis de abordar. Falar da doença ou da morte de um personagem é uma maneira de falar do câncer sem tocar no assunto diretamente. “Eles nos ajudam a falar. Mas também nos dão algo sobre o qual todos podemos falar quando não queremos falar sobre nós mesmos “, diz Will. “Ainda podíamos compartilhar livros, e enquanto estivéssemos lendo esses livros não seríamos a pessoa doente e a pessoa saudável; seríamos apenas uma mãe e um filho adentrando um novo mundo juntos.” Os livros também serviam como uma maneira sutil de demonstrar esperança no futuro. Num verão, os dois começaram a escolher livros longos, como A montanha mágica, de Thomas Mann. Acreditavam, mesmo sem chance de cura da doença, que ambos conseguiriam ler até a última página. Terminaram muitos grandes livros assim.

Mais do que uma forma de unir-se à mãe, Will vê a leitura como uma maneira de vencer a morte. “Nunca serei capaz de ler os livros preferidos da minha mãe sem pensar nela – e quando os passo adiante e os recomendo, saberei que parte daquilo que a formava vai junto com eles”, diz ele. O clube do livro do fim da vida divide esse legado com todos os leitores.

Estamos todos no mesmo clube do livro, assim como Will e Mary Anne. Por mais que tentemos nos esconder atrás dos livros, eles nos impulsionam de volta para a realidade. A leitura não é uma forma de fugir da vida, mas de mergulhar nela e redescobri-la.

Desligue a TV e vá ler um livro

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Publicado no Campo Grande News

O decorador assume que não foi e nem é fácil se desligar do bendito aparelho. Mas que o capítulo pós abolição foi envolto de leitura. (Foto: Marcos Ermínio)

O decorador assume que não foi e nem é fácil se desligar do bendito aparelho. Mas que o capítulo pós abolição foi envolto de leitura. (Foto: Marcos Ermínio)

Título original: Por 1 ano e meio ele aboliu a TV de casa e trocou os canais por vida diferente

Em março do ano passado as correntes que prendiam o decorador José Clovis Guerreiro, de 55 anos, foram quebradas. Longe de qualquer clichê, ele que é conhecido como Zezé Guerreiro, parou de só reclamar da programação da TV e resolveu abolir o aparelho de casa. O resultado foi 1 ano e meio longe da telinha, 20 livros lidos e a liberdade de não ter mais como patroa, a televisão.

“A TV nos prende muito e a programação é um horror. Sem a televisão se tem qualidade de vida, porque ela tem um poder que deixa você ligado o tempo todo. Você dorme pouco, dorme tarde…”, exemplifica.
Zezé conta que a rotina de só dormir depois que tal programa fosse visto chegou ao fim depois que ele levou o aparelho para uma casa que mantém no interior de São Paulo.

Foi há 15 dias que a protagonista que, hoje é coadjuvante na casa, voltou a ter espaço nos cômodos. O combinado foi que ela só voltaria para filmes e aos finais de semana, o que para ele não tem representado dificuldade nenhuma. “Comecei a descobrir muitas coisas e ler virou mania. Estou no meio de um livro e já vou comprando outro. Acostumei tanto que se eu fico sem ler me irrita”, relata.

A troca dos canais pelas páginas veio logo depois da ausência da ‘patroa’. O decorador começou a buscar a leitura a partir do momento em que a TV foi abolida. “Ela direciona muito o seu tempo, vira uma patroa na sua vida e determina seus horários”.

Aquele velho ditado caberia muito bem na vida de Zezé, adaptado para “quanto mais vejo TV, mas gosto dos meus livros”. Analisando as novelas de agora, o que a tela ensina, na visão dele, é maldade o tempo todo. “É um tal de um querer passar a perna no outro. Sempre achei que o ser humano gostasse mais das coisas erradas mesmo. Programa dá ibope quanto tem briga, coisa boa ninguém quer ver”, avalia. E há de se convir que ele está certo mesmo.

Nas conversas entre amigos e gente que desconhecida até então, o que ele mais viu foi nariz torcido e olhos arregalados quando vinha à tona a abolição assinada por ele dentro de casa. “Não, o quê? Mas você é crente? Como? Por quê? E eu dizia não, é uma opção. Falava com o maior orgulho”.

A história de ficar deprimido em frente à TV com o Faustão seguido do Fantástico, anunciando que o final de semana acabou também foi extinta da vida dele. “Eu não fico desesperado. Tem gente que já está até acostumada, para! Não deixa que ela determine a sua vida”, repreende.

Dos bate-papos em casa para um diálogo cada vez mais monossilábico. A televisão influencia até na convivência das famílias que vem deixando de trocar informações sobre o dia-a-dia para por em pauta a novela, por exemplo.

Desde criança, Zezé tinha horário para ver desenho e depois desligar o botão. De resto, a brincadeira era na rua mesmo. Bem oposto ao que ele vê hoje, de gente que não conversa e quando faz, se resume a um micro diálogo. “Se chega em casa e ‘tuf’ liga a TV. Hoje eu saio da onde ela está”.

O decorador assume que não foi e nem é fácil se desligar do bendito aparelho. Mas que o capítulo pós abolição foi envolto de leitura. “Aquele aparelho determinada alguma parte e de repente não determina mais. Então muda. É uma mudança de vida falar não para a TV e sim para o livro”.

Depois da quarentena, bem maior que o tempo proposto do termo chegou ao fim, ele colocou a TV de volta, mas sem tirar qualquer livro da estante. “Eu não vou perder o que conquistei, essa vontade de ler. Eu recomendo e muito, mas para o brasileiro isso é loucura. Se todo mundo fosse louco assim o mundo ia ser maravilhoso”. A paixão com que ele passa os relatos dá vontade de abolir também.

Seis minutos de leitura

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O brasileiro dedica, em média, seis minutos por dia aos livros. Já usou seus minutos de hoje?

Danilo Venticinque, na Época

Ser otimista é ser constantemente atropelado pelos fatos. Às vezes nos esquecemos disso, mas os fatos nunca se esquecem de nos atropelar. Foi o que aconteceu comigo. Mesmo sem ser um grande fã do pensamento positivo, escrevi há alguns meses um texto esperançoso sobre o hábito da leitura no Brasil. Não preciso nem dizer que um estudo do IBGE, na última sexta-feira, revelou que o brasileiro dedica apenas seis minutos por dia aos livros. Um desastre. Alguns amigos voltaram a me dizer, em tom de provocação, que o brasileiro não lê.

Não exageremos. A pesquisa, afinal, confirma que o brasileiro lê. Lê pouco, mas já é alguma coisa. Com seis minutos por dia e alguma paciência, o brasileiro médio deve conseguir terminar um livro ou dois até o fim do ano. Quase nada, mas melhor do que nada.

Eu poderia dizer que não lemos mais por falta de educação. Mas, sinceramente, não tenho nada de novo para falar a esse respeito: a colega Ruth de Aquino escreveu um ótimo texto sobre o assunto na semana passada. Prefiro me concentrar naqueles brasileiros que, mesmo tendo uma boa educação e acesso a livros, acabam deixando a leitura para depois – ou para lá. Todo mundo conhece alguém que leu por menos de seis minutos hoje, ou que lê menos de seis minutos por dia todos os dias, ou que não lê absolutamente nada. Para evitar que esses indivíduos continuem puxando a média nacional para baixo, decidi preparar um pequeno guia. Basta escolher uma das alternativas abaixo e tornar-se um leitor médio. Também é possível seguir todas elas e se tornar um leitor compulsivo, mas dê um passo de cada vez. O importante é aproveitar os seis minutos.

Como dedicar seis minutos por dia aos livros:

– Acorde seis minutos mais cedo e, em vez de pegar o celular, pegue um livro. Ou pegue o celular e leia um livro nele. A tela é desconfortável e a luz pode te incomodar. Mas, quando isso acontecer, os seis minutos já terão passado.

– Tome o café da manhã com um livro. Mesmo se você for um daqueles que acordam atrasados e começa o dia engolindo a primeira refeição, não é possível que tudo dure menos de seis minutos.

– Leia no banho. É uma decisão arriscada: com a água quente do chuveiro, as páginas podem começar a se desfazer. Imagino que elas durarão por pelo menos seis minutos.

– Se você vai ao trabalho de ônibus, leve um livro. Os benefícios de ler sentado são conhecidos por todos. Ler em pé, espremido pelos outros passageiros, pode ser um belo teste de equilíbrio. Tente resistir por pelo menos seis minutos. Se é para cair no chão, caia como um leitor.

– Se você vai para o trabalho de carro, experimente um audiolivro. A moda não pegou no Brasil e o acervo em língua portuguesa é minúsculo, mas pode durar por um bom tempo se você só ouvir seis minutos por dia. O caos urbano o impedirá de chegar ao trabalho em menos tempo do que isso.

– Chegou mais cedo ao trabalho? A tentação de aproveitar esse tempo navegando sem rumo na internet é grande. Resista. Comece o expediente lendo um livro por seis minutos. Pode ser cansativo para quem não está acostumado, mas é melhor do que trabalhar.

– Cansou de trabalhar e quer uma pausa durante o expediente? Leia um livro. Ao menos você parecerá mais sério do que seus colegas que perdem tempo no Facebook ou no YouTube. Se o livro for minimamente relacionado à sua profissão, você pode até ganhar elogios do chefe. Os seis minutos a menos de trabalho, convenhamos, não afetarão seus resultados.

– Leve um livro para almoçar. Mesmo a mais medíocre das obras literárias é mais interessante do que ouvir de novo as mesmas fofocas sobre os mesmos colegas de escritório. A técnica é mais comum em refeições solitárias, mas funciona também em almoços em grupo. Em vez de distrair-se com o celular e ignorar os outros à mesa, ponha um livro na frente do seu rosto. Talvez ninguém repare – afinal, são só seis minutos. É menos tempo do que os seus colegas levariam para passar de fase no Candy Crush.

– Vá ao banheiro com um livro. É mais chique do que levar um celular, e menos arriscado: muitos celulares encontram seu fim no vaso sanitário, mas raríssimos são os livros que têm esse triste destino. Talvez porque pouquíssimas pessoas levam livros para o banheiro, mas isso é o de menos. Tente manter seu livro a salvo por seis minutos.

– Voltou para casa? Antes de ligar a televisão, abra um livro. Você provavelmente estará cansado, sem concentração e o aproveitamento da leitura será péssimo. Mas quem se importa? Só é preciso resistir por seis minutos.

– Se preferir, siga no jantar a sugestão dada no almoço. A vantagem é que não haverá colegas de trabalho para te importunar. A desvantagem é que, se você tiver uma família ou um cônjuge, eles detestarão ser trocados por um livro. Mas o amor incondicional serve para superar esses obstáculos e, afinal, são só seis minutos.

– Se você passou o dia inteiro sem ler, a cama é sua chance de redenção. Em algum lugar há alguma pesquisa que diz que aparelhos eletrônicos atrapalham o sono. Confie na ciência. Troque o celular, tablet ou computador por um livro. E resista ao cansaço. Você só precisa manter os olhos abertos por seis minutos. Depois disso, poderá dormir o sono dos leitores.

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