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Posts tagged Tempos Modernos

Os livros longos e a promessa do autor

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Quem, nos dias de hoje, tem tempo para ler um romance de 800 páginas?

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Danilo Venticinque, na Época

Na era da informação fragmentada, escrever um romance é uma atitude no mínimo questionável. Escrever um romance de 800 páginas, ainda por cima, é um evidente sintoma de megalomania. Quem hoje em dia consegue separar tempo para ler um livro desse tamanho e perder preciosas horas dedicadas à efervescência das redes sociais?

Foi a indefensável pretensão literária da neozelandesa Eleanor Catton, a mulher de 28 anos mais antiquada do planeta, que deu origem a Os luminares, um dos livros mais elogiados dos últimos anos. Trata-se de uma obra obviamente fora de moda. Paródia dos romances vitorianos, o livro conta a história de um assassinato durante a corrida do ouro na Nova Zelândia do século XIX. Foi o livro mais longo (e a autora mais jovem) a ganhar o cobiçado Man Booker Prize. Críticos o descreveram como um trabalho vivo e extraordinário, cujas páginas parecem virar sozinhas. São comentários de gente que não tinha absolutamente nada para fazer e, mergulhada no mais profundo tédio, decidiu que ler um romance de 800 páginas seria uma boa maneira de passar o tempo.

Antes que eu me junte a eles numa apaixonada defesa da leitura antiquada em tempos modernos, preciso fazer uma confissão: não li Os luminares. Como muitos outros jornalistas, diante de um prazo exíguo para escrever sobre uma obra nada enxuta, tive de recorrer a alguns truques da profissão para tornar viáveis as leituras inviáveis. Cada crítico tem suas artimanhas. Alguns leem diversas reportagens de outros jornalistas (que talvez também não tenham lido o livro) para assim descobrir tudo sobre a obra. Outros entrevistam o autor e confiam em sua capacidade de resumir centenas de páginas em poucos minutos de conversa. E há os que arriscam uma leitura apressada e incompleta, num misto de otimismo excessivo e desencargo de consciência. Ler cinquenta páginas de um livro de 800 é uma vergonha, mas é melhor do que não ler nenhuma.

Consegui terminar minha reportagem sobre Catton graças a uma mistura dessas três técnicas. Mas senti que não havia esgotado o tema. Decidi escrever mais um texto sobre Os luminares. Ainda sem ler o livro, evidentemente.

Resolvi aproveitar esta coluna para pensar um pouco nos motivos que levam um autor a escrever um livro tão longo quanto Os luminares — e, também, no que leva um leitor a enfrentá-lo.

A desculpa de Catton para escrever um romance vitoriano de 800 páginas é surpreendentemente contemporânea: distração diante do computador. Ela diz que escreveu o livro no Word, não se atentou à quantidade de páginas e só se deu conta da extensão do livro quando viu a primeira prova da versão impressa. Mesmo assim, continuou acreditando que seu livro cativaria os leitores apesar da extensão. O sucesso de crítica e público (mais de 500 mil cópias vendidas em todo o mundo) mostra que ela estava certa.

Catton descreve um livro longo como um contrato entre autor e leitor. “O autor promete ocupar mais tempo do leitor e entregar em troca uma experiência digna do tempo investido. Quanto maior o livro, maior a promessa. Levei isso muito a sério. Quis criar um livro de mistério que cumprisse essa promessa”, disse ela em entrevista na Festa Literária Internacional de Paraty.

Não duvido que muitos acreditem na promessa do autor e de fato leiam o livro até o final. A julgar pelas críticas que o livro recebeu, o esforço vale a pena. Mas para entender o sucesso do livro, sobretudo as expressivas vendas, é preciso lembrar também de outra promessa — feita não do autor para o leitor, mas sim do leitor para si mesmo.

Compramos um livro de 800 páginas na esperança de que seremos capazes de abrir não de todos os nossos compromissos para lê-lo. Acreditamos nessa promessa. Poucas páginas depois, porém, as distrações do cotidiano reassumem o controle de nossas vidas e a leitura perde espaço. Passamos a encarar o livro longo não como um desafio a ser vencido, mas como uma lembrança do tempo em que acreditávamos que seríamos capazes de tal proeza de leitura. Um tributo ao que poderíamos ser.

Não há motivo para abandonar o otimismo, mesmo que nossos hábitos deponham contra nós. Conversei ontem mesmo com um amigo que também comprou Os luminares. Batizou-o carinhosamente de “chaproca”. Ele confidenciou que não conseguiu avançar muito na leitura nos últimos dias, mas acredita que irá retomá-la. “Estou só esperando a internet de casa sair do ar”, disse. É uma atitude admirável, que todo leitor deveria tomar como exemplo. Esqueçam o péssimo exemplo dos críticos que viram as páginas apressadamente e tentam ludibriar os autores de romances monumentais. Ler um livro de 800 páginas é uma tarefa para semanas, meses. Talvez até a vida inteira. E, se o autor cumprir sua promessa, cada hora da jornada terá válido a pena.

Agora, se me dão licença, tenho um livro para ler. Até a próxima semana.

Veja dicas de filmes recentes que podem ajudar a estudar para o Enem

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G1 separou dez títulos de filmes e documentários lançados desde 2011.
De domésticas à Revolução Francesa, eles ajudam a reforçar conteúdos.

Publicado por G1

Cena do filme 'Lincoln" (Foto: Globo News)

Cena do filme ‘Lincoln” (Foto: Globo News)

Além dos livros, apostilas e aulas presenciais ou on-line, uma estratégia de estudo e revisão para o vestibular é assistir a filmes ou documentários. No caso dos conteúdos exigidos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), muitas questões abordam temas de conhecimentos gerais e, principalmente, atualidades, que podem ajudar o candidato com maior familiaridade com temas atuais.

Muitos filmes clássicos, como “Tempos modernos”, de Charlie Chaplin, já são conhecidos e usados por estudantes e professores para reforçar conteúdos vistos na sala de aula.

O G1 selecionou dez filmes menos antigos, lançados entre 2011 e este ano e que passaram, em algum momento de 2013, pelas salas de cinema do país. Eles tratam –direta ou indiretamente– de temas da história geral e do Brasil, além de assuntos que mobilizaram a opinião pública e o governo recentemente.

Veja os títulos e sinopses na tabela abaixo:

FILMES E DOCUMENTÁRIOS QUE ABORDAM TEMAS EXIGIDOS NO ENEM

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Doméstica [Brasil, 2013]

Gênero: Documentário
Sinopse: O diretor do filme entregou equipamentos para que sete adolescentes registrassem, durante uma semana, o cotidiano das mulheres que trabalham na casa deles como empregadas domésticas. (75 min.)
Conteúdo: ciências humanas
Veja a resenha

 

 

 

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O dia que durou 21 anos [Brasil, 2011]

Gênero: Documentário
Sinopse: O documentário investiga documentos que permaneceram sigilosos durante décadas e que mostram a participação dos Estados Unidos no golpe militar de 1964 no Brasil. (78 min.)
Conteúdo: história do Brasil

 

 

 

 

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Lincoln [EUA/Índia, 2012]

Gênero: drama
Sinopse: O premiado filme mostra o processo da abolição da escravidão nos Estados Unidos pelo presidente Abraham Lincoln, durante a guerra civil. (145 min.)
Conteúdo: história geral
Veja a resenha

 

 

 

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A cidade é uma só [Brasil, 2012]

Gênero: documentário
Sinopse: Os moradores de Brasília são os personagens deste documentário que tenta contar a história da capital do país e mostrar sua luta por uma cidade mais justa com seus habitantes. (73 min.)
Conteúdo: história do Brasil
Veja a resenha

 

 

 

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Uma garrafa no mar de Gaza [França/Canadá/Israel, 2011]

Gênero: drama
Sinopse: Uma adolescente francesa e judia vive em Jerusalém, e começa a se aproximar de um jovem palestino que mora em Gaza por meio de uma carta em uma garrafa jogada ao mar. (100 min.)
Conteúdo: ciências humanas

 

 

 

 

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Dossiê Jango [Brasil, 2013]

Gênero: documentário
Sinopse: Nesse documentário, a vida e a morte do presidente João Goulart, o Jango, é discutida com base em fatos da história brasileira que permanecem pouco conhecidos. (102 min.)
Conteúdo: história do Brasil

 

 

 

 

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O Impossível [Espanha, 2012]

Gênero: drama
Sinope: O longa conta a história de uma família que passa férias na Tailândia e é atingida pelo tsunami que devastou diversos países da Ásia em 2004 e deixou centenas de milhares de mortos. (107 min.)
Conteúdo: ciências humanas
Veja a resenha

 

 

 

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Hoje [Brasil, 2011]

Gênero: drama
Sinopse: Uma mulher que foi militante na época da ditadura recebe do governo uma indenização porque seu marido desapareceu durante o regime militar. Porém, o homem retorna assim que ela compra um novo apartamento. (90 min.)
Conteúdo: história do Brasil
Veja a resenha

 

 

 

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Adeus, minha rainha [França/Espanha, 2012]

Gênero: drama
Sinopse: Às vésperas da Revolução Francesa, em 1789, os moradores do palácio de Versalhes ignoram a mobilização e a agitação das ruas de Paris e seguem vivendo como nos dias de bonança e estabilidade. (100 min.)
Conteúdo: história geral
Veja a resenha

 

 

 

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As hiper mulheres [Brasil, 2012]

Gênero: documentário
Sinopse: Um índio pede a realização de um grande ritual indígena feminino no Alto Xingu, para proporcionar à esposa idosa a chance de cantar uma última vez. O filme mostra os ensaios e a doença grave da idosa, a única conhecedora de todas as músicas do ritual. (80 min.)
Conteúdo: ciências humanas
Veja a resenha

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