Posts tagged tendência

Alunos colocam professores em grupos de WhatsApp e usam redes sociais nos estudos para o Enem

0
Ludimilla Silva usa as redes sociais para tirar dúvidas com os amigos (Foto: Arquivo pessoal)

Ludimilla Silva usa as redes sociais para tirar dúvidas com os amigos (Foto: Arquivo pessoal)

Ainda há muitos que fecham as redes sociais, mas nova tendência se consolida: eles já usam Facebook e Whatsapp na rotina de estudos.

Luiza Tenente, no G1

Os candidatos que prestarão o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) costumam ouvir a mesma recomendação: “deletem todos os aplicativos de redes sociais para focar nos estudos”. No entanto, um número cada vez maior de jovens usa o Whatsapp e o Facebook justamente para se preparar para a prova: tirando dúvidas, conversando com professores, trocando redações e recebendo notícias sobre as disciplinas.

A estratégia mais comum é formar grupos em chats com os colegas de sala. “Eu até tentei deletar todos os apps, mas tinha dúvida sobre a matéria do cursinho e precisava esperar o dia seguinte para perguntar para alguém. Instalei de novo e passei a usar as redes sociais para pedir ajuda”, conta Ludimilla Silva, de 19 anos, que quer cursar medicina.

Ela faz parte do mesmo grupo de Whatsapp de Jonathan Andrade, de 18 anos, formado por todos os colegas de sala do cursinho Maximize, em São Paulo. “Todo mundo colabora. Até alguns professores fazem parte dos chats, mandando notícias sobre as matérias que ensinam e tirando dúvidas”, diz.

É o caso de Tiago Neves, que leciona geografia. Ele diz que não se incomoda em dar o número de celular para os alunos, mesmo que isso signifique receber mensagens fora do expediente. “Eu uso essa ferramenta de rede social para poder articular as notícias que leio na internet com o que ensinei em sala de aula. Se estou falando de globalização, por exemplo, mando vídeos e matérias sobre o assunto nos grupos dos alunos”, relata.

Professores voluntários

A funcionária pública Karol Ferraz, de 23 anos, elaborou um projeto para aprimorar a participação dos professores em grupos de estudo virtuais. Ela criou um chat coletivo no Whatsapp com docentes voluntários, que dão aula aos 180 integrantes por vídeo e por áudio.

“Me formei no ensino médio em 2011 em Minas Gerais e, anos depois, quando fui fazer o Enem, não sabia nem por onde começar. Criei esse grupo para ajudar quem também estava nessa situação”, conta. “Vai chegando o exame e o chat fica mais quente. Eu e os professores voluntários já montamos um simulado pela internet”, diz.

Grupo administrado por Karol Ferraz reúne candidatos e professores voluntários (Foto: Reprodução)

Grupo administrado por Karol Ferraz reúne candidatos e professores voluntários (Foto: Reprodução)

Um ombro amigo

Os estudos online ajudam também quem precisa conciliar o cursinho com outras tarefas, como o ensino médio ou um emprego. Ludimilla, por exemplo, faz um curso técnico de química no período noturno e, durante o dia, se prepara para o vestibular. Nos intervalos, consegue reforçar o preparo para redação do Enem. “A gente tira foto do texto que escreveu e manda no grupo. Aí cada um conta o que achou da produção do outro e dá sugestões de melhorias”, conta.

Nos momentos de tensão e de estresse, as redes sociais assumem também uma função terapêutica, ao possibilitar que o candidato encontre pessoas que estão vivendo os mesmos conflitos. “No Whatsapp, eu e uma amiga enviamos mensagem uma para a outra logo cedo, assim que acordamos, para dar motivação”, conta Isabella Fernandes, de 22 anos, que mora em Itaperuna (RJ) e quer cursar medicina.

Camila da Silva, de Guarulhos (SP), concorda que o apoio dos colegas é essencial. Ela faz parte de grupos da plataforma virtual Descomplica, no Facebook.

Notificações? Nenhuma

Estudar pelas redes sociais exige foco. A um clique, estão distrações como Instagram, Snapchat e conversas sobre assuntos diversos. “Se alguém me manda mensagem sobre um assunto que não seja Enem, eu peço para esperar, porque isso desconcentra”, diz Letícia Fernandes, de 16 anos, que busca uma vaga em biomedicina.

Professores voluntários no Whatsapp tiram dúvidas dos alunos que prestarão o Enem (Foto: Reprodução)

Professores voluntários no Whatsapp tiram dúvidas dos alunos que prestarão o Enem (Foto: Reprodução)

Mariana Novello Rocha, aluna do Colégio Mopi no Rio de Janeiro, diz que prefere desativar as notificações. “Eu me conheço. Sei que, se deixar os alertas do celular ligados, vou perder o foco e me prejudicar”, afirma.

Outro perigo para quem estuda em redes sociais são os participantes que não levam a sério os estudos para o Enem. Por isso, em geral, os administradores dos chats tentam estabelecer regras – principalmente se há muitos participantes. No projeto de Karol Ferraz, por exemplo, não é permitido conversar sobre assuntos que não sejam o exame e os vestibulares – quem desrespeita as normas de convivência é excluído da conversa do Whatsapp.

No Facebook, há grupos com milhares de participantes. É comum que o assunto seja desviado e integrantes passem a postar piadas ou assuntos sem relação com o Enem. Nestes casos, o essencial é que haja um moderador filtrando as postagens.

O coordenador pedagógico do Descomplica, Eduardo Valladares, conclui que as redes sociais são benéficas, mas precisam ser usadas com cuidado. “Estamos desenvolvendo uma nova geração de alunos que estão se transformando em verdadeiros estudantes – sabem o valor da autonomia e da liberdade”, diz.

Voluntários ajudam o Smithsonian a transcrever mais de 13 mil páginas

0

Seguindo a tendência do ‘crowdsourcing’, o instituto americano de museus e pesquisas testou o novo método no ano passado

1

Publicado em O Globo

RIO – O Smithsonian, complexo de museus e instituto de pesquisas sediado em Washington, EUA, veio a público através de seu site para pedir ajuda na transcrição e tradução de documentos que não podem ser facilmente lidos por computadores. O vasto arquivo contempla milhares de páginas sobre a Guerra Civil americana, etiquetas botânicas e correspondências, entre outros papéis.

Durante a fase de testes do projeto, que foi iniciada em junho de 2013, mais de mil voluntários conseguiram transcrever cerca de 13 mil páginas de documentos arquivados. Contudo, a iniciativa teve um lado negativo: a falha humana. Para evitar erros de digitação ou divergências nos conteúdos, cada lauda foi revisada por outro participante do projeto e depois por um especialista do instituto. Uma vez transcritos, os documentos são liberados para consulta.

Os arquivos da instituição são enormes, e preservar essas coleções em uma era digital é uma tarefa muito complicada, especialmente quando se tratam de documentos escritos à mão. Tinta desaparece com o tempo e rabiscos individuais às vezes se assemelham a hieróglifos. O Smithsonian estimou que sem a ajuda da população levaria décadas para transcrever as milhões de páginas de suas coleções.

Depois do sucesso durante a fase de testes, o instituto emitiu um chamado para que mais voluntários se candidatassem a decifrar de tudo, desde marcas de amostras manuscritas a cartas pessoais de artistas icônicos dos EUA. O instituto espera que o público ajude a transcrever, entre outros projetos, os cadernos de pesquisa de Joseph Henry, físico e um dos primeiros pesquisadores do Smithsonian, e uma coleção de cartas de artistas norte-americanos que será incluída no no livro “The Art of Handwriting”, que será publicado pela instituição.

Go to Top