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Bienal do Livro do Rio homenageia Ziraldo e cria espaço sobre futebol

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Publicado por UOL

Entre os dia 29 de agosto e 8 de setembro o Rio recebe a 16ª edição da Bienal Internacional do Livro. Para 2013, a programação cultural do evento traz novos espaços temáticos, diversos lançamentos de livros, mais de 100 sessões de debates e bate-papos, cerca de 950 expositores e homenagem à Alemanha.

Principais lançamentos na 16ª Bienal do Livro do Rio de Janeiro

"CASAGRANDE E SEUS DEMÔNIOS", de CASAGRANDE e GILVAN RIBEIRO: A dez meses da Copa do Mundo no Brasil, nunca tantos livros sobre futebol foram editados no país e um deles é esse em que o ex-jogador do Corinthians e comentarista da TV Globo revela ao jornalista Gilvan Ribeiro todo o seu declínio por causa do vício em cocaína e heroína e seu restabelecimento Reprodução

“CASAGRANDE E SEUS DEMÔNIOS”, de CASAGRANDE e GILVAN RIBEIRO: A dez meses da Copa do Mundo no Brasil, nunca tantos livros sobre futebol foram editados no país e um deles é esse em que o ex-jogador do Corinthians e comentarista da TV Globo revela ao jornalista Gilvan Ribeiro todo o seu declínio por causa do vício em cocaína e heroína e seu restabelecimento Reprodução

"1889", de LAURENTINO GOMES: O jornalista e escritor fecha a trilogia sobre o século XIX no Brasil. Na nova obra, ele narra os eventos que antecederam e vieram logo em seguida à proclamação da república. "Como um imperador cansado, um marechal vaidoso e um professor injustiçado contribuíram para o fim da Monarquia e a Proclamação da República" é o subtítulo do livro e que já diz um pouco o que o leitor encontrará Divulgação

“1889”, de LAURENTINO GOMES: O jornalista e escritor fecha a trilogia sobre o século XIX no Brasil. Na nova obra, ele narra os eventos que antecederam e vieram logo em seguida à proclamação da república. “Como um imperador cansado, um marechal vaidoso e um professor injustiçado contribuíram para o fim da Monarquia e a Proclamação da República” é o subtítulo do livro e que já diz um pouco o que o leitor encontrará Divulgação

"O PODER DA PERSONALIDADE DE JESUS", de MARK W. BAKER: O terapeuta e autor do best-seller "Jesus, o maior psicólogo que já existiu", lança no Brasil nova obra em que pretende mostrar que o poder de Jesus não residia em sua capacidade de dominar as pessoas, mas em sua habilidade de transformá-las por meio da generosidade. Na Bienal do Rio, o escritor tem um encontro com o público no dia 8 de setembro, às 15h Divulgação

“O PODER DA PERSONALIDADE DE JESUS”, de MARK W. BAKER: O terapeuta e autor do best-seller “Jesus, o maior psicólogo que já existiu”, lança no Brasil nova obra em que pretende mostrar que o poder de Jesus não residia em sua capacidade de dominar as pessoas, mas em sua habilidade de transformá-las por meio da generosidade. Na Bienal do Rio, o escritor tem um encontro com o público no dia 8 de setembro, às 15h Divulgação

O Riocentro, na Barra da Tijuca, será o ponto de encontro entre público e escritores de diversas regiões do mundo, com 29 autores estrangeiros. Os espaços Café Literário, Mulher e Ponto, Encontro com Autores e Conexão Jovem, já conhecidos de outras edições, trazem para os visitantes a presença de nomes como Zuenir Ventura, Lya Luft, Thalita Rebouças, Marcelo Rubens Paiva, Nicholas Sparks, Mia Couto, entre tantos outros.

No clima de Copa do Mundo, a Bienal do Livro inaugura o espaço Placar Literário, com curadoria do jornalista João Máximo. Literatura e futebol serão os temas abordados nos debates e conversas com o público. Autores que tem o futebol como tema de sua ficção estarão presentes, além de jornalistas e personalidades do meio.

Para o público jovem, a novidade é o espaço Acampamento na Bienal, onde o visitante terá a oportunidade de conhecer grandes autores e personalidades em bate-papos sobre tecnologia e cultura de convergência (o livro que vira filme, que vira game, etc.).

O público infantil também é contemplado com um novo espaço dedicado aos pequenos leitores. O Planeta Ziraldo, em homenagem ao cartunista, apresenta diariamente espetáculos adaptados de textos do autor e apresentados pelo personagem Menino Maluquinho.

Veja os destaques da programação da Bienal do Livro do Rio.

Serviço
16º Bienal Internacional do Livro do Rio
Quando: De 29 de agosto a 8 de setembro de 2013. Dia 29 de agosto de 13h às 22h; dias de semana de 9h às 22h e fins de semana de 10h às 22h.
Onde: Riocentro – Av. Salvador Allende, 6555 – Barra da Tijuca.
Quanto: R$14 (inteira) e R$7 (meia).
Pontos de venda: www.ingressomais.com.br e no local do evento.
Mais informações: www.bienaldolivro.com.br

Esquizofrênico registra em livro a experiência de enlouquecer

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Cláudia Collucci, na Folha de S.Paulo

Ex-aluno de física e de filosofia da USP, Jorge Cândido de Assis carrega no corpo das marcas da esquizofrenia. Aos 21, durante uma crise, ele se jogou contra um trem do metrô e perdeu uma perna.

Hoje, aos 49 anos, cinco crises psicóticas, ele dá aulas sobre estigma em um curso de psiquiatria e acaba de lançar um livro no qual descreve a experiência de enlouquecer. “Entre a Razão e a Ilusão” (Artmed Editora) foi escrito em parceria com o psiquiatra Rodrigo Bressan e com a terapeuta Cecilia Cruz Villares, da Unifesp.

Leia o depoimento dele.

*

“Tive uma infância tranquila, jogando bola na rua. Aos 14 anos, entrei na escola técnica e já sabia trabalhar com eletricidade. Adorava física.

Em 1982, prestei vestibular para física na USP e não passei. Em 1983, fiz cursinho, prestei de novo e não passei.

Consegui uma bolsa no cursinho, passei perto e não entrei de novo. Foi um ano depressivo para mim. Eram os primeiros sinais da esquizofrenia, mas eu não sabia.

Eu me isolei, tinha delírios. O desfecho foi trágico. Numa manhã de domingo, entrei na estação do metrô Liberdade. Escutei uma voz: “Por que você não se mata?”. Me joguei na frente do trem.

Acordei três dias depois no hospital sem a minha perna direita. Tinha 21 anos.

Foi bem sofrido, mas coloquei toda minha energia e determinação na reabilitação. Quatro meses depois, já estava com a prótese.

Sozinho, voltei a estudar para o vestibular e passei em física e fisioterapia na Universidade Federal de São Carlos. Meu sonho era desenvolver uma prótese melhor e mais barata do que as versões que existiam naquela época.

Jorge Cândido de Assis, 49, no departamento de psiquiatria da Unifesp, em São Paulo / Danilo Verpa/Folhapress

Jorge Cândido de Assis, 49, no departamento de psiquiatria da Unifesp, em São Paulo / Danilo Verpa/Folhapress

Um dia, em 1987, cheguei em casa e ela havia sido arrombada. Tive que ir até a delegacia dar queixa e reconhecer os objetos furtados.
Isso desencadeou a segunda crise psicótica. Tinha delírios de grandeza, alucinação, mania de perseguição.

Fui internado em Itapira durante um mês. Saí de lá com diagnóstico de esquizofrenia, medicado mas sem encaminhamento. Um dos remédios causava enrijecimento da musculatura e eu não conseguia escrever. Então parei de tomar a medicação e comecei a fazer tratamento em centro espírita.

Voltei a estudar em São Carlos. Depois da crise, perdi muitos amigos por puro estigma. Comecei a trabalhar, paralelamente aos estudos, mas ficou pesado demais. Preferi desistir do curso.

Em 1993, prestei vestibular na USP e passei. Foi mágico, a realização de um sonho. Continuei trabalhando, mas cheguei num ponto de saturação e desisti do curso.

Minha vida foi perdendo o sentido, vivia por viver. Me sentia vazio de emoções.

Nesse período, fazia parte de um grupo de pesquisa na USP. Mas, por uma série de divergências, o grupo se desfez. Ao mesmo tempo, meu namoro acabou. Esses dois fatores desencadearam minha terceira crise.

Foi uma crise também com delírios, alucinações, isolamento. Fiquei um mês internado. Foi aí que comecei a me tratar de esquizofrenia de fato. Além das medicações, fazia psicoterapia, terapia ocupacional e prestei vestibular para filosofia na USP. Passei. Sentia-me tão bem que disse: “Superei a esquizofrenia. Vou parar com os remédios”.

Minha mãe morreu em 2002 e, em seguida, tive a minha quarta crise, que também foi controlada com remédios. É como começar do zero.

Entre 2003 e 2007, participei de um grupo de pacientes com esquizofrenia em que discutíamos a doença, as vivências, as formas de comunicação. Em 2005, o [psiquiatra] Rodrigo Bressan me convidou para participar das aulas dele contando a minha experiência pessoal, sobre o estigma. Em 2007, surgiu o projeto do livro sobre direitos de pacientes com esquizofrenia.

Foi um processo de criação intenso durante 18 meses. Em 2008, o Rodrigo me convidou para deixar de ser paciente e entrar para a equipe dele. Foi uma grande oportunidade.

No início do ano passado, fui palestrar em Londres sobre o nosso trabalho. Quando estava voltando, fizemos uma escala em Madri.

Sentia muita dor na perna e pedi uma cadeira de rodas. Esperei e nada.

Tirei a perna mecânica, coloquei na bolsa e fui pulando até a sala de embarque. Todo esse estresse me levou à quinta crise. Ela foi rapidamente controlada, mas é um processo difícil retomar a rotina anterior, ressignificar as coisas para que a vida faça sentido.

Depois das crises, tenho que renascer das cinzas. Muitas pessoas desistem. Precisa de uma grande dose de esforço para reconstruir a vida.

A medicação ajuda, mas não é garantia. Consigo lidar com as demandas da vida, mas nunca sei se o que sinto é ou não da doença.

Não ouço mais vozes, mas tenho autorreferência. Penso que tudo ao meu redor tem a ver comigo. Se ouço um barulhinho lá fora, acho que pode ter câmera escondida.

Se as pessoas estão conversando no corredor, acho que estão falando sobre mim.

O delírio é inquestionável, você acredita nele. Mas tenho clareza do que é autorreferência, deixo para lá.

Tenho que saber os meus limites. O referencial para a gente é o mundo exterior, a relação das pessoas.

Muitas vezes, o início das crises não é percebido. Por isso é importante dividir com o médico, com a família.

O estigma também é muito prejudicial. Ser apontado como o louco ou ser desacreditado só piora. A esquizofrenia é uma doença crônica, que afeta as emoções, os relacionamentos, as vontades.

Tenho sorte de ter uma família unida, que me apoia. Isso dá sentido à minha vida.

Olho para trás e confesso que me sinto frustrado por ter começado duas vezes física, em duas das melhores universidades, e não ter concluído.

Mas fico feliz com o trabalho de poder ajudar outras pessoas com a minha história. As pessoas sofrem no Brasil pela falta de locais para a troca de informações.

Minha meta agora é construir uma rede de associações de apoio a pacientes com esquizofrenia.

Eu não sou só a doença, e a doença não me define.

Tenho que lidar com a esquizofrenia, mas ela não é a parte mais fundamental da minha vida.”

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