Posts tagged Tese

Vale quanto mede?

0

1

Hillé Puonto, no Manual prático de bons modos em livrarias

hahahaha, não.

final de expediente é quando a verdadeira magia acontece. a magia cria asas e ninguém é capaz de segurar o seu tchan. e por falar nisso, foco aqui, amigos do fórum, o causo de hoje é digno de tese em hogwarts.

(livreira a, que está guardando alguns livros do setor, é abordada por livreira b)

livreira b: a altura do harry potter?

(porque, né, não basta ser livreiro, tem que acompanhar a loucura da freguesia. livreira acha a pergunta estranha – eufemismo para ‘what the fuck’ -, mas responde mesmo assim)

livreira a: olha, depende. no primeiro livro ele era baixinho e no último ele já está bastante crescido, então deveria ser mais ou menos desse tamanho e…

(livreira a percebe uma mudança drástica no semblante da sua colega de trabalho e fica preocupada. paralisia de bell? talvez)

livreira b: como assim?

livreira a: você não me perguntou a altura do harry potter?

livreira b: não, eu quero saber quem é a A-U-T-O-R-A.

manual prático de bons modos em livrarias: autora, altura, ator, autor, tudo igual. livreira a tá de parabéns. eu não teria respondido melhor. clap.

Troca de poema de Caio Fernando Abreu por música de Gilberto Gil adia publicação

0

Marco Rodrigo Almeida, na Ilustrada

A notícia atiçou a curiosidade de leitores no final do ano passado: finalmente a poesia de Caio Fernando Abreu (1948-1996) seria reunida em livro.

Análise: Versos retratam ressaca que se deu sobre a geração de Caio Fernando Abreu

Quando morreu, aos 47 anos, Caio já era um autor consagrado de dezenas de contos, dois romances, crônicas, peças de teatro e artigos para jornais e revistas.

E também de centenas de poemas. Mas, fora um ou outro verso, Caio nunca publicou sua produção poética, desconhecida mesmo por fãs e especialistas em sua obra.

O escritor Caio Fernando Abreu - Folhapress

O escritor Caio Fernando Abreu – Folhapress

Em novembro, essa faceta oculta do escritor esteve prestes a vir à tona. A editora Record anunciou que no dia 30 chegaria às livrarias o livro “Poesias Nunca Publicadas de Caio Fernando Abreu”.

Organizado pelas pesquisadoras Letícia da Costa Chaplin e Márcia Ivana de Lima e Silva, o livro, que nasceu como tese de doutorado de Chaplin, traria 116 poemas.

O título chegou a ser distribuído para a imprensa, mas, poucos dias depois, a editora cancelou a distribuição dos 3.000 exemplares para as livrarias. Alegou apenas que a atitude foi tomada em “virtude de um erro editorial”.

Se o livro tivesse sido publicado, não seria difícil para um fã de MPB detectar o erro: a página 49 trazia, como se fosse poema de Caio, a letra de “Barato Total”, de Gilberto Gil.

Os versos da canção foram localizados pelas organizadoras em um diário de Caio de 1976. Ao lado da letra há rostos de mulheres desenhados com caneta preta. Um deles seria o retrato da cantora Gal Costa, que gravou a música no disco “Cantar” (1974).

Procuradas pela reportagem, as organizadoras não responderam aos recados até o fechamento desta edição.

A Record informou que o livro está em processo de análise e que uma edição corrigida será lançada. A data ainda não foi definida.

Paula Dip, autora da biografia “Para Sempre Teu, Caio F.” (ed. Record), vai revisar o livro. Ela conta que proporá a substituição de “Barato Total” por um poema que não integrava a versão recolhida e o acréscimo, na introdução, de um texto que explique o erro.

Além disso, Dip quer incluir as palavras que as organizadoras não conseguiram identificar nos manuscritos originais e que aparecem no livro com a legenda “palavra ilegível”.

Editoria de Arte/Folhapress

Editoria de Arte/Folhapress

VERSOS OCULTOS

Os manuscritos dos poemas de Caio estão hoje na PUC -RS, em Porto Alegre, que mantém seu acervo. A maior parte do material foi doada pelo amigo e diretor de teatro Luciano Alabarse; o restante estava em diários com a família.

O material a que as organizadoras tiveram acesso mostra que ele escreveu poesia durante toda a carreira. Os primeiros versos são de 1968, o último, de 1996. Curiosamente, o autor nunca manifestou intenção de publicá-los.

“Ele era muito perfeccionista. Dizia ‘não sou poeta, escrevo poesia muito mal’. Ele se via mesmo como contista”, diz Dip, que foi amiga do autor.

Apesar disso, seus contos e poemas têm forte ligação. Nos dois casos sobressaem temas como a solidão e o desencanto. As referências musicais são outro ponto em comum.

Caio usou trechos de letras de Caetano Veloso e citou músicos como Tom Jobim em alguns poemas. À intérprete de “Barato Total” ele dedicou, além de desenho no diário, um verso do poema “Rômulo”: “Fomos ver o show da Gal cantando deixa sangrar”.

Os cem anos do sabiá

0
Casa onde o cronista Rubem Braga passou a infância e morou até os 14 anos, em Cachoeiro do Itaperimirim (ES). (Foto: Ériton Berçaco)

Casa onde o cronista Rubem Braga passou a infância e morou até os 14 anos, em Cachoeiro do Itaperimirim (ES). (Foto: Ériton Berçaco)

Sérgio Augusto, no Estadão

Sugeri à Flip que em 2013 homenageasse Rubem Braga. Pelos 100 anos que ele faria em janeiro e pela dívida que a nossa mais importante festa literária precisa quitar com a crônica, o gênero literário mais apreciado no País e do qual Rubem foi, indiscutivelmente, o maior expoente. Os 60 anos de morte de Graciliano Ramos, afinal, prevaleceram na escolha do próximo homenageado, ficando a crônica e seu sabiá para uma futura Flip, quem sabe a de 2014.

Por falar em efemérides, a crônica está fazendo 160 anos este mês. Apesar da respeitável tese do historiador Jorge de Sá distinguindo Pero Vez de Caminha como seu introdutor nestas paragens, a primeira crônica genuína, não epistolar e sem ressaibo folhetinesco, teria surgido na imprensa brasileira em dezembro de 1852, no jornal carioca Correio Mercantil, assinada por Francisco Otaviano de Almeida Rosa. Dois anos depois, Almeida Rosa legaria seu espaço a dois discípulos, José de Alencar e Manuel Antônio de Almeida, que nele formataram o gênero, ampliando o horizonte profissional e a clientela de jornalistas, poetas e escritores.

A forte e inevitável influência de Eça e Ramalho Ortigão sobre os primeiros cronistas daqui levou Machado de Assis a duvidar que um dia nossa crônica pudesse se abrasileirar. Mas ela, graças sobretudo ao próprio Machado, abrasileirou-se. Aos poucos nos libertamos da canga lusa, do português castiço e engomado, incorporamos toda a graça e agilidade do coloquialismo, fundamos, sem exagero, uma nova língua a partir do português recriado nas ruas do Rio e nas conversas informais.

Uma nova língua a serviço da simplificação e da naturalidade, a contemplar a vida “ao rés-do-chão” (apud Antonio Candido) e a comentá-la através de uma conversa-fiada por escrito, redimensionando os objetos e as pessoas, captando em suas miudezas “uma grandeza, uma beleza ou uma singularidade insuspeitadas”.

Tivemos e ainda temos perseverantes observadores da vida ao rés-do-chão; nenhum, porém, com a mesma percuciência, desenvoltura e produtividade do Velho Braga (o apelido foi dado pelo próprio Rubem quando ainda bem moço) – opinião, de resto, compartilhada até por aqueles que, por motivos muito particulares, sentem mais afinidade com outros cronistas, como é o meu caso, que sempre tive um xodó não de todo inexplicável por Paulo Mendes Campos. Mas isso é assunto para uma prosa futura.

Captadas pelo olhar de Rubem, coisas só na aparência insignificantes do cotidiano e estados d’alma enganosamente banais ganhavam nobreza e transcendência. Sua prosa divagante, encantadoramente simples, doce e cristalina, melancólica e irônica, lírica sem pieguice, tinha o condão de transformar o que quer que fosse (uma borboleta, um passarinho, um pé de milho, um antigo cajueiro, a curva de um rio, uma jovem que passa distraída) em inesperadas epifanias. Só para Rubem era fácil.

Considerava-se, sem o menor complexo, um “escritor superficial”, que escrevia “de ouvido e de palpite” sobre o que via, sobre fatos e objetos concretos, mas carente de imaginação, motivo pelo qual nunca se aventurou a produzir a sério um romance. “Não sou um homem de inventar coisas, mas de contá-las. Seria preciso talvez dar-lhes um sentido, mas não encontro nenhum. As coisas, em geral, não têm sentido algum.” Foi o que disse a respeito, numa crônica sobre pescaria, publicada em 1957.

Bastou-lhe, pois, a faina jornalística: além de cronista, foi repórter, correspondente de guerra (a 2.ª Mundial) e paz (em Paris), editor e até dono de uma publicação no Recife de curta duração. Beneficiou-se de uma precoce ligação com os Diários Associados de Chateaubriand, que lhe deram acesso a leitores de Norte ao Sul do País. Publicou em quase todos os veículos importantes sediados no Rio, em São Paulo, Belo Horizonte e Porto Alegre, inclusive aqui, no Estado. Ter um texto do Velho Braga era sinal de distinção.

Rubem sabia o seu lugar e jamais invejou o maior prestígio acadêmico de contistas e romancistas. “Há homens que são escritores e fazem livros que são verdadeiras casas, e ficam”, comentou num artigo para o jornal alternativo Manifesto, em julho de 1951, “mas o cronista de jornal é como cigano que toda noite arma sua tenda e pela manhã a desmancha, e vai.” Tampouco perdia tempo e saliva teorizando sobre seu ofício. Ao primeiro repórter que lhe pediu para definir a crônica, respondeu: “Se não é aguda, é crônica”.

Também se autodepreciava como um “sujeito distraído e medíocre”, meio antipático (“Se eu conhecesse outro sujeito igual a mim, nossas relações nunca chegariam a ser grande coisa”), desajeitado e sonso – ou mocorongo e songamonga, como ele próprio gostava de dizer. Casmurro e rabugento, parecia de fato um urso, não polar, mas solar, apaixonado que era por dias claros e pela Praia de Ipanema que avistava de sua legendária cobertura agrícola na Rua Barão da Torre.

Mesmo alheio a fervorosas convicções ideológicas e espirituais, “nem cristão, nem comunista”, acabou envolvido em encrencas políticas antes e durante o Estado Novo. Antigetulista ferrenho, de uma feita precisou de salvo-conduto para atravessar a fronteira de Minas Gerais com o Estado do Rio e, safo, valeu-se, com êxito, de uma carteira de jogador reserva do Flamengo. Se verdadeira ou falsa, não sei. Sabe-se que foi um zagueiro viril, beirando o truculento, de um time de pelada das areias de Copacabana, no imediato pós-guerra, que no gol tinha Di Cavalcanti e, na linha, Fernando Sabino, Orígenes Lessa, Newton Freitas, Moacyr Werneck de Castro e Paulo Mendes Campos. Craque indiscutível, Rubem só o foi nas páginas de jornais e revistas.

Jesus Potter, Harry Cristo

0

O autor Derek Murphy acaba de promover o lançamento de seu novo livro. Desde já ele está criando  polêmica com “Jesus Potter, Harry Christ”, que tem como subtítulo “a fascinante história do Jesus literário”.

O livro, que estará disponível no final de dezembro, explora as semelhanças e as relações entre Jesus e Harry. Sua conclusão é que a única diferença entre Harry Potter e Jesus Cristo é que Jesus tem tradicionalmente sido considerado por seus seguidores um personagem histórico.

Segundo a editora, o livro “não é principalmente sobre Harry Potter, mas sobre a história religiosa, a mitologia astrológica, o simbolismo esotérico e a tradição literária de Jesus Cristo. O título apenas se refere ao argumento central deste livro: Jesus Cristo e Harry Potter têm muito em comum. O aspecto principal é o fato de que ambos são construções literárias, ou em outras palavras, personagens de ficção.

Derek Murphy, que estudou teologia na ilha de Malta e está agora na Ásia, fazendo doutorado em literatura comparada, afirma: “Eu sempre fui um grande fã de Harry Potter. Como eu estava fazendo minha pesquisa sobre religião e literatura esotérica, descobri tantos paralelismos entre Harry, Jesus e as fontes ainda mais antigas. Fiz a minha tese de mestrado sobre a influência mística tanto em Harry Potter quanto na literatura bíblica.

O mais fascinante, especialmente à luz da controvérsia em torno do livros de Harry Potter (que promoveriam a feitiçaria e o satanismo entre as crianças, etc), é que estas semelhanças vêm sobretudo de fontes pré-cristãs”.

O fato de no final da saga, que reúne 7 volumes, onde Harry acaba morrendo uma morte sacrifical e ressuscita para derrotar de uma vez por todas seu arqui-inimigo, Valdemort, contribui muito para as comparações e paralelos. Cerca de uma dúzia de outros livros sobre a relação entre Jesus e Harry Potter já foram publicados. A maioria é de autores cristãos ansiosos em ajudar a suavizar a tensão entre a popularidade de Harry e as comunidades conservadoras que desejam denunciá-lo como agente do mal. “Jesus Potter, Harry Christ” porém, é um livro para mudar esse jogo, defendendo que as semelhanças entre Jesus e Harry não fazem Harry mais “santo” – apenas tornar Jesus mais obviamente fictício. “A verdadeira questão que precisamos fazer não é se Harry Potter é uma ‘figura de Cristo’ (semelhante a um salvador histórico religioso), mas se Jesus Cristo é uma” figura de Potter “(um redentor, criado a partir de símbolos mitológicos e filosóficos), argumenta o livro.

O livro será lançado em 21 de dezembror (solstício de inverno e aniversário do autor). Conheça melhor o material em www.jesuspotterharrychrist.com.

Fonte: Holy Blasphemy

Tradução e edição: Jarbas Aragão. Todos os direitos de tradução reservados

Go to Top