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Globo Livros vai lançar finalista do Man Booker Prize

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Jhumpa Lahiri, vencedora do Pulitzer 2000

Jhumpa Lahiri, vencedora do Pulitzer 2000

Publicado na Veja on-line

Mais uma boa notícia para quem acompanhou a divulgação dos finalistas ao Man Booker Prize 2013. Lowland, inédito da escritora anglo-indiana Jhumpha Lahiri que entrou para a lista de concorrentes, será lançado no Brasil pela  Biblioteca Azul, a linha de alta literatura da Globo Livros. Também de Jhumpha, uma filha de indianos nascida em Londres, em 1967, e crescida em Rodhe Island, nos Estados Unidos, a Globo relançará o livro de contos Intérprete de Males, vencedor do Pulitzer 2000, e O Xará.

Da lista de finalistas, o mercado brasileiro já tem  O Testamento de Maria, do irlandês Colm Tóibín, recém-lançado pela Companhia das Letras. A Tale for the Time Being, de Ruth Ozeki, pode sair pela Casa da Palavra. Outro que pode sair por aqui é TransAtlantic, de Colum McCann, autor que veio à Flip em 2010 e teve livros publicados pela Girafa (O Bailarino) e pela Record (Deixe o Grande Mundo Girar, considerado o primeiro grande romance sobre o 11 de Setembro, e O Outro Lado da Luz, com que venceu a premiação irlandesa Hennessey Award, na categoria romance de estreia).

O vencedor do Man Booker Prize 2013, que levará 50.000 libras (cerca de 170.000 reais) será anunciado em 15 de outubro.

Livro de Colm Tóibín devolve humanidade à mãe de Jesus

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Antonio Gonçalves Filho, no Estadão

Apresentar a Virgem Maria não como a mãe de Deus, mas uma mulher vulnerável, certamente é um passaporte para o purgatório num país como a Irlanda. Mas foi isso o que fez o escritor irlandês Colm Tóibín em O Testamento de Maria, lançado agora pela Companhia das Letras, justamente quando a peça ainda faz barulho na Broadway. A adaptação para o teatro, feita pelo próprio autor e estrelada por Fiona Shaw (dos filmes de Harry Potter), provocou protestos de católicos na rua 48, em Nova York, na noite de estreia, em abril, no Walter Kerr Theater. A polêmica só não foi maior porque Tóibín, em sua pequena novela, que rendeu um monólogo de 90 minutos, usa uma linguagem elegante, respeitosa, quase arcaica, para contar a história de Maria vivendo no exílio, em Éfeso, 20 anos depois da crucificação de Cristo. Detalhe: ela não acredita que seu filho Jesus seja o Messias.

Esse, aliás, é o motivo da resistência de Maria em dar sua versão pessoal da morte do filho para dois apóstolos, empenhados em escrever o Novo Testamento. Protegida por João, que arranja para ela uma casa como refúgio, Maria, viúva e precocemente envelhecida, recusa-se a aceitar a narrativa dos discípulos, descritos pela Virgem como “um bando de desajustados” tentando criar um mito. Em Éfeso, Maria é apenas uma mulher solitária, que emerge no livro como uma personagem de estatura moral comparável ao monumento erigido pela Igreja após o primeiro concílio de Éfeso, em 431. Nele, a Virgem Maria foi declarada mãe de Deus (Theotokos), e não apenas da natureza humana de Cristo.

Menos dogmático, Colm Tóibín, conhecido do leitor brasileiro por livros como O Mestre e Mães e Filhos, mostra Maria como uma mulher comum, que não fica aos pés da cruz como a retratam os pintores ocidentais. A versão de Toíbín, que concedeu uma entrevista, por telefone, à reportagem, é que Maria fugiu, com medo de ser a próxima vítima, acossada que estava por dois fariseus. Lá pelo fim do livro, depois de muito duvidar sobre a natureza divina do filho, ela, num momento de clarividência diante da morte, só lamenta não ter tido a chance de evitar seu martírio, como lamentaria qualquer mãe.

Devolver a humanidade a Maria, como Kazantzakis fez com Jesus em A Última Tentação de Cristo, não chega, portanto, a constituir um escândalo, embora alguns católicos possam ficar incomodados com a recusa de Maria em pronunciar o nome do filho revolucionário – que não reconhece como a criança que criou. Descrente, Maria não se sente à vontade sequer para entrar na sinagoga. Prefere, em Éfeso, retomar a antiga crença na deusa pagã Ártemis, a casta caçadora desapegada da figura masculina.

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