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Crítico literário afirma ter encontrado emoticon em poema de 1648

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Publicado no Boa Informação

Já imaginou escrever uma mensagem sem um emoticon? :-/ Realmente a internet e as mensagens de texto não seriam as mesmas. Mas pode ser que combinar caracteres para expressar sentimentos não seja exclusivo da era da internet.

O crítico literário Levi Stahl, da Universidade de Chicago, diz ter encontrado o que pode ser o primeiro uso da pontuação para criar um rosto sorridente em uma cópia do poema “To fortune”, escrito por Robert Herrick, em 1648.

Primeiro Emoticon

Segundo informações do site do jornal O Globo, Stahl achou que a carinha fosse um erro de digitação, mas ao checar a versão publicada ano passado pela Universidade de Oxford, encontrou a mesma marcação e, com isso, passou a considerar que a intervenção foi proposital, o que faria sentido na obra de Herrick, marcada pelo humor.

Até hoje, o exemplo mais antigo de uso de emoticons estava na edição da revista Puck de 30 de março de 1881.

Revista Puck

Repare na parte inferior, no meio da página.

Mas no caso dessa edição da revista, o emoticon não está dentro do texto, logo não imprime os mesmos sentimentos :’(.

Isso significa que Heck talvez seja o “pioneiro” das carinhas de caracteres por pelo menos 200. O emoticon pode ser apenas um erro tipográfico, mas a hipótese da inclusão ser proposital ganha força graças ao contexto do verso “smiling yet” (“ainda sorrindo”).

O professor de literatura inglesa Alan Jacobs, no entanto, discorda e acha pouco provável que Herrick tenha criado o emoticon. Ele argumenta que, para ter certeza das intenções do poeta, seria preciso encontrar os manuscritos originais, pois os responsáveis pela impressão não necessariamente seguiram as orientações dos autores.

Como exemplo, ele cita uma versão do poema publicada no século XIX sem os parênteses. Jacobs imagina que a imagem tenha sido incluída em edições posteriores.

“Os parênteses não eram usados em verso na época de Herrick de forma tão comum quanto hoje nem da forma como usamos hoje”, argumenta ele. “A pontuação, no geral, era incerta no século XVII, tão incerta quanto soletrar. Shakespeare escrevia seu nome de várias formas diferentes e não havia regras gerais. Herrick dificilmente tinha práticas de pontuação consistentes e, mesmo que tivesse, não poderia esperar que os editores ou seus leitores compartilhassem dessas práticas”, completa.

A história oficial aponta o cientista da computação Scott Fahlman como o criador dos emoticons, apesar dos registros da revista Puck em 1881. Em 19 de setembro de 1982, mais de 100 anos depois, ele sugeriu a seus colegas na universidade Carnegie Mellon o uso das formas gráficas :-) e :-( para expressar emoções.

Aprenda a fazer uma resenha de livro

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Publicado no Universia Brasil

(Crédito: Shutterstock.com)     A resenha dá a chance de você expressar suas opiniões, como a fluência do texto, a presença ou não de humor ou até mesmo a velocidade na qual as coisas acontecem

(Crédito: Shutterstock.com)
A resenha dá a chance de você expressar suas opiniões, como a fluência do texto, a presença ou não de humor ou até mesmo a velocidade na qual as coisas acontecem

Escrever uma resenha é uma ótima forma de comprovar que os alunos realmente leram e entenderam os pontos principais de um determinado livro e, por isso, estas são comumente pedidas pelos professores. Se você não tem certeza de como estruturar o texto de forma a deixar suas ideias claras, não se desespere!

O primeiro passo é ler o livro com muita atenção. Para resenhá-lo, você deverá conhecer os personagens e entender todo o contexto da época em que ele foi escrito e o que o autor pretendia ao publicá-lo. Por exemplo: é muito difícil escrever uma resenha de uma obra como Os Miseráveis, de Victor Hugo, sem entender os costumes da França do século XIX, entre a batalha de Waterloo e as barricadas de Paris.

Ao término da leitura, você deverá organizar os seus próprios pensamentos. A opinião do autor ficou clara para você? Além disso, é necessário refletir sobre como a obra reflete nos dias atuais, ou seja, como o que foi escrito em anos passados está presente na sociedade de hoje. Esse pode ser um dos seus pilares para escrever a resenha.

Agora é hora de começar a escrever a sua resenha. É importante ter em mente que uma resenha deve descrever o livro e apontar aspectos importantes sobre ele. Personagens marcantes e relevantes para a história devem ser citados, sendo que uma boa dica para apresentá-los é descrevendo suas impressões sobre a personalidade deles e por que a história seria completamente diferente na ausência dos mesmos.

A resenha também dá a chance de você expressar suas opiniões, como a fluência do texto, a presença ou não de humor ou até mesmo a velocidade na qual as coisas acontecem. Porém, lembre-se de que uma resenha didática deve priorizar o conteúdo da aula para a qual ela foi proposta. Se você está escrevendo para o professor de literatura, insira a obra no movimento literário na qual o livro foi escrito. Se for para o professor de história, prefira o contexto social da época.

Estudantes invadem sala de aula na USP após professor defender golpe de 1964

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Alunos de Direito fizeram ‘escracho’ em sala de aula no Largo de São Francisco após professor defender golpe de 1964

Renan Truffi, na Carta Capital

Estudantes entraram na sala de aula durante discurso do professor - Reprodução/You Tube

Estudantes entraram na sala de aula durante discurso do professor – Reprodução/You Tube

Um grupo de estudantes da Universidade de São Paulo (USP) invadiu uma sala de aula da Faculdade de Direito na segunda-feira 31 depois que o professor de direito administrativo Eduardo Lobo Botelho Gualazzi tentou defender o golpe de 1964, que colocou o Brasil, há 50 anos, em uma ditadura civil-militar de 21 anos.

O protesto dos alunos ocorreu no meio da aula e foi registrado em vídeo por um dos estudantes. Nas imagens, Gualazzi aparece lendo um texto que distribuiu para alunos do 3º ano. “A história informa que as tiranias vermelhas terminaram afogadas em um holocausto de sangue humano e corrupção total, material e espiritual. Em 1964, o socialismo comunismo esquerdista-totalitário almejava apoderar-se totalmente do Brasil”, diz Gualazzi no vídeo ao justificar o golpe de Estado contra o governo de João Goulart.

Em função da postura do docente, os estudantes simularam uma cena de tortura fora da sala de aula para, em seguida, entrar na classe encapuzados. “Esse professor distribuiu antes da aula um texto para alunos explicando por que ele defendia a ‘revolução’ de 1964 (nas palavras do docente) e como isso foi bom para o Brasil. Então nos reunimos para fazer um escracho contra ele. Antes de entrar, fizemos um pequeno teatro de uma cena de tortura e entramos dentro da sala. O professor foi muito agressivo, empurrou alunos. Ele perdeu as estribeiras, quis expulsar os estudantes de dentro da sala, mas começamos a batucar e ele saiu muito nervoso”, explica o estudante do primeiro ano Marco Antonio Riechelmann, de 19 anos.

Ainda de acordo com Riechelmann, Gualazzi continuou agressivo do lado de fora da classe e foi seguido por seus monitores. “Ele ficou discutindo com a gente no pátio, os monitores dele também peitaram, tivemos que separar por que queriam brigar”, afirma. O escracho foi organizado por um coletivo e apoiado pelo Centro Acadêmico 11 de agosto.

O professor não conseguiu ler todo o texto, intitulado “Continência a 1964”. No documento, Gualazzi afirma, entre outras coisas, que a “revolução de 31 de março de 1964 consistiu na preservação da consolidação histórica do perfil brasileiro, assentado em nosso País desde 1500 (descobrimento do Brasil)”. Ele conclui ainda que, “graças ao bom Deus”, “os líderes civis e militares da Revolução de 1964 sabiamente consolidaram, ao longo de vinte e um anos (1964-1985), infraestrutura e superestrutura que tornaram o Brasil atualmente imune a qualquer tentativa de subversão”.

No texto, o docente ainda traça um “perfil” da sua personalidade. “Durante minha infância/adolescência, consolidei em silêncio minha opção íntima pelo seguinte perfil de personalidade, em ordem alfabética: a) aristocratismo; b) burguesismo; c) capitalismo; d) direitismo; e) euro-brasilidade; f) família; g) individualismo; h) liberalismo; i) música erudita; j) panamericanismo; k) propriedade privada; l) tradição judaico-cristã. Nos tempos atuais, mantenho em meu íntimo, de modo pétreo, as doze opções da minha infância/adolescência”. A assessoria de imprensa da Faculdade de Direito da USP não quis se pronunciar sobre o assunto nem explicou se tomou algum tipo de providência em relação ao caso.

Palindromia e a arte de ler um texto ao contrário

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palindromista Ziro Roriz

palindromista Ziro Roriz

Publicado por RIC Mais

Você sabe o que são Palíndromos? E palindromia? Leia abaixo uma entrevista que foi feita pela Claudia Cozzela, do Acontece Curitiba, com o palindromista Ziro Roriz e descubra!

Em poucas palavras, o que é palindromia e como você, um professor de matemática, se apaixonou por isso?

Palindromia é uma característica que qualquer idioma possui, desde que um alfabeto fonético (aquele que na escrita produz o som das palavras) seja o padrão de escrita. Quer seja, palíndromo é a possibilidade de um texto ser lido ao contrário da leitura normal, e que assim fazendo, esta leitura contrária reproduzirá, literalmente, letra por letra, a mesma leitura da escrita normal. Desconheço, que línguas com escrita ideográfica (a língua japonesa é um exemplo), possam contemplar a característica palindrômica na escrita. Até mesmo línguas que tenham a escrita normal da direita para a esquerda (o língua árabe e o hebraico são exemplos), e que tenham alfabeto fonético, podem ter textos e palavras palindrômicas.

Compreender os números ajuda a brincar com as letras?

As fórmulas matemáticas são por natureza palindrômicas. Por exemplo o Teorema de Pitágoras, cuja fórmula é: a2 + b2 = c2.Trata-se de uma fórmula palindrômica pois c2 = b2 + a2. Entretanto o que creio ser determinante para a confecção e criação de palíndromos é o vocabulário. Quero dizer, o tamanho ou a quantidade de palavras que o pretendente a palindromista deve conhecer. Para ser mais específico, quanto maior for o vocabulário de domínio da pessoa, tanto mais facilmente poder-se-á criar palíndromos. Desde que se tenha gosto ou curiosidade ou afeição pela palindromia.

Você é autor do mais extenso texto palindrômico em Língua Portuguesa. Quanto tempo você demorou para criar este texto e como foi o processo de criação?

Foi relativamente simples. Pois eu já havia criado mais de 2.000 palíndromos, e algumas frases palindrômicas bem longas, com 50, 70, 90 letras, Então foi sentar-se no computador e começar com uma frase central. Depois fui colocando à direita e à esquerda da frase central, outras frases palindrômicas. Algumas eu já as havia criado, e outras e as criava com o fim específico para aquele texto palindrômico que estava a criar. Creio que demorei, entre várias seções de trabalho, umas 30 horas para compor um palíndromo com umas 200 palavras. Depois fui colocando mais frases palindrômicas até chegar a 285. Quando o palíndromo estava com 285 palavras, o divulguei. Depois aumentei um pouco mais, e cheguei nas 371 palavras (incluso o título que também é palindrômico). E já estou matutando, para aumentá-lo um pouco mais, a ponto de ultrapassar as 400 palavras.

Ana Rita, Leno e Leonel esmagaram-se por acaso ou há sentido na palindromia?

Veja que ANA RITA, quando se faz a leitura palindrômica (da direita para a esquerda) resulta A TIRANA, o que proporcionará um palíndromo. Ou seja, A TIRANA ANA RITA. Agora, LENO E LEONEL, poderá ser uma dupla de cantores sertanejos, e a dupla terá nomes próprios palindrômicos. A palavra esmagam-se, já o é palindrômica. Tudo depende em que contexto ela é colocada na frase. E esmagam-se poderá ser uma bela palavra de ligação entre dois palíndromos.

Escrever um texto palindrômico é fruto de muito estudo ou um talento nato? Pergunto isso porque sem dúvida é muito divertido ler e dá vontade de sair fazendo… Mas realmente parece ser um dom seu.

Como disse Albert Einstein, “a imaginação vem depois do conhecimento”. Digo que, relativamente aos palíndromos, se tem que ter um conhecimento maior que a média da língua, no caso, da língua portuguesa, e depois ter curiosidade e gosto para criar algo diferente. Isto é o que todo o inventor ou criador tem como princípio. E isto ocorre em qualquer atividade humana. Veja os inventores. A lâmpada elétrica não existia, até que alguém resolveu criá-la. O telefone não existia, até que alguém resolveu criá-lo. O perfume Chanel nº 5, não existia, até que alguém resolveu criá-lo. O avião não existia, até que alguém resolveu criá-lo. O rádio … o telégrafo … a roda … o arco e flecha … os objetos de barro ou cerâmica … Nada disto já existia na natureza, até que alguém resolveu os criar.

10 considerações sobre 12 Anos de Escravidão, ou como a realidade supera a ficção

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Douglas Eralldo, no Listas Literárias

O Blog leu 12 Anos de Escravidão, o livro que inspirou o filme. Os relatos de Solomon Northup nesta edição de clássicos da Penguin/Companhia das Letras ainda apresenta a particularidade de manter o projeto gráfico que marca o estilo deste selo, mas também aproveitando o sucesso do filme nos cinemas com uma sobrecapa com a imagem do filme. Neste post as 10 considerações do Listas Literárias sobre o livro:

11 – 12 Anos de Escravidão, o relato do negro liberto que se torna escravo, Solomon Northup, é arrebatador a tal ponto que impede que o leitor se desgrude de suas páginas; com uma lucidez impressionante o autor nos leva a acontecimentos inexplicáveis e que tanto envergonha a história da humanidade, expondo os fatos com clareza e esmiuçando os verdadeiros sentimentos dos escravos americanos;

2 – Fosse escrito por qualquer outro autor 12 Anos de Escravidão, por si só já mereceria estar entre as melhores ficções já publicadas. No entanto, o que Solomon Northup revela se torna tão mais assustador porque longe de ser uma ficção, seu relato nos apresenta um drama real e sombrio que só mesmo com muitas virtudes, o que era o caso de Solomon, ele consegue enfrentar o problema de frente; muitas vezes até mesmo esperançoso durante os doze anos que sua liberdade foi extirpada por ladrões escravagistas;

3 – O relato revela Solomon Northup um homem culto e muito inteligente, e seu texto conciso permite o leitor compreender os verdadeiros dramas da escravidão, e de uma forma poucas vezes vista, já que a condição de ser negro, liberto, e letrado, acaba desta forma permitindo que como raramente ocorreu os próprios escravos tivessem voz, o que torna seu relato muito mais impressionante pois Solomon transcreveu para o papel aquilo que os negros sentiam, diferentemente do que seria qualquer outra pessoa escrevendo;

4 – Além do valor histórico dos relatos de Solomon Northup seria impossível também não falar de suas qualidades literárias, especialmente pela forma de que ele descreve sua jornada épica, colocando sempre mais curiosidade no leitor. É como se ele próprio, Solomon, junto conosco numa roda noturna ao redor de uma fogueira e ele nos contasse seu período de aprisionamento, onde toda sua humanidade foi negada por causa da cor de sua pele. E num grande exemplo, sua narrativa e a forma com qual ele lida com “seus proprietários” e a falta de liberdade é de uma grandiosidade raramente vista nos homens, independente de seus credos ou cor;

5 – Ainda assim, sofrendo demasiadamente como a qualquer outro escravo a mercê dos caprichos ou das ordens de seus senhores, Solomon muitas vezes é condescendente com aqueles que minimamente se mostram dignos (se é que isso seja possível em alguém que realmente acredite que uma pessoa por causa de sua raça possa ser comparada aos cavalos ou porcos da fazenda) para com ele. Ele geralmente acaba culpando mais o sistema vigente por criar e possibilitar a escravidão como algo normal e de maneira alguma indecente, do que diretamente as pessoas que usufruíam desse mesmo sistema;

6 – Solomon Northup de certa forma também apresenta sua jornada como uma jornada de fé. Isto está presente em muitas referências religiosas em seu texto, bem como a fé que manteve ao longo dos seus 12 anos de escravidão;

7 – Outra preocupação evidente no texto de Northup é sua persistente tentativa de tornar o mais real e plausível seu relato. E isto não é algo difícil de entender, pois somente os excluídos e os realmente esquecidos e maltratados podem saber o quanto é difícil fazer crer que há coisas terrivelmente ruins no mundo, que para aqueles cujos jardins são floridos os problemas dos outros não passam de mera especulação;

8 – Por isso em determinadas partes do texto, Northup não se priva de algumas divagações explicando nos mínimos detalhes o trabalho envolvido em determinadas culturas; como a do algodão e do açúcar, onde a mão-de-obra escrava produzia a riqueza de um país inteiro que cresceu “bebendo” do sangue e da alma de homens que tiveram destinos ainda mais sombrios que o de Northup;

9 – 12 anos de Escravidão é uma leitura essencial para aqueles que buscam por conhecer um pouco mais de nossa história, inclusive de seus momentos mais horríveis. Os relatos de Solomon Northup possibilitam isso, e ao contrário do que se possa pensar, ele não joga ao leitor uma obra amarga ou reivindicatória. Ele simplesmente expõe os fatos que lhe aconteceram, e assim como é a escravidão na região do Bayou Boeuf. Ele não brada ou propõe nada, no entanto é revolucionário ao descortinar ao que muitos faziam de conta de ver: “os negros não gostavam de ser escravos. Tampouco estavam naquela situação por escolha ou inércia. Em cada um deles o grande desejo era o de qualquer outro homem, negro, branco, amarelo… Eles queriam ser livres”.

10 – Enfim, 12 Anos de Escravidão é um relato fascinante por sua crueza e ao mesmo tempo sobriedade ao narrar parte de um obscuro momento histórico, dando como disse antes, voz aos próprios escravos; e assim nos apresentando uma verdade que nenhum outro autor que não fosse alguém a vivenciar tudo aquilo seria incapaz de nos revelar. O livro vale por tudo o que representa, por sua riqueza cultural e literária, se constituindo num dos principais relatos da história humana.

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