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Escritor gaúcho Moacyr Scliar é homenageado com site

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O escritor Moacyr Scliar: homenagem em um site elaborado pela família. Divulgação

O escritor Moacyr Scliar: homenagem em um site elaborado pela família. Divulgação

Publicado em O Diário

A família do escritor e médico gaúcho Moacyr Scliar lançou um website oficial em homenagem a sua vida e carreira.

O conteúdo é composto por uma biografia em detalhes, além de informações sobre sua produção literária e carreira médica, com fotos, vídeos, booktrailers, versões de sua obra para teatro e cinema, textos inéditos e depoimentos sobre o autor.

Scliar nasceu em 1937, em Porto Alegre, e escreveu romances, ensaios, contos, crônicas e textos infanto-juvenis.

Ele morreu em 2011, aos 73 anos, na capital gaúcha, devido à falência múltipla dos órgãos.

Ganhou o Jabuti por três vezes e era membro da Academia Brasileira das Letras. O mais recente volume de sua obra publicado pela Companhia das Letras foi “Território da Emoção”, uma reunião de suas crônicas médicas.

Para conhecer o projeto, acesse o site de Moacyr Scliar.

Ler poesia é mais útil para o cérebro que livros de autoajuda, dizem cientistas

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Você já podia imaginar, mas agora está evidenciado cientificamente: ler poesia pode ser mais eficaz em tratamentos psicológicos do que livros de autoajuda. E mais: textos de escritores clássicos como Shakespeare, Fernando Pessoa, William Wordsworth e T.S. Eliot, mesmo quando de difícil compreensão, estimulam a atividade cerebral de modo muito mais profundo e duradouro do que textos mais simples e coloquiais.

William Shakespeare

William Shakespeare

Marcelo Vinicius, no Obvious

Um texto já publicado, pela agência EFE, mas que poderia ser revisto, afinal estamos comentando sobre a velha história da análise crítica sobre Literatura tida como de qualidade e a Literatura tida como de entretenimento, e mais, auto-ajuda: a leitura de obras clássicas estimula a atividade cerebral e ainda pode ajudar pessoas com problemas emocionais, diz estudo.

Ler autores clássicos, como Shakespeare, Fernando Pessoa, William Wordsworth e T.S. Eliot, estimula a mente e a poesia pode ser mais eficaz em tratamentos do que os livros de autoajuda, segundo um estudo da Universidade de Liverpool.

Especialistas em ciência, psicologia e literatura inglesa da universidade monitoraram a atividade cerebral de 30 voluntários que leram primeiro trechos de textos clássicos e depois essas mesmas passagens traduzidas para a “linguagem coloquial”.

Os resultados da pesquisa, antecipados pelo jornal britânico “Daily Telegraph”, mostram que a atividade do cérebro “dispara” quando o leitor encontra palavras incomuns ou frases com uma estrutura semântica complexa, mas não reage quando esse mesmo conteúdo se expressa com fórmulas de uso cotidiano.

Esses estímulos se mantêm durante um tempo, potencializando a atenção do indivíduo, segundo o estudo, que utilizou textos de autores ingleses como Henry Vaughan, John Donne, Elizabeth Barrett Browning e Philip Larkin.

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Os especialistas descobriram que a poesia “é mais útil que os livros de autoajuda”, já que afeta o lado direito do cérebro, onde são armazenadas as lembranças autobiográficas, e ajuda a refletir sobre eles e entendê-los desde outra perspectiva.

“A poesia não é só uma questão de estilo. A descrição profunda de experiências acrescenta elementos emocionais e biográficos ao conhecimento cognitivo que já possuímos de nossas lembranças”, explica o professor David, encarregado de apresentar o estudo.

Após o descobrimento, os especialistas buscam agora compreender como afetaram a atividade cerebral as contínuas revisões de alguns clássicos da literatura para adaptá-los à linguagem atual, caso das obras de Charles Dickens.

dica do Chicco Sal

Devota vira ‘ghostwriter’ de Jesus

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Mark Oppenheimer, na Folha de S.Paulo

Sarah Young pode ser difícil de encontrar, mas seus livros estão por toda parte.

“O Chamado de Jesus”, de Young, é uma coletânea de 365 textos curtos de devoção entrelaçados com trechos da Bíblia.

Desde que foi lançado, em 2004, o livro já vendeu 9 milhões de exemplares em 26 línguas. No primeiro semestre de 2013, vendeu mais exemplares que “Cinquenta Tons de Cinza”. Young já escreveu outros dois livros de devoção desde então, além de livros voltados para crianças e adolescentes e uma Bíblia com o tema “Jesus está chamando”.

O que mais impressiona é que Sarah Young virou uma marca rentável apesar de praticamente não conceder entrevistas nem comparecer em público como autora. Prejudicada pela doença de Lyme e outros problemas de saúde, ela geralmente sai pouco de casa. Quase não há fotos públicas da autora, que se nega a falar ao telefone.

Assim, se um repórter quiser lhe perguntar sobre seu trabalho –que vem provocando polêmica por ser escrito em primeira pessoa na voz de Jesus, como se Cristo tivesse feito novas revelações diretamente a Young–, as perguntas devem ser enviadas por e-mail, e a autora as responderá por escrito.

Uma edição recente da “Christianity Today” trouxe um longo artigo sobre Sarah Young, citando vários teólogos que expressaram preocupações com seu trabalho. “Os leitores críticos querem saber: será que Young pensa realmente que Jesus está falando diretamente com ela?”, escreve Melissa Stefan, autora do texto.

Kriss Bearss, responsável pelos livros de Young na editora Thomas Nelson, disse que os críticos da autora não entendem as nuances do projeto dela. “Young não diz que Jesus fala com ela”, explicou Bearss.

“Acho que ela foi bastante clara a esse respeito nos prefácios de seus livros. Ela não pensa, de modo algum, que seus textos sejam sagrados ou que ela tenha recebido novas revelações.”
Na introdução de “O Chamado de Jesus”, Young escreve: “Decidi ouvir Deus com a caneta na mão, escrevendo o que acreditava ser o que Ele estava dizendo”.

Sarah Young se formou no Wellesley College, no Massachusetts, em 1968, é casada com um missionário presbiteriano e tem dois filhos e dois netos. Está no processo de se mudar da Austrália para o Tennessee.

Na teologia protestante tradicional, as revelações de Deus cessaram desde os tempos bíblicos. Pessoas que alegassem receber ensinamentos novos diretamente de Deus estariam se declarando profetas. Para uma presbiteriana como Sarah Young, isso é proibido. Mas Young disse que está fazendo algo diferente.

“Concordo que a revelação parou, na medida em que a Bíblia está completa”, escreveu Young. “Mas o que eu faço é escrever textos de devoção. Para isso, peço a Jesus que guie minha mente quando passo tempo com Ele –para me ajudar a pensar os pensamentos d’Ele.”

Em certo sentido, o que ela faz não é nada de novo. Existe uma longa tradição de cristãos que interpretam a presença de Deus na vida das pessoas. “Os textos de devoção são um gênero fundamental na categoria de escritos religiosos do setor editorial cristão”, disse Lynn Garrett, que cobre livros de religião para a “Publishers Weekley”.

O trabalho de Young é incomum por usar a voz de Jesus na primeira pessoa, e é fácil perceber como isso pode incomodar alguns cristãos tradicionalistas. Mas, quando se lê um número suficiente dos textos da série, o argumento da autora de que Jesus não está falando se torna mais plausível.

Aparecem metáforas bizarras, que não soam como algo que poderia ser dito por Jesus: “Seus pensamentos cercam o problema como lobos famintos”, diz um texto devocional em “O Chamado de Jesus”. E há o jargão contemporâneo de textos sobre bem-estar: “Sua capacidade de concentração pode ser prejudicada por estresse e fadiga”, lemos em “Jesus Today”.

Esse livro, posterior a “O Chamado de Jesus”, foi escolhido o Livro Cristão do Ano de 2013. Há um app “Jesus chamando” para smartphones e há audiolivros, agendas e outros produtos.

Quer Sarah Young esteja falando como Jesus, sobre Jesus ou com Jesus, sua voz está sendo ouvida. Se não literalmente, em telas e páginas –milhões delas.

Flupp vai premiar textos produzidos por universitários

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Publicado em O Globo

RIO – A Festa Literária das Periferias (Flupp) vai premiar os universitários que participarem das mesas literárias promovidas pelo evento, entre os dias 20 e 24 de novembro, em Vigário Geral. Entre as recompensas está uma viagem de uma semana para Paris, com direito à hospedagem. As inscrições devem ser feitas pelo site da Flupp.

Para participar, os estudantes terão que produzir um texto de 45 linhas sobre as mesas que assistiu. O material será avaliado por uma comissão de professores e receberá notas de zero a dez. Os alunos do curso de Letras receberão certificados que podem contar como crédito.

A avaliação final será feita por um sistema de pontuação que agregará pontos a quem chegar cinco minutos antes do início de uma mesa, permanecer até o final ou levar um convidado.

Além da viagem para Paris, os participantes concorrem a 10 e-readers kindle, 30 vale-livros no valor de R$ 40 e 30 ingressos de cinema. Também podem se inscrever alunos matriculados em cursos de extensão universitária e integrantes da Flupp Pensa (processo de formação de leitores e autores da Flupp).

Livro, um alvará de soltura

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Imagem Google

Martha Medeiros, no blog Assim Somos

O livro é a vista panorâmica que o presídio não tem, a viagem pelo mundo que o presídio impede

Costumo brincar que, para conseguir ler todos os livros que me enviam, só se eu pegasse uma prisão perpétua. Pois é de estranhar que, habituada a fazer essa conexão entre isolamento e livros, tenha me passado despercebida a matéria que saiu semana passada em Zero Hora (da qual fui gentilmente alertada pela leitora Claudia) de que os detentos de penitenciárias federais que se dedicarem à leitura de obras literárias, clássicas, científicas ou filosóficas poderão ter suas penas reduzidas.

A cada publicação lida, a pena será diminuída em quatro dias, de acordo com a Portaria 276 do Departamento Penitenciário Nacional (Depen). No total, a redução poderá chegar a 48 dias em um ano, com a leitura de até 12 livros. Para provar que leu mesmo, o detento terá que elaborar uma resenha que será analisada por uma comissão de especialistas em assistência penitenciária.

A ideia é muito boa, então, por favor, não compliquem. Não exijam resenha (eles lá sabem o que é resenha?) nem nada assim inibidor. Peçam apenas que o sujeito, em poucas linhas, descreva o que sentiu ao ler o livro, se houve identificação com algum personagem, algo simples, só para confirmar a leitura. Não ameacem o pobre coitado com palavras difíceis, ou ele preferirá ficar encarcerado para sempre.

Há presos dentro e fora das cadeias. Muitos adolescentes estão presos a maquininhas tecnológicas que facilitam sua conexão com os amigos, mas não sua conexão consigo mesmo. Adultos estão presos a telenovelas e reality shows, quando poderiam estar investindo seu tempo em algo muito mais libertador. Milhares de pessoas acreditam que ler é difícil, ler é chato, ler dá sono, e com isso atrasam seu desenvolvimento, atrofiam suas ideias, dão de comer a seus preconceitos, sem imaginar o quanto a leitura os libertaria dessa vida estreita.

Ler civiliza.

Essa boa notícia sobre atenuação de pena é praticamente uma metáfora. Leitura = liberdade ao alcance. Não é preciso ser um criminoso para estar preso. O que não falta é gente confinada na ignorância, sem saber como escrever corretamente as palavras, como se vive em outras culturas, como deixar o pensamento voar. O livro é um passaporte para um universo irrestrito. O livro é a vista panorâmica que o presídio não tem, a viagem pelo mundo que o presídio impede. O livro transporta, transcende, tira você de onde você está.

Por receber uma quantidade inquietante de livros, e sem ter onde guardá-los todos, costumo fazer doações com frequência para escolas e bibliotecas. Está decidido: o próximo lote será para um presídio, é só escrever para o e-mail publicado nesta coluna. Que se cumpram as penas, mas que se deixe a imaginação solta.

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