Posts tagged textos

Atriz e escritora, Fernanda Torres lança o segundo romance

0
O primeiro romance, Fim, publicado em 2013, já anunciava a habilidade literária de Fernanda. Crédito: Bob Wolfenson/Divulgação. Atriz e escritora Fernanda Torres.

O primeiro romance, Fim, publicado em 2013, já anunciava a habilidade literária de Fernanda.
Crédito: Bob Wolfenson/Divulgação. Atriz e escritora Fernanda Torres.

A obra tem um texto envolvente sobre um ator decadente: na arte, se reinventar é questão de sobrevivência

Nahima Maciel, no Correio Braziliense

Mario Cardoso é um ator acomodado, que acabou por confundir emprego com profissão depois de viver uma época de ouro da televisão brasileira. Conseguiu contrato fixo em uma grande rede, nunca mais repetiu o brilhantismo exibido no palco em uma única peça, degringolou e só se reencontrou mesmo como ator depois de uma tragédia que o jogou nos braços de Macbeth. É um personagem que já nasceu homem, conduzido por um narrador levado a pulso firme por outra atriz, Fernanda Torres. A glória e seu cortejo de horrores, segundo romance da artista, é uma prova de que a reinvenção constante pode abrir portas para universos inimagináveis.

O primeiro romance, Fim, publicado em 2013, já anunciava a habilidade literária de Fernanda. Com personagens cujas vidas risíveis e inúteis rendiam mortes grandiosas “pela simples tragédia de que tudo é passageiro”, nasceu de um convite de Fernando Meirelles para que escrevesse um conto adaptável para uma série de televisão. Virou um dos melhores romances lançados em 2013 e esteve entre os finalistas do Prêmio Jabuti. A ironia, o humor negro na medida certa e a elegância do texto colocaram o nome da atriz na estante da literatura contemporânea brasileira.

A glória e seu cortejo de horrores vai além. Talvez por Fernanda estar mergulhada no mesmo universo de seu personagem e ser tão lúcida e consciente das implicações de sua profissão, talvez porque o mundo da escrita seja uma consequência do palco, um espaço de reflexão mais pausada e sincera, o fato é que o romance está entre os textos mais saborosos e inteligentes publicados nestes últimos meses de 2017. “A maturidade te traz a ciência da sua profissão, por outro lado, perde-se o viço, a novidade, é uma carreira que exige a reinvenção diária, e castiga aqueles que se acomodam, como é o caso do Mario Cardoso”, explica a atriz, em entrevista ao Correio. O título do livro, ela tirou de uma frase repetida pela mãe, mas ouvida pela primeira vez da primeira mulher de Jô Soares, Teresa Austregésilo, que dizia preferir a morte e seu cortejo de horrores a fazer algo que não queria. “Adoro essa frase, que resume, como nenhuma outra, a ansiedade em torno de uma profissão exposta, pública”, diz Fernanda.

A escrita entrou para a vida da atriz graças a um convite de Mario Sergio Conti para assinar um artigo na revista Piauí sobre o medo de estar em cena. “Era um texto longo, e vi que eu tinha fôlego e prazer de escrever”, conta. A parceria rendeu e ela virou colaboradora da revista para depois escrever regularmente na Veja Rio e na Folha de São Paulo. Fernanda passou então a ter uma rotina de escrita produtiva. Agora, aos 52 anos, ela faz o caminho inverso: adaptou Fim para uma série de televisão prevista para ir ao ar em 2020. É o ciclo da reinvenção a qual Mario Cardoso não conseguiu se impor e no qual sua criadora mergulha com gosto. “Escrever me dá liberdade de criar sozinha, sem ter que levantar a produção de uma peça, de um filme, ou de depender de convites, basta a sua imaginação, bons editores, tempo e uma certa capacidade de concentração. Uma atividade completa a outra, porque a solidão da escrita pode se transformar em algo insalubre, solitário, e aí, atuar, que é uma profissão física e coletiva, compensa o isolamento”, acredita.

Entrevista /Fernanda Torres

O personagem de A glória e seu cortejo de horrores é um ator de 60 anos que tenta repetir um sucesso de quando era jovem e percebe a necessidade (e a dificuldade) de sempre se reinventar. Você passou por isso?
Passei por isso muitas e muitas vezes. A arte nunca te deixa em paz. No teatro, é preciso repetir tudo no dia seguinte, um diretor de cinema carrega o andor de um filme por quatro, cinco anos e, quando estreia, assim como acontece com um escritor, te perguntam qual é o seu próximo trabalho. E não é uma atividade necessária, aparentemente não, é algo inútil, criar, não há nada de concreto nisso, você faz por pura necessidade de fazer. A profissão de ator, para ficar nela, é feita de muitos fins. As peças sempre acabam, as novelas, os filmes. Você vive um idílio ou um pesadelo que jamais te deixa seguro. É diferente da perspectiva de um emprego de longo prazo, em que você galgará uma posição numa empresa, não há essa lógica. Os primeiros vinte anos são fáceis, depois complica, minha mãe sempre me disse essa frase. No início, apesar da falta de prática, tudo é lucro, qualquer papel é papel, e você conta com o fato de ser inédito, de ninguém saber dos seus limites. Ali pelos trinta, senti angústia de fazer uma profissão tão dependente de convites, de oportunidades passageiras. Comecei a produzir teatro e a escrever sem compromisso. O Mario é um pouco de todos nós, atores brasileiros, que lidam com um mercado pequeno, num país caótico.


Escrever na pele de um homem muda alguma coisa?

Ajuda a me afastar de mim, a não ser confessional. Como me conhecem, eu não conto com o mistério oculto naquela voz. Eu nem pensei se ele seria homem ou mulher, o Mario já nasceu homem, antes mesmo de eu decidir. Acho que é para não ser eu.

Em determinado momento, o protagonista se dá conta de que confundiu emprego com profissão.Como evitar isso em uma carreira longeva?
É dificílimo. O cansaço vem, as contas aumentam, os filhos. Eu nunca tive contratos longos, o que me dava muita ansiedade. Depois dos Normais, achei que fecharia um contrato, mas quis fazer os Budas, o Casa de Areia, e acabei ficando sete anos trabalhando por obra certa na televisão. O Tapas e Beijos foi o mais perto que cheguei de uma relação longa de emprego na minha profissão. Íamos de março a dezembro, foram cinco anos convivendo com um elenco maravilhoso, no mesmo cenário, com os mesmos personagens, eu jamais havia experimentado isso. Como eu não tenho o fôlego da Andréa (Beltrão), que conseguia ensaiar teatro, estrear, trabalhar de segunda a segunda, comecei a escrever. Você vai achando brechas para não se acomodar, para aproveitar a bênção de ter um programa como o Tapas e beijos, por exemplo, e remar por fora, se diversificar, para não ficar dependente deste ou daquele êxito.

“Gritar es fácil, Mario, lo difícil es hacerse oír; y no lo serás, si no comprender lo que decís”, diz o diretor ao protagonista. Você, Fernanda, sempre soube disso?
Eu sempre acho que não vou dar conta, leio os papéis e acho que não vai dar certo. Você aprende, com o tempo, a não querer brilhar de cara, a controlar o ego, a atacar com humildade o personagem. Fiz muito teatro de improviso, depois, fui atrás do Tchekov, na Gaivota, que me ensinou muito sobre como se aproximar de um personagem, e depois fiz os Budas, que considero meu trabalho mais maduro nesse sentido. O Renato Borghi me disse, depois do Rei da Vela, que levou 50 anos para fazer aquele texto sem esforço. Atingir esse paraíso do não esforço, esse lugar em que você é o personagem, em que você domina, sem prepotência, o papel, é o nirvana, mas nada garante que se chegará lá. Controlar a expectativa de acerto, ficar receptivo, tentar compreender o que se está dizendo, são coisas que não se ensinam, não se aprende nada disso, você experimenta na prática. E também não há garantia de que aquilo vá se repetir, é tudo muito fugaz, movediço, a arte não é uma ciência exata.

Há muitas citações no romance, sempre muito bem colocadas e sempre associadas ao humor e à ironia. Pode falar um pouco sobre como a combinação desses dois elementos são importantes quando você escreve?
Não escolho a ironia ou o humor. É o que sou. O Sérgio Rodrigues disse que eu sou tragicômica, sempre achei que a vida é tragicômica, que não há tragédia sem comédia, e vice-versa, isso é algo que experimentei atuando. Li muito Flaubert na adolescência, foi o primeiro autor que li em série. Jamais esqueci a crueldade, da ironia dele e, ao mesmo tempo, do sentido trágico da pequenez humana que ele descreve tão bem. E tem Nelson Rodrigues, que é o escritor que mais nos traduz, feroz, louco, cômico e trágico. Não chego ao Nelson, e muito menos ao Flaubert, mas sou marcada por eles. As citações já estavam no Fim, mas sobre pessoas que ninguém conhece, acho que todo escritor tem essa alma de ladrão.

O teatro, o cinema e a TV refletem o Brasil de hoje?
De sempre. Estamos num momento de ataque à arte. Só poderíamos estar, o país está insatisfeito consigo mesmo, há uma raiva, um recalque que se reflete no ódio à cultura. Foi sempre assim. O Zé Celso disse, outro dia, que a Bossa Nova, o Cinema Novo, o Arena e o Oficina foram paridos pelo suicídio de Getúlio. Minha mãe conta que a estreia de O Mambembe, no Municipal, foi uma comoção como ela nunca viu. Hoje, ela entende que o público estava comungando ali, no teatro, com Arthur de Azevedo, o fim da Capital do Rio de Janeiro, que se mudaria para Brasília pouco depois. A retomada do cinema e os favela movies vieram junto com a redemocratização. O fim da Embrafilme aconteceu na mesma penada do confisco da Zélia Cardoso de Mello. Tudo que foi feito na música, no cinema e no teatro, durante a Ditadura Militar, refletia o enfrentamento a um inimigo comum. A arte é um reflexo direto do país, não é diferente agora.

O que te deprime no Brasil de hoje?
Quase tudo. Os séculos de ignorância que deram nesse Congresso que vota contra nós mesmos. A criminalização da Cultura. A ameaça ao sincretismo religioso. Impressiona a dificuldade de se chegar a um meio termo, um livre mercado sadio, regulado com a ajuda do estado, para diminuir a desigualdade social. Isso é tido como esquerdopatia. O nível de discussão anda muito baixo e oportunista, feroz, agressivo. O Rio de Janeiro ter chegado a esse grau de rapina é tudo muito chocante. E essa discussão imbecil entre esquerda e direita, como se houvesse esquerda e direita num país sem saneamento básico. A questão hoje é como lutar contra a concentração de riqueza, que só piorou, e que está disseminando essa insatisfação geral, esse niilismo ofensivo do quanto pior, melhor. Não é só no Brasil, é um fenômeno mundial de empobrecimento da sociedade, de medo e falta de saída.

O personagem também reflete muito sobre como se fazia teatro e televisão no Brasil nos anos 1960 e 1970 e como está hoje. Para você, Fernanda, o que mudou essencialmente nessa área?
Tudo, o próprio meio de produção. A internet mudou tudo, estamos em plena revolução. Eu só assisto à televisão em celular, vejo filmes em VOD, não há mais diferença física entre cinema e televisão, é tudo pixel. Está todo mundo viciado em internet, por outro lado, o livro físico sobreviveu, os jovens leitores gostam de comprar livros. Aos poucos, jornais como o The Guardian provam o quanto é importante uma curadoria confiável, em meio ao oceano de fake news.

A criação literária é diferente da criação de um personagem na dramaturgia?
Mas eu não conheço gênero mais difícil do que o teatro, para se escrever. Minha mãe, certa vez, perguntou ao Drummond o porquê de ele não escrever para o teatro e ele respondeu: “muito difícil”. A escrita dramatúrgica é feita de ação, não há gordura, não há descrição, é seco, é árido. Para mim, a literatura se assemelha ao subtexto que um ator cria entre as falas. Tudo o que não é dito, tudo o que se imagina para dar corpo a um personagem. A voz interior.

Redação no Enem: Dicas para um texto nota 1000

0
 Divulgação Uma redação nota 1000 pode carimbar o passaporte para uma boa faculdade.

Divulgação
Uma redação nota 1000 pode carimbar o passaporte para uma boa faculdade.

 

HuffPost Brasil e Descomplica ajudam você a se preparar para o Exame Nacional do Ensino Médio.

Vivian Jordão, no HuffpostBrasil

O HuffPost Brasil está publicando uma seção com dicas e informações em parceria com o Descomplica, canal especializado em conteúdos para vestibulandos.

Nesta semana, a disciplina em debate é Redação.

Conversamos com o professor Rafael Cunha e discutimos os pontos principais para uma redação nota 1000.
Como deve ser a estrutura do texto? O título é obrigatório?

A redação tem limite de 30 linhas. O ideal é que o texto seja construído em quatro ou cinco parágrafos. Normalmente, os alunos que escrevem quatro parágrafos conseguem notas maiores. O título não é obrigatório e conta como uma linha. Os candidatos devem utilizar os três componentes: Introdução, desenvolvimento e conclusão.

É importante se posicionar sobre o tema?

O posicionamento é uma necessidade. Trata-se de um texto dissertativo-argumentativo. O objetivo maior é convencer o leitor a partir de um ponto de vista e uma tese, que deve ser defendida com argumentos. É possível se posicionar completamente contra ou completamente a favor da proposta, porém, uma pessoa crítica é aquela que consegue fazer observações sob diversos ângulos, e não somente sob uma perspectiva. Por exemplo, o tema de 2015 foi violência contra a mulher. Não cabe discutir se você é a favor ou contra. Todos são contra a violência. O importante é discutir e tentar entender os motivos ou razões de, em pleno século 21, esse tipo de comportamento ou realidade ainda existir.

O que os alunos devem ler para fazer um bom texto?

A própria banca fornece textos de apoio. Não se deve copiar os textos, mas usá-los como referência para o tema. Além disso, quanto mais antenado o aluno estiver, melhor. É sempre bom ler notícias dos principais veículos, sempre com perspectiva crítica.

É permitido fazer perguntas na redação?

Sim, desde que sejam perguntas retóricas, ou seja, perguntas que servem para afirmar algo. Perguntas que trazem dúvidas do autor do texto não devem aparecer no texto.

A criatividade é um critério de avaliação?

Não é um critério de avaliação, mas, sem dúvida alguma, pode causar uma boa impressão para o corretor. Entre milhões de redações que serão produzidas, aquela que for mais criativa vai chamar atenção positivamente. É uma maneira de diferenciar-se.

Como prender o leitor e deixar o texto mais interessante?

O aluno deve utilizar um repertório sócio-cultural produtivo. Se o candidato conseguir fazer referências históricas, geográficas, filosóficas e citar pensadores, obras literárias e filmes, isso torna sua redação diferenciada, reforça sua capacidade argumentativa e aumenta sua nota.

O que não pode ter no texto de jeito nenhum?

Desrespeito aos direitos humanos é proibido. O aluno que não respeitar essa regra terá sua nota anulada. Não pode haver citações que não correspondam ao tema, como por exemplo receitas de bolo ou hinos de futebol, que escreveram no ano passado. Por se tratar de um texto dissertativo-argumentativo, a linguagem deve ser impessoal, ou seja, não deve aparecer “eu acho”, “eu penso”, “eu acredito” ou qualquer outra expressão na primeira pessoa do singular. A linguagem deve ser adequada à norma culta da língua, portanto, registros de oralidade e informalidade, como gírias e abreviações coloquiais, não devem aparecer.

Não oferecer uma proposta de solução para o tema proposto faz o candidato perder pontos?

Sim. Se o aluno não discutir propostas de intervenção, pode perder até 200 pontos.
O que fazer na reta final de preparação?

1. Verificar os temas dos anos anteriores e se acostumar com a linguagem utilizada pela bancada;

2. Conhecer muito bem os critérios de correção. São cinco competências, cada uma valendo 200 pontos;

3. Fazer muitas redações pelas próximas semanas. Pelo menos 3 redações por semana para ir treinando;

4. Buscar textos de anos anteriores que obtiveram nota máxima para servir como fonte de inspiração.

Os cinco melhores livros escritos por atrizes brasileiras

0

Alguns atores brasileiros expandem sua arte para outros tipos de trabalhos; conheça os cinco melhores livros escritos por atrizes

Publicado no IG

O talento de muitos atores brasileiros é, de fato, inquestionável. E alguns possuem uma veia artística tão inquestionável que os limites da arte se expandem para outros tipos de trabalhos, além da TV , do cinema e o teatro , como a música e a literatura. Graças a isso, temos atores- escritores , com livros que causam verdadeira febre nas livrarias de todo o país.

Diversos atores brasileiros têm se aventurado pela literatura; veja os melhores livros escritos por atrizes

É o caso, por exemplo, de Fernanda Torres, que publicou dois livros – que chegaram ao posto de best-seller por semanas após seu lançamento. Isso faz parte da nova geração de atores brasileiros , que ostentam diversos talentos e, entre eles, a literatura. Apesar disso, há muitos outros exemplos de outros artistas, como músicos que também se aventuram a escrever livros – esse é o caso de Chico Buarque , com as obras ” Budapeste ” e “Leite Derramado “.

O iG fez uma seleção com os cinco melhores livros escritos por artistas do meio televisivo brasileiro. Confira os melhores livros escritos por atrizes brasileiras:
“Fim” – Fernanda Torres
4g0s7cnsh7c0npxmv3v0ochjp
Reprodução/Facebook
Fernanda Torres lançou “Fim” em 2013 , que conta a história de cinco amigos cariocas

Embora o público tenha se acostumado a ver Fernanda Torres nas telas da TV e do cinema, antes de publicar seu livro, a atriz já havia feito contribuições para a revista piauí , além de contribuições em colunas da Veja Rio e da Folha de S. Paulo . Lançado em 2013, “Fim” conta a história de um grupo de cinco amigos, todos cariocas. Ao longo da narrativa, eles vão relembrando as passagens importantes de suas vidas.

Todos eles são figuras muito extremas, com grandes diferenças entre si – mas suas personalidades se complementam. Com temas como calor, mulheres, homens, sexo e virilidade, Fernanda Torres mostra que sua versatilidade como atriz também é válida como escritora, e cada personagem tem suas peculiaridades. Além disso, a narrativa segue uma mescla entre primeira e terceira pessoa, conforme os personagens vão se alternando entre relembrar fatos do passado e vivenciar o presente.

 

“Dedo Podre” – Nivea Stelmann

1eknduevb291rl0z6ldol27aq

Reprodução
Nívea Stelmann publicou “Dedo Podre”, baseado nas decepções amorosas que teve ao longo de sua vida, e enaltece o amor próprio

Nivea Stelmann escreveu “Dedo Podre” baseando-se em fatos reais de sua vida. Cada capítulo aborda uma história de amor frustrada que ela viveu. Términos, desilusões amorosas e expectativas frustradas se juntam para formar um livro de humor despretensioso sobre os fantasmas de relacionamentos passados que assombram as mulheres de hoje.

Tudo isso, porém, sem exaltar o sofrimento dos términos de relacionamento. Pelo contrário, em suas narrativas, Nivea Stelmann busca enaltecer o amor próprio, o desapego e as infinitas possibilidades que a vida nos dá de começar tudo de novo quando algum relacionamento ruiu. Ela também inclui algumas dicas para as leitoras para se livrarem do que chama de “homens-cilada” e como fazer para identificá-los.

“Dedo Podre” foi publicado no ano de 2013.
“É Duro Ser Cabra na Etiópia” – Maitê Proença

0jpvdu2t9brakv27z6mvguklb

Zô Guimarães / Revista Poder / divulgação
Maitê Proença publicou seu livro colaborativo intitulado “É Duro Ser Cabra na Etiópia” com a ajuda de internautas, que enviaram textos e ilustrações para compor a obra

“É Duro Ser Cabra na Etiópia” é um livro colaborativo de textos independentes, com organização de Maitê Proença. Nele, estão reunidos textos cômicos que a atriz recebeu, através de seu blog, de internautas e que achou “alguma graça”. Há também textos escritos pela própria atriz.

De tema livre, o livro traz um humor leve e divertido, sem grandes pretensões. Há também textos de autores reconhecidos, como Carlos Heitor Cony e Tatiana Salem Levy, costurados pelo humor e divagações da própria atriz. As imagens que estão no livro também chegaram através do blog que a atriz criou com essa finalidade.

“É Duro Ser Cabra na Etiópia” foi lançado no ano de 2013.
“Lucíola” – Vera Fischer

04l0nv28yb2od3ybbi7w9uzov

Divulgação
Vera Fischer escreveu “Lucíola”, obra cuja protagonista tem algumas semelhanças e muitas diferenças com a cortesã homônima de José de Alencar

Assim como a cortesã de José de Alencar, a Lucíola de Vera Fischer também encontra no amor a sua redenção. Ambientada em um Rio de Janeiro de tons fortes, ela também dialóga sobre moral e preconceito, mesmo que viva cercada de drogas, alcool, violência e desamparo. Mesmo em meio a tanto caos, esta Lucíola consegue um equilíbrio perfeito entre a determinação e a beleza das atitudes simples.

Lucíola vive um intermédio entre o tédio e a revolta. Tudo isso é retratado de uma ótica feminina, sem rebeldia, mas com espaço para os diálogos, tentando definir limites entre o certo e o errado. Muitas das características da personagem são parte conhecida da personalidade da atriz e escritora. E, a cada nova reviravolta, temos uma personagem que se reinventa, mostrando novas facetas.

“Lucíola” foi lançado no ano de 2013, e é o segundo livro de Vera Fischer.
“Sofia” – Mayana Neiva

c72rp97y6z84a8lmq8ndy7vzp

Paulo Marcos
Mayana Neiva escreveu o livro infantil “Sofia”, que leva os pequenos a uma viagem sobre o conhecimento e o mundo a nossa volta

“Sofia” é um livro infantil sobre as descobertas que todas as crianças fazem na infância. A narrativa conta todos os desdobramentos e peripécias da jovem Sofia após engolir o Sol. Para compor essa aventura fantástica, a atriz teve de mergulhar fundo em sua imaginação e redescobrir o que é ser criança.

Apesar de ser um livro voltado para o público infantil, Mayana o transformou em uma bela história sobre o que significa ter conhecimento, e a forma como tudo o que sabemos pode afetar o mundo a nossa volta. Transformando sentimentos e palavras, o leitor entra em uma viagem para sentir o vento na pele de mãos dadas com a pequena Sofia.

“Sofia” é o primeiro livro da atriz e modelo Mayana Neiva, que faz parte dessa nova geração de atores brasileiros, e foi publicado no ano de 2011.

‘Minha terra tem horrores’: versão de poema feita por alunos do Rio causa comoção nas redes sociais

0

‘Canção do exílio’, escrita há 170 anos por Gonçalves Dias, foi parafraseada em escola estadual e ganhou tons trágicos. ‘Me leve para um lugar tranquilo, onde canta o sabiá’, diz texto.

Nicolas Satriano, no G1

Há 170 anos, o poeta Gonçalves Dias escrevia a “Canção do exílio”. A poesia atravessou as décadas e foi parafraseada inúmeras vezes. É comum, por exemplo, que na escola professores proponham o exercício aos seus alunos. Nos últimos dias, circula em redes sociais a reprodução de um dos textos elaborado por dois estudantes da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro. A versão carioca rapidamente comoveu a web: expõe, de modo poético, a triste realidade de quem vive em meio à violência que mata inocentes diariamente – inclusive dentro de colégios, como na morte da menina Maria Eduarda.

Paráfrase de poesia narra violência na Penha (Foto: Reprodução )

Paráfrase de poesia narra violência na Penha (Foto: Reprodução )

No texto, não por acaso, os adolescentes escolhem repetir uma das frases da obra original de Gonçalves Dias: “Não permita Deus que eu morra”.

“Minha terra é a Penha, o medo mora aqui. Todo dia chega a notícia que morreu mais um ali. Nossas casas perfuradas pelas balas que atingiu (sic). Corações cheios de medo do polícia que surgiu. Se cismar em sair à noite, já não posso mais. Pelo risco de morrer e não voltar para os meus pais. Minha terra tem horrores que não encontro em outro lugar. A falta de segurança é tão grande, que mal posso relaxar. ‘Não permita Deus que eu morra’, antes de sair deste lugar. Me leve para um lugar tranquilo, onde canta o sabiá”, escreveram os estudantes.

O G1 tentou contato com os alunos, professores e diretor da escola por meio da Secretaria de Estado de Educação. Em resposta, a Seeduc informou que os docentes e estudantes estavam receosos de tratar do tema e não aceitaram os pedidos de entrevista.

A Penha, assim como outros bairros da Zona Norte da cidade, têm traduzido em números os casos de violência. Comparados os meses de fevereiro de 2016 e 2017, os casos de homicídios dolosos – quando se tem a intenção de matar – dobraram, de três para seis casos, de acordo com dados do Instituto de Segurança Pública. Os números de roubos de veículos na área também assustam. Os índices saltaram de 35 casos registrados no ano passado para 79 este ano.

Caos na segurança invade escolas

O texto dos alunos da escola na Penha transparece o caos na segurança estadual que invade as instituições de ensino. Na última quinta-feira (30), a aluna Maria Eduarda, 13 anos, foi morta por balas perdidas enquanto estava na aula de educação física, na Escola Municipal Jornalista Daniel Piza, em Acari. Dois tiros na base do crânio da adolescente foram apontados em laudo como a causa da morte.

Em resposta à morte da aluna da rede municipal, o prefeito do Rio, Marcelo Crivella, anunciou que irá blindar escolas em zonas de conflito. Uma argamassa especial para reforçar as paredes já teria sido importada pelo Município. Além disso, a prefeitura também quer que operações policiais próximas a colégios sejam informadas com antecedência à administração municipal.

Na semana seguinte, mais um caso. Nesta quarta-feira (5), criminosos armados fugiam de PMs do Batalhão de Choque que estavam em operação na comunidade da Mangueira, pularam o muro do Zoológico do Rio e entraram no pátio da Escola Municipal Mestre Waldemiro, já em São Cristóvão. A movimentação assustou alunos e professores. As quase 400 crianças que estudam na unidade têm entre 4 e 12 anos.

A difícil decisão de abandonar a leitura de um livro

2

books-1163695_12801-1

O delicado dilema não muito comum, mas também não tão desconhecido na vida de um leitor: decidir se continua ou não determinada leitura. Afinal, o que leva alguém a abandonar a leitura de um livro?

Mark Alves, no Bons de Texto

Os motivos podem ser os mais diversos, pois é algo particular de cada um. Mas só um leitor sabe o quanto é difícil para ele decidir deixar de lado alguma leitura, seja ela qual for.

Muitas vezes pela temática, por achar incoerente, por não se identificar com o modo de escrita ou até por expectativas frustradas ao longo da leitura. O fato é que o motivo sempre é dos mais relevantes ou urgentes. Abandonar a leitura de um livro dói tanto quanto um soco no estômago. E não é exagero.

Um leitor não abandona um livro por preguiça, falta de tempo ou desinteresse.
Muitos passam dias ou até semanas tentando decidir se continuam ou não. A pergunta que deve ser feita é: o que me acrescentará a leitura de um livro que sequer estou gostando?
Essa pergunta pode ser respondida internamente, fazendo uma análise a respeito da ideia que o livro parece querer passar até aquele momento em que foi lido.

Muitos títulos são extremamente chamativos, com capas muito atrativas e o conteúdo aparentemente bom.
À primeira vista, quando são vistos nas prateleiras proporcionam um encanto quase que instantâneo. Mas os leitores mais assíduos sabem que, na hora de escolher um livro não deve se levar em conta apenas sua linda capa e o visual externo em geral. É essencial analisar bem a sinopse e, se possível, tentar saber mais informações sobre o autor. Essas pesquisas prévias são de suma importância na hora de adquirir um novo livro.

É sabido que sempre houve e sempre haverão escritores medíocres, que nada têm a passar para a sociedade, senão o seu desejo egoísta de se auto-promover. Claro que a literatura é um espaço amplo e que há lugar para todos. Mas isso não significa que qualquer um pode simplesmente achar que é escritor e tentar convencer as pessoas de que seu escrito tem algo relevante, quando na verdade tem apenas um intuito que não é o do bem coletivo.

Por fim, é recomendável que antes de pensar em abandonar a leitura de um livro, dê-se a oportunidade de ser surpreendido. No início pode ser que a leitura esteja massante, mas na maioria das vezes, é no decorrer e o fim das histórias que estão as melhores partes. Livros não são feitos para apenas ocupar um lugar na estante.

Go to Top